Who's loving you

13 Capítulo X - Black.


Notas iniciais
Depois desse capítulo inicia-se uma nova fase da fic. A última cena (brittana) foi escrita pela minha amiga, Sants, que aqui no NYAH! é whatever, agradeço à ela pela ajuda (:

O vazio naquele corredor era como o de sua mente. Na verdade, em sua cabeça, só se passavam imagens, mais precisamente, uma imagem. Deena fechando os olhos para sempre. Aquilo estava a perturbando, sem contar o que veio depois. O desespero de Mike, toda aquela coisa de ligar para a família... Eles ficaram pelo menos, mais uma hora no hospital, depois de saberem o que aconteceu. Tina estava em choque, as tentativas de acalmar Mike foram quase em vão, então, Rachel e Kurt trataram dessa parte. Mike precisava ir para a casa dos pais de Deena, seria um longo dia, uma longa semana. Rachel, Kurt e Tina foram para casa de táxi. Ao perguntarem se Tina precisava de companhia por algumas horas, ela negou, e embora estivessem preocupados, não insistiram e foram para casa.
Estava anoitecendo quando Tina chegou em casa, ela parecia indiferente, mas sua cabeça estava uma bagunça, ela estava exausta, não fisicamente, mas psicologicamente. Subiu as escadas devagar, com o olhar vago, não sabia como não tinha tropeçado ou até mesmo caído no caminho.
Girou a maçaneta e abriu a porta de seu apartamento, encontrando Brittany e Santana no sofá. Elas não ficaram tanto tempo na delegacia, então.
Assim que viu Tina, Santana pulou do sofá, com um sorriso nos lábios, e abraçou a garota, que permaneceu no lugar, imóvel. Mas aos poucos, seus braços se ergueram e ela abraçou a amiga.
– Tina! Pensei que nunca mais fosse te ver! Acredita que essa ideia me deixou triste? — ela dizia, enquanto a abraçava.
Acho que tudo o que Tina precisava, era aquilo. Um abraço. Kurt e Rachel a abraçaram, mas ela não estava mais tão chegada a eles quanto era chegada a Santana. E então, descobriu que o peso que estava sentindo, eram na verdade, lágrimas, e Santana percebeu aquilo.
– É, eu sei que sentiu minha falta. — disse a latina, rindo.
– Eu fiquei muito preocupada com você e estou feliz por estar bem, mas... Não é por isso que estou chorando. — explicou Tina, soltando a latina. Ela secou as lágrimas com a manga de sua blusa e respirou fundo. — Eu estava no hospital.
– Oh, é mesmo! Deena desmaiou quando estavámos lá. Como ela está? — perguntou Santana, mudando seu semblante. Agora, estava preocupada.
– Ela... Ela teve uma parada cardíaca.
– Ela está bem? — perguntou Brittany, inocente. Santana já havia entendido o que aconteceu, e olhava Tina, completamente pasma.
– Britt... A Deena... — começou Santana, sem conseguir encontrar um modo de dizer aquilo sem deixar a loira muito assustada. — Bem, a Deena não está mais entre nós.
– Ela viajou ou algo assim? — talvez a melhor coisa a fazer era contar de vez o que havia acontecido.
– Ela morreu, Britt. — respondeu Tina, ficando com a voz chorosa, mas a controlando.
Tudo ficou em total silencio por alguns segundos. Brittany ficou chocada, mas não tanto quanto elas pensaram. Ela apenas se levantou e seguiu para um abraço confortante entre as três amigas, para consolar Tina.


(...)


A casa dos pais de Deena era grande, não como uma mansão, mas uma casa de família tradicional dos Estados Unidos. Era linda. Era triste saber que aquele era o local escolhido para acontecer algo tão triste. O velório de Deena.
Tina, Santana, Brittany, Kurt e Rachel entraram juntos. Quantas pessoas. O preto dominava o lugar e fazia as paredes de um laranja claro parecerem cinza. Não foi difícil identificar os pais de Deena, aqueles que todos cumprimentavam e abraçavam. E logo no centro da sala, o caixão aberto. Céus, que visão horrível, era inacreditável.
Os cinco caminharam até eles e os cumprimentaram. O casal sabia exatamente quem era cada um.
– Deena falou de vocês. — disse a mulher, seu nome era Dora, mas todos ali a chamavam de Senhora McGee. — Parecem ser ótimos amigos. — completou, com um pequeno sorriso, mas sincero.
Eles sorriram sem graça. Nunca tiveram tantas conversas e encontros com Deena, mas ainda assim, ela os considerava como amigos.
– Nós sentimos muito mesmo. — disse Rachel, em nome de todos, que concordaram com a cabeça.
– Ela era uma ótima garota... — começou o Senhor McGee, olhando para o caixão. — Não entendo porque isso acontece com gente assim.
A Senhora McGee encostou sua cabeça no ombro do marido, e ambos observavam aquela cena com lágrimas intermináveis rolando em seus rostos.
– Ahn... Mike está por aqui? — perguntou Santana. O dia seguinte da morte de Deena serviu para procurar Mike. Ele não atendia o telefone e nem estava em casa, só se manifestou quando enviou uma sms avisando sobre o velório.
– Ele está no antigo quarto de Deena, lá em cima. Pobre rapaz, está muito abalado. — respondeu o homem, voltando a olhar os garotos ali. — Vamos receber alguns parentes que vieram de longe. Fiquem a vontade.
Ao receber a confirmação de todos, o casal saiu dali e foram fazer o que tinha que fazer.
– Nossa, isso é tão triste. — começou Kurt, indo para a frente de todos.
– Lembra o enterro de sua mãe, não é? — perguntou Tina, vendo Kurt confirmar com a cabeça. — Eu ainda não acredito.
– Eu não acredito que minha cesta de unicórnios não funcionou... Não teve ter prestado porque eu fui na casa dela fazer algo ruim. — dizia Britt, negando com a cabeça.
– Não foi culpa sua. — disse Santana, colocando seu braço em volta da garota.
– É uma pena. Nossas vozes ficaram tão bem juntas. — Rachel se lembrava de quando elas cantaram juntas no restaurante, cruzando os braços.
Enquanto comentavam sobre poucas lembranças sobre Deena, Santana se afastou um pouco, chamando Tina para ir junto com ela. Não foram muito longe dali, apenas alguns metros.
– Por que não vai conversar com Mike? — sugeriu a latina.
– Acha que devo? — perguntou, um tanto receosa.
– Claro. Ele precisa de apoio agora, e ninguém melhor do que você. — respondeu, colocando sua mão no ombro da asiática.
– Tudo bem... E Santana, obrigada, está sendo uma ótima amiga.
– É uma pena que eu só tenha começado a fazer isso depois de acontecerem tantas tragédias... Mas tudo bem. — ela deu de ombros, sorrindo.
Tina retribuiu seu sorriso, e observou a latina voltar ao grupo de amigos.
Antes que subisse as escadas para procurar Mike, Tina pensou no que deveria dizer. E se Mike não quisesse consolo, mas apenas ficar sozinho? E se ele fosse rude ou não entendesse a intenção de Tina? Mas ele também poderia estar precisando de apoio, como Santana disse. Tina precisava considerar todas as possibilidades. Então, colocou a mão no corrimão da escada e começou a subir.
Ela encontrou um corredor não tão grande, com portas dos dois lados. Para sua sorte, todas estavam entreabertas. Ela passou por um escritório, que devia ser do Senhor McGee, dois quartos de casal, um com certeza era dos pais de Deena e o outro, poderia ser de hóspedes. Um banheiro e então, finalmente, um quarto de adolescente.
As paredes azuis, uma penteadeira com um lindo espelho redondo com uma bela moldura, prateleiras com vários livros, uma mesa de estudos, bichos de pelúcia e uma cama com uma linda concha branca, onde Mike estava sentado.
Vestido em um terno preto, a cabeça baixa. Em suas mãos, um porta retrato, do qual ele não tirava os olhos.
– Mike... — ela demorou para chamá-lo, estava indecisa sobre fazer aquilo. Logo que ouviu sua voz, o garoto ergueu a cabeça e olhou para a porta. — Eu posso... Entrar?
– Claro. — ele respondeu, olhando para ela.
E não parou de olha-la, até ela entrar no quarto e sentar-se ao seu lado. Aquele pareceu o caminho mais longo que Tina já percorreu na vida, como se tivesse desaprendido a andar. Somente quando ela se sentou ali, ao seu lado, ele voltou a encarar o porta-retratos. Era Deena quando adolescente. Não tinha mudado muita coisa. Parecia uma foto tirada no dia da foto da escola onde ela havia estudado. Como ela era linda.
– Não conversamos depois do que houve... — ela começou, também olhando para a foto. — E então você sumiu, eu fiquei preocupada... Todos ficaram, na verdade. — ela fez uma pequena pausa, passando a olhar Mike. — Como você está?
– Eu... Eu não sei. — ele balançou a cabeça. — Eu só não acredito.
– Eu sei como se sente... Ou talvez eu não saiba. Eu realmente sinto muito.
– Tina... — ele fechou os olhos por alguns segundos. — Eu fiz coisas erradas com você e não tenho nenhum direito de te pedir isso, mas... — ele fez uma pausa, apertando ainda mais seus olhos, parecia que ele prendia sua respiração, e quando a soltou, Tina percebeu que ele começava um pranto.
– Mike... — ela passou seu braço em volta dos ombros dele, e a outra mão, colocou no rosto do rapaz, fazendo-o encostar a cabeça no ombro dela. — Não importa o que fizesse, eu nunca te recusaria apoio.
E assim ficaram. Ele não chorava desesperado, mas também não estava calado. De vez em quando, Tina ouvia ele puxar o nariz, segurando o retrato de Deena nas mãos. Em nenhum momento ela se afastou ou se moveu.
Seu coração estava apertado, era horrível ver Mike naquele estado. Era bom saber que estava o ajudando, mas um lado dela não queria estar ali o vendo sofrer. Mas ela não podia escapar mais daquele momento, então, permaneceu daquela forma, apenas o abraçando, até que ele se sentisse melhor... Bem, aquilo demoraria muito.
– Oh... — Tina olhou para porta. Era Santana, parada ali e observando os dois. Mike se desencostou de Tina e também olhou a latina, enquanto secava seus olhos avermelhados. — Desculpe... É que a mãe da Deena quer falar umas coisas, queria que todos estivessem ali.
– Ah, tudo bem. — disse Tina, tirando seu braço que estava em volta de Mike e se levantando. Ele ficou ali, ainda secando suas lágrimas e ainda segurando o quadro com uma mão. — Você vem?
– Eu... Eu já vou.
Tina olhou para Santana, que ergueu os ombros. Ela devia continuar ali com ele? Ou aproveitar a chance de escapar? Embora lhe doesse, ela desceu para a sala com Santana.
(...)
As palavras da Sra. McGee foram realmente emocionantes. Não teve um naquela sala que não deixou escapar algumas lágrimas, até mesmo a dura Santana começava a mostrar seu lado sensível.
Ela e seu marido estavam lado a lado, e logo que Mike desceu, eles pediram para que ele ficasse junto à eles também. Esse foi um dos momentos mais tristes.
Tina já estava em casa, era de noite. Santana e Brittany estavam dormindo, mas ela não conseguiu. Foi para o sofá, na sala totalmente escura, e ficou olhando para o nada. Apenas um pequeno raio de luz que entrava pela brecha da janela que a cortina não cobria iluminava um pouco o local.
Encolhida no canto do sofá, ela pensava e repensava sobre as palavras que a Sra. McGee dissera sobre Mike.
"Michael, venha aqui querido (...) Eu agradeço a Deus e todos os santos por terem colocado esse rapaz na vida de minha filha nesses últimos meses. Vocês não têm ideia de como eu me sentia bem quando Deena chegava aqui, todo domingo, sempre na mesma hora, e me contava o quanto amava esse garoto e de como ele a fazia feliz. A minha filha se foi, mas eu tenho certeza de que ela foi feliz toda a sua vida, especialmente nas últimas semanas... Michael, obrigada por ter feito minha Deena feliz, você é como um filho para mim."
Era estranho lembrar de todas aquelas palavras. Ela sentia um frio na barriga, um aperto no peito, um... Desconforto. Não tinha uma vez que ela não recordasse aquele discurso e não desse um longo suspiro. E lembrar do que Deena dissera à ela antes de partir a deixava ainda pior. Tina ainda não havia chorado, ela deixou poucas lágrimas saírem algumas vezes, mas ela não teve aquele choro que tirava um grande peso de si. Que tirava o cansaço. Talvez aquele fosse um bom momento para fazer aquilo, ela se sentiria um pouco melhor e poderia dormir. No dia seguinte, aconteceria o enterro, e ela teria que ir, mesmo que não quisesse.
Ninguém precisava ver. Ela apenas abraçou uma almofada e deixou que toda mágoa saísse. Aquele estava acumulado desde que ela reencontrou Mike no Spotlight Dinner, quando tudo começou. Ela foi para New York com uma inteção: fazer sua faculdade. Mas todos os planos se desviaram da pior forma que puderam, e agora, a consequencia dos acontecimentos eram lamentadas ali, em seu choro silencioso naquela sala escura.


(...)


"Quando eu tinha 15 anos, eu adorava minhas roupas pretas. Elas mostravam que eu era na minha, na minha escuridão e assim, todos ficavam afastados de mim e eu ficava bem assim, de alguma forma, sempre ficava. Mas usar roupas pretas naquele momento não eram a melhor coisa, não fazia eu me sentir eu mesma e muito menos me fazia feliz, de nenhuma forma.
Me olhando no espelho grande que havia no corredor dos quartos, ajeitando minha saia, cada vez mais eu pensava em não ir naquele enterro, afinal, o que eu faria lá?
– Nunca gostei de usar preto. É tão triste. — murmurava Brittany para Santana, ambas saiam do quarto juntas.
– É, mas é preciso, só por hoje. — disse Santana, colocando sua mão no ombro da loira.
– Preto não combinava com a Deena. — eu falei, ainda me olhando no espelho, pude perceber que as duas me olharam confusas. — Ela usava bastante azul.
Eu nunca havia notado, mas quando parei para pensar direito, percebi que Deena sempre estava vestida com roupas azuis, alegres, assim como a cor de seus olhos, era a cor perfeita para ela.
Brittany e Santana ficaram quietas, se entreolhando. Eu passei as mãos pelas minhas roupas para tirar fiapos brancos, quando senti o toque em meu ombro. Era a mão de Santana, e ela estava bem atrás de mim, olhando meu reflexo no espelho.
– Já está na hora. — ela disse.
– Eu não vou. — Santana abaixou as sobrancelhas, ainda me olhando. Brittany estava séria ao fundo. — Eu já fui ao velório, pra que ver o corpo dela sendo colocado debaixo da terra?
– Mas todo mundo vai, Tina. — disse Brittany, ficando do meu outro lado.
– Isso não é por causa do Mike, é? — perguntou Santana, agora olhando para mim.
– Claro que não! — eu respondi nervosa, me virando para ela. — Nem tudo é por causa do Mike, Santana!
– Então por que diabos não quer ir? — ela começava a levantar aquelas mãos de dedos finos, sinceramente, as vezes eu odiava aquele gesto.
– Porque isso não vai me fazer bem! — gritei, com a voz bem firme, eu não estava mesmo em um bom dia, parece que o meu choro escondido da noite passada só fez eu ficar pior.
– Imagina a família da Deena... — murmurou Brittany, abaixando sua cabeça.
– É isso aí, Britt. Imagina a família da Deena! E eles vão porque eles têm que ir. — ela deu enfase na falava "têm", seu tom de voz era alto, mas ela não gritava como eu fiz. — Então vamos ter o mínimo de decência e deixar de lado os NOSSOS sentimentos pra tentar dar apoio aos que mais precisam! — ela cruzou os braços, jogando seu cabelo para trás e respirando fundo, logo, voltou a olhar para mim, abaixando as sobrancelhas novamente — E não me venha com essa de "Isso não vai me fazer bem" — ela usou as aspas, inclinando sua cabeça para o lado. — Porque sua presença lá vai fazer alguém bem, você sabe quem. Não seja egoísta!
Ela estava completamente certa. Deus, por que eu estava fazendo aquilo? Mike precisava do meu apoio, é claro. Eu o apoiei no velório, mas o enterro seria bem mais doloroso. Eu só estava pensando em mim mesma e deixando ele de lado, claro que ele estava sofrendo mais do que eu, claro! E muita gente ia querer conversar com a ultima pessoa que viu Deena viva, eu. Saber de suas últimas palavras, que eu não diria, era muito pessoal.
Meu coração estava apertado, eu abaixei a cabeça e passei as mãos pelos olhos.
– Me desculpe. — eu disse, controlando minha voz chorosa, voltando a me olhar no espelho, com os olhos meio avermelhados.
– Ele precisa de você, Tina. — começou Brittany, me olhando. Em seguida, olhou nossos reflexos no espelho e segurou minha mão. — Estamos aqui com você.
Eu olhei para Santana no espelho, e ela concordou com a cabeça, se reaproximando.
– Obrigada. — eu disse, apertando a mão de Brittany.
– Bem, então, vamos lá. Ainda temos que passar na casa da Nariz de Batata e Patassaura para ganharmos uma carona. — disse Santana, nos empurrando para fora do corredor. — Narrado por Tina Cohen-Chang.


(...)


Era como uma típica cena de filme. Um cemitério com lápides fincadas no chão por todo lugar, a grama verde e flores por todo canto. Grandes arvores formando muitas sombras, mesmo que o dia estivesse nublado, e todos com roupas neutras. O pequeno grupo caminhava até a cerimonia, um padre falava algumas palavras, os pais de Deena e Mike estavam ao lado dele. Tina, Santana, Brittany, Rachel e Kurt iam juntos até lá, avistaram Mike, fizeram um leve movimento com a cabeça para cumprimentá-lo, e acompanharam o discurso do padre, que parecia ter começado há muito tempo.
– Deus está com sua filha. Alguém gostaria de dizer algo para Deena, ou para os familiares? — perguntou o padre, encerrando sua parte ali.
– Eu quero. — disse Santana, erguendo sua mão, para a surpresa de todos.
O padre pediu para que a latina se aproximasse, ficando a frente de todos. Ficaram confusos, a maioria não a conhecia, e quem conhecia, não sabia suas intenções. Ela tinha uma linda rosa branca em suas mãos, junto de seu celular, embora ela tivesse uma bolsa em seu braço onde poderia colocá-lo.
– Eu não era proxima de Deena nem nada disso, mas eu conheço pessoas que eram e eu vim aqui apoiá-las e prestar uma homenagem à menina de olhos azuis... Eu queria cantar uma canção, eu não preparei nada então eu vou usar um karaoke no youtube. — ela mostrou o celular para todos, coçando a nuca, parecia um pouco envergonhada.
Ninguém protestou, então ela se sentiu segura para prosseguir com seu plano. Alguns segundos depois, eles conseguiram ouvir a melodia se iniciando. Santana segurou o celular em uma mão e a juntou com a outra, a frente de seu corpo.
– Summer has come and passed, the innocent can never last. Wake me up when September ends. Like my father's come to pass, seven years has gone so fast. Wake me up when September ends.
A latina observou a reação de seus amigos, que tinham pequenos e discretos sorrisos em seus rostos, orgulhosos com sua atitude, ela conteve seu sorriso e olhou para o vago.
– Here comes the rain again, falling from the stars. Drenched in my pain again, becoming who we are. As my memory rests, but never forgets what I lost. Wake me up when September ends.
Tina mantinha seus olhos em Santana, mas não pode deixar de perceber quando Mike se afastou dali e foi para outro canto, sem sequer avisar os pais de Deena, que não perceberam que ele havia saído, ela ficou preocupada, mas decidiu não fazer nada ainda.
– Summer has come and passed, the innocent can never last. Wake me up when September ends. Like my father's come to pass, twenty years has gone so fast. Wake me up when September ends. Wake me up when September ends. Wake me up when September ends.
E assim a garota encerrou a música, olhando para o padre e assentindo com a cabeça, avisando que já havia terminado. Ela se virou para frente novamente e observou aquela cova, com o caixão já dentro, um arrepio tomou conta de seu corpo e ela fechou os olhos por alguns intantes, até abrí-los e jogar a rosa ali, dando um adeus mentalmente para Deena.
– Obrigada. — ela disse a todos, e caminhou de volta para seus amigos.
Ela recebeu alguns elogios de Kurt e Rachel e se aproximou de Brittany.
– Você foi linda. — disse a loira, sorrindo. — Mas eu não entendi. — ela ficou com o semblante confuso. — Não estamos em Maio?
– Obrigada, amor. — disse Santana, contendo seu riso. — E você Tina? Achou legal?
– Claro, foi ótimo...
Tina estava pensando e repensando em ir atrás de Mike ou não, ela não saberia o que dizer, ele poderia apenas dizer que queria ficar sozinho. Ela se sentiu estranha, como se alguém a observasse, e quando olhou para o lado, encontrou Rachel a encarando, com as sobrancelhas levantadas e os lábios retos, e em seguida, ela olhou para frente, inclinando um pouco sua cabeça. Pelo o que a asiatica entendeu, Rachel dizia para ela ir atrás de Mike.
– Eu... Já volto.
– Não demore, iremos logo. Eu tenho uma prova hoje em NYADA. — disse Rachel, atraindo olhares de desprezo para ela.
– Não vou. — respondeu Tina.
Ela se virou e começou a andar na direção em que Mike tinha ido, mas não sabia onde ele estava. Ela precisou andar alguns minutos até avistá-lo de longe, no topo de um barranco coberto de grama. De longe, parecia um penhasco. Ele estava com as mãos nas costas e olhava para frente, imóvel. Tina andou devagar até ele, e quando ia se aproximando, ele se virou, por ouvir o som de seu salto esmagando algumas folhas. Ele a acompanhou com os olhos até ela ficar do seu lado.
– Oi. — ela disse.
– Oi... Obrigado por fazer aquilo ontem.
– Tudo bem...
Tudo ficou em silencio. Os dois olharam para frente, para a paisagem nublada diante de seus olhos.
– Sabe... Eu pensei em não vir hoje. — começou Tina novamente. Mantinha seus olhos para frente.
– E por que veio? — perguntou Mike, virando sua cabeça para ela.
– Ontem eu disse que nunca te recusaria apoio. — ela virou um pouco sua cabeça, o olhando pelo canto do olho. Pode ver um pequeno sorriso se formar no rosto do rapaz, que ainda a observava.
– E por que pensou em não vir?
– Porque... Eu pensei que me faria muito mal, até eu percebi que tinha pessoas piores, eu não posso consolar todas elas, até porque não os conheço. — ela deu os ombros, voltando a olhar para frente. — Mas eu posso consolar você. — ela o olhou, com um sorriso discreto.
– Você é uma ótima pessoa. — ele expandiu seu sorriso, a deixando um tanto envergonhada. — Tina... O que vai acontecer agora?
– Como assim?
– Deena me falou coisas no hospital e sei que ela também te falou.
– Mike... — ela não esperava que ele falasse sobre aquilo naquela situação. — acho que não é o melhor momento para falarmos sobre isso, mas... Eu sempre vou estar do seu lado se precisar de mim, mas como amiga. Deena me falou coisas sim, me fez prometer coisas, mas não vai acontecer.
– O que ela fez você prometer? — ele ficou confuso, se virando para ela.
– Eu... — ela não sabia o que dizer, não queria responder a verdade e dar esperanças para ele. — Mike, não importa... — ela balançou a cabeça, céus, ela queria muito poder falar tudo o que Deena lhe disse e cuidar de Mike, fazê-lo se sentir melhor, mas algo a bloqueava. — Rachel precisa ir para NYADA, então eu preciso ir agora.
– Tudo bem... — ele se conformou, mas não desistiria de saber sobre aquela promessa.
Tina se aproximou e o abraçou, forte. Foi inesperado da parte de Mike, que apenas a abraçou de volta, e assim ficaram por alguns segundos. Antes de se afastar completamente, Tina deixou um beijo delicado na bochecha do rapaz e o olhou rapidamente, com um pequeno sorriso.
– Se você precisar, sabe onde me encontrar. — ela disse.
– Eu sei. — balançou a cabeça. — Obrigado Tina.
– Não precisa agradecer.
Antes dela se virar, eles trocaram mais um sorriso, e então, ela voltou a andar de volta para onde todos estavam, mas com passos lentos. Ela cruzou os braços, começava a ventar um pouco e fazer frio. No caminho, ela avistou duas crianças brincando, um casal. A menina era linda, a pele branca e pálida como a rosa que Santana tinha em mãos, os olhos azuis como um oceano e os cabelos negros, corria atrás de um garotinho loiro. Eles não deviam estar entendendo porque estavam naquele lugar, talvez estavam no enterro de um amigo de seus pais ou coisa do tipo, mas aquela menina fez Tina se lembrar de Deena, ela era tão bela.
– Always in a rush never stay on the phone long enough, yhy am I so self-important? – essa música veio de repente em sua mente, parecia boa para o momento e ela precisava desabafar, então que fosse com ela mesma. - Said I'd see you soon, but that was, oh, maybe a year ago, didn't know time was of the essence... So many questions, but I'm talking to myself, I know that you can't hear me any more, not anymore. So much to tell you and most of all goodbye, but I know that you can't hear me any more...
"It's so loud inside my head with words that I should have said. And as I drown in my regrets, I can't take back the words I never said, I never said. I can't take back the words I never said."
Ela tocava a melodia em sua cabeça e ouvia até mesmo backvocals, mas só pode cantar essa parte, já que no final do refrão, ela já se aproximava de seus amigos novamente.
– Vamos? — ela os chamou.
Eles se entreolharam, mas não discutiram, entraram no carro de Kurt e se ajeitaram para voltar para casa.


(...)


No apartamento, Santana estava no banheiro e Brittany no quarto, Tina estava sem rumo. Ela já havia perdido a aula, e Gunther deu folga para todos por conta do luto por Deena, então, ela não tinha nada para fazer.
Indo para seu quarto, ela parou na frente da porta de Brittany e Santana, que estava entreaberta, e observou Brittany meditando em cima da cama. Era engraçado, mas ela parecia muito relaxada. Tina abriu a porta, tentando não fazer barulho e entrou.
– Posso? — ela perguntou.
Brittany abriu um dos olhos e em seguida, assentiu com a cabeça.
Tina procurou se sentar ao lado dela, imitando sua posição e fechando os olhos.
– Tina, quando a Mulan fingiu ser um homem pra lutar, ela foi ousada. Você não está honrando sua família. — disse a loira, com a voz calma.
– O que? — perguntou Tina, sem ter entendido uma palavra sequer. Ela permaneceu de olhos fechados, mas com as sobrancelhas curvadas.
– Ousadia, Tina. Fazer as coisas que quer. Não desperdiçar as chances. Não deixar o seu Shang escapar.
Tina ficou em silencio, tentando compreender o que Brittany dizia, mas não, não havia explicação. Claro que era uma metáfora. Ousadia? Fazer as coisas que queria? Não era possível que ela estivesse falando sobre Mike. Não tinha uma forma mais fácil dela dizer aquilo?
– Não é possível que não tenha entendido. — resmungou a loira, permanecendo na sua posição inicial.
Enquanto conversavam, Santana passou pela porta do quarto com as mãos juntas na frente do corpo, meio cabisbaixa, olhando primeiramente para o chão e depois para as meninas sentadas na cama.
– Tina, poderia nos dar licença por um momento? Eu quero falar com a Brittany a sós – disse a latina, brincando com os próprios dedos em um gesto de nervosismo.
A asiática trocou um olhar com a loira ao seu lado e assentiu, levantando-se e saindo do quarto em silêncio.
Após Tina ter saído, Santana gentilmente fechou a porta do quarto.
– Estou com medo – Brittany deixou escapar por seus lábios finos. – Você não costuma fechar a porta nem quando a gente faz sexo. É a Tina que corre aqui de olhos fechados e fecha.
Santana não pode evitar um risinho que passou pela boca, e colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha. Virou-se para Brittany e foi até ela, sentando-se ao seu lado.
– Não é nada ruim – disse, e pegou uma mão dela para segurar entre as suas. – É que desde que você leu a carta, nós não conversamos mais sobre... Bem, sobre nós.
– Mas não... – Brittany começou a dizer, mas foi cortada por uma mão de Santana que se ergueu, impedindo-a de continuar.
– Brigamos muito por causa do Jerry, depois eu fui sequestrada, e aí estamos agindo normalmente, como namoradas, porque nos acostumamos. Mas você nunca me deu uma resposta exata.
Um sorriso delineou os lábios de Brittany conforme seus olhos se enchiam de esperança. Ela ajeitou a postura e manteve o olhar fixo em Santana.
– Sant, eu posso ter me confundido um pouco porque você não prestava atenção nas coisas que eu dizia... Mas com tudo isso que aconteceu, eu percebi que fui injusta.
– Injusta?
– Aham... – foi a vez de Brittany trazer a mão de Santana para seu colo. – Eu também nunca me manifestei sobre isso, nunca falei com você sobre isso, eu deveria ter dado umas dicas, não sei; ter rabiscado seu travesseiro com chocolate líquido.
Isso fez com que Santana risse e abaixasse o rosto. Tão Brittany. Tão sua. A loira continuou, dando de ombros.
– Estou sempre viajando... Na minha mente, não deveria culpar ninguém por não me ouvir – ela apertou a mão de Santana e deu um sorrisinho de canto de boca para ela. – Eu sei que você não é muito boa com sentimentos, mas estava fazendo o máximo para demonstrá-los. E eu não aceitei.
Santana ficou em silêncio por um momento.
– Você só está dizendo isso porque estamos bem agora – ela arqueou uma sobrancelha, desconfiada como sempre.
– Na verdade, não. Com tudo que aconteceu, eu consegui enxergar... Que é verdade isso tudo que eu falei. Eu juro, Santana.
– Mas eu também tive culpa – a latina suspirou. – Eu não...
Foi a vez de Brittany cortá-la levando um dedo aos lábios dela.
– O que importa é que tudo está bem, não é mesmo? Estamos juntas, não vamos mais nos separar.
Um sorriso terno e carinhoso surgiu no semblante de Santana, de forma que suas covinhas apareceram pelo simples fato de ela ter esticado os lábios.
– Você é única – ela aproximou o rosto do de Brittany e deu um selinho rápido nela.
Depois, levantou-se, feliz por ver o sorriso grande tomando conta de sua namorada loira, e ficou de frente para ela, que estava sentada na cama ainda.
– Vou cantar uma música pra você – disse a latina, sorrindo.
Brittany arregalou os olhos e abriu a boca.
– Mas os vizinhos...
– Que se danem os vizinhos. Eu preciso cantar isso pra você.
Era bem como em Songbird. Santana e Brittany. E o acompanhamento musical misterioso que surgia do nada.
You’ve been on my mind... I grow fonder every day. Lose myself in time… Just thinking of your face – ela tinha os olhos penetrantes grudados nos de Brittany enquanto eram tomado por uma emoção intrínseca que Santana não se lembrava de ter. – God only knows why it’s taken me so long to let my doubts go. You’re the only one that I want – ela sorria um pouco e ao mesmo tempo deixava sua feição séria. – I don’t know why I’m scared, ‘cause I’ve been here before... – cada palavra tinha um significado que as duas reconheciam. – Every feeling, every word, I’ve imagined it all. You’ll never know if you never try to forgive your past and simply be mine – Santana forçou um tom agudo no refrão a seguir, o que deixou a música quase a cappella mais emocionante ainda. – I dare you to let me be your one and only! Promise I’m worthy – Santana juntou as mãos e entrelaçou os dedos, como em uma promessa. – To hold in your arms. So come on and give me a chance to prove I’m the one who can walk that mile. Until the end starts… I know it ain't easy giving up your heart. I know it ain't easy giving up your heart. Nobody's perfect. Trust me, I’ve learned it! Nobody’s perfect. Trust me, I’ve learned it! So I dare you to let me be… Your one and only. I promise I’m worthy! To hold in your arms… So come on and give me a chance to prove I’m the one who can walk that mile. Until the end starts… Until the end starts.
Brittany, sorrindo, limpou com as costas da mão uma pequena lágrima que rolava bochecha abaixo e se levantou indo em direção a Santana. Ela a envolveu em um abraço amoroso.
– Eu te amo – disse.
Santana, apoiando o rosto no ombro de Brittany, também sorriu.
– Eu também te amo, Britt.