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2 Carta I: Querido Matt - sentir falta é o primeiro passo


Notas iniciais
Hey seus lindos. Red na área :D Então, como vocês já sabem escreverei essa fic com minha amiga Capitollina. Baita responsabilidade vocês não acham não? Pois é! Também.Espero estar a altura. E eu realmente espero que você gostem da Mags. Bom, vamos ao capitulo que é o que interessa. Beijos

O cheiro de fumaça foi o que a acordou. Sentiu o vento do inicio de outono penetrar por debaixo das cobertas e amaldiçoou o hábito de dormir com a janela aberta, mesmo sabendo que preferiria congelar a fechá-la. Observou o prédio enorme da universidade apontando no centro da cidade, o shopping do outro lado da rua, as pessoas apressadas. "Estou na capitol, isso aqui não é o distrito 12". Inconscientemente Margareth lembrou como era acordar no seu velho distrito.

Não havia cheiro de fumaça na vila dos vitoriosos. Apenas o vento gelado, o som das pessoas se preparando para um novo dia e o cheiro de pão novo. Seu estômago deu uma cambalhota ao lembrar do pão feito pelo pai. Chega, se repreendeu mentalmente, você está aqui para provar que consegue se virar sozinha.

Ela se olhou no espelho, o cabelo preto estava embaraçado e ela tinha olheiras terríveis de baixo dos olhos. Abriu a porta do quarto e foi direito para cozinha. Effie já estava lá com uma xícara de café preparada. Mags sorriu. Café, a bebida dos deuses.

–Bom dia- cumprimentou Megs observando a estranha criatura com um robe rosa. Effie tinha uma espécie de laço na cabeça com dois olhos. Mags achou que fosse para tapar o rosto enquanto dormia. Os cabelos castanhos claros caindo soltos.

Era tão estranho vê-la sem peruca. Não que ela não estivesse acostumada. Ela lembrava dos verões da sua infância quando vinha com Matt passar duas abençoadas semanas na capital. Eles sempre faziam questão de ficar na casa da "Tia".

–Oh bom dia, bom dia passarinha. Pronta para o grande dia?

Mags abriu um enorme sorriso. O "grande dia" era o primeiro dia no Departamento de Ciência e Química de Panem. Mags estava realmente feliz, ela finalmente poderia estudar o que gostava, podia deixar suas marcas no mundo sem ser seguida pela sombra dos pais. Descobrir no que era boa sem que alguém a comparasse com outra pessoa.

–Prontíssima-respondeu Mags.

No entanto, seu estado de animo caiu ao ver os jornais empilhados em cima da mesa. Effie deu um suspiro.

–Odeio que você tenha que ser incomodada logo de manhã com essas noticias, mas é melhor você estar preparada.

Os três principais jornais da Capital tinham sua foto estampada na página principal. Mags sempre fora uma pessoa naturalmente tímida, odiava chamar a atenção, mas aqui estava ela, herdeira da fama dos pais.

Não podia ser tão ruim assim. Pegou o primeiro jornal "Capital em chamas, saiba tudo sobre a Mellark que está deixando Panem curiosa" O que? "Margareth Mellark: mudança para uma nova carreira ou para encontrar um novo amor?" Não! " A busca pelos holofotes, saiba a verdadeira razão de Margareth Mellark ter se mudado para a Capital"

–Effie, o que significa isso?- Perguntou Mags sentindo a conhecida raiva se apoderar dela.

–Você sabia que sua vinda para cá causaria um alvoroço na imprensa. Se tivesse concordado em dar uma entrevista coletiva como eu havia aconselhado....

–Eu não vou ficar dando satisfação da minha vida para eles Effie- Mags gritou mais alto do que pretendia- Isso... é ridículo. É como se eu fosse....

–Uma vitoriosa dos jogos? Não, mas você é filha dos dois vitoriosos mais importantes, o que é a mesma coisa e oh- disse Effie pegando rápido o jornal que Mags tinha aberto- Você não precisa ler esse.

Mags sentiu uma pontada no peito sabendo que lá vinha bomba, mas mesmo assim não titubeou.

–Me dá isso aqui Effie- disse correndo atrás da mulher. Com um movimento rápido ela conseguiu pegar o jornal e leu toda a matéria.

Os erros fashions do pequeno Tordo

Katniss Everdeen sempre foi conhecida por ser um ícone fashion. Durantes os jogos vorazes e a rebelião, nosso tordo teve ao seu lado profissionais competentes que sempre a ajudaram a ser a mais bem vestida de Panem. Sem falar na silhueta esguia que encantou Peeta Mellark. Parece, no entanto, que a filha dos grandes heróis de Panem não herdou o estilo de sua mãe. Com uns quilos a mais e com uma forma de vestir simples, Margareth Mellark agora é a mais nova moradora da Capitol. Os boatos que correm na imprensa afirmam que ela estará morando com Effie Trinket, amiga de longa data da família. Apesar disso Ligia Senior, nossa respeitada colunista de moda, acredita que a primogênita do tordo pode ser uma inspiração para novas tendências. 'Margareth tem todo aquele estilo de menina tímida que Panem procura desde Katniss Everdeen. A garota realmente precisa de ajuda, mas acho que seu estilo mais natural pode inspirar as capitolinas sempre avidas por modelos a seguir'. Nossa colunista traz um guia especial para você não errar ao copiar o estilo de Margareth Mellark".

–Quer dizer que estou como é mesmo....com uns quilos a mais? Silhueta esguia? Eles tem noção de que minha mãe estava passando fome quando veio para Capital?

–Não ligue querida. Tem um teste para saber com qual dos quatro Mellark você se parece mais. Por que você não faz?

Tudo aquilo era tão rídículo que Margareth tinha vontade de atirar a xícara de café na parede. Antes que ela pudesse fazer qualquer coisa Effie percebeu o estado de espírito da amiga e correu para abraça-la.

–Vamos querida, você tem um longo dia pela frente, não vale a pena se preocupar com isso.

Effie tinha razão, ela já estava quase atrasada. Com um suspiro resignado ela foi se arrumar para o primeiro dia de aulas. O Departamento não ficava muito longe do apartamento onde ela estava morando, seriam apenas 15 minutos de ônibus.

Seriam, se não houvessem milhares de pessoas tentando falar com ela, cumprimentá-la, perguntando de seus pais. Alguns inclusive diziam conhecer os dois há muito anos. O que tornava a situação bem constrangedora.

O alivio inundou a garota quando ela viu o prédio enorme e desceu da estação. Conseguiu desviar de alguns repórteres mais espertos que estavam ali, dando sorrisos e respostas curtas. Ela achou que com 20 anos já estaria acostumada com essa vida, mas tudo na mudança para capital tinha ficado

mais intenso. Inclusive a perseguição da mídia. E ela que acreditara que as coisas tinham mudado com a revolução.

Quando olhou o relógio seu estômago revirou. Ela já estava dez minutos atrasada. Sentiu raiva daqueles desconhecidos com quem tinha sido simpática. Estava tão preocupada em procurar seu horário e as coordenados no dispositivo que tinha recebido quando se matriculara que não percebeu o estranho que segurou seu braço.

–Oh que bom que encontrei a senhorita.

Era um homem na metade dos seus 20 anos, esbaforido e, percebeu Mags com uma exasperação cada vez maior, um caderno e uma máquina fotográfica.

–É claro, foi bom encontrar você também. Agora preciso ir.

O homem levantou uma sobrancelha e segurou braço de Margareth de uma maneira rude.

–Por favor, responda algumas perguntas. "O que está achando de morar na Capital?" "Por que está fazendo Química?" Você já encontrou seu amante desafortunado? O que você espera morando na capital?

Mags fez um esforço para acompanhar a tagarelice do homem e se livrar dele.

–Olha, eu realmente não tenho tempo para isso. Está tudo bem, estou adorando a capital. Se quiser podemos marcar uma entrevista para depois. Mas eu realmente preciso ir.

O homem parecia frustrado.

–Menina, eu preciso levar alguma resposta decente para meu chefe, ainda hoje. Não tenho tempo para brincadeiras. Nem para lidar com meninas mimadas. Você sabe que somos um dos grupos de comunicação mais importantes de Panem não sabe? Sabe quem eu sou?

A Raiva invadiu Margareth. Ela não tinha ideia de como os pais se acostumara a lidar com a imprensa. Isso tudo era demais.

–Eu não sou uma menina mimada. E eu não vou dar entrevista para você. E não, não faço a mínima ideia de quem você seja- Margareth falou, soltando sua fúria em cada palavra. E ela não estava mentindo. Tinha parado de acompanhar jornais há muito tempo.

O homem a encarou com uma expressão enfurecida. Oh, não. o que ela acabara de fazer? Esquecera os principais mandamentos de Effie. "Sorria e seja agradável. Agindo assim os urubus terão dificuldade de pegar você". O garoto a olhou com raiva e deu um sorriso malvado.

–Meu chefe não vai gostar disso. Você acaba de se tornar inimiga do homem mais poderoso de Panem menina.

Oh, pensou ela amarga, não era a primeira vez na família.

O homem saiu, não sem olhar mais uma vez com cara feia para Mags. Ela deu um suspiro e olhou para seu dispositivo. Dizia 9h sala 4C. Felizmente não era muito longe. Quando ela chegou já passavam das 9h20.

A turma já estava na sala . Ela sentiu todos os olhos se voltando para ela. Droga, ela estava realmente atrasada.

–Que bom que decidiu se juntar a nós- disse um homem que claramente era o professor. O senhor rechonchudo que os tinha guiado no dia em que ela viera conhecer o Departamento também estava lá. Seus lábios se frisaram em uma desaprovação discreta.

Margareth respirou fundo e sentiu suas bochechas quentes. Se sentou o mais silenciosamente no fundo da sala que pode.

–Comendo muito pão estrela?- Perguntou um garoto moreno do lado dela. Sua pele instintivamente fez Mags lembrar de chocolate derretido e de casa.

Ele era forte. A insegurança fez Mags voltar a classificar as pessoas como vitoriosas ou não, como fazia quando era criança. Esse cara com certeza seria um vitorioso. E prepotente como um carreirista. Ela engoliu a resposta. Fique calma.

–Ei deixa ela em paz!- Falou uma garota do outro lado. Ela tinha adoráveis olhos puxadinhos.

Instintivamente Mags se sentiu agradecida. "Você tem que se defender sozinha, lembre-se disso. Faça seu próprio caminho". Então apenas lançou um olhar feio para o garoto do lado e finalmente começou a prestar atenção no professor. Ela teria muito trabalho pela frente.

Quando chegou em casa a noite a única coisa que poderia fazer Mags se sentir bem era Matt. Ela sentiu uma saudade imensa do irmão. Então foi para o quarto e resolveu que a melhor maneira de conseguir se acalmar era uma carta.

Querido Matt

Eu gostaria de dizer que a Capital é maravilhosa. Gostaria de dizer que já fiz amigos e que meu primeiro dia no Departamento de Ciência e Química de Panem foi o máximo. Bom, tudo isso seria uma tremenda mentira. E não me lembro de quando mentimos um para outro (exceto quando você disse que não tinha comido o último biscoito que papai tinha feito especialmente para mim, porque Matt, meu caro, eu sei que foi você). Então, vou dizer que foi tudo simplesmente complicado.

Foi estranho acordar e não ter o seu bom dia alegre ou o cheiro do pão do papai, não ouvir mamãe cantando distraidamente cozinha. Tudo isso era tão rotineiro, tão banal. Oh Matt como sinto falta das coisas banais. Parece que daqui a pouco Haymitch vai entrar na sala para contar mais uma de suas histórias aterrorizantes. Como sinto falta delas. Prometa que vai contar todas as novas para mim.

Tia Effieá foi dormir e a casa está num silêncio só. Vou te dizer que o silêncio é uma parte grande de crescer. As coisas vão ficando mais silenciosas a medida que o tempo passa. Por favor, nunca deixe que os silêncio tome conta de você. Ele é ensurdecedor. É engraçado, não consigo imaginar você deixando isso acontecer.

Provavelmente vai pensar que estou sendo boba sentindo falta de casa. Nós sempre sonhamos em conhecer muito mais do que o distrito 12 não é verdade? Mas Matt, meu caro... sentir falta é o primeiro passo. Você só sente falta daquilo que não é mais seu. É por isso que os primeiros passos são os mais difíceis. Você precisa virar a página, aceitar que algumas coisas nunca mais vão ser as mesmas. Assim de repente, sem aviso.

No fim das contas não há nada de errado em sentir falta de casa. Nosso passado é uma parte de quem somos. Acho que é essa saudade que nos ajuda a sobreviver as mudanças e a esse terrível primeiro passo.

Porque é a verdade meu querido irmão, os primeiros passos são necessários e as mudanças são inevitáveis. Tenha isso em mente quando for sua vez. Ainda imagino a gente viajando o mundo como você sempre quis. Lembra quando nosso mundo era o centro do distrito 12 ou a floresta?

A verdade Matt é que, existe uma época da nossa vida em que o mundo fica muito pequeno. Então, saímos de casa, nos formamos, criamos nossas próprias famílias. O mágico é que, um dia nosso mundo fica tão grande que precisamos retroceder e voltar ao início, porque a vida é uma eterna volta para casa

Lembra quando íamos nadar no lago e você ficava com medo de entrar achando que ela estava fria demais? A situação é a mesma. Você só precisa dar o primeiro passo, se acostumar com a água e aproveitar uma tarde de verão. Estou dando o primeiro passo Matt. Espero que eu consiga me acostumar com a temperatura da água.

Sua irmã nadadora

Mags

Notas finais
Então? Eu realmente espero que tenham gostado. Beijos seus lindos. Não esqueçam de nos dizer o que estão achando. Beijos