Who's loving you

14 Capítulo XI - Live as if no tomorrow.


Notas iniciais
Eu não coloquei o nome das músicas cantadas nos capítulos anteriores, desculpe. As músicas desse capítulo estão nas notas finais. Espero que gostem.

Passada uma semana do enterro de Deena, era de se esperar que Tina estivesse melhor, mas a escapada antes da aula para chorar no banheiro tornava aquela ideia contrária.
Ela limpava os olhos manchados de rímel, na frente do espelho, se sentindo uma idiota. Bem, o motivo não era bem Deena, mas o que estava acontecendo. Mike estava mais proximo, ainda mais de Santana, ele sempre ia em seu apartamento e eles ficavam conversando na sala por horas. Tina se trancava no quarto, não queria participar daquilo, pois sabia que eles falavam sobre ela e sobre sua "culpa". E sempre que ele ia embora, Santana ia ao seu quarto para conversar com ela, ou melhor, convencê-la a voltar com Mike. Mas ela deixava bem claro: "Mike não me pediu isso, eu estou fazendo porque quero".
Aquilo estava deixando-a exausta. As aulas em NYFA estavam mais pesadas, o movimento no Spotlight Dinner era intenso, e aquilo era bom antes, mas não era mais o tipo de distração que ela queria, pois os pensamentos eram mais fortes. Então ela trabalhava, estudava e pensava em Mike ao mesmo tempo, era cansativo e irritante. Então quando ela podia, chorava. E chorava muito.
– Você está bem? — ela ouviu, mal havia notado que alguém tinha entrado ali.
Ela passou o lenço nos olhos mais uma vez e respirou fundo, antes de olhar para a pessoa.
– Sim, estou b... — era inacredítavel, era mesmo quem ela achava que era? — Mr. Holliday?
A loira ficou confusa por um momento, levou a mão ao queixo e semicerrou os olhos para tentar lembrar de algo, e em alguns segundos, seus olhos se arregalaram e sua boca formou um perfeito "o".
– Quinn Fabray?! — perguntou, apontando para Tina.
– Tina. — a corrigiu, rindo um pouco.
– Claro que é! — ela abriu os braços, com um sorriso no rosto, e partiu para um abraço rápido. — Meu Deus, que bom saber que você conseguiu seguir seu sonho!
– Eu sei. — ela respondeu, repousando seu queixo no ombro de Holly, antes de se afastar. — O que faz aqui?
– Substituindo. — ela deu uma balançada rápida com sua cabeça, com os olhos mirados para cima e em seguida riu, voltando a olhar Tina. — A professora de canto está com um probleminha de saúde.
– Oh, minha primeira aula é com você então.
– Que ótimo. — ela sorriu, ficando séria em seguida. — Mas me conte, por que estava chorando?
– Oh, não é nada, deixe pra lá.
– Pediu isso para a pessoa errada, querida.
– Você quer mesmo ouvir sobre meus problemas? — ela cruzou os braços.
– Achei que nunca fosse perguntar. — Holly sorriu, ironicamente. — Está tudo bem, temos um tempinho. Me conte tudo. — ela arregaçou as mangas da blusa que usava e começou a lavar suas mãos, esperando Tina começar a falar.
– Bem, é uma longa história, mas resumindo... — ela começou, enquanto levava o lenço que usava até o lixo, e quando voltou, estava pronta para contar tudo. — Você se lembra de Mike Chang? — Holly concordou com a cabeça, ainda lavando suas mãos, mas atenta as palavras de Tina. — Bem, eramos namorados e terminamos quando ele se formou. Então eu me formei e vim para cá, nos reencontramos, ele estava com uma garota, Deena. Depois de um tempo ele voltou a gostar de mim, e eu voltei a gostar dele, mas eu tentei fugir disso por causa de Deena, ela era uma ótima garota e eu não queria atrapalhar eles.
– Era? Não é mais? Você o agarrou e ela te bateu? — perguntou, ela chacoalhava as mãos, fazendo algumas gotas pingarem em Tina. — Sorry. — murmurou, pegando alguns lenços de papel para secar-se.
– Hunf, quem me dera. — ela arqueou as sobrancelhas, dando um longo suspiro. — Ela faleceu faz uma semana, de cancer.
– Oh meu Deus. — ela levou a mão com o papel ao peito, juntando suas sobrancelhas. — E estava chorando por causa dela?
– Mais ou menos, é complicado... Mike quer voltar, mas eu não acho certo.
– Por que não? Vocês dois estão solteiros, certo?
– Sim, mas toda vez que penso nisso, eu lembro de Deena... Aconteceu muitas coisas enquanto ela estava viva. Ela era literalmente uma ótima pessoa, ela sabia que Mike me amava e até apoiava ele para ficar comigo. Antes de morrer, me fez prometer que eu voltaria com ele, mas eu me sinto uma traídora, sabe? — Tina jogou seu cabelo para trás, pensando em um jeito melhor de explicar aquilo. — Eu não queria ser o motivo da separação deles, mas eu atrapalhei a relação deles, eu... — Tina sentia o choro vindo novamente, mas se calou por um tempo para controlá-lo. — Eu estraguei os últimos dias dela. Era pra ser perfeito, ao lado de Mike, como ela disse que queria que fosse.
– E ele não esteve com ela nos últimos dias?
– Esteve, mas não do jeito que ela queria.
– Tina... — Holly juntou as duas mãos, amassando o papel que segurava e abaixou a cabeça por um tempo, em seguida a levantou, estava muito séria. — Você é idiota?
– O-o que? — ela ficou espantada, não esperava que ela dissesse aquilo.
– Me desculpe, mas isso que você disse não tem sentido nenhum. Eu digo, se você tivesse se relacionado com o Mike enquanto ele estava com a menina, eu entenderia.
– Bem, nós nos beijamos uma vez e quase nos beijamos algumas outras. Na verdade, ele me beijou.
– Está vendo? Quem devia sentir culpa era ele, e ele nem sente, não é mesmo? — Holly esperou que Tina concordasse para continuar. — Pois bem, certo ele. Se Deena era tão boa e apoiava ele, o que faz você sentir culpa?
– Eu... Eu não sei, eu só sinto. — ela deu os ombros.
– Eu tenho que te entender, sentimentos são uma droga. Mas não tem porque sentir culpa, você não fez nada de errado. — ela gesticulava com as mãos, e em seguida, usou uma delas para secar uma lágrima que Tina deixara cair sem perceber. — E pense comigo, ele sempre te amou, até escolheu uma namorada com o nome quase igual o seu! Tina, Deena, Tina, Deena. — ela balançou seu corpo de um lado para o outro conforme falava, fazendo Tina rir. — Mas se você não quer ficar com Mike, o esqueça. Tina, você está em New York, nem todos são gays, aproveite! — aquele conselho deixou Tina um tanto sem graça, mas não deixou de rir. — Agora vamos, está na hora.
– Tudo bem.
Holly passou seu braço em volta dos ombros de Tina e juntas, elas saíram do banheiro, mas antes, Holly jogou a bolinha de papel amassada para trás, acertando direto no lixo, mas ela não pode ver este feito.
No caminho até a sala, elas conversaram sobre NYFA, New York e os planos para o futuro. Quando chegaram, a sala estava quase completa, alguns alunos entraram atrás dela.
Tina deixou sua bolsa em um canto e tirou o agasalho que usava. Trajava roupas leves que permitissem que ela se movimentasse bem para as aulas de dança e teatro que viriam em seguida. Passou as mãos pela calça legging preta para tirar alguns fiapos brancos, e quando se virou, controlou seu riso.
– Hola classe. — disse Holly, enquanto tirava seu casaco, revelando uma calça bem justa e brilhante azul clara e um top branco com listras também azuis. Tina observou os outros alunos contendo o riso junto à ela, e se aproximou de alguns conhecidos. — Sou Holly Hollyday e estou substituindo. Antes de qualquer coisa, se alonguem.
Os alunos se entreolharam, perguntando-se: "alongar?". Nem mesmo Tina sabia o que Holly estava fazendo.
– O quê? — perguntou Holly, abrindo os braços. — Vocês precisam relaxar, se soltar. — Ela juntou suas mãos e esticou os braços para cima, fechando os olhos e respirando várias vezes. — Ninguém consegue cantar bem com um peso nas costas. Vamos, alongando, já.
Ainda confusos, os alunos começaram a se esticar e flexionar, obedecendo as ordens da professora. Tina se sentou no chão para fazer seu alongamento, ela fez "pernas de indio" e começou. Mas foi parando conforme via Holly se aproximando e sentando-se de frente para ela, mas um pouco afastada.
– Eu te ajudo. — disse a loira, oferecendo suas mão para Tina.
Tina se esticou, dando as mãos para a professora, que as puxou devagar, e alguns segundos depois, Tina repetiu o movimento, puxando as mãos dela.
– Me diga, Tina. — começou Holly, enquanto ainda estava com a cabeça abaixada, e assim que se levantou, continuou. — Quem é o garoto loiro ali no canto?
Tina virou sua cabeça para o lado, encontrando o garoto de que Holly perguntara, e até estranhou o fato de ele ter a olhado rapidamente, movendo seu olhar para qualquer direção assim que percebeu que ela o olhava também. Ela voltou a olhar Holly, abaixando suas sobrancelhas.
– Eu não sei, deve ser aluno novo. Por que?
– Ele estava de olho em você. — ela curvou seus lábios, formando um pequeno sorriso malicioso.
– Impressão sua. — retrucou Tina, sorrindo.
– Oi, sou Holly Holliday, identifico flerts a kilometros de distância. — ela disse, com uma voz entusiasmada e um grande sorriso nos lábios finos. — Aproveite, Tina, ele é uma graça.
– Eu não posso chegar em um garoto que nem conheço, e se ele estava apenas me olhando porque queria guardar os rostos da classe?
– Até parece. — ela arqueou as sobrancelhas, ficando séria. — Tina, vou te dizer uma coisa importante: Alguns dizem que o mundo vai acabar em chamas, outros dizem que os iPod's vão virar robôs assassinos e nos matar e outros falam sobre Jesus voltar. Eu não sei como vai ser, mas o mundo vai acabar um dia, e não sabemos quando vai ser.
– Está me assustando.
– Estou dizendo para você aproveitar sua vida! Tudo bem, não volte com o Mike, mas não pare por causa disso. E não me diga que não quer namorar agora por causa dos estudos e blá blá blá, porque daqui uns anos, vai se arrepender das coisas que devia ter feito e não fez. — conforme terminava de falar, ela se levantava e voltava para o dentro da sala.
Tina ficou ali, pensando, talvez ela tinha razão, não que ela fosse falar com aquele menino ou coisa do tipo, mas sobre ela aproveitar sua vida, viver novas experiências. Ela se alongou mais um tempo, enquanto Holly perguntava o nome dos alunos e brincava um pouco com eles, para se acostumarem com sua presença.
– Como não conheço vocês, vou pedir pra minha amiga Tina de outras vidas me ajudar com a primeira lição. — todos olharam para Tina, que ficou confusa com a atitude da mais velha.
Holly foi até ela e a puxou pela mão, deixando-a de pé ao seu lado.
– Lição número um: Viva sempre como se hoje fosse o seu último dia. — ela olhou para Tina e piscou, direcionando aquele conselho para ela.
– Mas essa é uma aula de canto, não de ajuda. — disse uma das aulas, uma daquelas que sempre quer saber mais que o professor.
– E a música não ajuda em momento difíceis? — perguntou Holly, colocando as mãos na cintura. — Hit it!
A banda, que sempre estava ali caso a professora quisesse que os alunos apresentassem algo, começaram a tocar uma música reconhecida por Tina. Com certeza ela combinou com eles antes, ela pensou, lembrando de todas as vezes que Holly falava "Hit it" e a banda acertava a música que ela queria. A turma ficou animada, até mesmo deram passos para trás para que as duas tivessem espaço para sua perfomance. Holly se balançava um pouco, no ritmo da música, e então, apontou para Tina, para que ela começasse a cantar.
My best friend gave me the best advice.– ela olhou para Holly e sorriu, caminhando até ela. — he said each day's a gift and not a given right.
Leave no stone unturned leave your fears behind, and try to take the path less travelled by.– continuou Holly, fazendo caras e bocas e gestos durante a música, fazendo os alunos rirem.
Antes de elas cantarem o verso seguinte juntas, Tina percebeu um olhar, claro que todos ali a olhavam, mas um em comum, ele estava... Admirado. Era o tal garoto que olhava para ela no começo da aula. Ela o olhou rapidamente e logo, notou no rosto de Holly o mesmo sorriso malicioso de antes. Então juntas, elas cantaram:
That first step you take is the longest stride...– Tina ficou pensativa, enquanto Holly corria até os alunos e puxava um deles, era a menina que tentou corrigí-la sobre a aula, ela murmurou "cante junto" à ela, e as três cantaram o refrão. — If today was your last day and tomorrow was too late, could you say goodbye to yesterday?– conforme o verso acabava, Holly empurrava a menina de volta para o grupo de alunos, ela fez uma cara confusa, mas Holly nem percebeu, pois já puxava um outro rapaz para continuar a música. — Would you live each moment like your last? Leave old pictures in the past? Donate every dime you had?
Novamente, Holly empurrou o garoto de volta para o grupo e desta vez, puxou dois, uma garota e o garoto que olhava para Tina, ele parecia ser tímido, pois ficou um pouco envergonhado, mas Holly os estimulou a cantar.
– Would you call those friends you've never seen? Reminisce old memories? Would you forgive your enemies? - Holly deixou os garotos cantando e se aproximou de Tina, colocando seu braço em volta de seu ombro. – Would you find that one your dreaming of Swear up and down to God above that you'll finally fall in love? - ela inclinou um pouco sua cabeça para trás, indicando o garoto à Tina, que por sua vez, balançou a cabeça em negativa enquanto ainda cantava. — If today was your last day.
Todos aplaudiram, inclusive Holly e Tina, que se juntava com os outros alunos, recebendo alguns elogios.
– Muito bem, todos estão de parabéns! — disse, ainda aplaudindo e com a respiração ofegante. — Agora vamos à aula de canto que a professora deixou para vocês, isso foi só para vocês acordarem. Tudo bem, Fleur? — Fleur era o nome da garota que cantou com elas primeiro, Holly puxou o R no final e fez uma voz doce e quase sensual, fazendo a sala rir, a menina apenas jogou os longos cachos loiros para trás e ignorou. — From the top.

(...)

– Isso é ótimo, não é? — perguntou Mike, mexendo seu café com uma colherzinha de plástico.
– O quê? — perguntou Tina de volta, bebendo um gole de seu capuccino em seguida.
– Viver a vida como se tudo fosse acabar amanhã. Eu costumo tomar apenas capuccino, como você, e hoje vou tomar café. — ela disse, entusiasmada, e levantou seu copo para beber o primeiro gole. Ela fez uma careta e apertou os olhos. — Sabe... — ela pôs o copo de volta no balcão. — Escolha bem as experiências, algumas não valerão a pena.
Tina riu, colocando seu copo ao lado do de Holly e apoiando sua cabeça em sua mão, olhando para a loira.
– Oh, olhe quem está vindo. — disse Holly, olhando por cima do ombro de Tina.
– Da última vez que me disseram isso, era Mike. — murmurou ela, revirando os olhos.
– Não é seu passado, é o futuro batendo à sua porta. Joel...
Tina franziu o cenho, não conhecia nenhum Joel, então se virou para ver quem era. O garoto da classe. Antes que ela pudesse se virar, Holly trocou os copos de lugar, ficando com o capuccino de Tina sem que ela percebesse.
– Tem que parar com isso, não está acontecendo nada. — disse Tina, voltando a atenção para Holly.
– Ei rapaz, vem cá! — chamou Holly, vendo que o garoto se aproximava.
Tina arregalou os olhos, ela não estava mesmo fazendo aquilo, estava? Ela só percebeu que sim quando viu a imagem de Joel aparecer a sua frente.
– Você tem uma ótima voz. — disse Holly, com a testa franzida para mostrar sua seriedade. — Como se chama mesmo? Jo...?
– Joel. — completou o menino, um pouco tímido.
– Joel. Bem, Joel, essa é minha amiga Tina, estavámos falando de como você é talentoso.
– Estavam? — perguntou o menino, olhando para Tina, pareceu ter ficado alegre com aquilo.
– É, estavámos. — respondeu Tina, encarando Holly com um olhar matador.
– Se junte a nós. — pediu Holly, puxando um banco para que ele se sentasse.
Não parecia ser uma boa ideia, mas era bobagem de Holly, então Tina tentou manter a calma, o que não funcionou muito bem, tanto que ela nem percebeu que o que ela bebia era café puro. Mas ao longo da conversa, ela foi se acostumando. Joel era uma pessoa legal, quando se entrosava e deixava a timidez de lado, rendia bons assuntos. Falou de sua época do ensino médio, de como escolheu NYFA e etc. Conversaram tanto, que perderam a noção do tempo, Tina estava atrasada para o trabalho e teve de sair correndo, mas se despedindo do novo amigo e da professora antes.
Aquele dia estava sendo bom, afinal. O conselho de Holly, o dueto, a conversa na lanchonete e o dia no Spotlight Dinner. As garotas tiveram que fazer muitas perfomances, mas aquilo distraia Tina e ela se sentia bem, mesmo estando cansada. E assim, ela permaneceu por alguns dias. Passou a semana inteira desta forma, tendo aulas cada vez mais inusitadas com Holly, conversando com Joel depois da aula e trabalhando muito, essa era a sua rotina.
O que Tina notou de diferente nesse tempo foi sua relação com Joel cada vez mais intima. Ele sempre queria saber mais dela e falava pouco sobre ele, elogiava seu desempenho nas aulas e sorria muito. Tina chegou a pensar que Holly estava certa sobre os "flerts", mas preferia ignorar isso para não estragar aqueles momentos.
– Hoje Fleur estava magnifica, não acha? — perguntou Joel, com um tom ironico.
– Ela estava, até ela se virar.
Os dois caíram em uma gargalhada exagerada, lembrando de um momento da aula em que uma das aulas se virou e todos puderam ver que sua calça estava rasgada, e ela nem ao menos percebeu, ficou a aula inteira desta forma sem ninguém avisá-la, nem mesmo Holly.
– Coitada, pelo menos ela estava feliz. — disse Tina, após se recuperar do riso.
– Isso até alguem contar pra ela. — Joel ainda ria um pouco, mas foi parando aos poucos. — Está na minha hora, tenho que trabalhar... — ele arrumava suas coisas e se levantou do banco onde estava sentado. — Tina... Eu estava pensando se você queria... Sair comigo qualquer noite.
– Oh... — ela foi pega de surpresa, pois aquilo confirmava todas as suas suspeitas. — Bem... Eu peguei o turno da noite essa semana, mas... Sábado eu não vou.
O que ela estava fazendo? Marcando um encontro com um rapaz que ela mal conhecia? Bem, eis a resposta: Tina estava experimentando o modo de vida de Holly, vivendo como se não houvesse amanhã. Afinal, o que teria de mal sair com um amigo, mesmo que ele não pensasse dessa maneira?
– Ótimo. — ele sorriu, parecia aliviado pela resposta de Tina. — Então, eu te ligo.
– Tudo bem. — ela sorriu, vendo o menino se afastar e acenar para ela.
Viver como se não houvesse amanhã, ela pensou, com um sorriso determinado nos lábios.

(...)


Era sábado a tarde. A vida estava tranquila, finalmente. Sem nenhum psicopata por perto para atrapalhá-la. Tina finalmente havia superado a morte de Deena, claro que ainda era triste pensar naquilo, mas era como se ela pensasse e por um lado, ficasse feliz, porque ela se foi feliz. Ela tentou não pensar muito nas coisas, mas focar em sua vida a partir dalí e esquecer todo o resto. Bem, para seu azar, somente ela pensava daquela forma.
Santana e Brittany aproveitaram o sábado de clima frio para passearem juntas por New York. Tina preferiu ficar em casa, sicronizar o rádio em uma boa estação e apenas curtir seu "lar". As aulas em NYFA a distraíam, mantinham sua mente ocupada e determinada. Ter Holly por perto era divertido, era como pensar que hoje elas teriam uma simples aula, e amanhã apresentariam um musical no Empire State. Ela nunca sabia o que esperar das aulas da professora mais destemida que já teve. E aquele garoto... Joel. Tina estava um pouco desconfiada e insegura, mas quando começava a pensar assim, se lembrava de seu dueto com Ms. H e se animava com a ideia. Ele parecia ser um bom rapaz, e embora sua intenção não fosse entrar em qualquer relacionamento novamente, ela tinha uma ponta de esperança daquilo lhe render algo bom. Viver como se não houvesse amanhã, esse era seu novo lema.
Ali, sentada no sofá, apenas ouvindo as músicas que tocavam no rádio e ouvindo o barulho da cidade abafado pelos vidros da janela, ela estava relaxada, vivendo algo que não vivia há muito tempo, e a única coisa que desejava era que ninguém a atrapalhasse.
E neste exato momento, alguém bateu a porta.
Ela mal acreditou. Really? pensou. Ela pensou em não atender e esperar a pessoa ir embora, mas ela insistiu pelo menos três vezes. Neste momento, ela agradeceu por aquele prédio não ter campainhas, pois seria algo bem mais incomodante.
Tina se levantou do sofá em um impulso e andou rápido até a porta para acabar logo com aquilo. Mas pela pessoa que estava ali, ela sabia que não seria nada rápido.
– Mike.
– Tina. Preciso conversar com você.
– Eu... Estou ocupada. — desculpou.
Claro que ele não acreditou. Ele olhou o apartamento por cima do ombro da menina. Estava impecável, a televisão, desligada. A mesinha do centro, suportando apenas um vaso de rosas artificiais. Ele ouvia o som do rádio e aquilo era o que ele precisava para argumentar.
– Ah, sim. Parece que você não perdeu o costume de ligar o rádio em qualquer lugar e ouvir músicas aleatórias enquanto faz nada. — ele disse em meio a um sorriso, deixando Tina confusa. — Eu te conheço.
– Então deve saber que quando faço isso é porque quero ficar sozinha. — ela arqueou as sobrancelhas, cruzando os braços.
– Se você me ouvir bem, podemos fazer isso bem rápido. — ele deu os ombros, colocando as mãos nos bolsos.
– Ah, tanto faz. — ele já havia mesmo estragado seu momento de paz, se o mandasse embora, ficaria pensando no que ele queria dizer e não relaxaria até convesar com ele.
Tina deu espaço para que ele entrasse, e assim que ele o fez, ela fechou a porta e se virou para o rapaz. Não se preocupou em desligar o rádio, tinha esperanças de ser realmente uma conversa rápida.
– Então? — ela disse, erguendo os ombros, o apressando.
– Bem, Tina... As coisas estão mais calmas agora, e eu me senti seguro para vir aqui e te dizer isso mais uma vez... Eu acho que devíamos nos dar uma ch...
– Nem termine. — ela o interrompeu — vou facilitar pra você. A resposta é não. Obrigada pela visita. — ela abriu a porta e indicou a saída, totalmente séria.
– Não, é sério, me escute. — ela rolou os olhos, fechando a porta. — Tina, o que a Deena fez você prometer? — ele perguntou retóricamente, pois sabia da resposta, Santana havia contado à ele. Ele falava aquilo apenas para lembrá-la.
– Mike, use todos os seus argumentos, menos esse. — ela não queria de jeito nenhum lembrar de Deena daquela forma, aquilo a perturbava.
– Você não pode fugir disso, Tina!
– Eu não estou!
– Claro que está! — insistiu, com a voz enguiçada.
– Ok. Quer saber? Eu estou sim! — ela andou para frente, ficando de costas para Mike, mas então,se virou para terminar de falar, e ele já a olhava. — Eu não vou poder cumprir essa promessa e seja lá onde Deena esteja, eu espero mesmo que ela me perdoe, mas não vai acontecer. — ela gesticulava com suas mãos, demonstrando sua seriedade e indignação. Começava uma discussão.
– Eu não consigo te entender. Por que toda essa culpa se a própria Deena te disse que estava tudo bem? Todo mundo, ouça bem: todo mundo concorda com isso, menos você.
– Mike, por que não desiste logo? Não vai acontecer mesmo!
– Eu não desisto porque eu realmente gosto de você. — ele fez uma pausa. — Eu não quero desistir, Tina.
O novo modo de viver de Tina não se encaixava nessa parte. Ficar com Mike. Só de pensar, ela já mudava de ideia, e nem mesmo sabia porque.
– Isso só vai trazer sofrimento pra você. — ela balançou a cabeça em negativa, o desaprovando.
– Só para mim? Tem certeza? Porque eu sei que você está deixando de fazer sua vontade por causa de uma culpa desnecessária.
– De onde você tira essas coisas?! — ela franziu o cenho, sua voz também começava a enguiçar.
– Eu... Eu suponho. — ele cruzou os braços, parecia meio atrapalhado, e foi ali que Tina entendeu tudo.
– Santana? — perguntou, com as sobrancelhas levantadas.
– Não importa. — ele nem precisava responder.
– Aquela vadia... — murmurou, olhando para o lado.
– Tina, quer saber? — ele chamou sua atenção de volta para ele. — Eu quero que você olhe nos meus olhos agora e diga que não me ama. E se você disser, eu desisto de você e não te procuro mais, tá bem? Mas tem que dizer olhando bem aqui! — ele usou dois dedos para apontar para seus olhos e se aproximou mais de Tina.
Ah, era fácil. Olhar para ele e dizer que não o amava, e então, estaria livre para sempre. Ela diria, ela chegou a abrir a boca para dizer, mas... Era a realidade? Olhando para aqueles olhos asiáticos, ela percebeu que não. Aquele garoto com quem ela brigava ali, um dia, fez ela se sentir a garota mais incrível do mundo e a mais amada. Esteve do seu lado, segurando sua mão, todas as vezes em que ela chorava no fundo da sala do coral, ele a consolava e depois, eles riam das situações. Tina estaria mentindo para si mesma se dissesse que não o amava. Mas se dissesse, do que iria adiantar? Ela simplesmente não conseguia dizer que cumpriria sua promessa.
Ela então ficou em silencio. Ele não tirava os olhos dela, estava esperando sua resposta, mesmo que já soubesse qual era. Droga, ela pensou, diga alguma coisa, qualquer coisa! E então, aconteceu algo.
Fazia tempo que aquilo não acontecia com eles. No clube do coral, eles cantavam a todo momento sobre qualquer coisa, mas perderam aquele costume. Observando Tina ali, totalmente quieta, Mike, em uma boba distração, reparou na música que começava a tocar no rádio. Era perfeita para o momento.
Ele deu um passo para trás, sem tirar seus olhos dela. Tina estranhou sua ação, sem saber o que ia fazer.
– Say something, I'm giving up on you. I'll be the one, if you want me too. Anywhere, I would have followed you. - nessa pausa, Tina abaixou a cabeça, cruzando os braços, estava desconfortável. – Say something, I'm giving up on you - ele cantou como se pedisse para ela realmente dizer algo, e não permanecer calada.
And I...– começou Tina, levantando sua cabeça e soltando seus braços, ela cantava sozinha. — Am feeling so small, it was over my head, I know nothing at all.– ela balançou a cabeça em negativa, e juntou as duas mãos na frente do corpo.
Ela estava olhando para Mike, que então, cantou com ela:
Say something, I'm giving up on you, I'm sorry that I couldn't get to you. Anywhere, I would have followed you, say something, I'm giving up on you.
– And I will swallow my pride. - cantou Mike, se aproximando de Tina novamente. – You're the one, that I love. - ele acariciou seu rosto, a olhando bem nos olhos, o mais profundo que podia. – And I'm saying goodbye.
"Say something, I'm giving up on you... Say something", cantaram juntos, finalizando a canção.
A versão do rádio era curta, porém, continha nela todas as palavras que precisavam ser ditas ali. E então, começava outra música qualquer, eles não ouviam mais.
Mike estava tão determinado em reconquistar Tina que se dispôs a cantar para isso? Claro que a voz do garoto havia melhorado muito depois da ajuda dela, mas ele sempre foi aquele que ajudava com a coreografia das perfomances do clube.
– Diga alguma coisa. — ele sussurrou, ainda a olhando, pois ainda não tinha sua resposta.
O que ela poderia dizer? Mil coisas. Mil palavras. Mas nada saia de verdade. Ela respirava fundo, sem encontrar ao para seus pulmões, sua respiração mal acompanhava as batidas de seu coração. Tina engoliu em seco. Como eles conseguiam se olhar por tanto tempo sem dizer nada? Bem, aqueles olhares mostravam dois anos de muitas coisas que eles viveram juntos e ali eles estavam, um lutando para reatar e o outro renegando, mesmo sentindo o mesmo. E por que? Naquele ponto, nem mesmo Tina sabia porque. Ela o amava, afinal, não era?
Foi quando Tina jogou tudo pro ar, ela deu um passo a frente, colocando sua mão no ombro do rapaz e não se deu tempo para repensar naquilo, e apenas o beijou.
Nessa hora, o coração de Mike se encheu de esperança. Aquilo significava bem mais do que qualquer palavra que ela dissesse.
– Não, Mike... — disse ela após cerrar o beijo, mas sem afastar seus rostos, ela colocou suas mãos no peitoral do rapaz, como se o impedisse de algo.
– Qual o problema?
– Está tudo acontecendo muito rápido... — ela olhou para baixo, pensando em algo. — Eu... Eu queria um tempo.
Aquele foi o momento em que Tina decidiu tentar encaixar Mike em seu novo modo de vida, talvez desse certo ou não, mas de qualquer forma, ela tiraria uma lição de tudo que fizesse a partir dalí.
– Um tempo? — ele ergueu uma das sobrancelhas, olhando para Tina.
– É, um tempo. — ela voltou a olhá-lo. — Para pensar, colocar minha vida em ordem...
– Quer dizer que há uma possibilidade de você nos dar essa chance?
– ... Talvez.
Um enorme sorriso surgiu nos lábios finos de Mike, que não conseguiam demonstram seu alivio. Ele acariciou o rosto da garota mais uma vez, a encarando.
– Saber disso já faz eu me sentir melhor. — ele disse, mantendo seu sorriso.
– Que bom. — ela retribuiu o sorriso, olhando para o rapaz da mesma forma que ele a olhava. — Eu prometo te dar uma resposta logo.
– Não, tome o tempo que precisar e pense bem. Você sabe que vou estar sempre te esperando. Certo?
– Eu sei agora. — ela balançou a cabeça, concordando.
Mike estava muito feliz, não era um "sim", mas era quase um, e aquilo tirava um peso dele. Claro que depois de algumas horas ele ficaria muito ansioso pela resposta, mas respeitaria o tempo e o espaço de Tina para que tudo desse certo.
Ele se aproximou e colocou a mão no rosto da menina, deixando um beijo carinhoso em sua testa e logo se afastou, voltando a olhá-la.
– Obrigada. — disse ele. — Eu disse que seria rápido porque eu tenho um compromisso agora... Então...
– Oh, tudo bem, eu vou... Começar a pensar. — ela riu, um pouco nervosa, e Mike percebeu aquilo quando viu ela puxar o lóbulo de sua orelha, ele a conhecia como ninguém.
– Até mais, Tina.
– Até.
Ele queria poder ler seus pensamentos, saber o que ela estava sentindo, queria sua resposta logo, mas ele precisava controlar aquela vontade. Ele andou até a porta e a abriu, e antes que fosse, olhou para Tina mais uma vez, que estava se virando para vê-lo ir, e então, ele fechou a porta.

Notas finais
If today was your last day (Holly, Tina & alunos de NYFA) - Nickelback Say something (Mike e Tina) - A great big world feat. Christina Aguilera