Who's loving you
16 Capítulo XIII - Surviving
Notas iniciais
Tina arrumava sua bolsa, se preparando para mais um dia de trabalho pesado no Spotlight Dinner, em pleno sábado de manhã. Com toda a correria, ela misturava suas coisas de NYFA com seus itens do dia-a-dia em sua bolsa, e por isso, estava sentada no sofá organizando toda a bagunça, mas sua mente estava longe.
Seu último encontro com Joel não acabara bem, quando a menina decidiu apresentá-lo para Santana e Brittany e todos ficaram sabendo que, na verdade, ele era irmão de Jerry. Desde então, eles não saíram mais. Não deixaram de se falar nas aulas e lancharem juntos na lanchonete em frente à escola, mas tudo ainda era muito estranho. Joel explicou que ele morava em Los Angeles, e se mudou para New York após saber da prisão do irmão, ele gostou da cidade e então, decidiu ficar. Embora acreditasse nas palavras do rapaz, Tina ainda estava desconfiada. Jerry trouxe muitos problemas e traumas para ela e suas amigas, e ela mal conhecia Joel. Claro que ela não achava que ele era um psicopata como o irmão, era só algo que ela sentia.
Tudo que Tina tentou fazer foi seguir em frente e esquecer Mike e Deena, — não que a garota tivera sido algo ruim em sua vida — e tudo o que ela conseguiu foi mais problemas para seu coração. Ela estava exausta novamente.
– You're everything I thought you never were and nothing like I thought you could've been. but still, you live inside of me, so tell me how is that?– ela começava a cantar, um tanto baixo, mesmo sem melodia, mesmo sem instrumentos, e não parava de arrumar suas coisas. Ela cantava pensando em Mike e em algumas partes, em Joel. – You're the only one I wish I could forget, the only one I love to not forgive and though you break my heart, you're the only one...
Ela ia abrindo sua boca para continuar a música, quando ouviu a voz rouca juntar-se a ela na canção.
– And though there are times when I hate you 'cause I can't erase the times that you hurt me and put tears on my face.– Santana chegava à sala, vestida em seu uniforme de trabalho, ela parou e encostou-se na parede ao lado do sofá onde Tina estava sentada, e continuou a cantar. – And even now, while I hate you, it pains me to say, I know I'll be there at the end of the day! - conforme cantava os seguintes versos, Santana caminhava até o sofá e se sentava ao lado de Tina, a olhando. – I don't wanna be without you, babe, I don't want a broken heart. Don't wanna take a breath without you, babe, I don't wanna play that part.
Tina sorriu discretamente ao ouvir a latina cantando, como se ela entendesse o que ela sentia. Ela viu o sinal de Santana, aquele de erguer as sobrancelhas para que ela continuasse a música, e assim, a asiática fez.
– I know that I love you, but let me just say, I don't wanna love you in no kind of way, no no. I don't want a broken heart, I don't wanna play the broken-hearted girl. No, no. - Santana se encostou no sofá e cantou o verso seguinte com a amiga. – No broken-hearted girl. I'm no broken hearted girl.
Sempre que iniciavam canções improvisadas no Glee Club, era como se a melodia viesse automaticamente, a banda, Brad com o piano e tudo ficava perfeito. Mas ali só havia suas vozes e as emoções, tudo o que aquela música representava era o bastante para tornar aquela, mais um momento inesquecível.
Tina se virou para Santana, e assim a latina também fez, para que aquilo se tornasse um belo dueto. Juntas, elas cantaram:
– There's something that I feel I need to say, but up til' now I've always been afraid that you would never come around and still I wanna put this out. You say you've got the most respect for me, but sometimes I feel you're not deserving of me and still, you're in my heart, but you're the only one.
– And yes, there are times when I hate you, but I don't complain. - cantou Tina, aumentando seu tom de voz para atingir a nota necessária. – 'Cause I've been afraid that you would walk away. Oh, but now I don't hate you, I'm happy to say that I will be there at the end of the day!
E para finalizar aquele momento épico, as duas cantaram juntas a última parte:
– I don't wanna be without you, babe, don't want a broken heart. Don't wanna take a breath without you, babe, I don't wanna play that part. I know that I love you, but let me just say, I don't wanna love you in no kind of way, no no. I don't want a broken heart, and I don't wanna play the broken-hearted girl, no, no, no broken-hearted girl... Broken-hearted girl, no, no, no broken hearted girl.
E tudo ficou silencioso novamente, elas se olhavam como se conversassem em voz alta. O olhar de Tina praticamente falava, aquela música dizia tudo o que estava dentro dela, e Santana, compreendia tudo.
– Iss... — começou Tina.
– Espere. — ela interrompeu, erguendo seu dedo indicador e olhando para a porta. Alguns segundos depois, ouviram um estrondo e um palavrão, vindo do lado de fora do apartamento. Um vizinho havia acertado a porta delas com um sapato por conta da cantoria, e Santana sabia que aquilo aconteceria, pois já havia ocorrido outras vezes. Ela voltou a olhar para Tina, com uma expressão indiferente sobre aquilo, enquanto a asiática havia erguido os ombros rapidamente por conta do susto. — Pode falar.
– Isso... — recomeçou, ainda assustada. — Isso foi legal.
– Sim. A vida ficou corrida e não tivemos mais tempos para esses momentos homossexuais. — Santana arrumou-se no sofá, cruzando as pernas. — Como você está?
– Eu não sei. É difícil explicar.
– Tina, eu sei que disse que queria conhecer o seu amigo e te apoiaria... Mas agora é diferente. Ele é irmão do cara que tentou sequestrar a Britt, que me torturou por horas. Eu não me sinto confortável com ele por perto e acho que você deveria tomar cuidado.
– Santana, não é porque o Jerry é maluco que Joel também é. Irmãos não são iguais, nem irmãos gemeos são iguais! Você nunca assistiu aquele filme das irmãs gêmeas que nasceram grudadas e depois, uma delas matou a outra, e ela veio em forma de espírito perturbá-la?
– Não, com certeza é um filme asiático. — zombou Santana, sempre com seu semblante sério.
– E é mesmo.
– Anyway, Tina... Só eu sei o que eu passei nas mãos daquele crápula, não me tente fazer explicar meu trauma, nunca vou conseguir. E além do mais, depois dessa música, dá pra perceber que não é com ele que você quer ficar.
– Ah, por favor, vai voltar com essa história de novo? E tudo aquilo que me disse sobre não se meter mais?
– Como eu disse, agora é diferente, eu tenho que me meter. Você está correndo perigo.
– Santana, Joel não é um psicopata!
– Tá, que seja! Mas perto dele, estamos perto de Jerry, que está a solta, se você não lembra.
Aquele era mais um problema, Jerry estava a solta. Parecia que ele não havia se arrependido, senão não fugiria. Podia ser questão de dias, horas ou minutos até que ele entrasse em contato.
– Estamos atrasadas, melhor irmos. — alertou Santana, se levantando do sofá em um impulso.
Tina ficou ali por mais alguns segundos, até terminar de arrumar sua bolsa e seguir a latina.
(...)
Kurt estava no loft que ele e Rachel alugaram quando ele chegou em New York, terminava de arrumar uma imensa mala cheia de suas coisas, e ainda haviam muitas outras para guardar.
Rachel não estava em casa, o que Kurt estranhou, já que seu turno no Spotlight Dinner só começava as 10 horas, e ainda eram 9, o restaurante não era tão longe dali, apenas 5 minutos de onibus. Mas ele ignorou este fato e continuou a aprontar suas coisas, não queria saber de nada sobre Rachel, ele a via como uma traidora.
Para seu azar, a judia chegara em casa antes que ele terminasse sua tarefa. Ele ouviu a porta se abrir, mas não se moveu nem para trás nem para o lado, apenas continuou tentando enfiar mais roupas em sua mala.
– Estranho, a porta não estava trancada. — ele a ouviu de longe, Berry costumava falar sozinha todo tempo. — Se tem alguém ai, eu tenho spray de pimenta na bolsa e um cortador de unha! Isso pode machucar, eu acho!- ela gritou, com sua voz aguda.
– Sou eu Rachel Berry, pare de carcarejar. — murmurou Kurt, tentando aumentar seu tom para que a garota o ouvisse.
– Kurt? — ela franziu o cenho, andando até o que seria o quarto de Kurt, isolado do resto do espaço por uma cortina. — O que está fazendo? Voltou para casa?! — ela perguntou com um sorriso entusiasmado.
– Pelo contrário, vim pegar minhas coisas. Podemos não conversar enquanto faço isso?
– Ah, Kurt, vai continuar com essa infantilidade? Você não cresce? — perguntou, como se estivesse exausta, a voz saia quase em um sopro. Kurt não respondeu. Rachel apertou os lábios e arqueou as sobrancelhas. — Uau, tudo bem então, se você quer assim... — ela juntou as mãos a frente do corpo e se virou rapidamente, fazendo seu cabelo pesado voar e quase bater no rosto do rapaz, que apenas fechou os olhos e respirou fundo para não fazer nada. — Bem, não que se importe, mas eu estou chegando da estação de trem porque fui encontrar uma pessoa, que eu convidei para vir a New York porque eu me importo com a nossa amizade. — ela dizia, se virando para ele novamente, e terminou a frase levando sua mão ao peito, fazendo um gesto dramático.
– Se Deus existe, vai me matar agora. — ele disse para que ela pudesse ouvir.
– Venha. — Rachel chamava alguém gesticulando com sua mão, e Kurt ouvia os passos da tal pessoa se aproximando cada vez mais, o sorriso de Rachel ia aumentando a cada segundo. Quando Kurt viu quem era, não pode acreditar. — Yay! — gritou Rachel, apontando para Blaine Anderson com as duas mãos fechadas e os dedos indicadores esticados.
– Oi Kurt. — disse Blaine, um tanto inseguro do que estava fazendo, mas com um sorriso alegre por ver o amado.
– Você é mesmo uma vadia, não é Rachel?
– O-oque?! — a menina esboçou surpresa em seu rosto, mal havia acreditado no que tinha ouvido, tanto que um sorriso demonstrou aquilo.
– É isso mesmo! Acha que trazendo Blaine aqui vai me afastar de Pierre?! — ele começava a alterar seu tom de voz.
– Quem é Pierre? — perguntou Blaine, completamente confuso. — Rachel, você disse que Kurt estava louco para voltar comigo, mas não sabia como me dizer isso.
– Você disse isso à ele?! — Kurt praticamente surtou, seus olhos se arregalaram e sua pele delicada e branca começava a se avermelhar.
– Eu acho que é um bom momento para dizer que eu fiz tudo isso pensando no bem de todos. — Rachel falava calmamente enquanto fitava o chão, sempre gesticulando com as mãos.
– Você só pensou no seu bem! Eu não acredito que tenha feito isso. Você... Você é louca!
Kurt fechou sua mala de qualquer maneira e a puxou de cima da cama, fazendo um grande estrondo quando ela bateu no chão. Ele iria para o trabalho, mas estava completamente sem cabeça para aquilo, foi puxando sua mala até a saída do apartamento, mas sabia que estava seria seguido.
– Não vá embora assim! — gritou Rachel, mas o garoto apenas saiu, deixando a porta aberta. — Blaine, deixe-me só pegar meu uniforme e resolveremos isso, tudo bem? Tudo bem.
Blaine não teve tempo para discutir, Rachel saiu em disparada para seu "quarto" e voltou em poucos segundos com o uniforme na mão. Ela puxou o rapaz pelo braço e juntos, eles correram para alcançar Kurt na rua.
– Kurt! Kurt espere! — gritava Rachel, desacelerando seu passo conforme se aproximava de Kurt, ela ficou andando atrás dele, e Blaine, atrás dela, completamente fora do assunto.
– Rachel, a minha mala vai voar em você! — gritou o menino, sem olhar para trás.
– Você tem que entender porque eu fiz isso! Você e Blaine terminaram por um motivo fútil e infantil e...
– Infatil? Sério? Você só sabe dizer isso sobre mim agora, mas foi você quem trouxe o meu ex-noivo aqui, só para roubar o meu novo love affair! — ele parou no meio da calçada e olhou para a baixinha para dizer aquilo.
– Pierre não é seu love affair, ele é meu love affair! — a garota apontou para si mesma, observando Kurt virar os olhos e voltar a andar. — Estou fazendo isso para o seu bem, o Pierre gosta de mim, e eu trouxe o Blaine para que não ficasse sozinho!
– Quer saber, Rachel? Eu já cansei de você e eu não vou voltar com o Blaine! Hey motorista, espere! — Kurt acelerou o passo, dando uma corridinha para alcançar o onibus para o trabalho.
O rapaz subiu no ônibus com certa dificuldade por conta da mala pesada, o barulho da cidade abafava ali por conta das janelas fechadas, mas ele ainda ouvia a voz de Rachel pedindo para que o motorista também a esperasse. Ela e Blaine entraram no onibus, o motorista deu partida e então, os três, ou melhor, Kurt e Rachel foram discutindo todo o caminho.
(...)
Santana e Tina já estavam no trabalho. Aquela conversa que tiveram pairavam na mente de ambas, mas nenhuma dizia uma palavra, o movimento não estava tão intenso, mas ainda assim, era um assunto que as paralisariam se começassem a discutí-lo.
Uma das garçonetes precisava de ajuda para pegar algumas coisas na dispensa, que ficava nos fundos do local, Tina foi ajudá-la, enquanto Santana ficava na louça.
A latina estava distraída com os pratos, quanto mais ela lavava, mais louça chegava, e ela sabia que todas elas vinham de uma mesa onde diretores do show de Rachel do off-broadway estavam. Ela estava prestes a implorar para que parassem de comer.
– Lopez, telefone para você! — gritou seu patrão, Gunther, lhe entregando o aparelho. O semblante do homem nunca mudava, sempre sério e indiferente.
Santana sacudiu as mãos para que o excesso de água saísse e pegou o telefone com a ponta das unhas, para que não o molhasse e estragasse.
– Alô, Santana's here.
– Oi Santana.
A ligação não estava tão boa, de principio, Santana não reconhecia aquela voz. Ela se deslocou dali e foi para um lugar mais afastado, para ver se conseguia ouvir melhor.
– Quem está falando?
– Não reconhece mais a minha voz?
– ... Puck? — foi apenas um palpite, sabia que era um homem e tinha a voz grossa, mas era indecifrável. O dono da voz riu, e não respondeu mais nada, deixando Santana nervosa. — Isso não tem graça. Se não disser quem é, eu vou te caçar.
– Me diga uma coisa Santana... Como Brittany tem passado?
Ela nunca sentiu um arrepio passar tão rápido por todo seu corpo, nem aquele frio na barriga. Não podia ser, simplesmente não podia! Mas tudo indicava que sim. Ela nunca esqueceria a forma como ele falava o nome de sua amada, uma forma doentia, possessiva, amedrontadora. Santana paralisou, não respondeu mais nada, sua respiração ficara ofegante, e, percebendo isso, ele começou a gargalhar do outro lado da linha.
– Eu estou mais perto do que você imagina, Santana Lopez.
E assim, a ligação se encerrou. Santana engoliu em seco, abaixando o telefone e ficando parada ali por um longo tempo, os olhos arregalados, boquiaberta, não podia se mover. Sua visão chegou a embaçar por um momento e a latina sentiu uma tontura. Estava tão distante que nem percebera a grande confusão que chegava ali.
– Rachel, isso não interessa, tá legal? Você não tinha o direito de trazer o Blaine pra cá! — dizia Kurt, enquanto entrava puxando sua enorme mala.
– Eu acho que sou muito boazinha, eu poderia simplesmente ficar com Pierre e ser feliz, mas não, eu trouxe o Blaine aqui para que você não ficasse sozinho, mas certamente isso não significa nada pra você, não é Kurt?!
– Escuta aqui sua baixinha ridíc... — começava ali uma onda de xingamentos direcionados a Rachel, quando Kurt percebeu que algo estava errado ali. — Santana? Você está bem?
E assim, toda a tenção se prendeu na latina, que por sua vez, ainda estava paralisada. Ela olhava para Kurt e todos ali, mas não conseguia falar. Ela só se moveu, quando viu pela janela de vidro, Brittany atravessar a rua correndo e então, entrar no restaurante, completamente desesperada.
– Ele me ligou! — Brittany abraçou Santana chorando muito, a latina apenas correspondeu o abraço, não encontrando palavras para aquele momento.
– O que está acontecendo afinal? — perguntou Blaine, finalmente sendo notado por ali.
– Eu queria poder te responder. — respondeu Rachel, observando aquela cena.
Tina ouvira a gritaria dos fundos do estabelecimento e pensou ter ouvido vozes conhecidas. Ela terminou seu serviço o mais rápido que pode e voltou ao salão, vendo vários de seus amigos ali.
– Blaine! — ela sorriu alegremente, andando até o garoto para abraçá-lo. — O que faz em New York?
– Eu também queria saber. — ele disse, parecendo ironico, mas falando sério.
– Como assim? — Tina ergueu uma de suas sobrancelhas, se afastando do rapaz, e assim que o fez, viu a cena de Santana consolando Brittany apenas com seu abraço, estava muito séria. Em seguida, olhou para o lado e viu Kurt e Rachel de costas um para o outro e os braços cruzados, como gesto de protesto. — Alguém pode me explicar o que está havendo?
– Bem, a Rachel apenas passou dos limites e trouxe Blaine para New York para voltar comigo. — respondeu Kurt, olhando suas unhas.
– Na verdade, eu fiz isso em nome de nossa amizade, pois não queria ver Kurt solitário quando eu ficasse com Pierre. — defendeu-se a judia, fazendo o mesmo gesto que Kurt.
– Eu fui convocado para vir aqui às pressas e até agora só ouvi brigas. — Blaine deu os ombros, olhando para Tina.
– Jerry ligou para mim. — e aquela fala de Santana causou o espanto de todos, até mesmo de Blaine, que ficara sabendo do ocorrido pelo jornal nacional. — E também ligou para Brittany... Ele está por perto.
– Ele... Ele te ligou? Mas como assim? — perguntou Rachel, se virando para a latina.
– Ele ligou no telefone dos funcionários. Eu não sei como ele conseguiu o número.
– Ele me ligou quando eu estava em Juillard. Eu tive que sair da aula. — Brittany secava o rosto vermelho e se soltava de Santana, olhando para todos. — Eu estou com medo.
– Temos que comunicar a polícia agora! — afirmou Kurt, com toda a certeza do mundo.
– Acho que Gunther deveria colocar seguranças na porta. — disse Rachel.
– É melhor que troquem os números dos celulares, não que isso vá adiantar algo. — Tina dissera a primeira coisa que veio a sua cabeça, se contradizendo em seguida enquanto negava com a cabeça.
– Que se dane. — disse Santana, novamente chamando a atenção de todos. — Não é nada disso que vai impedir que ele nos machuque... Temos que bater de frente da mesma forma.
– Desculpe me intrometer no assunto de vocês... — Blaine se aproximava, se juntando mais ao grupo. — Mas o que quer dizer com isso, Santana?
– O que eu quero dizer, BlaiGel, é que se ele tem armas pra tirar Brittany de mim, eu também vou ter as minhas para não deixar que ele faça isso... Literalmente.
– Espere, você não está pensando em...? — começou Rachel, com seu riso ironico de quando não acreditava nas coisas.
– É isso mesmo, Rachel. — interrompeu Santana, ainda muito séria. — Se o único jeito de deixar esse bandido longe de nós é partindo para o banho de sangue, que seja. Não me importa se não concordarem.
– Santana, você não pode fazer is... — Tina fora interrompida pelo próprio celular que começava a tocar em seu bolso. Ela tirou o aparelho e olhou a tela, era Mike quem telefonava. Ela sentiu uma pontada de alegria e aflição ao mesmo tempo. — Só um segundo, não deixem que ela converse com um traficante até eu voltar.- ela disse aos amigos, referindo-se a Santana.
Ela se afastou para atender o celular, e assim o fez.
– Alô. — ela disse.
– Tina, eu preciso falar com você. Santana me contou sobre o tal de Joel ser irmão de Jerry, olha, você tem que se afastar dele agora! — ele dizia com certa pressa.
– Você também? — ela suspirou. — Mike, Joel é uma ótima pessoa, completamente diferente de Jerry.
– Tá, tudo bem, ele pode ser ótimo, mas Jerry está a solta e Joel pode atraí-lo para perto de vocês, mesmo que ele não queira. Tina, tome cuidado, por favor.
– Eu estou tomando cuidado, Mike. — disse, um pouco entediada.
– Eu só estou preocupado com você. Com todo mundo.
– Eu sei, eu sei... Me desculpe. Mas tome cuidado também, agora redobrado. — Tina fez uma pausa para olhar para trás e ver como estava a situação de seus amigos, todos quietos em um clima estranho. — Jerry acabou de ligar para Britt e Santana, estão todos assustados.
– Céus. — ele respirou fundo, ficando ainda mais preocupado. — O que vocês fizeram? Chamaram a polícia?
– Não, a ideia surgiu, mas ninguém telefonou... Na verdade, Santana está com um papo estranho de armas.
– Armas? — indagou.
– Sim, disse que é a única forma de se defender. — Tina negou com a cabeça, descartando mais uma vez a ideia da latina.
– Bem, qualquer coisa ajuda nesse momento.
– Espere, está concordando com ela?
– Tina, ela esteve nas mãos de um louco, ela vai fazer de tudo para se proteger e talvez esteja certa.
– Tudo bem, você deve estar fora de si, agora eu vou desligar porque tenho que acabar com esse clima ruim e voltar a trabalhar.
– Tá legal. E lembre-se do que eu disse, tome cuidado.
– Eu vou. Obrigada.
Tina encerrou a ligação e guardou o celular no bolso, tratando de voltar para a "rodinha", e após todos se acalmarem, voltaram com suas vidas.
(...)
No dia seguinte, no começo da tarde, Tina chegava no apartamento acompanhada de Joel. Ela lhe emprestaria alguns dvd's que indicaram na aula em NYFA. Ninguém havia comentado mais nada sobre Jerry e nem sobre os telefonemas. Tina pensava toda hora sobre o que Mike lhe dissera, e mesmo que lhe partisse o coração desconfiar de seu amigo, preferiu não contar nada à Joel sobre Jerry ter entrado em contato.
– Entre, Joel. — disse Tina enquanto abria a porta, mas antes que o rapaz pudesse fazer o que ela dissera, a asiática reparou que a bolsa de Santana estava em cima do sofá. — Droga, Santana está em casa... Me espere aqui no corredor. — ela cochichava, com medo de que a latina aparecesse e atacasse o garoto.
– Esquece, minha cara Cristina Yang, eu já sei que você trouxe seu amigo Joel-irmão-de-Jerry aqui e tinha intenção de trazê-lo para dentro de casa, aproveitando de minha ausência. Eu só não o chuto para fora do prédio porque estou muito inspirada. — a voz de Santana assustou Tina, estava muito calma e serena, mas a garota não podia ver onde sua amiga estava.
Tina olhou para Joel, que estava mais confuso que ela. Ela fez um sinal para que ele esperasse ali e então, entrou no apartamento devagar. A cena que viu foi assustadora e engraçada ao mesmo tempo.
Santana estava sentada no chão, atrás do sofá, no meio de um círculo do que parecia ser sal, velas acesas em volta dela. Estava usando uma bandana esquisita e segurando um tucho de penas brancas nas mãos.
– Que diabos é isso? — indagou Tina, quase sussurrando.
– É um ritual para espantar coisas ruins. — Santana estava de olhos fechados, respirava fundo e falava algumas coisas estranhas em voz baixa. — o sal não permite que os espíritos ruins atrapalhem minha concentração e as velas também, minha abuela me deu essa bandana e esse tucho de penas, que na verdade parecem o resto de um espanador velho. Mas não tem erro, ela me garantiu que funcionaria.
– Você está ficando louca.
Tina saiu dalí, balançando sua cabeça em indignação. Ela seguiu para seu quarto para pegar os dvd's e entregar para Joel, que ainda esperava na porta.
– Aqui estão. — Tina entregou uma pequena sacola para Joel com todas as coisas dentro.
– Obrigada. — ele disse, checando tudo. — Han... Está tudo bem aí?
– Oh, claro, isso é só desespero.
– Sinto muito por ter trazido problemas.
– Não é culpa sua, de verdade. — Tina sorriu, fazendo-o sorrir também. — Agora eu tenho que me arrumar para o trabalho.
– Tudo bem, então... Até amanhã. E obrigada pelos dvd's.
– Sem problemas. Até. — Tina acenou para ele e viu ele andar pelo corredor, até desaparecer enquanto descia a escada.
Ela fechou a porta e respirou fundo, sentindo aquele cheiro de cera derretida e lembrando que Santana continuava ali.
– Você acha mesmo que isso vai adiantar algo? — ela perguntou enquando andava até o corredor para ir ao quarto.
– Estou fazendo de tudo agora, Tina. Minha avó saiu com o chefe de uma tribo indígena nos anos 80 e ele ensinou todas essas coisas pra ela. — respondeu aumentando seu tom de voz.
Santana se levantou e apagou as velas, parecia que já havia terminado o ritual. Antes de sair do círculo de sal, ela disse mais alguma coisa em uma lingua estranha e então, saiu. Tina viu a cena quando voltava de seu quarto e chegava na sala, já vestida com o uniforme de trabalho.
– Santana, você não está pensando mesmo em andar com uma arma por aí, está? — perguntou Tina, se virando para Santana.
– Estou. — respondeu, enquanto recolhia as coisas do chão.
– É muito perigoso.
– Perigoso é você ficar andando com esse garoto por aí.
– Pense o que quiser.
Tina sabia que não seria fácil convencer Santana, então resolveu deixar para lá, com o tempo, a latina perceberia que estava errada, mas Tina temia que ela estivesse certa.
Ela voltou para seu quarto para terminar de se arrumar para o trabalho, deixando Santana só na sala.
A latina, por sua vez, terminou de juntar todas aquelas coisas e varreu o sal do chão. Após limpar tudo, se sentou no sofá e ficou pensativa, relaxando com o silencio que estava no apartamento.
– So, burn me with fire, drown me with rain, I'm gonna wake up screaming your name. Yes, I'm a sinner, yes I'm a saint, whatever happens here, whatever happens here, we remain. - cantou com voz baixa, uma música que havia passado por sua cabeça, we remain de Christina Aguilera.
Santana estava lutando para ter fé naquele momento e coragem para passar para Britt, que era mais frágil que ela, mas sabia que, no fundo, estava morrendo de medo.

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