Who We Are
18 Carta XVII- Querido Matt, não me culpe
Notas iniciais

O lado bom de ser uma semicelebridade é que, por mais que o resultado dos testes do primeiro trimestre sejam aterradores, você sempre pode contar com Cláudios Calígula para fazer com que eles pareçam uma preocupação pequena.
Claro, Mags estava determinada a ignorar todas as matérias a seu respeito. Em qualquer tipo de mídia. No entanto, era difícil manter essa posição estoica olhando para as letras garrafais do jornal na sua frente. “Margareth Mellark, de esperança de Panem a jovem descontrolada”. O artigo incluía uma foto de Mags com o rosto roxo do dia em que sofrera ataque. A Garota estava de capuz preto e parecia realmente ter saído de uma briga de rua. E outra foto menor com o novo corte de cabelo, que aparentemente não fora aprovado.
Mags ignoraria a matéria como ela sempre faz se Cláudios não tivesse comentado na reportagem mais uma vez sobre os ataques de Peeta e mencionando uma infância traumática. E, ela com certeza teria ignorado, se o jornalista não tivesse mencionado favoritismo do Departamento.
“Quer dizer”- escreveu ele em sua coluna no Panem Diaries “Sabemos que Margareth Mellark não tem a força de Katniss Everdeen. Talvez a garota seja inteligente. Mas temos fontes que contam que ela vem se metendo em brigas e confusões enquanto os diretores e professores do Departamento de Ciências de Panem fazem vista grossa. Um exemplo de sua rebeldia e imaturidade foi nossa última entrevista, em que ela agiu de forma totalmente desrespeitosa”
— Bom, eles com certeza conseguem captar minha essência- Comentou Mags enquanto encarava as fotos e as palavras de Calígula.
Effie mordeu o lábio preocupada. Mags já tinha visto ela fazer isso milhares de vezes. Nos últimos meses, a pobre senhora tinha mordido os lábios com mais frequência. Todas elas por causa de Mags.
—Temos que fazer algo para parar com esses ataques, a coisa pode ficar muito pior. Geralmente eu diria para você ignorar, as pessoas esquecem... mas do jeito que as coisas vão... Você pode acabar com uma imagem ruim definitivamente.
Mags se controlou para não retrucar que ela não estava nem ai para sua imagem. Que ela não dava a mínima. Mas essa seria a adolescente falando. Ela precisava se manter à margem se quisesse ser uma cientista respeitada. Já era ruim o suficiente com os colegas murmurando pelas costas dela que os Mellark tinham mexido os pauzinhos para que ela entrasse no setor de pesquisas que ela tanto queria.
Às vezes, até mesmo Mags se perguntava porque Diabos tinha sido selecionada. Era horrível ter que duvidar de sua capacidade todo o segundo. E ela não precisava da ajuda Calígula para isso.
— Vamos dar um jeito- respondeu Mags, tentando tranquilizar Effie- Vamos salvar o nome everdeen Mellark de sua terrível e inconsequente primogênita
Effie olhou para a garota como se fosse dizer algo mas desistiu. Mags viu que no fundo ela concordara com o que Mags dissera. Isso meio que doeu.
A companhia tocou e Effie sorriu.
— Fico tão feliz que você tenha as garotas. Elas vão passar uma boa imagem.
Mags não pode evitar revirar os olhos. Como se ela fosse escolher seus amigos baseados em benefícios ou em uma boa imagem.
Nash e Phoebe entraram e cumprimentaram Effie de uma forma entusiástica. Ela tinha se tornado uma espécie de ídolo das duas. "Sabe você nunca imaginaria tanta força de baixo de toda aquela maquiagem" comentara Phoebe. Nash a encarou sério. "Ela não teria sobrevivido a Revolução se não fosse esperta. Além disso, se você julga alguém baseado em sua maquiagem você corre o risco de estar sendo terrivelmente ingênua". Um típico comentário Capitolino e Mags achou que poucas vezes tinha ouvido algo tão inteligente.
—Prontos para uma sessão maravilhosa de estudos?- Soltou Phoebe se sentando alegremente no sofá.
Mags sentiu seu estômago revirar ao lembrar dos testes. Com as declarações de Cláudios ela até esquecera que tinha combinado com as amigas de estudar pela de manhã para os testes que seriam todos na parte da tarde. Hoje eles teriam o último teste.
O problema é que Mags não podia de dizer que tinha ido bem nas avaliações. Com o estágio, o trabalho voluntário e todas as confusões que tinha se metido ela não tinha tido muito tempo para se preparar adequadamente para os testes do trimestre.
Mesmo com toda a pressão, foi um alivio poder sentar com as garotas para estudar. Nash e Phoebe nunca mencionavam as matérias ou os boatos que sem querer ouviam. Ficar com as duas fazia Mags se sentir normal. Mais normal do que sentira até mesmo com a família. Enquanto averiguava uma das fórmulas, Phoebe lhe jogou o chiclete que as duas amavam e Nash resmungava algo sobre “o maldito sistema atômico do maldito Bohr”.
O último teste era físico química e estava, como todos os testes da semana, terrivelmente difícil. Eles não estavam brincando. Panem precisava das mentes mais brilhantes, e iria sugar o máximo possível seus futuros cientistas. Parecia que Mags podia ouvir o coordenador do departamento “Estamos separando o joia do trigo. Precisamos de gente comprometida com a ciência, apta a lidar com a pressão de construir um novo país”.
Construir um novo país era a frase preferida não só dos políticos, mas de toda a população de Panem. E Mags não tinha vindo para a capital exatamente por isso? Para construir um novo país? Ela só esperava que suas notas ajudassem nisso.
O começo, pensou Mags se sentindo um tanto zonza depois da prova, é a Health’s Angels. O que começou como uma penitência se transformou numa benção. Mags estava começando a se dar bem no laboratório da clínica. E, quanto mais tempo passava lá, mais tinha certeza de que a Varíola Neuroforme podia ajudar nas suas pesquisas com os venenos de teleguiadas.
O fato de Mags ficar aliviada e relaxar da pressão dos testes e da atenção da mídia na clínica dizia muito sobre a semana pesada que a garota tivera.
E, além disso, havia Kara. Mags não sabia por que, mas as duas tinham ficado muito amigas desde a última visita. As enfermeiras segredaram a Mags que ela era a única que conseguia lidar bem com Kara. E Mags sorriu, mas não quis dizer que era porque ela tinha uma longa experiência com doenças mentais. Se ela ao menos pudesse ajudar essas pessoas!
O fato do remédio estar mais caro era algo que vinha incomodando Mags desde que a enfermeira, que ela descobrira se chamar Daisy, tinha mencionado aquilo. Ela via o estado precário em que muitos pacientes viviam ali. E ela se perguntava como eles não conseguiam obter algo tão básico. Perto disso, suas preocupações com a mídia eram ridículas. E Mags somou isso aos fatos que vinham fazendo com que se sentisse mal.
Quando ela chegou naquele dia para dar o jantar dos pacientes Kara estava desenhando, mais calma do que Mags já a vira, murmurando o que parecia ser uma canção. De repente Mags estava de volta ao distrito 12, com o pai pintando alguma coisa logo depois de um ataque. Katniss estava longe com Matt, brincando de sabe lá Deus o quê.
Mags sabia que Katniss sempre ficava com o pai durante os ataques, mas assim que ele se recuperava ela dava um jeito de arranjar algo para fazer longe dele. “Para deixa-lo descansar”, era o que dizia. E Mags sabia que era verdade. Mesmo que doesse em Katniss, a mãe sabia que o pai se recuperaria mais rápido sem ela por perto.
Mags não gostava de deixa-lo sozinho. Então, ela descobriu que a melhor maneira de fazer com que ele se recuperasse era ficar com ele fazendo o que Peeta gostava. Desenhando, cozinhando. No entanto, Mags logo percebeu que cozinhar não era bem a praia dela e isso se tornara um programa de Matt e Peeta ao longo do tempo.
Então, toda a vez que Peeta tinha um ataque Mags esperava que passasse, e com o mesmo senso prático de uma Everdeen, ficava aguardando sem falar nada até que as sombras dos olhos azuis do pai sumisse com um estojo e folhas de papel reciclado na mesa principal da casa.
E Kara tinha a mesma expressão concentrada do pai quando desenhava. Ela só levantou o rosto quando Mags sentou perto dela. Kara continuou pintando e Mags achou que isso era um bom sinal. Demorou um pouco, mas finalmente a garota estava comendo graças a Mags que deixou que ela terminasse o desenho pacientemente. Dessa vez não houve ataques.
Mags sorriu aliviada ao perceber que a garota já estava totalmente confortável com ela. Era a terceira vez que Mags ajudava dando comida para os pacientes (apesar de amar química, essa tinha se tornado sua tarefa favorita na clínica) e Kara sempre se tornava agressiva para comer, mas dessa vez ela estava bem mais calma.
Mags lhe entregou o pequeno presente que trouxera. Uma pequena correntinha de coruja, já que a garota parecia extremamente fascinada por esses animaizinhos.
—Viu, agora você tem uma parecida com a minha- disse Mags.
A Garota sorriu. “Corujas são seres noturnos. Podem girar a cabeça em 360º e comem mamíferos menores como morcegos e insetos”, Kara repetiu exatamente o que Mags lhe falara sobre as corujas na primeira visita.
Fazia tempo que ela não ensinava nada para alguém. O único que vivia querendo aprender com ela era Matt, que na verdade queria aprender com todo mundo, e Mags ficava feliz em ver alguém prestando atenção nas coisas que ela dizia. Bem, o tipo certo de atenção.
— Corujas são legais- sentenciou Kara, brincando com o pingente dado pela nova amiga- Eu gosto de corujas.
Mags sorriu
—Eu sei- disse pegando o prato para dar comida- Mas agora você tem que comer. Todo mundo comeu.
Mags balançou loucamente a cabeça.
—Não quero. Meu estômago dói- disse Kara. Mags apertou o pingente de sua correntinha mais forte ao perceber a angustia no olhar de Kara. Mags com uma reviravolta no estômago percebeu que esse era o principal motivo dos ataques de Kara.
Daisy que estava ali supervisionando o trabalho com os pacientes assentiu fracamente.
—É um dos efeitos colaterais do remédio que ela está tomando. É muito forte.
Mags olhou para a enfermeira tentando processar tudo.
— Outros pacientes também tem reclamado de dores de estômago?
Daisy assentiu.
—Tentamos tratamentos paliativos, mas nada parece funcionar. Algo para balancear o PH do fígado mas...- disse ela lançando um olhar para triste para a menina- Não temos tido resultados. A maioria deles só sente um desconforto. Kara tem um nível mais grave da doença então os sintomas são agravados um pouco. Estamos testando uma nova droga, feita a partir de penicilina e ansiolíticos como Clonazepam. Até agora infelizmente não tivemos resultados.
O que Kara precisava, Mags sabia muito bem, era de algum tratamento alternativo que conseguisse fazer com que os sintomas da doença fossem atenuados. Não de remédios paliativos, não de drogas que fariam seu estômago doer para que ela ficasse mais calma.
—Estamos fazendo o possível- suspirou Daisy adivinhando os pensamentos da garota. Mags assentiu sem falar nada, porque o mais triste era que Mags sabia que a enfermeira dizia a verdade.
Kara, depois de muita conversa foi convencida a comer um pouco e Mags deu um pouco de Leite de Magnésia para a menina. Isso pareceu aliviá-la um pouco. Kara logo voltou a desenhar e Mags ficou um pouco mais aliviada.
Mags ficou com uma pontada de infelicidade ao ter que deixar Kara para atender outros pacientes, mas ela sabia que ainda tinha trabalho a fazer. O resto do tempo na clínica passou voando.
Quando ela ia saindo, decidiu se despedir de Kara, percebeu que a garota não estava sozinha no quarto. Havia mais alguém com ela. Alguém bem conhecido de Mags. Ela estava se preparando para dar meia volta, mas foi pega por Kara que deu uma espécie de gritinho de felicidade.
—Mags!- a garota deu uma levantadinha no pingente de coruja feliz.
Seymor se virou e sua expressão era impassível quando viu a colega. Mags fez uma anotação mental para verificar o sobrenome dos pacientes. Pelo olhar que Audrick lhe lançou, ele também não parecia estar tão desconcertado quanto ela.
— O que você está fazendo aqui?- Mags percebeu que ele se mantinha protetoramente a frente da irmã. De alguma forma, ela sentiu que invadiu o território de outra pessoa.
—Eu faço meu trabalho voluntário aqui- respondeu Mags a contragosto. Era meio humilhante ter que explicar, principalmente para Seymor que vivia agindo como se fosse superior a ela — Ajudo a cuidar dos pacientes e do laboratório depois do estágio.
Isso não pareceu abrandar Seymor que, Mags percebeu mortificada, estava olhando para a correntinha nova da irmã e de volta para o pingente da pulseira de Mags juntando as peças. Apesar de entender Seymor, Mags não deixou de ficar irritada. Não estava fazendo nada demais se aproximando da garota.
Como para corroborar com o pensamento Kara olhou para o irmão sorrindo.
—Mags é legal- disse ela- E sabe sobre corujas. Corujas são noturnas, vivem em diversos hábitats e gostam de comer morcegos, insetos e outros animais menores
Ela teve vontade de rir da cara confusa de Seymor, mas achou que isso só pioraria as coisas.
—Certo. Kara, você tem que tomar o último remédio para ir dormir. Não me interessa se elas comem escorpiões, ratos..
—Morcegos- disseram as duas juntas.
A pupila de Seymor dilatou perigosamente.
—Huum certo. Morcegos. Já volto aqui Karinha. Huum.. Mags pode me dar um minuto por favor?
Mags assentiu e os dois saíram para o corredor do hospital.
— O que você pensa que está fazendo- perguntou ele com os braços cruzados. Seymor mantinha a voz baixa, mas a raiva era visível em cada palavra.
Não tinha problema, Mags também não estava feliz com a grosseria de Seymor.
— Estou sequestrando sua irmã, levando para uma galáxia distante. Ou, quem sabe, para uma coletiva de imprensa, você sabe, adoro elas- respondeu Mags no mesmo tom do garoto- Não estou fazendo nada demais. Kara é uma paciente daqui, uma amiga. Eu nem sabia que ela era sua irmã. Ela é um amor. Talvez seja por isso que não tenha percebido que ela tinha o mesmo material genético que você.
Seymor abriu e fechou a boca várias vezes até que finalmente pareceu encontrar as palavras.
—Foi você que disse, não se meta comigo que eu não me meto com você. Achei que você iria cumprir sua promessa.
Seymor, avaliou Mags, era a criatura incrivelmente mais irritante da face da terra.
—Eu estou, não sabia que ela era sua irmã- Disse Mags, a irritação dando lugar ao cansaço- Olha eu tenho que ir, a semana foi bem difícil.
Ela não tinha dado dois passos quando o barulho de uma comoção a atinge. O estômago de Mags deu umas 3 voltas quando percebeu o motivo da agitação. A Garota se segurou na parede da recepção do subsolo porque o que estava acontecendo era surreal demais. Ela também evitou olhar para Seymor que a seguira para ver o motivo da confusão.
Não podia ser! Simplesmente não podia. A clínica se tornara o local mais seguro para ela. Mais seguro que até mesmo o Departamento. O homem continuava tirando os fotos. Mags sentiria pena do desespero dele se não tivesse sido tão invasivo.
Ele queria falar com Mags a todo custo e a garota iria tirá-lo dali para evitar mais problemas, mesmo se tivesse que lidar com uma entrevista se não tivesse sido detida por Kara que vinha gritando para o irmão.
Mags e Seymor se colocaram na frente da garota ao mesmo tempo. Tudo aconteceu muito rápido. Mags avançou para o homem segurando o pelo braço.
—Vamos embora- disse ela segurando o homem pelo braço e afastando ele de Kara e Seymor- Seymor, leve Kara de volta para o quarto.
O repórter tentou fazer perguntas enquanto Mags o arrastava da clínica, mas a garota não cedeu. Ela sabia por quem ele tinha sido enviado. Caligula realmente estava passando dos limites. Na última resposta mal criada de Mags, quando os dois já tinham chegado na entrada do prédio o homem segurou pelo braço.
—Eu disse que você tinha feito um inimigo. Você não passa de uma garota problema e mimada. Caligula e eu vamos provar isto- ameaçou ele.
E saiu correndo ao perceber dois seguranças que vinham ver se Mags não precisava de ajuda. Os dois apenas assentiram quando Mags sinalizou que estava tudo bem, apesar dela saber que não era verdade.
Ela foi para casa, tentando assimilar o que tinha acontecido. Quando chegou Effie não estava já que tinha ido jantar com os amigos. Mags nunca tinha se sentindo tão sozinha na vida. Sentiu medo que publicassem sobre sua ida a clínica, ou pior uma foto de Kara. Para piorar a situação ela recebeu uma mensagem com suas notas pelo dispositivo do departamento.
Mags teve vontade de arrancar o aparelho do pulso e atirar na parede. A única disciplina em que ela não tinha ido mal era Bioquímica. Ela só conseguiu se acalmar quando viu uma carta de Matt em cima da mesa. Era como se seu irmão soubesse sempre quando ela precisava dele.
Sorriu ao ler a carta que era completamente Matt. Ela viu que ele continuava com sua vontade de explorar o mundo. Mags não podia culpa-lo. Os dois filhos do tordo tinham nascido com uma vontade de conhecer o mundo, uma sede de conhecimento que compartilhavam entre si e que os unia de uma forma que a garota não podia explicar.
Mags ligara no inicio da semana para falar com Matt, é verdade. Riu ao lembrar da conversa. “Você não vai me dar nem os parabéns Meguizinha?” E a crônica sobre a doença... era como se Matt tivesse visitado a Health’s Angels junto com Mags.
Mas, apesar disso, o fato de Matt querer sair de Panem a assustou um pouco. Mags ignorou a vergonha por isso e começou a escrever a carta para o irmão para esquecer aquele dia horrível.
Querido Matt
Primeiro fico muito feliz que tenha gostado do presente. Soube no momento que o vi que ele era para você. Também fico feliz que você tenha tido um aniversário muito bom. Eu queria estar ai. Depois que liguei para você fiquei tentada a pegar o primeiro aerodeslizador para o 12. Mas eu não pude fazer isso.
Bom Matt, eu não censuro você por querer ver o mundo. Como eu poderia quando eu mesma sai de casa para tentar me encontrar? Eu sei que você acha que sou meio superprotetora. Vou sempre ser. Você sabe a história da nossa família. Não me culpe por amar a floresta, não me culpe por carregar comigo cada pessoa daquele local. Minhas amigas me chamam de garota do interior, talvez eu seja. Sei que as tardes na florestas, as noites no centro do distrito, e cada uma daquelas pessoas que apesar de sermos mais famosos do que gostaríamos, se referiam a nós como “A filha da Dona Katniss”, “Os meninos do padeiro”.
Eu sei que você provavelmente acha que estou sendo um tanto saudosista. Mas Matt, eu espero que você entenda que isso é o que irá segurar você quando tiver que batalhar seu caminho no mundo.
Às vezes, a única coisa que poderá manter você são é olhar para trás, ver as pessoas que fizeram de você quem é. Acredite em mim Matt, o mundo é maravilhoso, grande e um tanto excitante. E Eu sei que cada pedacinho dele vale a pena ser visto. Mas ele também é cruel, vai fazer você se perguntar várias vezes quem é, vai te desviar do caminho que você pensou ser o certo. Mas está tudo bem. E está tudo bem Matt, porque uma parte de você sempre pode voltar para casa.
Não acho que você tenha errado. Não posso culpar você por se arriscar demais, foi para isso que fomos feitos. Mas Matt, não me culpe por tentar te proteger. Não me culpe por pedir que tenha cuidado. Não me culpe por tentar segurar você enquanto tenta partir. Não me culpe por ser sua irmã mais velha.
Quando vi sua crônica Matt senti como se você tivesse vivido comigo todas as angustias de ver aqueles pacientes da Health’s Angels abandonado. Tenho que te agradecer Matt, por causa de sua crônica muitas pessoas irão prestar atenção a algo que elas vem ignorando por tempo demais.
Matt, obrigada por ser sincero comigo. Sei que teve medo que eu não aprovasse suas travessuras, mas elas são você. E eu amo cada pedacinho de você. E no fim, sempre podemos contar um com outro.
Da irmã que está tentando se encontrar nesse mundo louco
Com amor
Mags
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