Who Knows? Oori Doori 2
8 My candy boy
Notas iniciais
Por favor, não me deixem sozinha! m(_ _)m
À noite, enquanto eu lavava a louça do jantar eu fiquei pensando nas coisas que tinha dito mais cedo ao Ed, e de onde eu tirei tudo aquilo. Porque, vamos combinar, eu não sou como a Mag ou a Ann. Eu sinceramente não tenho atitude, e, do nada, eu simplesmente dou uma lição de moral num babaca de um cara? Isso está totalmente fora do meu perfil. Mas não estou achando isso ruim. Eu até estou gostando. Eu até gostei. É como se sentir um pouco mais poderosa depois de uma coisa dessas.
Logo os pensamentos e a imagem do Ed foram embora da minha cabeça quando o Minho chegou ao meu lado com aquela sua carinha de bebê. Ou de anjo. Ou de deus. Eu ainda não me decidi com o que mais ele se parece. Enfim, ele chegou ao meu lado apoiando o quadril na bancada, o que quase fez com que um copo quase caísse da minha mão. Quero dizer, você está na boa lavando a louça e um cara lindo encosta o quadril bem perto de você? Eu tive que firmar meus pés no chão para as pernas não tremerem. Olhei para ele, sorri levemente e voltei para a louça, mordendo meu lábio inferior para não sorrir largamente como uma babaca.
- Sun, você vai sair amanhã?
Acalmem-se sentimentos, células, sangue e coração, é só uma pergunta, não alimente as esperanças. Não há nada de mais em perguntar se vou sair amanhã.
- Não. – respondi tentando parecer calma. – Acho que não.
Eu sabia que tinha de perguntar “por quê?”, mas eu engoli as palavras.
- Então... – ele trocou o peso da sua perna para a outra. – quer sair amanhã de tarde?
Tudo bem, não se vire para ele ainda, ainda não... não!
Ele estava com aquele rosto lindo acima de mim esperando a resposta, ainda sem expressão. Eu voltei a respirar porque já tinha me esquecido de fazer isso.
- Pra onde? – fechei a torneira para prestar atenção nele e não acabar esquecendo a água caindo.
- Hum, pensei em passear num parque que tem por aqui. – ele sorriu suavemente e eu apoiei minha mão na bancada. Eu poderia cair. – Só nós dois. – ele abaixou a voz um pouco mais. – Tudo bem?
- Tá. – sorri. – Amanhã então. – e voltei para a louça abaixando a cabeça e tentando não sorrir, mas isso só me fazia sorrir mais. Ah, como eu me odeio.
Ele continuou ali do meu lado até eu enxaguar mais dois pratos e saiu do meu lado, voltando para a sala. Ok, eu só precisava voltar a respirar normalmente e tentar dormir tranquilamente a noite, porque eu sabia bem que aquilo martelaria na minha cabeça e me deixaria louca e ansiosa.
●
Minho estacionou o carro um pouco afastado da entrada do parque e caminhamos até a entrada. De fato, como ele tinha dito, estava bem vazio. Era segunda-feira à tarde e ventava pouco. As pessoas normalmente iam ao parque nos fins de semana e mais no verão, então o parque estava bem calmo, ótimo para passear sem ter pessoas olhando para você (no caso do Minho, é claro, o famoso e lindo aqui é ele).
As meninas tinham me ajudado a comprar uma cestinha de piquenique e escolher os cupcakes hoje mais cedo e Minho trazia uma sacolinha de papel pardo com alguma coisa dentro que ele não tinha me deixado ver.
Nós caminhamos alguns minutos até chegarmos ao lago que era cercado por uma cerquinha de madeira. Apoiei uma mão na cerca baixa de lenha redonda e admirei a paisagem. Era silencioso e tranquilo, verde em algumas partes com o branco da neve por cima. Era lindo. Inspirei fundo quando uma brisa passou por mim sacudindo levemente meus cabelos.
- Você gostou? – Minho apareceu ao meu lado apreciando a paisagem.
- Adorei. – sorri e me virei para ele. – Eu realmente adorei. É lindo! E tranquilo. Eu adoro lugares calmos.
- Eu adoro esse parque. – ele sorriu para mim. – Ok, agora vem. – ele me puxou pela mão.
Eu estendi a toalha na grama e nos sentamos embaixo da sombra de uma árvore antiga de tronco grosso. Sorri ao me lembrar do nosso último piquenique, ainda em Manhattan.
- O que foi? – Minho acompanhou cada movimento meu ao me sentar ao lado dele com a cesta de cupcakes do outro lado.
- Nada. – mordi o lábio olhando para ele. – Só me lembrei da última vez que você me disse como estender uma toalha de piquenique.
- Ah! Eu me lembro. – ele sorriu também. – Pelo visto aprendeu.
Abri a cestinha para me certificar do estado dos cupcakes de chocolate com cobertura de chantilly. Estavam todos inteiros, ainda bem.
- Quanto tempo nós vamos ficar aqui? – perguntei voltando a fechar a cestinha cruzando minhas pernas em borboleta.
- O máximo que pudermos. – ele olhava para mim. – Por quê?
- Porque... – franzi os lábios para não sorrir feito uma boba com a resposta dele. – Porque eu só trouxe alguns cupcakes, já que só viríamos nós dois.
- Tudo bem. – ele sorriu suavemente. – Mas não precisava trazer nada, eu só te trouxe aqui para conversarmos tranquilamente sozinhos.
- Uhum. – fiz uma pausa. – Conversarmos sobre o que? – mordi o lábio novamente, sem saber o que fazer.
- Sobre... – ele se ajeitou sentando-se de maneira mais confortável. – Sobre nós. – soou como uma pergunta.
Eu abaixei a cabeça e olhei ao redor. Não sabia o que dizer ou fazer, e ele também estava meio sem-graça. Seria bem mais normal falarmos de nossas vidas e famílias do que de nós dois. Nós dois como um par, não nós dois cada um com sua vida. Ah, você entendeu.
- Eu não sei o que dizer. – falei num tom baixo.
- Bom... eu passei algumas noites pensando nisso desde que vocês voltaram: o que nós somos afinal, Sunie? – ele me fitava intensamente e com seriedade.
- O que... nós somos? – repeti. – Bom... eu... não sei. – franzi o cenho e os lábios procurando um ponto firme para olhar, porque fitar em seus olhos não estava me ajudando muito.
- Nós não somos namorados, somos? – ele não desviou seu olhar que continuava pregado em mim.
Fiquei em silêncio fazendo caretas e balançando meu pé freneticamente. Sim, eu estava nervosa. Estar perto do Minho já me deixa assim, então, imagina quando ele começa a tocar no assunto “nós”.
- Eu acho que não. – murmurei finalmente.
- E por que não? – seus dedos tamborilavam nos seus joelhos, isso significava que eu não era a única apreensiva ali.
- Bem... – suspirei. – Acho que é porque... você não ia querer isso. – olhei rapidamente em seus olhos antes de voltar a fitar os botões da minha camisa azul-bebê por baixo do meu cardigã cinza claro.
- Eu não quero? – ele riu e mordeu seu lábio inferior balançando a cabeça. – Sunie, o que te faz pensar assim?
- Awh. – fiz inflando as bochechas. – Ora, você gostaria de alguém que fizesse mais o seu tipo. Sabe, doce, inteligente, suave, bonita... E eu acho que você deve querer uma namorada coreana também, né?
- Você acabou de se descrever então. – ele sorria enquanto eu enrubescia. – E porque eu me importaria com a nacionalidade de uma garota se ela já fosse tudo que eu queria?
Meu coração dançava loucamente e minhas mãos começavam a suar frio. São só alguns sintomas de quando você está apaixonada. Quando eu era mais jovem, achei que tinha me apaixonado de verdade pela primeira vez logo que senti algo assim. Realmente achava que era paixão. Mal sabia eu que quando se é paixão de verdade todos esses sentimentos se multiplicam por mil e você vira uma espécie de furação. É terrivelmente assustador e detestável se sentir assim.
- Minho. – respirei fundo para encher meus pulmões de ar. – Estou falando sério, eu sou... eu sou tão sem graça. E eu li em algum lugar que os pais coreanos preferem que seus filhos tenham relacionamentos com pessoas da mesma nacionalidade.
- Sunie. – ele ainda sorria lindamente. Não ajudava nem um pouco em me acalmar. – Não me importa, quem deve gostar de você sou eu e não meus pais. Mas, de qualquer jeito, eles devem gostar de você também. E você não é sem graça.
- Eu sou sim. – larguei os ombros. – Você tem um monte de garotas ao seu redor, todas famosas e lindas, basta escolher uma melhor que eu. – suspirei.
- Você é muito insegura. E cabeça dura. – ele parou de sorrir, suspirando também.
Ele puxou a sacolinha dele e abriu, procurando lá dentro alguma coisa. Eu só olhava para ele e para cada movimento que fazia. Minho era realmente tudo o que eu queria para mim, mas eu talvez não merecesse. Porque, vamos ser sinceros, ele era muita areia para o meu caminhãozinho.
Ele tirou da sacolinha de papel um saquinho pequeno de veludo preto, daqueles de guardar jóia ou bijuteria. Eu tentei não pensar de mais, era só um saquinho de veludo, apenas isso. Ele brincou com o saquinho dos dedos e estendeu a mão para me entregar.
Eu olhei de ele para o saquinho algumas vezes até pegá-lo por fim.
- Antes de abrir... – ele esboçou um sorriso. – Eu não sabia como fazer isso, então, por favor, não ache que estou sendo brega. – ele apertou os lábios. – Sunie... – ele fez uma pausa tomando coragem. – Você quer namorar comigo?
Eu perdi todo o meu fôlego. Sem exagero. Ele olhando sério para mim com os seus olhos grandes, a boca semi-aberta e minhas mãos tremulando ao segurar o saquinho. Eu sabia que tinha que responder, sabia o que queria responder, mas era como se eu estivesse esquecido de como produzir som com a boca, de como falar. Abri a boca segurando o saquinho de veludo nos dedos com força, evitando tremer de mais.
- Sim. – respondi baixinho, então aumentei o tom de voz. – Sim, Minho. Eu... eu quero. – eu sorria e minhas bochechas estavam quentes.
As palavras me pareciam tão idiotas e minha voz tão infantil que eu preferi continuar calada depois. Então abri a sacolinha de veludo e tirei lá de dentro um colar dourado com um coraçãozinho simples e pequeno na ponta. E eu ainda não respirava normalmente, meu corpo fervia e eu só pensava que, se fosse sonho, eu nunca mais ia querer acordar. Nunca.
Ele veio até mim ajoelhado e apertou minhas mãos com as suas. Olhei em seus olhos que brilhavam para mim.
Minho pegou o colar dos meus dedos e foi até minhas costas. Tirou o cabelo dali e passou o cordão pelo meu pescoço, prendendo na minha nuca. Seus dedos deslizaram da minha nuca para meus ombros e ele me segurou por ali. Senti sua respiração quente no meu pescoço, seus lábios roçaram na minha pele e meus pêlos se eriçaram. Minho plantou um beijinho suave no meu pescoço, colocando meus cabelos de volta as costas e sentando-se na minha frente de novo.
Eu estava completamente arrepiada. Sentia cada poro do meu corpo agora.
- Prometa usá-lo enquanto você for minha. – seu rosto sério, nervoso, seus lábios inquietos. Levei minha mão para seu rosto que estava se aproximando do meu.
- Prometo.
Ele sorriu e eu deslizei minhas duas mãos para o seu pescoço. Minho afagou meus cabelos com uma mão enquanto a outra me puxava pela cintura. Seus lábios tocaram primeiro meu queixo deixando ali um beijinho, subindo para os meus lábios.
Minho me puxou no meio do beijo, arrastando-me para cima dele enquanto se encostava no tronco da árvore. Deixei meus joelhos ao lado do seu corpo com uma mão no tronco, ao lado da sua cabeça, para não ter o perigo de cair com tudo em cima dele, mas o Minho puxou minha mão e eu acabei escorregando para ele.
Deitei minha cabeça no seu peito que subia e descia, ouvindo seus batimentos cardíacos tão acelerados quanto os meus. Eu queria ficar ali para sempre. Sem ter casa para voltar, trabalho me esperando, ou qualquer outro compromisso que me tirasse de perto dele.
Minho alisava o meu cabelo, brincando com as pontas, e eu abraçava suas costas ainda deitada em cima dele. Ficamos assim mais alguns minutos em silêncio, então me levantei e fui até a cestinha de cupcakes, trazendo-a até o lado de Minho e sentando ali, me encostando no tronco da árvore também.
Abri a cestinha e tirei um cupcake de lá, entregando a Minho e esperando sua reação pela minha escolha. Eu queria ter trago de todos os sabores da loja, mas eram muitos e Anna e Maggy me reprimiram de fazer isso.
- Você não sabe ficar sem comer doce? – ele sorriu.
- Awh, você também vai começar? – fiz um biquinho pequeno.
- Brincadeira. – ele riu.
Ele levou o bolinho confeitado aos lábios e mordeu. Desviei minha atenção dos seus lábios porque ia começar a ficar difícil me conter e peguei um cupcake para mim também, abaixando a forminha de papel e mordendo o doce. Estava perfeitamente delicioso. A massa de chocolate, cobertura de chantilly e recheado com um creme maravilhoso também de chocolate.
Minho levou a mão à boca, rindo. Eu olhei para ele enquanto mastigava com cara de desentendida.
- Está sujo aqui. – ele curvou-se sobre mim limpando a ponta do meu nariz.
Abaixei a cabeça sorrindo e enrubescendo levemente, passando as costas da mão na boca caso ainda tivesse algum resíduo de doce por ali.
- Eu trouxe guardanapos... – falei puxando a cestinha para procurar.
Mas Minho segurou meu pulso sorrindo do seu jeitinho fofo. Larguei a cestinha olhando para cima em seu rosto. Ele largou meu pulso e, se aproximando mais de mim, passou um dedo na cobertura do bolinho, sujando minha bochecha.
- Minho! – levei meus dedos à minha bochecha.
Ele, ainda sorrindo, puxou a minha mão que tinha se melado no chantilly da minha bochecha e levou aos seus lábios, lambendo a ponta dos meus dedos suavemente. Eu estremeci quando a sua língua quente tocou a pele dos meus dedos.
- Eu limpo para você, pequena. – ele sorriu lambendo os lábios.
Eu dei um sorriso largo e minhas mãos automaticamente deram tapinhas leves em seus ombros enquanto ele aproximava sua boca da minha bochecha, tirando o chantilly dali com a ponta da sua língua. Aquilo amolecia todos os meus músculos, era terrivelmente gostoso sentir sua língua em minha pele.
Quando ele ainda estava beijando minha bochecha, melequei meu dedo indicador na cobertura do meu cupcake e sujei seu queixo; ele se afastou de mim rindo.
- Você não consegue pensar numa brincadeira melhor e fica imitando as minhas, é isso? – sua voz gostosa e baixa ressoava em meus ouvidos.
- É que sua presença não me deixa pensar direito em nada melhor. – sorri me levantando nos joelhos.
Segurei com uma mão sua nuca e a outra seu ombro enquanto colocava meus lábios para, suavemente, limparem seu queixo. Eu sorria e não sei de onde tirava forças para aguentar meu corpo nos joelhos. Foi só pensar que eles tremularam, mas Minho segurou minha cintura, me puxando pra cima e me beijando enquanto sua outra mão quente subia pelo meu pescoço.
Sinceramente? O gosto de chantilly em sua pele e seus lábios era bem mais gostoso do que no bolinho.
Notas finais
O próximo é Keggy, HOH! XD
Chu~ ♥
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