Who's loving you
11 Capítulo VIII - Where's she? Parte II
Desde que Tina decidiu ir para New York, sonhou com sua vida perfeita: Ela moraria com suas amigas, faria sua faculdade, compraria um apartamento e teria uma profissão onde pudesse mostrar seu talento. Se divertiria com amigos pela cidade dos sonhos, viajaria com eles de volta para Ohio quando Mr. Schuester precisasse de ajuda... Estava tudo tão bem planejado. Mas tudo saiu dos eixos antes dela completar um mês como nova-iorquina. Porém, ela nunca imaginou que chegaria àquele ponto. Santana sequestrada? Chegava a ser patético. Ridículo. Por que tudo aquilo estava acontecendo? Céus, ela só queria fazer uma faculdade em New York, não queria ter de negociar com nenhum psicopata!
– Britt, fique calma. — aquilo fora desnecessário, já que a calma da garota já era vista em seu rosto, e aquilo era preocupante, talvez fosse o choque inicial. — Me conte isso direito.
– Eu cheguei de Juillard e ninguém estava em casa. — Brittany secada os olhos com a manga de sua blusa, deixando marcas vermelha no rosto. — O telefone começou a tocar e eu atendi, e era Jerry, disse que estava com Santana e só a libertaria se eu fugisse com ele.
– Oh meu Deus, isso não pode estar acontecendo. — a asiática colocou as duas mãos no rosto e sentia sua respiração quente bater contra ele.
– O que vamos fazer, Tina? Onde ela está?! — o choro tomava conta da loira mais uma vez, e então, ela não estava mais calma. Ela começava a soluçar e perder o controle das lágrimas.
Tina olhava aquilo e não sabia o que fazer. Ela não podia dizer à Brittany que ficaria tudo bem, pois nem ela mesmo sabia. Se Brittany não fosse, Santana poderia morrer. Se Brittany fosse, teria que fugir com Jerry. Talvez elas pudessem chamar a polícia, mas a solução não chegaria logo.
– Ok, Britt, olhe para mim. — Tina segurou os ombros da garota, que cessava seu choro aos poucos, até conseguir abrir seus olhos e olhar a amiga. — Vamos ficar bem calmas, tá legal? — ela esperou a confirmação de Brittany, que concordou com a cabeça. — Jerry disse se ligaria de novo?
– Ele disse que me daria um tempo para pensar... — murmurou, com a voz fraca.
– Então... Temos que aguardar essa ligação. Enquanto isso, temos que avisar as pessoas mais próximas de nós, elas podem estar correndo perigo. Ou Jerry pode ligar para elas também. — ela soltou os ombros dela e se afastou, caminhava até o hack da televisão, onde o telefone fixo ficava. — Eu faço isso. Agora tome uma água, sente, fique calma!
Brittany assentiu mais uma vez, fechou os olhos e respirou fundo várias e várias vezes, enquanto Tina discava. Primeiro, ela avisou Rachel e Kurt. Rachel não pode evitar um pequeno surto, mas logo Kurt tratou de acalmá-la, não que ele também não estivesse super preocupado. Ela também avisou alguns funcionários do Spotlight Dinner com quem Santana conversava e alunos de NYADA, ela encontrou os telefones dessas pessoas na agenda de Santana, que ficava ali mesmo, no hack.
Ninguém deixou de ficar chocado, e prometeram avisar se soubessem de algo. Talvez não fosse necessário avisar tantas pessoas assim, mas Tina não pensou direito, ela achou que aquilo poderia ajudar, e quem sabe poderia mesmo.
Faltava apenas uma pessoa para telefonar. O número, já sabia de cór. Ela pôs o aparelho no ouvido e ouviu os toques, até atenderem.
– Alô? — disse a voz masculina, do outro lado da linha.
– Mike, sou eu, Tina... Aconteceu uma coisa horrível... Santana foi sequestrada.
– What? — ele ficou surpreso, tanto, que seu tom de voz era baixo e firme, em vez de um grito. — Como assim? Quando?
– Hoje. Provavelmente, poucas horas atrás. Eu a deixei no Spotlight, te encontrei, e logo vim para casa, não faz tanto tempo. Brittany disse que Jerry ligou e disse que estava com Santana. — explicou, observando Brittany, de cabeça baixa, sentada no sofá.
– Ah meu Deus, Tina! — e então, seu tom de voz começava a aumentar.
Tina pode ouvir uma voz feminina, perguntando: "O que aconteceu?", vinha do outro lado da linha.
– Você está com Deena? — perguntou Tina.
– Sim. — Mike olhou para a garota, que o observava curiosa.
– Então avise para ela. É importante que ela saiba, ela é amiga de Jerry.
– Eu vou avisar. — Novamente, Tina pode ouvir sua voz, desta vez, perguntando à Mike quem era. Ele respondeu que era Tina, e então, Deena pediu para que falasse com ela. — Eu vou passar para ela. — ele avisou, antes de entregar o telefone para a garota.
– Tudo bem. — afirmou Tina, esperando.
– Tina? — chamou, com a voz rouca. — Me diga o que aconteceu.
– Oi Deena... Parece que seu amigo, Jerry, sequestrou a Santana, e quer a Brittany em troca.
– Are you kidding? — perguntou, quase sussurrando. Ela abaixou as sobrancelhas e olhou para Mike, que balançou a cabeça positivamente.
– Eu queria estar. — arqueou as sobrancelhas. — Eu achei importante avisar as pessoas mais proximas de Santana.
– Fez muito bem. E que bom que me avisou. Céus, não acredito que Jerry fez isso. — ela colocou a mão em sua testa e apertou os olhos por alguns segundos. — Se eu puder fazer algo, é só pedir.
– Obrigada, Deena... E como você está? — Tina não podia desligar o telefone simplesmente assim, ainda mais depois da conversa que teve com Mike.
– Eu estou bem, apesar de tudo...
– Deena, eu sinto muito pelo o que fizemos. Não sabíamos mesm...
– Ei, não precisa se desculpar, tudo apontava para que eu fosse uma traficante mesmo. — ela falava em meio a um sorriso. — Mike me disse que você viria me visitar. — novamente, ela olhou para o garoto, pelo canto do olho.
– E eu vou, eu não sei quando, ainda mais agora com toda essa situação... Mas eu vou.
– Estarei esperando... — ela sorriu novamente, e então, se virou para o garoto. — Você quer falar com o Mike?
– Não! Não. Eu só precisava avisar sobre o que aconteceu mesmo.
– Então tudo bem. E se tiver notícias, por favor, me avise.
– Pode deixar. Tchau.
– Tchau.
E assim, se encerrou a conversa. Tina colocou o telefone de volta na base, e antes de falar alguma coisa, refletiu sobre aquela conversa. Deena era mesmo incrível, apesar de tudo o que estava acontecendo em seu namoro por causa de Tina, ela continuava meiga e gentil. Não existiam muitas pessoas daquela forma, e Tina ficava feliz em saber que era uma garota assim que cuidava de Mike, mas triste, ao mesmo tempo, por uma pessoa tão boa sofrer de cancer.
– Bem, já avisei todo mundo. — ela soltou um longo suspiro, se encostando no sofá onde estava sentada. — Acho que devemos ir à delegacia.
– Policiais não são competentes. Eu passei do lado de um no GTA segurando uma basuca, e ele me cumprimentou. — ela murmurou, mantendo a cabeça baixa.
– Os policiais de New York não são assim. — ela se levantou e andou até Brittany, esticando sua mão. — Vamos.
Ela relutou um pouco, não fez qualquer movimento, mas Tina não desistiu. Após alguns segundos, ela a olhou com os olhos azuis e vermelhos, os lábios curvados para baixo e uma expressão de choro, e então, segurou a mão da asiática e se levantou. Tina deu um pequeno sorriso e colocou um braço em volta dos ombros de Brittany, indo com ela até a porta, pegando sua bolsa e saindo do apartamento.
(...)
Mike esteve comigo o tempo todo desde que fui internada. Ele era um ótimo rapaz, e embora eu soubesse que ele amava Tina, não me importava. Eu vou morrer, e isso é um fato. O que me impressiona e me orgulha é eu estar conformada. O que eu posso fazer? Enterrar o rosto no travesseiro e chorar, lamentando aquela doença? Eu só tinha uma certeza: Eu amava Mike como nunca amei ninguém, e se um médico entrasse em meu quarot e dissesse que eu só tinha mais uma hora de vida, eu passaria esse tempo ao lado dele, e eu sei que ele estaria comigo, mesmo amando outra pessoa. Ele tem um coração solidário. Eu sabia que ele não ficava comigo por pena, mas porque no fundo, ele gostava um pouco de mim. Mas Mike tem todo o direito de ser feliz, e ele será, assim que Deus me libertar desse sofrimento.
Mas outros pensamentos passavam em minha mente naquela tarde, onde eu estava sozinha. Mike precisava mesmo ir trabalhar, e eu não o impedi. Aquele tempo foi bom para eu refletir sobre muitas coisas, embora o sequestro de Santana me incomodasse.
Eu cresci com Jerry, brincavámos em meu quintal e íamos para o colégio juntos. Eu vi ele crescer e se tornar um homem muito talentoso, com um ótimo emprego, e nunca deixamos de ser amigos. Quando foi que ele virou um psicopata e eu não notei? Um dia, ele meu doce amigo, e no outro, um criminoso. Eu não conseguia aceitar. E imagina o sofrimento da pobre e inocente Brittany? Eu sei que foi ela quem achou a cannabis em meu apartamento e contou para todo mundo, mas depois de um tempo, eu percebi que foi o melhor, pois se ela não tivesse feito isso, até hoje, Mike não saberia da minha doença. Foi um alívio contar tudo para ele. Eu estava tão preocupada, com Brittany, com todos os amigos de Santana. Eu queria muito fazer algo para ajudar, mas o que? Eu pensei, pensei e pensei, mas não tinha nada que eu realmente pudesse fazer. A não ser atender aquele telefonema estranho.
Meu telefone tocava, era um número restrito. Eu geralmente, não atendia aqueles telefonemas. Mas logo, meus olhos se arregalaram e eu agarrei o celular da mesinha ao lado de minha cama, quase o derrubando, e então atendi, sem dizer qualquer palavra. Eu só ouvia uma respiração ofegante do outro lado.
– Deena? — céus, era mesmo ele, eu não podia acreditar! Agora, quem tinha a respiração ofegante era eu.
– Jerry. — sussurrei, mantendo meus olhos bem abertos.
– Que bom que atendeu, sei que não atende ligações de estranh...
– Jerry, o que fez com Santana? — pronto, estava feito. Eu não sabia se eu tinha feito bem ou mal.
– O que disse? — ele se fazia de desentendido, mas não podia me enganar.
– Acredite ou não, a garota que você está ameaçando é minha amiga e eu já estou sabendo de tudo. O que fez com a Santana? — eu tinha que manter meu tom firme, para ele perceber que eu falava sério, ou então, ele me enrolaria.
– Deena... Você não entende.
– Eu não entendo mesmo! Como você pode fazer isso, Jerry? Obrigar uma pessoa a ficar com você dessa forma horrível! Quer mesmo abandonar sua carreira, sua vida, para ficar com uma pessoa que não te ama? Virar um fugitivo?
– Olha Deena, eu amo a Brittany e eu farei qualquer coisa por ela. E eu liguei justamente para me despedir. Eu ia dizer que faria uma viagem de trabalho, mas já que você já sabe de tudo... — ele supirou e ficou em silencio por alguns segundos. — Deena, que "bipes" são esses?
Jerry se referia ao aparelho que media a minha frequencia cardíaca. Ele ainda não sabia sobre meu cancer.
– Eu estou internada. — respondi, seca. — Eu tenho leucemia, Jerry.
– Deena... — acho que ele ficou chocado. — Eu... Eu não acredito.
– Pois é. E sabe, antes disso acabar de vez comigo, eu queria poder ver o meu melhor amigo.
Sim, eu estava apelando, estava usando minha doença para algo, afinal. E qual era o problema? Eu me sentia útil.
– Está fazendo de propósito.
– Não, eu realmente queria te ver. Quero meu amigo de volta.
Ele ia dizer algo, mas algo cortou sua voz. Um barulho. Algo caindo no chão, algo metálico.
– Sua vadia, fique parada! — sua voz estava distante, mas ainda assim pude ouví-lo.
– Jerry? Je-Jerry! Isso foi a Santana? Jerry, me responde agora!
– Deena, eu não posso falar agora. Eu volto a te ligar. Me perdoe.
– Não! Jerr... — era tarde, ele havia desligado.
Foi então que minha ficha caiu. Meu amigo havia se transformado em uma pessoa irreconhecível. Mas o que tinha sido aquele barulho, afinal?
E então, eu lembrei de algo.
Flashback on
– Jerry! Jerry! — eu gritava, correndo atrás do garoto veloz. — Onde está indo?!
– Vamos na casa assombrada! Deve ter várias coisas lá dentro pra gente brincar! — ele respondeu, quando finalmente parou de correr.
Eu o alcancei e me inclinei, colocando as mãos nos joelhos e com a respiração ofegante.
– Mas eu tenho medo. — afirmei, o olhando.
– Não precisa ter medo, eu vou estar lá também. — ele deu de ombros, pegando minha mão e voltando a correr.
Eu não podia acompanhar seus passos. Meus sapatos estavam prestes a sair de meus pés e a maria chiquinha em meu cabelo ia se desmanchando.
A pequena casa de madeira no fim da rua sem saída onde moravámos tinha uma aparência assustadora. Eu e Jerry paramos na frente dela, observando-a, e sempre de mãos dadas.
– Vamos. — ele comandou, e então, eu o segui.
Os pequenos degraus até a porta também eram de madeira, e rangiam quando pisávamos. Quando empurrada, a porta fez um ruído alto que ecoou pela casa toda. Estava muito escuro.
Jerry apertou minha mão e devagar, entramos na casa, dando passos lentos e cautelosos. Mas nem assim fora o bastante. Eu esbarrei em algo, ou algo esbarrou em mim, enfim, esse algo caiu e fez um barulho enorme. Eu dei um grito agudo e abracei Jerry, batendo meus pés no chão.
– Deena. Fique calma! Calma! — meu grito não cessava, estava próxima de um choro. Jerry me arrastou até um canto. Meus olhos estavam fechados e eu não os abria de forma alguma, mas ao reparar uma claridade, os abri devagar, e percebi que uma luz havia sido acesa. — Sua boba, era só um balde. — ele ria, apontando para o objeto no chão.
Eu me soltei dele e cruzei os braços, emburrada.
– Eu não fiquei com medo. — afirmei, nervosa.
– Claro que não. — ele continuava rindo. Passou seu braço pelo meu pescoço e olhou tudo em volta. — Parece que encontramos um lugar para brincar.
Flashback off
Nossa, era o mesmo som! Aquelas lembranças invadiam minha mente e me deixavam confusa. O que eu ouvi naquele dia, quando eu tinha 10 anos, e o que ouvi no telefone, eram a mesma coisa! Santana poderia ter chutado o balde ou sei lá! Eu sabia onde ela estava, não me restava dúvidas! Eu deveria ligar para alguem, claro. Mas eu não pensei nisso na hora em que desliguei aquele aparelho de frequencia cardíaca, arranquei tudo o que estava grudado pelo meu corpo e me levantei. — Narrado por Deena McGee.
(...)
Mike precisou trabalhar o dia inteiro para compensar o dia em que faltara para ficar com Deena no hospital. Mas durante todo aquele dia, ele ficou muito, muito pensativo. A doença de Deena, o sequestro de Santana, tudo o que estava acontecendo formava um nó em sua cabeça. Mas ficou pior quando ele começou a pensar em Tina. Ele se lembrava da conversa que teve com Deena, quando disse para ela que ainda amava sua ex-namorada, e por mais surpreendente, ela ficou bem com aquilo. Era estranho, até porque, eles nem terminaram. Mas Mike se sentia seguro para avançar mais um passo e tentar conversar com Tina de novo.
Já havia avisado Tina que estava indo para o apartamento quando estava a caminho, então quando chegou, se sentiu seguro para entrar sem bater. Mike encontrou Brittany no sofá, chorando com o rosto enfiado em uma almofada, os ombros tremendo e os gritos abafados, ele observou com pena.
Logo ele fechou a porta e se aproximou, observando a cena por mais alguns segundos.
– Britt? — ele chamou, parado em frente ao sofá onde ela estava.
Aos poucos, os gritos se cessaram e ela ergueu a cabeça. Os olhos molhados e vermelhos com olheiras, parecia ser a pessoa mais abatida do mundo.
Ela passou as mãos pelo rosto para secar as lágrimas e se levantou, mas ao abraçar Mike, começou tudo de novo.
– Fique calma — ele disse, passando sua mão pelos cabelos loiros da garota.
– Ele vai matá-la — afirmou entre soluços.
– Não, vamos dar um jeito, vai ficar tudo bem.
Tudo que Brittany precisava era de algum conforto. Tina estava com ela, mas saiu para buscar alguns lenços e um calmante. Ela já voltava de seu quarto, quando se deparou com aquela cena. Ela ficou parada por alguns segundos, até se manifestar.
– Britt, tome isso. — ela lhe esticou a mão com um comprimido, segurava a caixa de lenços com a outra.
Brittany se afastou de Mike, secando o rosto novamente e pegando o comprimido da mão de Tina. Ela o olhou por alguns segundos e respirou o mais fundo que pôde.
– Os unicórnios não vão gostar de saber que estou me drogando. — murmurou, andando até o corredor para tomar o remédio no banheiro.
Tina a acompanhou com os olhos, até ela chegar ao banheiro e fechar a porta, e então, ela e Mike estavam a sós.
– Oi — ele disse, com a voz calma.
– Oi — cruzou os braços, como se estivesse desconfortável, e realmente estava. — Como está Deena?
– Melhor. — assentiu — Alguma notícia?
– Fomos à delegacia ontem e eles começaram a fazer buscas, mas até agora, nada.
O silêncio tomou conta do lugar, Tina tentou deixar o olhar vago, mas não disfarçava muito bem, assim como Mike. Eles poderiam ficar daquele jeito para sempre se nenhum dos dois dissesse algo.
Tina resolveu quebrar aquilo, e se movimentou, começando a andar até a mesinha que ficava ao lado da porta, onde estava sua bolsa. Era apenas uma desculpa. Ela começou a revirar algumas coisas, fingindo procurar algo, mas não podia ficar daquela forma por muito tempo.
– Então — ela disse, quando finalmente desistiu — Você só veio ver a Brittany?
– Sim, era pra ser só isso, mas no meio do caminho eu decidi que... Que eu queria te dizer uma coisa. — ele começava a ficar nervoso, suas mãos nos bolsos expressavam bem aquilo.
– Oh, então... Sente. — ela lhe apontou o sofá com a mão aberta, caminhando devagar até ele.
– Eu acho que deveríamos nos dar uma chance.
Foi muito rápido, Tina nem teve tempo de se sentar, foi totalmente pega de surpresa. Ela olhou para Mike, assustada. Seu coração estava muito acelerado, sua respiração não podia acompanhá-lo, e a demora pela resposta o agonizava cada vez mais.
– O-o que? — perguntou Tina, ainda sem acreditar no que tinha ouvido.
– Isso que você ouviu, fui o mais claro que pude.
– É, você foi claro até demais. — ela arqueou as sobrancelhas, para mostrar seu espanto. — De onde tirou essa ideia?
– De mim mesmo, eu não consigo mais ficar longe da pessoa que eu realmente amo. — ele começava a se aproximar, dando a volta em um sofá e indo para o que Tina pretendia sentar. A alguns passos dela, ele parou. — E eu tenho certeza que sente o mesmo.
– Não é porque sentimos a mesma coisa que ela é certa, Mike.
– E por que não é certa? Tina, eu te amo, e você me ama, e ninguém a nossa volta tem problemas com isso!
– E enquanto a sua namorada que está no hospital agora, com risco de morrer por causa de um câncer? — questionou, soltando seus braços e os deixando colados ao corpo. — Ela sabe que você veio aqui me dizer essas coisas?
– Não. — ele balançou a cabeça, desviando seu olhar. — Mas...
– Mas nada, Mike. — o interrompeu. — Teria sido melhor se só viesse para consolar a Brittany.
– Tina, isso estava me sufocando! Você nunca me ouve, você foge de mim. Sabe como é difícil pra mim?
– E pra mim? Acha que eu gosto de estar apaixonada pelo namorado de uma pessoa super gentil está doente? Como acha que eu me senti quando acusei ela de ser traficante e logo em seguida descobrir que era um remédio para ajuda em uma quimioterapia? Você não pode vir aqui e dizer essas coisas.
– Mas eu já disse. E eu ainda vou dizer mais. — ele se aproximou ainda mais. Tina voltou a cruzar os braços e virou a cabeça para o lado, respirando fundo várias vezes antes de ouvir o que ele tinha para dizer. — Eu sinto tanto quanto você tudo o que Deena está passando, mas eu não posso ficar com ela, eu tenho que ficar com ela por amor, amor que eu não sinto. Eu amo Deena como uma amiga, e até gosto dela como mulher, mas o amor que eu sinto por você, é uma coisa completamente diferente. Eu largo tudo pra te ter de novo, Tina.
Tina apertou os olhos, não aceitando aquilo que ele dizia, ela achava aquilo algo abominável, totalmente errado, incorreto e inconveniente. Estava disposta a resistir até o fim a qualquer coisa que Mike falasse.
– Deena sabe que eu sinto essas coisas por você. — aquilo foi tudo o que Mike precisava para chamar a atenção total de Tina. Ela voltou a olhar para ele, com desprezo, como se ela já não soubesse daquilo e como se aquilo já não lhe tirasse o sono. — Sabe faz um bom tempo, mas eu não quis terminar com ela. Mas eu nunca me esqueço das palavras que ela disse. "Se você quiser ficar com ela, não vai ser eu quem vou impedir."
– Ela disse isso? — disso Tina não tinha conhecimento, ela estava surpresa. Mike assentiu com a cabeça, mas logo, a garota voltou a expressão anterior, balançando a cabeça. — Isso não significa que ela não vá se machucar. — disse, com o tom firme, balançando a cabeça em negativa.
– Eu sei disso, e ela sabe disso, mas ainda assim ela me apoia em qualquer decisão que eu tomar. E eu tomei a decisão de ficar com você. E eu vou usar tudo o que eu tenho para te convencer de que não estaríamos fazendo mau a ninguém.
– Eu não sei, Mike. — ela abaixou a cabeça, ainda a balançando. O fato de ela não negar de primeira podia significar que ela estava cedendo, era bom para Mike, mas ruim para Tina, aquilo ia contra seus princípios.
O que mais Mike diria? Já havia usado todos os argumentos e todas as soluções plausíveis. O que mais ele poderia fazer para conquistar Tina novamente? Um simples namoro que começou em uma acampamento asiático havia chegado àquele ponto. Mike se lembrava que um beijo foi o que uniu os dois, e em meio aos sons de câmeras de celular daquelas crianças, ele não conseguia ouvir nada, apenas pensar em como não havia reparado naquela garota antes.
E foi tudo o que ele pode pensar e fazer. As duas mãos se ergueram até o rosto de Tina, ainda abaixado. Ela tentou tirar uma delas, mas apenas a tocou, sem fazer mais nada em seguida, foi então que Mike ficou mais seguro do que estava fazendo.
No instante em que ela levantou um pouco seu rosto, foi quando ele não perdeu tempo, e a beijou como se fosse a primeira vez. Tina se deixou levar, a saudade era muita, e com tanta emoção, não houve espaço para culpa.
Mas não durou muito, logo, foi interrompido pelo celular de Mike, que já estava no terceiro toque. Ele se afastou devagar, sem deixar de olhar a reação da garota antes. Ela parecia indiferente, mas mil coisas estavam bagunçadas em sua mente.
– Desculpe — ele sussurrou, enquanto pegava seu celular no bolso. Ao olhar o nome na tela, ele franziu o cenho e atendeu rapidamente. — Deena?
Ao ouvir o nome dela, Tina fechou os olhos devagar e levou a mão à nuca, balançando sua cabeça várias vezes e se sentando no sofá em seguida.
– Você o que? — seu tom de voz aumentou, Tina o olhou, seus olhos estavam bem abertos e atentos. — T-tudo bem, estamos indo, tome cuidado!
Ele guardou o celular no bolso um tanto desajeitado e passou as mãos pelos olhos, estava muito agitado.
– Deena fugiu do hospital e diz que sabe onde é o cativeiro de Santana e está indo pra lá. Temos que ir ajudá-la. — ele explicou rapidamente, esfregando as palmas das mãos na calma.
– O que? — Tina se levantou de imediato. — Oh meu Deus! Oh meu Deus! Oh meu Deus! — ela correu até o corredor e bateu na porta do banheiro várias vezes. — Britt! Temos que ir agora, saia daí! — ela correu de volta para a sala, olhando para Mike. — E sobre isso que aconteceu aqui, saiba que nunca vai acontecer de novo. — seu tom de voz era firme, deixando Mike sem saber o que responder.
Brittany saiu do banheiro agitada, quase caindo enquanto corria pelo corredor,
– O que houve? Ele ligou? — ela gritava, desesperada.
– Deena descobriu o cativeiro de Santana, temos que correr. — Tina apenas segurou a mão de Brittany e correu até a porta, a puxando para fora de casa, sem deixar que ela dissesse qualquer coisa. Mike as seguiu, fechando a porta do apartamento.

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