Who's loving you

8 Capítulo VI - El Cupido


"Estar no mesmo lugar que Brittany era estranho depois da briga. Eu queria poder cumprimentá-la como antes, beijar sua bochecha e abraçá-la pelas costas enquanto ela beliscava alguns waffers no sofá. Agora, eu só podia observá-la deixar as migalhas do biscoito caírem dentro da blusa, os olhos cabisbaixos e o cabelo bagunçado. Ela não me olhava de jeito nenhum, e meu orgulho não permitia que eu falasse com ela primeiro. Mas aquilo estava me matando.
Tina estava demorando para se aprontar, talvez estivesse vendo um tutorial no youtube de alguma maquiagem que aumentasse os olhos. Se ela visse aquilo, não me veria mais como a vadia egoísta que sou e perderia o respeito. Eu tinha que ser rápida.
– Eu... — comecei, já sentia o suor debaixo de meus seios — Eu posso pegar um waffer? Esse foi o último pacote. — eu não a olhava, apenas mexia em minha bolsa atoa.
– Ya — sussurrou, esticando a mão que segurava o pacote para mim.
– Thanks — eu o peguei e rapidamente ela encolheu o braço, mantendo seu olhar vago — Ok, Britt, me diz de uma vez — eu me senti, larguei os biscoitos em cima da mesa e fui até o sofá, sentando-me um pouco longe dela — O que eu preciso fazer para você me perdoar?
– Você se importando e pedindo perdão? O que fez com a Santana? Se você for mais sentimental que ela, tem espaço no meu quarto — murmurou, mexendo em suas unhas.
– Então é isso? Eu tenho que ser sentimental? Só isso? — eu perguntava apenas querendo uma afirmação, claro que eu já sabia daquilo a muito tempo, eu só precisava que Brittany falasse comigo, pois aquilo era como uma tortura.
Ela apenas ergueu os ombros, não podia me olhar nos olhos, não podia falar comigo, falou como se eu fosse uma impostora. Aquele momento ficava cada vez mais constrangedor.
– What the hell, Tina! — gritei, me levantando — Você só tem que vestir o uniforme e pronto!
Quem se importava se íamos nos atrasar ou não? Eu só queria fingir que aquela situação nunca aconteceu e ter um dia cansativo e estressante no trabalho para me distrair pelo menos um pouco.
– Eu estou indo! — ela gritou de volta.
Eu a esperava próxima a mesa, com os braços cruzados e batendo o pé, eu queria sair logo dali. Quando vi os waffers em cima da mesa, pensei em devolvê-los, em uma forma de começar outra conversa, mas não, eu apenas os peguei e os levei até o colo de Brittany.
Assim que Tina finalmente saiu, eu não dei tempo para que ela fizesse mais nada, segurei sua mão e a puxei para fora do apartamento, do prédio, de qualquer coisa que fosse próxima àquela casa." — Narrado por Santana Lopez.


(...)
Santana não achava que apenas atitudes e gestos a ajudariam com seu namoro. Brittany precisava ouvir exatamente ela sentia. Tina pôde ter ajudado de qualquer jeito, mas aquelas coisas eram coisas que deveriam ser feitas quando Santana e Brittany já estivessem numa boa, o que não era o caso. Porém, Santana já sabia de alguém que podia ajudá-la.
Lá estava ele, sentado sozinho, comendo um pedaço de torta de tomate, ela o observava com os olhos semi-cerrados. Mas algo desviou sua atenção, que a fez pensar em algo. Algo diabólico, e um sorriso maléfico surgiu em seus lábios.
Santana deixou tudo o que estava fazendo e andou rapidamente até a mesa onde Mike estava sentado.
– Mike, eu preciso de ajuda. Podemos conversar ali atrás? — ela apontou com o dedo polegar para trás dela.
– Hm, tá legal — embora tenha estranhado, ele não recusou. Limpou a boca com um guardanapo e se levantou, seguindo Santana.
Ela chegou ao local primeiro, era um pequeno cômodo que ficava atrás do balcão, não tinha uma porta, apenas uma entrada. As paredes eram vermelhas, mas não tinha iluminação. Na parede menor, uma porta, que ia para o quarto dos funcionários, e na parede maior, duas portas, dos banheiros.
Antes que Mike chegasse, ela reparou que a porta do quarto dos funcionários não estava totalmente fechada, e aquilo confirmava que seu plano daria certo.
– Então... — ela começou, assim que Mike chegou — Eu até agradeço a Tina pelos conselhos que ela me deu no jantar, mas eu preciso de alguém que me ajude a expressar os meus sentimentos em palavras, e acho que você pode me ajudar.
– Bem, tá legal, mas você sabe que eu não sou a pessoa mais falante do mundo.
– Mas você é minha única opção, se eu falar com Kurt ou Rachel... — Santana apertou os olhos e se tremeu por inteira, como se estivesse recebendo um espírito — Não quero nem imaginar.
– É verdade — ele riu — Mas o que quer saber exatamente? — cruzou os braços.
– Eu não sei... Digamos, quando quis conquistar a Deena, o que falou? Não! Não! — ela interrompeu, antes que ele pudesse começar a falar — Melhor. Como se sente quando pensa nela agora, tipo, nesse momento? — ela semi-cerrou os olhos, como se parecesse interessada.
– Na Deena? Bem... Eu fico feliz, claro, porque ela é minha namorada... A Deena, quando estou com ela é como se todos os meus problemas desaparecessem e...
– Ok, ok, para. Todo mundo sabe que seus problemas são todos relacionados à ela. Então vou facilitar pra você. Como se sentia quando pensava na Tina há dois anos?
– Eu e Deena namoramos há pouco tempo, por isso é difícil falar, mas você realmente facilitou. Quando eu pensava em Tina — ele forçou o tom de voz na palavra "pensava", fazendo Santana assentir com a cabeça, fingindo que acreditava — Eu lembrava de todos os nossos momentos juntos e de como eles foram felizes, então eu queria fazer de tudo para mantê-la sempre do meu lado, bem e feliz, assim como ela me fazia feliz. Eu podia fazer qualquer coisa, enfrentar meus pais, enfrentar pessoas, era só pensar nela, que eu ganhava a coragem necessária.
A forma com que ele dizia aquilo era mais do que um conselho. Ele nem se esforçava para falar aquelas coisas, nem precisava de um minuto para pensar, era como se aquelas lembranças sempre estivessem ali. Ele falava olhando para o nada, como se houvesse um balão de pensamento em cima de sua cabeça.
Quando se deu conta da situação, voltou logo ao estado normal. Santana estava com a mão na frente da boca, controlando seu riso, mas quando reparou que ele estava sério novamente, abaixou as sobrancelhas e balançou a cabeça, descendo sua mão para o queixo.
– E era assim que eu me sentia — ele concluiu, enfiando suas mãos nos bolsos da calça.
– Legal... Legal. — ela continuava balançando a cabeça. — Tá certo. Agora me conte como se sente quando pensa nela atualmente.
– Santana...
– Mike, você pode enganar qualquer um, menos a mim. Engane até a si mesmo, mas não a Tia Santana. Tem noção da cara de bobo apaixonado que fez enquanto falava essas coisas? Eu sei que ficou mexido com as coisas que Tina falou no jantar assim como sei que não sou virgem. — ela levantou suas sobrancelhas, voltando a cruzar os braços. Mike abaixou a cabeça, parecendo inseguro. — Você pode confiar em mim.
– Eu não tenho muita certeza disso. — afirmou, negando com a cabeça.
– Por favor, não aja como uma garota.
Mike ficou um pouco pensativo, permaneceu calado por alguns segundos. Ele voltou a erguer sua cabeça e respirou fundo, olhando para Santana.
– Bem, se vai te ajudar, tudo bem. Mas tem que prometer que não vai contar à ninguém! — disse, lhe apontando o dedo. Santana juntou os dois dedos indicadores como um "X" e beijou, selando um acordo. — Tá legal... Eu ainda me importo com a Tina, muito. Eu quero que ela seja feliz, mas eu não tenho ajudado nisso. Eu... Santana, eu não consigo parar de pensar nela. Eu queria poder ver ela sorrindo o tempo todo. Eu temo estar gostando dela de novo, e você sabe, quando gosta de alguém, quer ficar perto o tempo inteiro e fazer qualquer coisa para que ela fique bem. Mas eu não posso.
Apesar de tudo, Santana levou aquilo a sério. Ela sabia que Mike estava sofrendo com aquilo, e tentou o máximo para não ser sarcástica.
– Uau, Mike, isso é triste e... Bonito. É como eu me sinto pela Brittany, querer ficar com ela e essas coisas... Mas isso parece sério, se tem sentimentos pela Tina, por que não diz à ela?
– Ficou louca? Eu estou com a Deena e eu gosto dela, ela é uma ótima garota, não posso fazer isso.
– Pare de se importar tanto com os outros e pense mais em você! — parecia indignada.
– Santana, isso é muito egoísta. — Mike estava impressionado com o que ela tinha dito.
– Estou mentindo? Você faz tudo para agradar os outros, mas não tem vontade própria. Do que adianta ver a felicidade das pessoas por causa das suas ações, e não ver a sua? — ela reparou que Mike ficou sem palavras, apenas a olhava sem ter o que fazer. — Enfim, muito obrigada pela conversa. E pense no que falei, porque eu sempre estou certa. — Santana tocou sua testa três vezes com o dedo indicador e sorriu, saindo dalí e voltando para o salão.
Mike a seguiu, indo para a sua mesa. O refrigerante que ele havia pedido tinha chegado. Ele pegou o copo e levou até a boca, mas antes que começasse a beber, viu uma cena que fez seu coração acelerar como nunca antes.
Qualquer um atrás daquelas portas no cômodo onde ele estava com Santana poderia ouvir a conversa que tiveram. Mas a única pessoa que não podia, de jeito nenhum, ouvir aquelas coisas, agora saia dali, deixando Mike e Santana com os olhos tão arregalados quanto os de um Simpson.
Mike não costumava orar muito, mas naquele momento, ele era devoto de qualquer Deus que atendesse sua prece. "Que Tina não tenha ouvido nada".
Santana observava Tina limpar uma mesa, sem qualquer expressão de nervoso ou surpresa, mas ela sabia que ela estava disfarçando. E na verdade, Santana não estava tão surpresa assim, ela sabia que Tina estava no quarto dos funcionários, e por isso levou Mike para lá. Assim, ela receberia conselhos para seu relacionamento, e ainda daria um jeito de deixar Mike e Tina cada vez mais próximos.


(...)
Ele tentou manter a calma, terminou sua torta, seu refrigerante, enrolou um pouco com o café, tudo para parecer indiferente, mas na verdade, embaixo da mesa, sua perna tremia e seus olhos não paravam de procurar Tina por todo o salão. Toda vez que a encontrava, virava a cabeça para qualquer lado. A única coisa que pensava, era se ela tinha ouvido algo.
Logo ele pediu a conta, deu o dinheiro para a garçonete e deixou que ela ficasse com o troco, tudo para sair logo dali. Mike se levantou e não olhou para trás, nem para os lados, apenas andou até a porta, a abriu e saiu.
Estava prestes a atravessar a rua para pegar seu carro, quando ouviu uma voz o chamando. Ele se virou de imediato, era Santana, parada na porta.
– O que foi? — perguntou, um tanto irritado.
– Ei, não fale comigo nesse tom de voz, eu não sabia que ela estava lá! — ela gesticulava com seu dedo indicador. — Você acha que ela ouviu algo?
– Eu não sei. — ele colocou a mão na testa, balançando a cabeça, voltando a por a mão no bolso logo em seguida.
– Se ela tiver ouvido, pode ser bom pra você. Pelo menos agora ela já sabe dos seus sentimentos e você não precisa se preocupar em como contar.
– Eu já não ia contar de qualquer jeito!
– Você não ia aguentar! Sair com Deena todo dia, e querer trocar aqueles olhos enormes pelos olhos rasgados de Tina. Você ia contar, acredite. Tenho que voltar ao trabalho. Boa sorte. — ela colocou a mão no ombro de Mike e sorriu singelamente, em seguida, se virou e voltou para dentro do restaurante.
Mike não sabia mais o que pensar, a única coisa de que tinha certeza, era que em 20 minutos ele precisava se encontrar com Deena, e ele esperava esquecer tudo aquilo enquanto estivesse com ela.


(...)
As garotas chegaram em casa tarde, precisaram fazer um turno extra para folgarem no fim de semana. Durante todo o caminho, Tina não disse uma palavra sequer, as tentativas de Santana puxar assunto foram em vão. Mas ela parecia normal, como se nada tivesse acontecido. Santana até chegou a pensar que ela não tinha escutado nada, mas um sinal a fez mudar de pensamento.
No ônibus, elas estavam sentadas. Tina olhava para a janela, e Santana procurava algo nela que mostrasse que na verdade ela estava completamente nervosa. Foi quando Tina deu a deixa. Foi algo inocente, ela levou a mão até a orelha e puxou o lóbulo, ninguém pensaria maldade daquilo, mas não Santana. Era aquilo que ela precisava para ter certeza de que Tina realmente sabia de tudo, e então, poderia começar uma conversa.
E a hora tinha chegado. Tina se sentou no sofá e ligou a TV, colocando em um telejornal. Santana deixou suas coisas em cima da mesa e se juntou à Tina, esperando o momento certo.
– Está muito quieta. — começou Santana, mantendo os olhos na tela.
– Estou cansada. — murmurou, respirando fundo em seguida.
– Você está cansada, ou em choque? — a latina virou um pouco sua cabeça para o lado, esperando a reação de Tina.
Ela, por sua vez, ficou quieta e imóvel, mas Santana não desviou seu olhar dela.
– Se você quer saber se ouvi a sua conversa com o Mike, é só perguntar. — ela ainda mantinha os olhos fixados na TV, mesmo que não estivesse mais prestando atenção.
– Bom, nem preciso mais perguntar — Santana sorriu.
– Santana, não é engraçado — ela finalmente se virou e olhou a latina, extremamente séria — Agora ficou mil vezes pior. Não percebe?
– Na verdade não. Ele só disse que pode estar gostando de você, e isso só seria grande coisa se você gostasse dele, e você não gosta. Ou gosta? — levantou uma das sobrancelhas, sorrindo ironicamente.
– Eu estava começando... Então parou, e agora que eu ouvi tudo aquilo, vou ficar pensando e enfim, você já sabe.
– Mas isso é perfeito! Vocês dois se gostam, vão ficar juntos.
– Não é tão simples. Não é só querer, não se lembra da Deena? Eles namoram, Santana, ele nem mesmo devia ter esses sentimentos. — Santana estava indignada, negava com a cabeça e voltava a olhar a TV. — Enfim, não vai acontecer de qualquer forma, e eu tenho que lidar com isso. Boa noite.
Tina se levantou e foi para seu quarto. Ambos disseram para Santana que eles não ficariam juntos, mas ela era o cupido mais sexy de New York, não podia desistir fácil. Ela pegou seu celular no bolso e ligou para Mike, sem ao menos pensar no que diria.
– Alô? — disse ele, ao atender.
– Ei, aqui é sua nova melhor amiga. Como está?
– Santana? Eu... Estou bem.
– Prepare-se para ficar melhor — ela sorriu, deitando-se no sofá, mexendo os pés, como uma adolescente que falava sobre o novo namorado com a amiga — Adivinha quem ouviu uma conversa atrás da porta?
– Oh meu Deus — ele já tinha quase certeza, mas ainda assim, era muito... Vergonhoso. — O que ela disse?
– Se eu fosse você, começaria a investir. Ela gosta de você, Glenn Rhee.
– Ela... Ela disse que gosta de mim? — pelo seu tom de voz, parecia estar sorrindo. — Mas é impossível Santana, não podemos ficar juntos.
– Ela disse a mesma coisa. Qual é o problema de vocês? — franziu o cenho. — É sério, vocês se gostam! Mike, vai me escutar bem agora. Deena é uma ótima garota, você mesmo disse isso. Se você explicar tudo pra ela, ela vai entender! Sei lá, ela não tem cara de vadia vingativa.
– Mesmo assim, Santana. Deena gosta muito de mim, não sei se eu conseguiria.
– Acho que você devia ao menos tentar. Nossa, ser cupido é cansativo, enquanto você vira a noite pensando nisso, eu vou dormir aqui no sofá. — ela suspirou, todo dia quando chegava, a porta de seu quarto estava trancada, Brittany estava pegando pesado. — Até.
(...)
Fazia um tempo que a relação não existente de Mike e Tina não tinha qualquer novidade, ele não estava mais frequentando o Spolight Dinner e nem se comunicou mais com Santana, ela, por sua vez, resolveu deixar as coisas como estavam por enquanto, para focar em sua relação com Brittany.
Era época de muita chuva em New York, estava difícil se locomover de ônibus e o trânsito era intenso, mas por algum milagre, Mike conseguiu sair daquele engarrafamento e entrar em uma rua vazia. Estava voltando para casa depois de um dia de trabalho voluntário. Ele fazia parte de um projeto que incentivava a arte nas escolas públicas das periferias de New York, ensinava dança e o pouco que sabia de canto para as crianças.
Passando por aquela rua, a chuva ia diminuindo, mas não cessava. Quando ele avistou algo na calçada, uma pessoa com um sobretudo e um grande capuz, andando na chuva. Mas ele conhecia aquele sobretudo de algum lugar. Não houve dúvidas. Ele parou o carro no acostamento próximo à pessoa e abriu a janela.
– Tina? — ele gritou, o som das gotas da chuva batendo no chão era muito alto.
Era mesmo ela. Teve certeza quando ela virou a cabeça e tirou o cabelo do rosto. Estava completamente encharcada.
– Entre no carro!
– Mike, não precisa, sério — falava com os olhos quase se fechando.
– Tina, está chovendo muito, sua casa fica no caminho pra minha, vamos.
Ela pensou um pouco. Sua casa ainda estava longe e ela tinha risco de pegar um resfriado, ficar em casa e não poder trabalhar, então ela não receberia seu salário, então ela não faria refeições. Era só entrar no carro e ficar quieta até chegar em casa.
Tina deu a volta no carro, ao ver isso, Mike fechou a janela e destravou as portas. Tina entrou no carro rapidamente e o som da chuva parou, era um alívio.
– Obrigada — ela disse, tirando o capuz.
– Tudo bem — respondeu, enquanto voltava a ligar o carro.
Tina cumpriu o que disse à si mesma, ficar quieta até chegar em casa. Mike também não disse nada, mas vontade não lhe faltava. Nos sinais vermelhos, ele tentava olhar para ela disfarçadamente, mas sempre era pego. Tina começava a ficar incomodada.
No caminho, tudo aquilo veio à tona. A conversa com Santana no Spotlight e no telefone, talvez a latina estivesse certa. Mas aquele era o momento e lugar apropriado para falar com Tina? Não importava, ele não podia mais se segurar.
Devagar, ele parou no acostamento e desligou o carro, mantendo seu olhar reto e sem intenções.
– Está tudo bem? — perguntou Tina, estranhando sua atitude.
– Não — ele respondeu, em seguida, a olhou. — Tina, não posso ficar no mesmo lugar que você e não falar nada, não sabendo que você ouviu tudo naquele dia no restaurante.
As pálpebras de Tina se abaixaram devagar e ela respirou fundo. Encostou a cabeça no banco e abriu os olhos novamente.
– Uma hora essa conversa ia acontecer, não é?
– Eu queria evitá-la tanto quanto você, mas eu não consigo. Tenho conversado muito com Santana esses tempos e...
– Claro, sempre a Santana — ela resmungou, olhando para Mike.
– Enfim... Ela tem dito coisas pra mim que são verdade. Eu sei que já sabe de tudo isso, mas eu quero falar olhando pra você. — Tina não esboçou reação, o que fez Mike pensar que já podia dizer. — Tina, eu estou gostando muito, muito de você. Como no começo do nosso namoro, só que parece ser mais forte pelo fato de não poder ficar com você. Mas eu não vejo por que não podemos ficar juntos.
– Esse "por que" é a Deena, você sabe disso.
– Eu sei, mas foi como Santana disse, Deena é uma ótima pessoa e acho que ela entenderia que eu não posso ficar com alguém que eu não amo como eu amo você.
– Espere — Tina ergueu as mãos abertas — Você disse que estava gostando muito de mim, e agora diz que me ama?
– É mais fácil amar uma pessoa de novo quando ela já foi o amor da sua vida.
– Mike... Você não sabe como é difícil pra mim. Isso não daria certo. Deena poderia entender, mas ela sofreria. Ela te ama Mike, apesar de você não amar da mesma forma. Não vamos ficar juntos.
– Mas Tina...
– Mike, essa conversa já acabou. E é melhor eu ir pra casa agora. — Tina colocou as alças de sua bolsa no ombro e estava prestes a abrir a porta, quando Mike segurou seu antebraço, tentando impedi-la.
Eles se entreolharam, era como se Mike dissesse "por favor, fique", mas foi em vão. Tina se soltou e saiu na chuva, deixando Mike completamente desamparado e então, sem rumo.