Who is mad?!
2 Capítulo 2
Notas iniciais
— Meu nome é Louis Carman, tenho 29 anos, meus hobbies são ler bons livros e escrever teses, meu sonho é lançar um best seller — disse o professor. — Agora é a vez de vocês! Nome, sobrenome, idade, hobbies e sonhos. Quem quer começar?
Os alunos desviaram o olhar para passarem despercebidos pelo sociólogo.
— É bom que vocês saibam que eu farei relatórios sobre essa noite, então participem com fervor se não quiserem reprovar em minha matéria — ele falou com fúria no negro dos olhos. — Vamos na ordem das cadeiras. Adit, comece, por favor.
O indiano ajeitou a postura na cadeira e suspirou.
— Adit Nahia, 18 anos, gosto de luta e meditação — Josh deu um risinho, com seus enormes ombros sacudindo —, meu sonho é viajar o mundo.
Adit olhou para John e este começou a falar:
— John Smith, 16 anos, gosto de compor músicas e fotografar e... — ele pensou um pouco. — Meu sonho é ser a próxima Lady Gaga.
Os alunos riram incontrolavelmente. John adorava fazer piadas sobre sua sexualidade, porém, desta vez, eu tenho certeza que ele só não queria dizer qual era o seu verdadeiro sonho.
— Jackie Luanna — começou, em voz baixa. — Tenho 17 anos, gosto de desenhar e cantar, meu sonho é ser designer.
— Susan Oddy, 18 anos, gosto de ser o que sou, aliás, meu sonho é nunca mudar, afinal, todos querem ser como eu — ela disse com um sorriso torto.
— Iludida — disse John.
— Calado, Lady Gaga — disse Geórgia, e depois continuou:
— Geórgia Brennan, 17 anos, gosto de dançar e sonho em ser a futura esposa de Johnny Depp.
Todos riram.
— Parem de brincadeira. Por favor, Peter, continue.
— Peter Oddy, 18 anos, gosto de jogar futebol e de tocar violão, meu sonho é ser um jogador profissional.
— Josh Ruan, gosto de futebol e de corrida, meu sonho é ser um jogador profissional — disse Josh, dando soquinhos em Peter.
— Luna Montenegro, 16 anos, gosto de escrever poesia e sonho em ter uma casa de repouso para animais doentes — disse ela com voz de sonhadora.
— Meu nome é Lucas Zack, tenho 17, gosto de programar computadores e sonho em hackear o banco nacional dos Estados Unidos — ele deu uma risada no final, mas acho que não estava brincando.
— Hum... ok. Marina Sartori, 17 anos, gosto de escrever histórias e ler livros, meu sonho é ser arqueóloga.
— Tá quase lá, as roupas já são de múmia —disse Susan, e todos riram. Ah, se arrancar membros alheios não fosse crime... Eu com certeza já teria arrancado a língua dessa vaca.
— Pelo menos ela não usa uma saia que mostra até o útero, né Susan — disse Luna.
— Não tem sentido mesmo, querer mostrar essas perninhas finas com essa micro saia — John riu.
— Parecem dois palmitos! — riu Jackie.
— Ignora eles, Susan, cê é mega gostosa — disse Josh.
— EI! Respeita minha irmã, cara! — Peter exclamou.
A coordenadora pigarreou e, aos poucos, o tumulto se abrandou.
— Bem, vocês finalmente estão se entendendo — sério, o Sr. Carman parecia estar satisfeito com toda aquela palhaçada. — Vamos fazer uma pausa para o banheiro e para lanches.
— Será que podemos fingir que essa maluquice foi um sucesso e voltarmos pra nossas casas? — falei, louca para dormir.
— Vocês podem não perceber, mas nós mal começamos. Os conflitos iniciais são o ponto de partida para um objetivo maior, que é vocês se entenderem, independente de qualidades e defeitos — o professor explicou.
— Claramente os defeitos de alguns são mais evidentes que de outros —disse Susan. Georgia riu.
— Prefiro ter meus defeitos escancarados a ser podre por dentro — John falou, com um sorrisinho. — Mas saiba, Susan, que um dia os teus defeitos escondidos vão vir à tona, e, queridinha, eu tenho total certeza de que você é a mais podre de todos aqui.
— Cale a boca, seu viado — disse Josh, irritado. Peter deu uma cotovelada nele.
— Nossa, teu intelecto não permite formar um argumento que não seja catalogar alguém pela sexualidade? — falei com a voz baixa.
John deu um sorrisinho para mim. Josh revirou os olhos.
— Ai, chega. Vocês parecem um bando de crianças no Jardim de infância —Luna levantou-se. — Vamos lanchar alguma coisa, Lucas?
— Eu trouxe uma salada caesar pra você, amorzinho — disse ele, tirando uma vasilha da mochila. Luna era vegetariana.
Ela deu um sorriso largo e o puxou para fora da sala.
— Credo, dois estranhos — disse Susan. — Não é à toa que se merecem.
— Eles devem cortar os pulsos juntos — riu Geórgia.
— Os dois estranhos tem uma coisa que vocês duas nunca vão ter... — Jackye falou pela primeira vez, com a voz doce. — Amor.
Susan levantou-se.
— E nem você, se continuar apaixonada por esse seu amiguinho gay.
— Qual é o seu problema?? — levantei-me também.
— Não falei com a gorda — Susan disse, triunfante, e começou a sair da sala. — Vamos ao banheiro, Geórgia.
Geórgia levantou-se também, mas eu me coloquei à sua frente.
— Susan está passando dos limites, e você virou a cachorrinha dela — os olhos azuis se pousaram em mim, depois olharam para o vazio.
— O que você quer que eu faça? — ela perguntou com a voz pesada.
— Nada, você nunca faz nada — comecei a me afastar. — Você... não é mais a pessoa que costumava ser.
Ela olhou-me com afeto, até pesar, mas apenas por um segundo. Logo voltou ao normal.
— Exato. Antes, eu era uma aberração, igual você. Agora, sou uma garota que causa inveja em você — e saiu.
Suspirei.
Quando olhei ao redor, todos haviam saído da sala, menos Peter, que estava quase dormindo na cadeira. Peguei minha mochila e me preparei para dar o fora daquela escola, nem que tivesse que pular uma janela.
— Onde você pensa que vai? —Peter falou comigo pela primeira vez desde... bem, desde sempre.
— Como? — virei-me pelos calcanhares.
— Vai me deixar só aqui? —ele deu um sorrisinho, mas eu não correspondi. — É brincadeira.
Virei-me para sair.
— Olhe, não sou igual minha irmã — ele me olhou com intensidade.
— Ninguém é igual a sua irmã.
— Enfim, quero pedir desculpas por ela ter chamado você de gorda e por Josh ter chamado seu amigo de viado — ele não parecia arrependido, pelo contrário, parecia até estar se divertindo.
— Eu sou gorda e John não é meu amigo — rebati, sem me mexer.
— Mas você o defendeu com tanto fervor que eu pensei...
—Olhe — me aproximei, e joguei minha mochila na cadeira ao lado dele —, eu o defendi porque era o certo, o justo, e não porque ele é meu amigo.
— Acho que você só quer arranjar briga — ele arqueou as sobrancelhas.
— Arranjar... Briga? Eu apenas não me calo em frente às injustiças, ao contrário de você, que só faz rir das merdas que Susan faz.
— Eu sou cuidadoso, tenho amigos e uma imagem, ao contrário de voc... —ele se calou. — Me desculpe.
— Não, você está certo, eu não tenho amigos. Sua irmã fez isso por mim.
Saí andando rápido da sala, mas sem ter uma direção certa a seguir.
— Merda! — me dei conta de que tinha esquecido a mochila, então voltei correndo.
Quando cheguei, Peter não estava mais lá. E era bem melhor que não estivesse.
Peguei minha bolsa e saí o mais rápido possível dali.
***
Sentei em um banco isolado na lanchonete e peguei um Kit Kat para comer. Se uma daquelas cobras me visse comendo chocolate, iam chamar-me de gorda pelo resto da vida.
Depois de alguns minutos, uma campainha estranha tocou, provavelmente indicando que era para os alunos retornarem à sala. O relógio já marcava dez horas da noite, e eu já estava há mais de três horas naquele purgatório. Demorei ainda uns vinte minutos para achar a sala de novo, e quando entrei, estavam faltando: Susan, Geórgia, Luna e Lucas.
Sentei-me, evitando olhar para Peter, e esperei, juto aos outros, por mais uns dez minutos, até que Luna e Lucas aparecessem. Lucas estava suado e nervoso.
— Onde vocês estavam? — disse a coordenadora.
— Hmmmm.... — pensou Luna. — Lanchando.
— Todo esse tempo? — falei.
— É, algum problema? — perguntou Lucas.
— Tá, sentem-se — disse, novamente, a coordenadora. — Vamos esperar até que Susan e Geórgia apareçam.
Mais dez minutos se passaram.
— Onde estão aquelas duas? Não temos a noite inteira! — Sr. Carman ralhou. — Vamos esperar mais cinco minutos.
— Vou procurá-las — a pedagoga disse, saindo da sala.
O silêncio reinou após a saída da pedagoga, e só depois do que pareceu ser uma eternidade, ela voltou, parecendo estar muito nervosa.
— É melhor vocês virem comigo. Todos.
Andamos apressadamente até o banheiro feminino, e meu estômago estava dando voltas, não sabia por que. A única iluminação vinha do corredor, mas pude ver que não havia ninguém lá dentro.
— Não há nada aqui — disse Luna, apressada.
— Esperem só — a pedagoga ligou as luzes.
A imagem que vi a seguir foi algo totalmente chocante. O imenso espelho do banheiro estava todo riscado. Na verdade, havia um texto escrito nele. De batom.
“Vocês querem fazer jogos de interação entre os alunos? Pois eu tenho uma ideia melhor. Aquelas duas putas estão comigo, e não pretendo devolvê-las. O jogo só tem uma regra: encontrem-nas, antes que sejam consumidas pelos seus pecados. Não vou matá-las, mas os pecados delas, sim. E quem sou eu? Sou um de vocês. Bom Jogo.”
Minha garganta deu um nó. Aquele batom cor de sangue era meu.
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