Who Owns My Heart?
19 Miss Moving On
Notas iniciais
Fechei a última caixa e encostei-a no canto da parede, junto com a outra. 4 caixas grandes de papelão, 2 malas e uma mochila, era toda a minha vida embalada. Eu iria voltar para San Francisco amanhã, no dia em que fazia 6 meses que eu morava em NY. Em 6 meses tinha acontecido tanta coisa que eu nem podia acreditar. Eu tinha feito amigos, e depois tinha os perdido; tinha sido quase estuprada e conheci um psicólogo maravilhoso, que agora era um dos meus melhores amigos; tinha arrumado um namorado que supostamente era o homem da minha vida, e em seguida descobri que ele era um canalha completo; a vida não é irônica?
Nova York sem dúvidas foi marcante, mas deixou feridas em mim que jamais serão curadas. Mas farei o máximo para esquecer tudo, recomeçarei minha vida do zero na minha antiga cidade, com meu pai ao meu lado. As lágrimas secarão, e uma membrana provisória cobrirá as feridas. Vai doer para sempre, eu sei. Mas o melhor que posso fazer é tentar seguir em frente.
Desde que fui humilhada na Goode nunca mais voltei lá. Cheguei em casa completamente arrasada, me cortei de novo, passei uma semana trancada no quarto. Minha mãe conversou comigo por várias horas, e por fim concordou em me deixar ir morar com meu pai. A pior parte de tudo isso é que eu ficaria longe da minha mãe, mas ela voltaria para a Califórnia no fim do ano. Até lá, eu aproveitaria um bom tempo com o meu pai.
Depois disso combinamos tudo com o meu pai, e arrumamos os papeis do vôo e a transferência da escola. Todo esse processo durou 2 semanas, e nesse meio tempo eu me despedi de Apolo. Em um universo paralelo eu e Apolo daríamos certo, mas por enquanto isso não iria acontecer. Fomos no cinema, conversamos, brincamos, mas não passou disso. Éramos bons amigos.
Me despedi de Cassie também. Ela nunca mais conversou comigo desde que eu fui acampar com o Percy sem ela, mas ela foi a primeira pessoa aqui que havia conversado comigo, então eu devia isso a ela. Eu não saí com ela nem nada, apenas mandei um texto de despedida pela rede social. Mandei mensagens de despedida também para Naomi, Emily, Thalia, Nico, Cook, Effy e Freddie, aliás eles nunca tinham feito nada comigo. Em um universo paralelo talvez fossemos amigos.
Eu estava sozinha em casa, então deitei na cama e fiquei pensando em como as coisas seriam se eu não tivesse me envolvido com o Percy. Provavelmente eu não estaria indo embora amanhã, não teria sido quase estuprada, não teria sido humilhada e jamais seria traída. Eu daria tudo para voltar no tempo, assim nada disso nunca teria acontecido.
Eu estava perdida em meus devaneios quando a campainha tocou. Desci as escadas, abri a porta da sala e passei pelo jardim. Quando cheguei ao portão, vi que era Percy.
Minha primeira vontade foi de sair correndo para dentro de casa. Mas não, eu precisava ser forte.
Abri uma parte do portão, e disse:
– O que você quer?
– Annabeth...sei que eu não tenho o direito de te pedir isso, mas eu quero conversar com você. Eu juro que você não vai se arrepender. Por favor, são só algumas palavras.
Considerei a hipótese. Eu não via Percy há três semanas, e ele estava diferente. Estava visivelmente mais magro, com o cabelo maior e bem despenteado. Estava mais pálido, com olhos fundos e escuros. A barba estava por fazer, e tudo isso dava a ele um aspecto de abandono. Bem, eu realmente não queria ouvir nada que ele tinha para dizer. Mas eu estava indo embora amanhã, então, nada do que ele dissesse iria fazer diferença. Abri o portão e deixei ele entrar.
Tranquei o portão de novo e comecei a andar para dentro de casa, com ele me seguindo atrás. Sentei no sofá da sala, e ele se sentou ao meu lado, mas não muito próximo. Então eu disse:
– Fale o que tiver que falar Percy. Provavelmente não nos veremos mais.
– Eu sei. E é por isso que vou dizer tudo, antes que seja tarde. Primeiramente me perdoe, eu te peço perdão, de verdade. Sei que provavelmente você não aceitará, mas mesmo assim eu te peço. Me perdoe por ter te traído, me perdoe por ter feito você sofrer, me perdoe por não te valorizar do jeito que eu devia. Eu sou um idiota, um completo idiota. Pode parecer clichê, mas eu me arrependo todos os dias de ter deixado você partir, de não ter mantido o nosso relacionamento. Annabeth, você me mudou um pouco. Não me transformou completamente, eu assumo, mas você conseguiu melhorar uma parte de mim. Eu nunca conheci uma garota como você, de verdade. Você é incrível, foi de longe a melhor garota com quem eu me relacionei. Olha, eu não vim te pedir pra voltar comigo, porque sinceramente, eu sei que não te mereço. Se você me dar mais uma chance eu vou te fazer sofrer de novo, eu vou fazer merda, sabe por quê? Porque eu sou um completo inútil e tudo o que eu faço é foder a vida das pessoas. E eu não quero te arruinar ainda mais, então não quero que você me dê outra chance. Tudo o que eu quero é o seu perdão, se isso for possível. Eu fiquei sabendo que você vai voltar para San Francisco, e tudo o que eu posso desejar é que você seja feliz lá, que esqueça tudo de ruim que aconteceu por aqui, que faça novos amigos e arrume um namorado bacana, que te mereça, que te valorize muito porque você é a garota mais preciosa que eu já conheci. Eu te amei muito Annabeth, e para ser sincero, eu ainda amo.
Eu não disse nada. Eu não conseguia encontrar palavras para dizer. Tudo o que eu sentia era um misto de amor, raiva, compaixão, perdão e dúvidas, muitas dúvidas. Nenhum discurso do mundo revelaria tudo o que eu estava sentindo no momento, então, agi com o corpo ao invés de agir com a mente. Me aproximei de Percy e entrelacei os braços ao redor dos seus ombros. Ele abraçou minha cintura e encaixou a cabeça na curva do meu pescoço. Seu corpo era quente, e seu cheiro de brisa marinha era mais forte do que nunca. Eu sentia saudades dele, sentia saudades de tocá-lo e de sentir seu corpo junto ao meu. Sentia saudades dos nossos carinhos, dos nossos abraços e de quanto o nosso corpo se encaixava perfeitamente. Eu sentia falta da sua pele macia como veludo de encontro a minha, e sentia saudades dos nossos beijos. Aqueles beijos que começavam lentos e terminavam ofegantes. Todas as minhas células gritavam de saudades dele, do amor e do carinho que eu sentia. Ele aproximou os lábios dos meus, nossas respirações se encontrando ao redor das nossas bocas. Ele encostou os lábios nos meus, em um selinho cálido. Sua língua pediu permissão para invadir minha boca e eu cedi, correspondendo ao beijo. Nossas línguas dançavam mutuamente, seu calor invadindo meu corpo, nossos sentimentos sendo trocados. Suas mãos agarravam minha cintura com força, e as minhas estavam repousadas em seu pescoço. As borboletas em meu estômago voltaram a voar, e o sentimento era tão forte que doía. Por um segundo esqueci de todos os problemas, de todos os ressentimentos, e entreguei meu corpo a ele.
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