Já fazia 10 minutos que Tina rodava pelas ruas de New York, puxando sua mala de rodinhas de um lado para o outro, embora fosse uma boa oportunidade de conhecer a cidade e admirá-la, ela estava perdida. O telefonema para Santana não foi de ajuda, já que a latina parecia estar muito ocupada. “Tina, no puedo hablar ahora!”, e de começo de conversa, Tina já não havia entendido uma palavra sequer. “Santana!”, parecia ser a voz de Brittany. “Escuchas eso? Lo sabes el camiño, salir de la estacion, a la derecha, a la derecha, a la izquierda, a la derecha. Tengo que volver a mi rubia! Adios!”

Tina sabia que Santana só falava em seu idioma nativo em dois casos: ou ela estava muito nervosa, ou muito animada, mas na situação que ela imaginou, ela podia estar com ambos os sentimentos. Nem queria imaginar o que estava se passando naquele apartamento.

As aulas de Mr. Schuester serviram de algo na vida de Tina, afinal, após alguns minutos raciocinando e caminhando, ela estava em frente ao prédio onde moraria nos próximos meses. Pelo menos, era o que ela esperava, não queria ficar em um apartamento com Brittana para sempre, ela sabia que em algumas noites elas chegariam bêbadas e iam querer se divertir, o que não permitiria que Tina dormisse, mas a oferta de Brittany era irrecusável, Tina estava partindo para New York sem ter lugar para ficar, além do mais, ela estaria morando com duas amigas próximas.

Após subir seis lances de escada para chegar ao terceiro andar, — já que foi informada por um morador que o elevador estava em manutenção — Tina finalmente estava próxima de seu novo lar, e não foi preciso ela checar nos números nas portas para identificar qual era o apartamento. Desde o começo do corredor, ela ouvia gritos e risos de Santana e Brittany, elas são como animais, pensou enquanto chegava no final do corredor, de onde o barulho vinha. Porta 39, ela bateu e aguardou que a atendessem.

– Ela chegou, vista-se Britt-Britt, apenas meus três olhos podem ver tudo isso — dizia Santana enquanto abria a porta, mantendo a atenção na namorada que estava dentro do apartamento, e em seguida, olhou para Tina, cruzando os braços. — Hey Christina Yang! Antes de entrar no meu palácio e acabar com minha privacidade, algumas regras. Primeiro, não traga nenhum garoto aqui sem avisar antes para que eu fique bem longe desse prédio, principalmente se for algum japonês, chinês, tailandês, sei lá de que raça você é, eu não quero ver coito asiático — ela semicerrou os olhos para mostrar sua seriedade.

– Não precisa se preocupar com is…

– Shh, eu não terminei — ela ergueu seu dedo indicador e manteve levantado enquanto terminava de falar — Segundo, nada de canções de musicais! — ela disse as palavras com calma e devagar, para que ela entendesse bem — Na verdade, sem qualquer cantoria aqui, os vizinhos não gostam. Sabe, eu tentei presenteá-los com minha bela rouquidão cantando Alicia Keys e eles quiseram literalmente me tornar uma garota em chamas… Oh! Terceiro e não menos importante, arranje um emprego, porque fazemos todas as refeições fora, não temos cozinha, derrubamos a parede e juntamos o cômodo com nosso quarto, precisávamos de mais espaço — ela deu um sorriso malicioso e não hesitou uma risadinha. — Uhm… Acho que é só. Brittany, algo a acrescentar? — Santana abriu mais a porta para que sua namorada pudesse ver Tina.

Brittany estava atrapalhada com uma camiseta, sua cabeça entrava pelo buraco da manga, e seu braço, pela gola, ela ficou parada por uns segundos para pensar, Tina observava Santana segurar o riso enquanto olhava para a namorada.

– Oh! Se você encontrar uma arma, não se preocupe, é de chocolate — assentiu, depois ficou séria — Ou pode ser da Santana, eu desconfio que ela seja de uma gangue. — Santana olhou para Tina com as sobrancelhas arqueadas e assentindo, como se não descartasse a ideia dela participar de uma gangue. — Isso me excita — concluiu Brittany.

– Enfim, eu acho que é isso, pode entrar e se acomodar, não vou fazer sala pra você, não é visita mesmo. — Santana se afastou da porta e se jogou no sofá.

Tina puxou sua mala para dentro e observou o local, era organizado, espaço suficiente para três pessoas. Ela cumprimentou Brittany e sentou-se no mesmo sofá que Santana, ainda olhando os móveis, decoração, com um sorriso no rosto.

– Seja bem-vinda asian number one — disse Santana com um sorriso discreto.