Who You Are
7 Six
Você sabe o que é enrolar a minha mãe? É uma das coisas mais difíceis do Universo, sorte que eu consegui e não precisei ir para o maldito Supermercado.
Me surpreendi quando cheguei em frente ao hospital e vários paparazzi me cercaram. Eu odeio isso, parece que eles não percebem que essa situação é séria e não a Calçada da Fama.
– Corre Justin, corre! – ouvi uma voz suave, parecida com a de Andy.
Por um instante achei que aquela voz fosse de Andy, vi o rosto dela, infelizmente não consegui vê-la sorrindo e sim chorando... são as únicas lembranças que eu tenho dela.
– Oi Eva! – cumprimentei meio sem jeito – Ela tá bem?
– Na verdade... não! – Eva disse num suspiro – Os batimentos cardíacos estão caindo mais e mais, ela tem que comer por uma sonda... acho que perdi minha filha...
– NÃO! – gritei sem querer.
– Não grite comigo, moleque! – Eva me repreendeu.
– Desculpe, não era minha intenção – disse – Mas ela não pode deixar todos nós... ela tem que sobreviver...
– Todos tentamos nos convencer disso, Justin... – Eva não conseguiu segurar o choro, desabou em lágrimas e a única coisa que consegui fazer foi abraça-la.
Eu me sentia um inútil. Me acostumei em ter as coisas fácil, em conseguir tudo com o meu dinheiro, mas isso... era impossível. Ainda tento me convencer de que Andy ficará bem, que ela vai voltar para a casa dela e vai sorrir... fiz até uma promessa de que se ela ficar bem eu irei ser o primeiro a fazer com que ela sorria de verdade.
– Sinto muito... – Eva disse, enxugando as lágrimas – Não consegui me contar, eu tinha que chorar, tenho que me mostrar forte por causa de Raissa...
– Raissa? – perguntei espantado. Sempre pensei que Raissa fosse independente, madura, por isso achei que estivesse sendo a mais forte de nós todos.
– Sim, ela aparenta ser durona mas sempre amou demais a irmã e não para de chorar nenhum segundo. – “Agora estou surpreso” pensei – Falando nela, vamos antes que ela e o pai cheguem.
Assenti calado e fui conduzido até o elevador. Ela estava na área de risco, por isso só podiam vê-la de um por um.
Eva estava calada, parecia estar no mundo da lua, a expressão dela era de tristeza e angustia.
Finalmente o elevador parou, Eva sem dar um pio saiu me puxando pelo braço parando em frente a uma porta branca. Suspirou e disse:
– Entre, Justin, vou lhe esperar aqui fora! – Assenti e entrei na sala.
A sala era fria como o polo-norte, um sofá encostado à parede, uma TV LCD ligada onde passava o seriado “Dexter” e finalmente uma cama onde ela estava.
Lá estava Andy!
Estava com o olho roxo, o cabelo loirinho amarrado num rabo de cavalo. Tinha quebrado o pescoço, o braço esquerda, a perna direita, que estava cheia de hematomas. Respirava por aparelhos e os batimentos cardíacos estavam em 69 e só faziam cair. Aquilo fez meu coração ficar apertado, ela poderia estar morta agora, mas ao invés disso está vivendo apenas por aparelhos. Cheguei mais perto e peguei sua mão.
Estava muito fria, o corpo todo estava frio, mas também com aquele ar-condicionado ligado no máximo não tinha como ela ficar quentinha. Peguei as cobertas e a cobri por inteira, passei a mão em seu rosto, cheio de arranhões.
– Oi! – foi à primeira coisa que eu disse – Sou eu, o Justin...
Nada aconteceu. Olhei para os batimentos cardíacos que agora estavam em 58, desci o olhar para o seu rosto e não aguentei, chorei mais ainda.
Como aquilo tinha acontecido? Há alguns dias ela estava em minha casa, fazendo aqueles benditos favores que eu sempre lhe pedia, estava andando, com o rosto perfeito sem nenhum hematoma ou perna quebrada.
– Me desculpe, Andy, eu não queria que nada disso acontecesse, só por favor não faz isso comigo, não vai embora. – praticamente implorei naquele momento, não sabia o motivo, ela não iria corresponder, mas a culpa era tão grande que eu tinha que dizer isso, estava entalado – Eu sei que eu fui um imbecil, que se você ficar bem talvez nem volte a falar comigo, mas mesmo assim fica bem. Eu preciso de você perto de mim, Andy.
Do nada os batimentos começaram a baixar de uma maneira impressionante, a cada segundo diminuía mais.
– Andy, não faz isso... – disse pegando sua mão – Não vai embora, fica aqui comigo, por favor.
Do que adiantou? Os batimentos já estavam em 43 e descendo, fiquei nervoso e sai da sala chamando por Eva.
Logo começou aquele nervosismo. Os médicos, enfermeiros e enfermeiras entraram na sala, Eva chorava desesperadamente e eu não conseguia fazer com que ela parasse, porque eu também não estava bem. De repente, numa maca, eles levaram Andy para longe, disseram para que nós ficássemos por lá, aguardando noticias.
– Meu Deus, salva a minha filha, por favor – Eva dizia – Ela não merece, não merece...
Sentei em uma das cadeiras do corredor e baixei a cabeça para que ninguém percebesse a quantidade de lágrimas que escorriam.
– Meu filho, aconteceu alguma coisa? – ouvi uma voz meio velha falar perto de mim.
Levantei a vista e lá estavam um grupo de idosos aglomerados na minha frente, todos com caras de preocupação. Olhei para os lados e não vi Eva.
– E então, moleque, cadê a Andy? – um senhor perguntou.
– Mauricio, não seja mal educado desse jeito – reclamou uma senhora – Então meu lindo, ela melhorou?
Apenas fiz que “não” com a cabeça.
– Onde ela está? – perguntou outro homem.
– Acabou de ser levada pelos médicos, não sei para onde. – respondi sem olha-los.
– Meu Deus, ela piorou? — outra idosa perguntou.
– Sim, os batimentos do coração foram caindo mais e mais... – não consegui terminar a frase, se continuasse iria chorar.
– Qual é o seu nome? – perguntaram.
– Justin... – tentei dizer.
– Justin Bieber? – perguntou o tal de Mauricio – Você deveria ser proibido de entrar aqui, menininho de merda.
– Mauricio, vamos nos acalmar – Eva apareceu do nada – Justin, esses são os idosos que Andy cuidava no asilo.
– Mas ela largou agente! – Mauricio disse emburrando a cara e cruzando os braços.
– Para de reclamar, velho rabugento! – uma senhora de cabelos ruivos reclamou.
Quando Andy completou 15 anos ela me falou algo sobre idosos... mas eu não prestei muita atenção... na verdade eu nunca prestava atenção no que ela falava.
– Sabe, meu filho, ela gostava tanto de você – uma senhora loirinha disse – Mas você a fez sofrer tanto.
– Como assim? – perguntei.
– Tantas e tantas vezes Andy chegou no asilo chorando...
– Acho que sempre. – resmungou Mauricio.
– O que você fazia de tão mal a ela? Andy sempre foi uma menina tão carinhosa, bondosa, porque você fazia aquilo? – a de cabelos ruivos perguntou.
– Eu não sei... – disse e abaixei a cabeça.
Sentei novamente na cadeira e pensei no que aqueles senhores tinham me dito. Porque eu a maltratava? Andy nunca tinha dito nada de mau para mim, muito pelo contrario, e eu só a fiz mal... eu sou um idiota mesmo.
Oi pessoal!
Eu queria pedir desculpas mesmo pelo atraso, à culpa não foi a Stefanie di Angelo, a culpa foi minha mesmo, da StellaNayara, me atrasei demais... me desculpem mesmo e não façam um vodu pra me matar, por favor. E eu nem sei se o capitulo ficou bom mesmo, foi o maximo que eu consegui.
Até mais!
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