Who's loving you
15 Capítulo XII - Changes.
Tina se olhava no espelho, já pronta pra seu encontro. Encontro, ela pensou, isso é insano. Ela se olhava e não se perguntava se a roupa estava muito exagerada ou muito simples. Ela se perguntava se devia ir. Antes ela estava animada, mas depois da conversa com Mike, de todas aquelas palavras, da música... Do beijo. Só de lembrar, Tina deixava escapar um sorrisinho bobo e apaixonado. Ela ia contra tudo relacionado ao seu novo modo de vida e tinha vontade de ter seu passado de volta, porque foi o que ela sentiu quando eles estavam ali cantando. Ela estava apaixonada.
Joel entenderia, ele podia sentir uma leve atração por Tina, mas não algo mais.
Ela já estava pronta, só precisava pegar sua bolsa e pronto, se não fosse por aquela ponta de dúvida. Eu vou, ela pensou, assentindo para si mesma no espelho. Queria ter certeza absoluta de seus sentimentos, e aquilo a ajudaria. Estava decidido, ela iria ao jantar.
Chegando à sala, ainda mexendo em algo dentro de sua bolsa, se deparou com Santana, Brittany e Kurt, sentados no sofá. Nossa, quanto tempo ela passou se arrumando? O céu começava a escurecer.
– Então aquela vadia saiu com ele e então... Oh my God, Tina! — Kurt contava algo para as duas amigas parecendo totalmente indignado, quando desviou seu olhar para Tina e seus olhos azuis se arregalaram em espanto. — You look amazing!
Ela não pode deixar se sorrir, um pouco envergonhada. Colocou uma mecha de seu cabelo atrás da orelha.
– Obrigada, Kurt.
– Planos para hoje, Christina Yang? — perguntou Santana, com sua ironia de sempre.
– Sim, na verdade, eu tenho um encontro. — ela arqueou suas sobrancelhas, sorrindo com a mesma ironia da latina.
– Um encontro?! — indagou o garoto, com um sorriso malicioso. — Quem é o digno de toda essa arrumação?
– Um garoto da faculdade.
– Como é que é? — Santana levantou uma de suas sobrancelhas, inclinando um pouco sua cabeça. Tinha um sorriso incrédulo no rosto, como se tivesse ouvido algo insano. — Você não pode estar falando sério.
– Por que não?
– Você disse para Mike que iria pensar. — ela sussurrou.
– Desde quando você e Mike viraram melhores amigos? — Tina não mudou seu tom de voz.
– Tina. — Santana se levantou, indo até a garota. — Como pode fazer isso com ele?
– Santana, eu não estou fazendo nada ruim, tá legal? Eu ainda estou solteira e não prometi nada à ele, disse que iria pensar. E eu acho que esse encontro vai me ajudar.
Santana desaprovava aquilo completamente, negou com a cabeça e seu semblante ficou fechado. Ela voltou a se sentar ao lado de Brittany e calou-se. O clima ficou um pouco estranho, até Tina resolver mudar aquilo.
– Então, Kurt. — ela se sentou ao lado do garoto, cruzando as pernas e deixando a bolsa de lado. — O que faz por aqui?
– Eu estou morando aqui.
– O que? — indagou Tina, olhando para Santana e Brittany.
– Longa história. — disse Santana, com seu olhar para o nada.
Flashback on
Kurt chegava em casa de mais um dia de trabalho no Spotlight Dinner, era sábado e a noite estava quase caindo. O cansaço do rapaz era inexplicável, teve que trabalhar por quatro. Santana e Tina estavam de folga, até ai tudo bem, porque ele teria a ajuda de Rachel, se ela aparecesse.
Ele estava enfurecido por conta da ausência de Berry, precisou cobrir algumas horas a mais por não dar conta de tantos clientes sozinho, já que parte dos outros funcionários faziam perfomances, e outros faziam outros serviços. Kurt e mais três garçonetes cuidaram da maior parte dos clientes, e o movimento sábado a tarde era intenso.
Mas ele tentou manter a calma, respirar e não deixar que a raiva tomasse conta dele, afinal, Rachel podia ter um bom motivo. Mas se ele ouvisse de novo a desculpa de "tive que ensaiar", a amizade chegaria ao fim ali mesmo, porém, o motivo para o fim de HummelBerry seria outro.
Ele puxou a porta do apartamento para o lado, com uma certa dificuldade. Respirou fundo ao conseguir abrí-la por inteiro e entrar no apartamento, não se preocupou em fechá-la naquele momento, pois seus braços ficaram enfraquecidos e doídos.
– Rachel. — ele chamou, até com calma, como se estivesse com preguiça de falar. — Eu posso saber por que não apareceu no Spo... — aquela cena era nojenta, Rachel quase beijando um rapaz, um rapaz que Kurt conhecia, um rapaz que deveria ser o último que Rachel pensasse em beijar. — Rachel!
O grito assustou a judia, que se levantou de imediato. Em seguida, o rapaz se levantou também, um tanto confuso.
– Pierre! — gritou Kurt, com a voz enguiçada.
Pierre era um professor de NYADA, extremamente lindo e cobiçado por todas as alunas e alunos, mas por um em especial: Kurt.
O casamento Klaine chegara ao fim. Kurt estava muito ocupado com o trabalho e a faculdade, e começara todo aquele drama. "Você não tem tempo para mim, Kurt!", era o que Kurt ouvia toda noite de Blaine. Ele dizia aquilo por telefone, skype, mensagem, da forma que podia. Kurt simplesmente se cansou e terminou com tudo. Se Blaine o amava, tinha que respeitar seu tempo e seus afazeres.
De certa forma, Kurt se sentiu aliviado. Se sentia muito pressionado com o casamento, Blaine queria falar sobre aquilo toda hora, e aquilo estava enchendo Kurt. Não foi como um término, mas como um tempo. Porém Kurt já estava de olho em outras experiências, como Pierre, que por sorte dele, também dava bola para o rapaz.
– Não estávamos fazendo nada. — disse Rachel, mostrando suas mãos abertas para Kurt, tentando parecer inocente.
– Espere um pouco. — Kurt fechou os olhos e ergueu seu dedo indicador. — Quer dizer que eu tive que cobrir você no trabalho enquanto estava aqui com Pierre?
– Kurt, qual é o problema? — finalmente o mais velho se manifestou, ele cruzou os braços.
Pierre se assumia bissexual para todos que conhecia, e não tinha problemas com aquilo.
– O problema? — Kurt falou devagar, desacreditando em tudo aquilo. — Não se lembra que estamos saindo?
– Estamos saindo, mas não temos nada ainda. — ele deu os ombros. — E também não tenho nada com Rachel.
– Não? — a judia olhou para cima para encontrar o rosto de Pierre, que era muito mais alto que ela, sua testa se enrugou, deixando seu semblante em confusão.
– Mas Pierre...
– Kurt, acho melhor eu ir embora e deixar vocês resolverem isso sozinhos. Depois nos vemos.
Ele sorriu singelamente para Rachel, que retribuiu um pouco envergonhada, abaixando sua cabeça em seguida, como fazia quando estava constrangida. Ele passou por Kurt, dando o mesmo sorriso, mas Kurt estava muito bravo para retritubuir.
– Não feche a porta, eu já vou sair. — pediu Kurt à Pierre, mas mantendo o olhar matador em Rachel. O homem não disse nada, apenas se foi, deixando a porta aberta como Kurt pediu.
– O-onde você vai? — perguntou a judia, se aproximando de Kurt.
– Qualquer lugar bem longe desse seu nariz intrometido! — conforme terminava a frase, seu tom aumentava e ficava forte.
Kurt passou por Rachel e foi para seu quarto pegar algumas coisas. Rachel ficou chocada, ficou ali parada com a boca aberta. Mas ela estava inconformada. Pressionou seus lábios, cerrando os dentes de raiva, seus punhos se fecharam e os olhos ficaram bem abertos. Ela se virou, fazendo seu cabelo voar e deu passos fortes até Kurt.
Ela puxou a cortina que separava os quartos, e encontrou Kurt semi-nu.
– Sua maluca! Eu quero privacidade! — gritou Kurt, puxando a cortina de volta, mas sendo impedido pela mão de Berry. — Eu não vou ouvir nada de você agora, Rachel!
– Não tem o direito de ficar bravo comigo! — ela usou sua mão livre para apontar o dedo para Kurt. — Eu não sabia que vocês estavam saindo!
– Ah não? E por que ficou tão desesperada quando cheguei? E não me venha com essa de "Eu não sabia", porque eu falei sobre ele a semana toda!
– Talvez eu não tenha prestado atenção porque estava lembrando de minhas conversas com ele nos corredores de NYADA. — aquilo chamou a atenção de Kurt, que percebeu o sorriso maldoso que se formava nos lábios de Rachel. — E não eram conversas de aluna e professor.
– Sempre vai ter inveja de mim, não é? — Kurt semicerrou os olhos, enquanto negava com a cabeça. — Primeiro ficou com Blaine sem ao menos se importar com o que eu sentia, e agora fez a mesma coisa!
– Em ambas as situações você não namorava! Quem é solteiro está livre para todo o mundo, inclusive para mim!
Kurt estava coberto de ódio, ele vestiu sua camiseta e o casaco, sem trocar a calça do uniforme do Spotlight Dinner. Pegou chaves, celular, casaco, coisas que foi encontrando pelo caminho até a saída, e claro, sempre seguido por Rachel.
– Alguém virá buscar minhas coisas! — gritou Kurt, antes de se virar dramaticamente e sair do apartamento.
Flashback off
Toda vez que Kurt contava a história, Santana precisava segurar o riso, pareceu ter sido uma cena hilária.
– Uau — disse Tina, também contendo o riso. — Bem... E onde irá dormir?
– No sofá ou com você... Mas o sofá não parece confortável. — ele murmurou a última frase, passando a mão pela almofada com a narina erguida.
– Ótimo. — Tina rolou os olhos, olhando para as garotas em seguida, mas tentou não mostrar o desanimo em seu tom de voz. Quando Kurt voltou a olhá-la, ela improvisou um sorriso gentil. — Agora eu preciso ir. — Tina se levantou, pendurando as alças da bolsa no ombro direito e andando até a porta. — Ah, Santana. — ela se virou, e observou a latina virar o rosto para ela. — Controle seus dedos e não disque o número de Mike até eu chegar.
Santana levantou sua mão e acenou para Tina, balançando seus dedos finos, e sorriu ironicamente. Tina balançou a cabeça e se virou novamente, abrindo a porta e saindo.
(...)
As palavras de Santana ecoavam em sua cabeça enquanto ela andava até o restaurante, que não era longe de sua casa. "Você disse para Mike que iria pensar. Como pode fazer isso com ele?", ela sentia um aperto no peito. Enquanto ele estaria em casa, ansioso para receber uma ligação de Tina a qualquer momento com sua resposta, ela estaria em um encontro. Mas não tinha mais como voltar atrás. Ela já avistava Joel na porta do restaurante onde tinham marcado, o mesmo restaurante onde Deena cantou com Rachel e Kurt. Ela respirou fundo e esboçou um sorriso enquanto se aproximava dele.
– Desculpe o atraso. — ela disse, mantendo o sorriso.
– Não se atrasou. — ele se aproximou para cumprimentá-la e beijou seu rosto. — Você está linda. Sabe... É que eu só te vejo com roupas de dança em NYFA. — ele disse um tanto envergonhado, ao perceber o elogio que fizera.
– Obrigada. — ela riu, ajeitando seu cabelo.
– Vamos?
Ela assentiu, andando ao lado dele para dentro do restaurante.
(...)
– Quando a Ms. Holliday me chamou naquele dia, na lanchonete, e disse que vocês estavam falando sobre mim, eu fiquei feliz.
O encontro estava indo bem, eles conversaram como conversavam sempre, pediram comida, riram e se divertiram, como amigos. Pelo menos, até aquele momento.
– Por que? — perguntou Tina, um tanto curiosa.
– Eu te observei a aula toda e te vi cantando, eu pensei "Nossa, essa parece ser uma garota legal". — ele riu, lembrando dos momentos. — E quando eu fui te conhecendo melhor, eu tive certeza.
– Ah... Joel, isso é muito gentil. — ela estava envergonhada, mas permaneceu olhando o rapaz.
– Você me pareceu diferente dos outros alunos, sabe? Estava tão a vontade na música, interagindo com Holly...
– Ah, isso porque ela foi minha professora substituta no Ensino Médio.
– Sério? — Tina assentiu, Joel parecia muito interessado. — Vocês tinham aulas de canto lá?
– Mais ou menos... Tinhamos o Clube do Coral. Ela era uma substituta normal, história, espanhol, e um dia nosso professor do coral ficou doente e ela substituiu. Foi uma época divertida. — quando se lembrava daqueles pequenos momentos, Tina percebia como sentia falta de toda aquela bagunça diária que eles faziam.
– Isso é muito legal. — ele sorriu. — Aposto que era a melhor cantora do clube.
Ela não aguentou. Teve que rir, e muito, mas não exageradamente. Ela apenas começou a rir baixo e não parou mais, deixando até uma pequena lágrima escapar de seus olhos. Joel observou um tanto sério, sem entender sua reação.
– Desculpe. — disse, quando se recompôs. — É que você dizer isso foi... Hilário. — ela mantinha um sorriso nos lábios, então respirou fundo e começou a explicar. — Eu não era a melhor cantora. Na verdade, eu mal cantava.
– Isso é impossível, você tem uma voz maravilhosa.
– É, mas tinham pessoas com vozes melhores. — seu sorriso se diminuiu um pouco, Tina já estava conformada com aquele fato há muito tempo.
– É uma pena eles não terem aproveitado mais a sua voz, porque ela é incrível. Pelo menos, é o que eu acho.
– Obrigada. — e novamente, ela estava envergonhada.
Joel era muito atencioso e gentil, embora aquilo parecesse bom, Tina ficava com medo de que toda aquela doçura fizesse algum efeito nela, e aquilo, definitivamente, não poderia acontecer.
(...)
Era domingo de manhã. Tina acordava completamente exausta, dormira tarde na noite passada, ou melhor, naquele mesmo dia, já que já era madrugada quando foi para a cama. A noite com o amigo Joel tinha sido muito divertida e com muitas risadas, depois do jantar, eles decidiram assistir um filme, que devia ser sobre terror, mas com efeitos tão podres que, ao em vez de ficarem com medo, riram todo o tempo, irritando algumas pessoas no cinema. Realmente, ela passou um ótimo tempo com Joel, mais do que ela esperava. Joel era engraçado e atencioso, e Tina reparou naquilo o tempo todo, tanto que após se deitar para dormir, ainda pensou sobre isso um tempo. Há tempos ela não pensava em outro homem a não ser Mike antes de dormir, e aquilo a assustou, mas logo ignorou e adormeceu.
Ela se levantou, ainda sonolenta e andou até o banheiro. Apenas jogar agua no rosto não bastou para que seus olhos se abrissem completamente, e isso era ruim, já que eles já não eram tão grandes. Resolveu deixar daquela mesma forma e ficou ali mais um tempo, terminando de se ajeitar para começar mais um domingo entediante.
Saiu do banheiro e andou sem vontade até a sala/cozinha do apartamento, esfregando os braços descobertos por conta do frio que estava ali. Ainda estava de pijama, que era uma camiseta branca velha e uma calça cinza de moletom, não se incomodava se usar, já que pela manhã, Brittany e Santana estavam quase semi-nuas, se alguém chegasse, não iam prestar atenção nela.
Ao chegar a sala, Tina avistou quatro pessoas ao sofá. Sabia que três delas eram Santana, Brittany e Kurt, por conta do sono, a quarta fora difícil de identificar, mas logo ela viu, e aquilo lhe deu mais cansaço.
– Boa tarde, você passou de Mulan para Bela adormecida? — perguntou Santana, com a ironia diária.
– Boa tarde? — ela pôs enfase do "tarde".
– É meio dia, Tina. — avisou Brittany, com as sobrancelhas arqueadas.
– Oh meu Deus. — murmurou a asiática, enfregando mais os braços.
– Parece que a noite passada foi muito boa. — disse Santana, com o mesmo sorriso ironico, mas com suas decepção por trás dele.
Antes de responder, Tina olhou para todos, que a encaravam com o mesmo jeito decepcionado, e em seguida, mirou Mike, que estava de braços cruzados e com o olhar vago, o semblante fechado a incomodou um pouco. Ele mal havia olhado para ela.
– É. — ela respondeu, ainda olhando o rapaz. — Foi legal.
– Bem. — Santana bateu no sofá com as duas mãos, se apoiando nele em seguida para se levantar. — Eu e Britt decidimos ficar o dia inteiro trancadas no quarto, só não estamos fazendo isso agora porque sentimos em nossos corações que devíamos convidar Mike para tomar café conosco e colocar a conversa em dia. — ela explicou, sempre gesticulando com suas mãos.
Tina permaneceu quieta, ouvindo o discurso ridículo de Santana e a matando com os olhos. Ela a seguiu com o olhar até ela fechar a porta do quarto, e, antes disso, a latina lhe lançou um olhar de "sinto muito, mas eu precisava fazer isso", e então, se foi.
– Bem, eu acho que vou para o "meu quarto" — ele usou as aspas, mostrando seu sorriso sem dentes. — Aliás Tina, obrigada por me acordar as 2 da manhã fazendo tanto barulho quando foi se deitar. — ele disse, quando passava pela asiática e ia para o quarto.
Não demorou muito para Mike se levantar, ainda com o semblante sério.
– Eu vou indo. — antes mesmo de Tina responder, ele já caminhava até a porta.
– Mike, espere. — ela segurou seu braço, mas nem sabia o que ia dizer.
Ele se virou e a olhou. Tina sentiu um aperto quando viu aquele olhar, era como se ele estivesse muito magoado, a desprezando. Ficou calada, sem saber o que ia dizer.
– Diga. — ele disse, a olhando.
– Eu não fiz nada. — voltou a esfregar os braços, desta vez, um tanto nervosa. — Não sei o que Santana te disse, mas na noite passada eu só saí com um amig...
– Não tem que me dar explicação nenhuma.
– Por que está sendo tão seco?
– Eu não sei, Tina. Acho que porque você me deu uma esperança de voltarmos e em seguida saiu com outro.
– Mike, ele é meu amigo! — ela pôs a mão no peito para se referir a si mesma.
– Santana disse que foi um encontro!
– Você acredita em tudo que a Santana diz?! — seu cenho se curvou em indignação.
– Por que ela mentiria? Ela só te ajudou até aqui e você sabe disso.
– Mike, eu disse pra você que ia pensar e eu estou fazendo isso... Eu saí com Joel porque eu queria ter certeza de todos os meus sentimentos. Você não está nem tentando me entender.
– Eu não preciso te entender, Tina. Eu nem sei porque estou aqui discutindo com você, porque você faz o que bem entender, é sua vida, você não está comprometida com nada. — ele acalmou seu tom, como se o que ele dissesse fosse completamente verdade. Claro que ele se importava e estava muito magoado. — Embora isso esteja acabando comigo, eu não vou desistir de você.
Ela não disse mais nada. Agora entendia o que Santana quis lhe dizer antes de ela sair de casa na noite passada, e mesmo que estivesse morta de raiva de ela ter contado tudo para Mike, entendeu que se não fosse errado, ela não teria medo de que ele soubesse. Tina apenas abaixou a cabeça, um pouco envergonhada.
– Tchau, Tina. — ele disse, após um suspiro.
Quando reergueu a cabeça, ele já fechava a porta. Estava se sentindo mal, acho que o pior era saber que Mike estava decepcionado com ela. Se sentira do mesmo jeito quando ela tentou ajudá-lo com seu pai na época do Glee Club. Estava tudo indo bem, mas ela tinha que estragar tudo. Aquele seria um péssimo domingo.
1 mês depois...
Fazia um mês que Tina vivia sua vida nova. Ela via Joel todos os dias, e cada dia que passava, ela tinha certeza que ele sentia algo por ela, mas por ela, eles eram somente amigos. As aulas com Holly eram incríveis. Tina e Santana não estavam mais tão proximas como antes, ainda conversavam e saíam, mas Tina não confiava mais nela, na verdade, nunca confiara, mas não queria mais falar sobre sua vida pessoal com ela, absolutamente nada. Não avisava quando ia sair com Joel, não contava como eram os encontros, nada.
Estava para anoitecer, era quarta feira e Tina se arrumava para mais um encontro em seu quarto quando ouviu alguém bater à porta, a mesma abriu-se e Tina viu Santana pela brecha.
– Posso entrar? — perguntou a latina, Tina estranhou sua educação.
– Claro.
Santana entrou e se sentou na cama de Tina, se vendo no espelho, o mesmo que a asiática se olhava para terminar sua maquiagem.
– Mais um encontro? — perguntou a latina.
– Sim. — respondeu Tina.
– Nice... — Santana esfregava as coxas com as mãos. — Eu... Eu acho que contar para Mike sobre o seu encontro não foi legal, eu sinto que você está incomodada com isso até hoje. — ela olhou para o reflexo de Tina no espelho, e ela fez o mesmo. — Tina, eu queria te ajudar com Mike porque sei que ficar com ele te faria bem e eu queria te mostrar que moramos juntas e que você pode contar comigo, mas você me conhece, eu tenho um jeito estranho de ajudar. — ela ergueu os ombros, deixando escapar um sorriso. — Eu não vou mais me meter na sua vida desse jeito, prometo, e eu não vou julgar suas escolhas... Posso até te ajudar se você quiser.
– Fico muito feliz por ouvir isso. — ela sorriu, se virando para olhar a Santana que estava atrás dela. — Santana, quero que saiba que não estou fazendo isso para ferir Mike, pelo contrário, eu queria muito que ele me entendesse. Joel é uma ótima pessoa, eu só estou... Tentando me encontrar.
– Você... Ainda tem sentimentos pelo Mike?
– Eu sempre vou ter, Santana. — Tina suspirou, se sentando ao lado da latina. — Eu... Eu amo o Mike. — ela olhava para frente, mais precisamente, para seu reflexo no espelho. — Eu só quis pensar, pôr minha vida em ordem antes de tudo. Quando saí com Joel, foi apenas um jantar de amigos, embora agora eu ache que ele esteja esperando mais... — Tina negou com a cabeça, pensando naquela ideia.
– E se ele quiser, o que você vai fazer?
– Eu não sei. — Tina olhou para Santana.
A latina pressionou os lábios e ergueu as sobrancelhas, tentando se controlar para não dizer algo.
– É como eu disse, Tina, eu não vou te julgar... Minha língua está coçando, mas não vou. — ela balançou a cabeça e respirou fundo, antes de voltar a falar. — Por que não faz o seguinte: Traga Joel qualquer dia para eu conhecê-lo.
– Tem certeza?! — uma das sobrancelhas de Tina se ergueu, mostrando sua confusão.
– É! Eu tenho que aprender a me adaptar às mudanças. Se for para ser, será.
– Nossa, Santana. Estou surpresa. — ela riu. — Eu trarei ele.
– Ótimo. — ela se levantou, andando até a porta, mas antes de sair ela se virou, apontando para Tina. — E lembre-se: a regra do coito asiático também se aplica ao coito com outras raças.
Tina sempre ficava constrangida com aqueles comentários de Santana. Ela pegou uma almofada de sua cama e jogou nela, mas Santana fora mais rápida, saindo do quarto antes que ela lançasse a almofada. Tina estava feliz por ter tido aquela pequena conversa com Santana e ainda mais determinada a ir ao encontro, agora que uma de suas melhores amigas a apoiava.
(...)
Tina e Joel caminhavam pela rua após terminarem de ver um filme, "300 — A ascenção do império".
– Eu gostei, mas... Tinha tanto sangue. — dizia Tina a Joel, em relação ao filme.
O rapaz riu.
– Mas era falso. — ele disse.
– Mesmo assim. — deu os ombros, enquanto sorria. — Mas eu me diverti bastante.
Joel estava encantado. Ele gostava de Tina, isso era um fato que ele já havia aceitado. Para ele, ela era divertida, acolhedora e uma ótima amiga, mas, no fundo, ele sabia que sentia algo mais.
O apartamento de Tina não estava longe dalí. Joel decidiu acompanhá-la até em casa, para garantir que ela chegaria bem, já que a garota decidira que iria caminhando.
Desde o momento em que saiu de casa, Joel estava planejando algo para fechar a noite, e durante todo o tempo que estava com Tina, pensava se aquilo era certo ou não. Mas quanto mais eles conversavam, mais seu desejo aumentava.
Bem, ali, em frente ao prédio de Tina, talvez fosse a hora perfeita.
Eles estavam lado a lado, a conversa nunca cessava. Ao pararem, Tina deu um passo a frente e se virou para Joel, não estavam tão distantes, mas ela nem reparou.
– Obrigada por me trazer. — ela disse, enquanto sorria.
– Não foi nada. — ele também sorriu.
"Ela é tão bonita", ele pensou, enquanto observava aquele sorriso gentil. Não perdeu mais tempo, ele pôs a mão no rosto da menina e se aproximou para beijá-la, torcendo a cada segundo para que sua reação fosse boa, ou que pelo menos não fosse tão ruim.
Após alguns segundos, ele se afastou, mantendo sua mão no rosto de Tina, que por sua vez, parecia assustada. Ela ficou calada, apenas olhando o rapaz com o olhar de espanto.
– Me desculpe. — ele disse, dando um passo para trás. — Foi idiota pensar que...
– O que? — ela perguntou, esperando que ele completasse sua fala.
– Que isso seria legal. — ele colocou as mãos nos bolsos do casaco e deu os ombros, olhando para Tina.
– ... Mas... — ela começou, chamando a atenção de Joel. Ela olhou para os lados, um tanto confusa, e então, um sorriso ia se formando em seus lábios, e ela voltou a olhar para ele. — Mas foi.
Nem Tina sabia o que estava dizendo, mas de certa forma, não havia sido ruim mesmo. Tina poderia não gostar de Joel da forma que ele gostava dela, mas era bom se sentir amada. Aquilo parecia ingratidão de sua parte, já que Mike não deixou de demonstrar seu amor por ela nos últimos dias. Era uma sensação que ela não entendia, e também não entendia porque estava dizendo aquilo para o Joel, que por sua vez, a olhava sorrindo, um tanto envergonhado.
– Joel... Você sabe que eu moro com minhas amigas. — ela viu o rapaz assentir e continuou. — Elas queriam muito te conhecer. Não está tão tarde e... Acho que seria divertido.
"Você está louca ou o quê?" perguntava-se Tina em sua própria mente.
– Bem... — ele estava um pouco nervoso, ou talvez somente alegre. — Tudo bem.
"Que momento constrangedor", Joel seguia Tina para dentro do prédio, contendo o riso. Toda aquela situação havia sido estranha, e ele estava particurlamente feliz com o resultado de tudo.
Tina também estava um tanto constrangida, contendo o sorriso. Havia sido estranho, há quantos anos ela não beijava alguém que não fosse Mike? E para sua surpresa, não havia sido ruim, era como um novo começo, aquilo a assustava e a animava simultaneamente.
Ela abriu a porta do apartamento e encontrou as luzes apagadas, com Santana e Brittany no sofá assistindo ao jornal da noite, era uma cena esquisita, já que naquele horário, elas deviam estar no quarto, fazendo qualquer coisa que não fosse dormir.
– Meninas. — chamou-as Tina, acendendo a luz.
– Tina — Santana se virava para a menina, já que o sofá ficava de costas para a porta. — Oh, esse é seu amigo?
– S-sim... Joel. — Tina apontou para Joel e depois, fez o mesmo, com Brittany e Santana. — Santana, Brittany.
– Joey! Como de Friends. Agora temos Joey e Rachel! — disse Brittany, com um sorriso.
– É Joel! — Tina proferiu o nome do rapaz devagar, de uma forma que a loira entedesse bem.
– Oh... Mas é quase Joey. — ela deu de ombros, ficando séria.
– Anyway. — Santana se levantou, fazendo Britt fazer o mesmo. — Muito prazer, Joel. — a latina esticou sua mão para que o rapaz apertasse a mesma. — Quer dizer que você é de NYFA, faz aula de teatro musical, dança ballet e essas coisas... — Santana deu seu sorriso malicioso, cruzando os braços e olhando para Tina.
– É... Ballet não é só para garotas. — ele respondeu, meio envergonhado.
– Claro que não. — disse Santana, mantendo seu sorriso.
– Santana... — murmurou Tina, olhando a latina com o semblante sério.
– O que? — ela franziu o cenho.
– Não seja inconveniente.
– Eu não estou sendo inconveniente! Eu só estou conversando com o seu amigo!
E então começava mais uma "discussão amigável" entre Tina e Santana, onde Brittany fazia alguns comentários sem nexo, se esquecendo completamente que Joel estava ali. Mas ele também se esquecia das pessoas que estavam ali. Seus olhos se focaram na televisão, de uma forma estranha, como se estivesse apavorado.
– Você sempre está certa e nunca faz comentários desnecessários, claro! — Tina encerrava ali a discussão, voltando sua atenção para Joel, que ainda estava fissurado na tv. — Joel, o que houve?
– É... — ele finalmente desviou seu olhar para Tina, ainda assustado. — É meu irmão, na tv.
As três olharam para tv ao mesmo tempo, e tiveram a mesma reação.
"(...) Nesta rebelião no presídio de New York houve muitas fugas, uma delas em especial, de Jerry Scott. Jerry sequestrou e torturou uma jovem por ciúme."
– Oh não. — Brittany levou as duas mãos ao peito, sua respiração ficava ofegante, como se ela estivesse prestes a ter um infarto. — Não, não, não, não!
Ela colocou as duas mãos na cabeça e andou até o sofá, se sentado e enterrando o rosto nas mãos, Santana foi atrás dela e se sentou ao seu lado.
– Calma Britt. Calma!
– Espere... Ele é seu irmão? — perguntou Tina à Joel, completamente pasma.
– S-sim, Jerry é meu irmão. — Joel ainda estava um pouco pasmo. — Eu não acredito que ele tenha fugido!
– Parece que não fomos apresentados. — disse Santana, se levantando e indo até Joel novamente. — Parece que você é irmão de Jerry, esse psicopata. Prazer, sou Santana Lopez, a jovem sequestrada e torturada. — ela esticou sua mão para ele novamente, em um ato ironico.
– O que? — Joel olhou para a mão de Santana, e logo em seguida para Tina. — V-você é...
– Sim, sou eu. — ela recolheu sua mão para si rapidamente, aumentando seu tom. — E você não pode ficar aqui.
– Santana, calma... — pediu Tina, sendo interrompida pelo nervosismo da latina em seguida.
– Calma nada, Tina! Você não ouviu?! Ele é irmão do Jerry! — seu tom de voz assustava a todos ali, com excessão de Britt, que parecia estar desligada de tudo.
– Isso não significa que eles são iguais! Você não o conhece! — retrucou a asiática.
– Exatamente! Eu não o conheço e nem você!
– Tina, está tudo bem, eu... Eu acho melhor eu ir mesmo... Eu sinto muito pelo o que Jerry fez com vocês... Eu te vejo amanhã na aula.
Joel não deixou que Tina discutisse aquilo, apenas deu um beijo rápido em seu rosto e abriu a porta para ir embora. Não podia acreditar que uma noite que havia começado tão perfeitamente bem acabara daquela forma.
– Você prometeu que seria compreensiva. — murmurou Tina, voltando a olhar Santana.
– Disse que tentaria me adaptar, e eu nunca vou me adaptar com gente de sangue psicopata no meu apartamento.
Conforme falava, Santana voltava a andar até o sofá. Ela se sentou ao lado de Britt e disse algo enquanto a abraçava, tentando acalmá-la. Tina observava a cena dali, e embora achasse que Santana tinha sido injusta com Joel, um lado dela a entendia.

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