Who We Are

10 Carta IX- Querido Matt, você sempre foi


Notas iniciais
Hey seus lindos. Redbird na área. Espero que gostem do capitulo.

Geralmente Mags não era do tipo de pessoa que reclamava quando segunda feira chegava. Claro, Mags também não era o tipo de pessoa que espancava alguém na frente dos seus melhores amigos e saia correndo. A capital, percebeu ela, parecia ter transformado a garota pacata do distrito 12 em outra pessoa.

Passara o final de semana trancada em casa remoendo o que tinha acontecido. Ela sentiu o corpo tremer ao pensar que podia ser expulsa do departamento. Logo agora que conseguira a vaga no setor que tanto queria. Pior do que a expulsão seria lidar com os olhares de medo de Nash e Phoebe. Ela vira a expressão dos dois, era como se eles mal a reconhecessem.

Por dois abençoados dias ela tinha evitado jornais, rádios e qualquer barulho externo. Mas Mags sendo Mags, sabia que uma hora teria que enfrentar o que viesse pela frente. Se existe algo que ela tinha aprendido sendo filha do tordo é que um problema evitado é um problema dobrado.

Assim que ela levantou percebeu que Effie já estava não só acordada mas também pronta para sair. A peruca marrom em estilo channel e o vestido em um tom sóbrio de rosa (tão sóbrio quanto Effie podia ser) disseram a Mags que não só seus problemas eram grandes, como Effie já estava mexendo os pauzinhos para fazer com que as coisas entrassem nos eixos.

–Ok, vamos pular o bom dia. Me diga o quão ruim as coisas estão- Soltou assim que viu Effie se levantado do sofá com uma xícara de café e uma pilha de jornal.

Effie a encarou com um misto de exasperação e pena que só fizeram a ansiedade da garota aumentar.

–Numa escala de péssimo à Mags colocou Panem em polvorosa e Effie vai ficar careca antes dos 60, menina você chegou ao estágio de Pelo amor de Deus, como vou explicar isso aos seus pais?

Wooow. Ruim.Pior do que ruim. Dez mil vezes pior do que ruim.

–Effie você tem 65 anos, já passou dos 60- Foi a única coisa que ela lembrou de dizer, mas viu que não era bem a coisa certa no momento em que a frase saiu dos seus lábios.

Effie lhe lançou um olhar que poderia ter quebrado até a mais resistente das pedras. Mags tentou controlar a respiração e recorreu ao antigo truque para se acalmar que usava desde criança. Fechou os olhos, contou até dez, pensou na floresta uma borboleta serena no meio do lago, Matt rindo como se não houvesse amanhã na beira do rio, pronto para pular na água, a borboleta vindo em sua direção e...a picando.

–Hei-gritou ao ver que Effie a tinha beliscado para trazê-la de volta ao mundo real.

–Acorda Mags!!! Por que você não me contou que tinha acontecido isso antes, logo na sexta-feira?

Mags mordeu o lábio, a culpa a invadindo de todas as maneiras possíveis. Ela deveria ter contado a Effie. No entanto, ela não queria reviver tudo aquilo, muito menos que a amiga achasse que ela era um monstro. Queria apenas um final de semana a salvo antes da tempestade.

–Bom, você soube antes de Haymitch e Matt, pense por esse lado.

Effie olhou para ela exasperada.

–Francamente Mags! Achei que você seria mais fácil de lidar do que sua mãe. Você está se saindo exatamente como ela. E isso não é um elogio.

Mags suspirou. Effie tinha razão, ela tinha errado feio. Mas logo Effie abandonou toda a pretensão e a raiva ao ver a expressão desolada de Mags, indo abraçá-la.

–Ah querida. Desculpe. Mas você sabe que não pode perder o controle assim não é?

Mags apenas assentiu.

–Agora-disse ela se levantando- Vou até as bancas, comprar a maior quantidade de jornais que eu puder, depois vou até a sede dos principais veículos de comunicação ver se consigo desfazer um pouco dessa bagunça.

Mags olhou para ela espantada.

–Como você vai fazer isso?

Effie piscou para a garota matreira, e Mags quase pode ver a jovem de 20 nos que ela tinha sido um dia.

– A filha do tordo não é a única que rende histórias interessantes — respondeu enigmática- Agora, por favor, tente usar o charme Mellark no Departamento e quando for lidar com os jornalistas certo? Talvez você precise.

Mags deu de ombros.

–Acho que isso vem embutido apenas nos cromossomos “y”.

Effie suspirou e saiu resmungando algo que parecia muito com “Everdeens”. Mags resolveu ver os jornais. Se arrependeu imediatamente. Ela aparecia em todos eles com a expressão ensandecida, socando alguém que, segundo todos os jornais, era extremamente indefeso. Nenhum deles mencionou Nash, o que só contribuiu para que ela ficasse ainda mais irritada.

Todos os três jornais principais da capital falavam de como Mags estava fora do controle. Especulações de todos os tipos foram feitas desde “Abuso de substâncias ilegais” “rebeldia tardia” até “Doença congênita advinda de má formação no parto, presumindo que Katniss Everdeen usara uma dose generosa de morfináceos após a revolução” No entanto, o que realmente deixou Mags infeliz, foi o fato de todos eles envolverem o Departamento de Ciências. Os jornais já tinham conseguido descobrir que ela tinha sido selecionada para o departamento de Bioquímica e estavam apontando isso a um possível favoritismo.

Ela se arrumou o mais rápido que pode e foi correndo para o departamento, chegar atrasada não ajudaria em sua situação. Ela viu que tinha uma mensagem no seu dispositivo do coordenador para que ela comparecesse a sua sala assim que botasse os pés no local. Ótimo, pensou, se forem me expulsar acabem logo com isso.

A garota se dirigiu imediatamente até a sala do cordenador. O local ficava no prédio central. Margareth só tinha estado naquele prédio no dia que viera conhecer o departamento junto com dezenas de outros alunos. Ela ainda sem lembrava de como o diretor do departamento a ficava encarando, provavelmente querendo agradar a filha do tordo. Irônico, decidiu.

Depois de dez longos minutos esperando em uma sala, com uma secretária que não parava de lhe lançar olhares curiosos, ela foi levada até o diretor. Ela não sabia bem o que esperava, mas definitivamente não era aquilo que estava diante dos seus olhos.

A sala tinha pouca mobilia e duas estantes de livros cobrindo as paredes. A Janela, se é que se podia chamar assim uma parede inteiramente de vidro, mostrava o campus em toda a sua glória. Mags ficou fascinada pela representação de um atómo em bronze enfeitando a mesa. Havia também um porta-retratos, mas a garota não pode prestar atenção na foto já que estava muito ocupada tentando ignorar o aperto no peito causado pela visão de todos os jornais empilhados na mesa.

Mags cumprimentou educadamente o diretor que estava sentando olhando pensativamente para os jornais e ela não sabia se sentia mais medo ou alivio por ver que ele estava acompanhado do reponsável pelo setor de Bioquímica, o senhor Crave.

–Então senhorita Mellark- começou o diretor sem rodeios- Admito que já vi alguns encrenqueiros. Nenhum deles parecia com você e nenhum deles arrumou uma confusão tão grande no primeiro mês de estudos.

Mags respirou fundo, fazendo o possível para agir com o máximo de dignidade possível. Assumir um erro exige uma dose enorme de dignidade, assumir as consequências exige coragem, e ela tentaria ser digna e corajosa mesmo depois daquele episodio terrível.

–Sinto muito senhor Keppler. Eu não sei o que aconteceu. Eu não sei se posso explicar, mas eu queria que o senhor soubesse que estou muito arrependida e se houver algo que eu possa fazer para reparar….

Keppler a interrompeu com um aceno de mão.

–É verdade que eles estavam intimidando um colega…. O senhor Hamlin?

Mags olhou para ele confusa, como ele poderia saber? Provavelmente tudo o que todos sabiam era que ela atacara dois colegas.

–Sim. E por favor senhor, ele não gosta de ser chamado de senhor. É senhorita Hamlin.

O homem asentiu pensativo.

–Você entende que nos colocou em uma posição dificil aqui não? Entendemos que o que você fez teve uma motivação boa, mas não foi correto. O Departamento não pode ser acusado de privilegiar você por que é filha de Katniss Everdeen.

Mags concordou, sabendo que já esperava por isso.

–Nem eu gostaria disso senhor- respondeu dignamente.

O homem suspirou

–Senhorita Mellark, uma testemunha nos contou tudo. Os seus colegas agiram de forma terrível com seu amigo. Você agiu como pôde naquele momento. Por isso não a expulsaremos. E, o senhor Crave aqui argumentou incessantemente contra o fato de você perder sua vaga no setor de Bíoquimica.

A garota tinha certeza de nunca sentira tanta gratidão por alguém como naquele momento. A única coisa que ela conseguiu dizer foi um “obrigada “ constrangido. Senhor Keppler pareceu não reparar na confusão da menina.

–No entanto você terá que ser punidade de alguma maneira, sabe disso não sabe?

Mags asentiu. Ela não se importou, sabia que merecia um castigo e além disso poderia continuar seus estudos.

–Primeiro você terá que se desculpar com seus colegas, em público, por escrito- Bom, seria embaraçoso, mas não a mataria- Segundo, você ficará uma semana suspensa. E, além disso, fará trabalho voluntário na Clínica Psiquiátrica Health's Angels, ajudando na administração e na fabricação dos medicamentos. Acredito que assim, você poderá seguir em frente com todo esse assunto. De acordo, senhorita Mellark?

Mags se surpreendeu que, com todos os seus problemas, naquele momento a única coisa que ela conseguiu pensar foi “Health's Angels? Sério. Esse é o nome mais estúpido que já vi”. Felizmente, ela decidiu não mencionar e concordou solenemente com o Keppler.

–Eu sei que você teve boas intenções, mas violência não é a resposta. Estamos tentando construir um novo país.. Punhos e sangue não são uma boa solução. Perdão, diálogo e ciência. Isso, faz um novo país. Lembre-se disso da próxima vez.

O diretor sorriu e a dispensou com um sinal e Mags se levantou, não sem antes lançar um sorriso de desculpas para os dois A garota se estava no meio do caminho quando resolveu perguntar algo que estava a inquietando.

–Senhor, quem lhe contou que eu tinha batido nos meus colegas por causa de Nash?

O olhar do homem era frio quando respondeu.

–Alguém que entende sua situação. Você terá bastante tempo para descobrir agora.

Mags percebeu que não teria mais respostas então se retirou da sala. Bom, tinha sido muito melhor do que ela esperava. Ela percebeu que estava sendo chamada e se deparou com o senhor Crave.

– Senhorita Mellark, uma palavra- disse ele parecendo meio apressado- Muitos vão duvidar do motivo de ter escolhido você para meu setor. Eu a escolhi por que acredito que tenha potêncial. Então, apenas ajude a provar que estou certo.

Mags ficou sem fala enquanto o professor se dirigia até sua próxima aula. Ela definitivamente gostava de Crave, cabelo verde. Percebeu que um grupo de colegas a encarava com um misto de apreensão e raiva. Se deu conta que toda aquela história não tinha terminado e não ajudara em nada em sua tentativa de fazer amizades. Resolveu que não se importaria com isso. Tomara que com as punições, Claudios a deixasse em paz e seus colegas a vissem pelo que realmente era, apenas uma colega.

Ela estava quase saindo do departamento quando viu duas figuras a esperando na entrada. Por um momento ela teve uma vontade louca de sair correndo. Ela nunca imaginou que encarar seus amigos fosse mais dificil do que encarar o diretor.

–Oi- disse ela constrangida- Como você está Nash?

Ela percebeu que deveria ter ligado para saber como estava a amiga. O fato era que ela não conseguira pensar em nada além dos próprios problemas.

–Eu? Mags tentamos falar com você o final de semana inteiro… Eu estou bem. Quer dizer, não foi divertido nem nada, mas vou sobreviver.

Ela conseguiu dar um pequeno sorriso para as duas.

–Escutem gente, eu… não sei o que aconteceu sexta-feira. Aquela não era eu. Não devia ter batido naqueles idiotas...eu

Phoebe encarou ela como se estivesse vendo alguém de outro planeta.

–Espera...você não está se desculpando por ter batido naqueles caras, está? Menina, se eu pudesse tinha te dado um prêmio na hora. Você foi demais. Aquele soco….

–O que Phoebe quer dizer- continuou Nash lançando um olhar reprensivo para a amiga- É que você não tem do que se envergonhar. E… bem eu agradeço; Você meio que foi minha salvadora.

Mags riu com gosto sentindo o coração mais leve do que sentira em dias. Nash e Phoebe não a viam como um monstro no final das contas.

Então- Phoebe lançou um chiclete para Mags, um hábito que elas tinham adquirido recentemente desde que descobriram que eram loucas pelo mesmo chiclete- O que o diretor queria com você? Te dar um prêmio de melhor soco do ano?

–Não. Estou suspensa por uma semana vou ter que fazer trabalho voluntário e o melhor de tudo...me desculpar publicamente.

–Nash, querido, lembra quando eu disse que tinhamos uma nerd no grupo? Esquece. Temos uma completa encrenqueira aqui. Venha cá e dê um abraço na mamãe- falou Phoebs indo até Mags que não se conteve e soltou uma gargalhada.

–Não se preocupe, passaremos as lições das aulas para você- Garantiu Nash prontamente.

Mags nunca teve tanta certeza na vida que tinha achado as melhores amigas possíveis. Isso a tranquilizou durante a tarde monotona em casa, em que ela teve que desligar o dispositivo de imagem 5 vezes e desistira de olhar qualquer coisa, já que ela sabia qual era a próxima programação. “Filha do tordo enlouquece”.

Como prometido as amigas passaram rapidamente todos os dias para lhe trazer a lição no inicio da noite e quando Effie, na quarta-feira, chegou anunciando que o porteiro tinha lhe entregue outra carta de Matt, Mags foi correndo para o quarto. Será que Matt lhe via diferente por causa do ataque? Será que estava tudo bem com ele? Ela ficou aliviada ao ver que era o Matt de sempre. E se sentiu tão feliz por ele ter conseguido o que queria.

Mas havia outra coisa também. Ela percebeu que o irmão estava crescendo. Matt estava se tornado um belo homem. E o fato de ele ter que cuidar da família sozinho agora…Aquilo encheu Mags de culpa. O melhor que ela podia fazer era torcer para que todos eles ficassem bem e responder Matt da melhor maneira possível.

Querido Matt

Eu estou há horas lendo sua carta e não consigo achar as palavras certas para responder. Essa carta só me fez perceber o quanto sinto sua falta. Primeiro, eu diria que não há nada mais forte do que o orgulho que senti de você lendo ela. Oh Matt, fazem meses ou anos que sai dai?

Eu sei que soa um tanto piegas, um tanto bobo, mas quando li sua carta tudo o que conseguia pensar era no menino de seis anos que me seguia até aquela pedra com um caderno um tanto misterioso que tinha um nome tão bonitinho quanto os cachos dourados que eu gostava de bagunçar quando você acordava. Eu sei que estou embaraçando você agora. Ninguém te contou que é exatamente essa a tarefa das irmãs mais velhas?

Matt, eu sei que meu primeiro instinto deveria ser ficar irritada pelo perigo em que você se colocou ficando com papai. Deveria ficar irritada com mamãe por ter deixado você lá. Eu sei que deveria estar ai para cuidar de papai e para te ajudar a lidar com ele. Meu primeiro sentimento sempre será esse. Mas então você lidou com a situação tão a sua maneira, de frente, que eu não pude deixar de pensar no quão orgulhosa eu estava de você.

Às vezes, quando estamos no escuro lidando com nossos monstros, tudo o que precisamos é de alguém lá. Alguém que nos olhe nos olhos, que aguente o tranco e nos mostre que, não importa o quão ruim as coisas fiquem, não podemos deixar que esses monstros nos vençam. A verdade Matt, você sempre foi essa pessoa para mim.

Eu quis mentir para você Matt. Oh como eu quis! Tive medo de que você não me visse como antes. Você sabe, sempre senti que meu mundo podia ser um pouquinho melhor quando você vinha a mim em busca de respostas. Mas eu não pude Matt. Porque a verdade é essa. Você sempre foi a pessoa em quem eu mais confiava. A pessoa a quem eu podia contar qualquer coisa e nunca me julgaria. E de alguma forma Matt, você nunca me desapontou.

Quanto as suas perguntas, eu ainda estou tentando encontrar as respostas para elas. Não sei por que tive aquele ataque. Não sei como me deixei vencer tão prontamente pela raiva. Só sei que não conseguiria deixar Nash ser machucada por aqueles caras. Acho que me senti como mamãe no meio dos jogos. Ou você rebate ou perde algo essencial.

Mas Matt...não é exatamente essa a definição de guerra? Não se perde mesmo ganhando? Quando se torna aceitável machucar alguém? Acho que mamãe e papai concordariam que um mundo em que você tem que se defender o tempo todo e em que confiança, perdão e compaixão se tornam algo tão raros que só os ingênuos ainda tem coragem de ter não é um mundo em que valha a pena se viver. Acho até que posso escrever isso no meu pedido de desculpas. Pois é, vou ter que fazer um. E público, o que eu até acho justo.

Graças a minha boa sorte não fui expulsa do departamento. Eu inclusive vou continuar com meu estágio no setor de bioquímica. Sem querer eles me deram algo que pode me ajudar a melhorar minhas pesquisas. Vou ter que fazer trabalho voluntário na Clinica Health's Angels (Por favor Matt, pare de rir do nome. Eu já ri o suficiente por nós dois). Então acho que me sai bem depois de tudo. Phoebes diz que estou tirando uma semana de férias, mas eu aposto que férias não te deixam entediada até a morte como estou.

Eu realmente espero que todos estejam bem por ai. Diga a todos que estou com saudades. Mal posso esperar para ler suas reportagens. Estou muito feliz por você. Cuide-se Matt. Porque a verdade é essa. Irmãs mais velhas erram, irmãos menores crescem. E a vida é maravilhosa por causa disso.

Com amor da sua irmã que está tentando ser uma rocha mais sólida

Mags

Notas finais
Então? o que acharam? Espero que tenham gostado. Gente adoraríamos saber o que vocês estão achando da história. A opinião de vocês é muito importante para nós,por isso se puderem nos dizer, nos amaríamos. Beijooos seus lindos :*