Who Knows? Oori Doori
15 Meu chá tem gosto de beijo doce
Notas iniciais
Eu ainda estava meio pasma com o que Anna e Taemin vieram conversar conosco. Eles estavam, oficialmente, namorando! E prefiro não imaginar o que aconteceu naquela sala de dança porque Anna só disse “Taemin é muito doce, foi maravilhoso!”.
Sabe a seriedade disso? A ANNA, a maior certinha e dentro das regras entre nós três simplesmente quebrou o regulamento de número um que ela mesma impôs a nós: não se relacionar com os garotos. E ela estava MAIS do que se relacionando com Taemin! Cara a língua dela foi parar na boca de dele, isso é extremamente sério! Tipo, eles fizeram o número 2, não foi só beijinho, foi AMASSO. E, tudo bem, Anna ainda me paga.
Anoiteceu e daqui a pouco nós vamos sair para jantar e ir ao cinema. Eu estou ansiosa para isso, parece que vai ser uma noite divertidíssima!
Quando subi para o quarto, as meninas já estavam quase prontas. Anna estava com o seu vestidinho de chiffon preto de babados da Lipsy London e Maggy com um míni da Zara e eu puxei o meu preto de seda também da Lipsy de altura acima do joelho.
- Amarra aqui pra mim? – dei as costas para que Maggy amarasse as costas do vestido para mim.
- Você não vai, Sun, não precisa se arrumar. – ela não parou de se maquiar com Anna no espelho.
- Quê? – continuei segurando as fitas que precisavam prender o vestido em volta do meu pescoço. – Eu vou sim!
- Não vai não. – a voz de Anna saiu estranha porque ela estava passando batom.
- E por que não? – segurei as fitas com uma mão e coloquei a outra na cintura.
Elas não me responderam e me deixaram sozinha no quarto. Eu corri atrás delas e fiz barulho nas escadas enquanto descia. Todo mundo estava na sala esperando por nós e eu estava lá correndo atrás das meninas, descalça, sem ter penteado o cabelo nem passado maquiagem e segurando as fitas do meu vestido para não cair.
- Vamos? – Maggy chamou.
- Espera! Mag, por que eu não vou? – choraminguei.
Os meninos se entreolharam.
- Sunie, você não estava com dor de barriga? – Onew interveio. – Foi o que a Maggy disse...
- Dor... O quê? – olhei para Mag.
Ela sorriu para mim e bagunçou meu cabelo no alto da minha cabeça.
- Eu quero comer crepe doce! – choraminguei novamente.
- Não, Sun, você não está totalmente boa.
- E eu vou ficar SOZINHA em casa?
- Na verdade não, Sunie. – Jonghyun interrompeu meu choro. – Minho pode te fazer companhia, ele também não vai com a gente.
Então eu caí na real. Elas me deram uma piscadela discreta sem que os meninos vissem e eu mordi o lábio para não dar um sorriso grande para elas. Depois elas vêm colocar a culpa em mim se acontecer alguma coisa, né? Elas vão ver só! Mas, tipo, não que vá acontecer alguma coisa. Como Maggy diz, o Minho é meio lento para cair na real das coisas, e mesmo que ele perceba algo, vai fingir que não captou a mensagem. E eu... bem, você já sabe, sou outra lerda que não tem coragem de... er.
- Estou com dor de cabeça. – Minho falou.
- Hum. – fiz eu com meu braço doendo de segurar as fitas do vestido no meu pescoço. – Então tá. Depois vou preparar um chazinho para mim, se quiser também Minho...
- Vou querer. – ele sorriu fraquinho e eu derreti. Preciso me acostumar a segurar as pernas quando ele sorrir.
- OK, vocês dois, fiquem bem. – Maggy piscou de novo.
- Não moram sem nós! – Jong riu.
- Eles vão ficar bem melhores sem nós, Jonghyun. – Key estava com seu sorriso sacana que dizia muita coisa.
- De fato. – Onew também sorriu.
- Até mais tarde, Sun e Minho. – Taemin acenou saindo com Ann ao seu lado. Eles estavam de mãos dadas, OWH!
- Tchau! – sacudi minha mão livre para o pessoal que saía da casa.
- Se divirtam! – Minho disse para eles.
- Vocês também! – Key cantarolou.
Eu tentei não ruborizar.Mas não tentar ruborizar só me faz ficar mais vermelha. Fiquei alguns segundos sem olhar para cima depois que eles tinham saído e fechado o portão.
- Você está mesmo com dor de cabeça? – perguntei ainda olhando para o portão fechado.
- Mais ou menos. Só quis ficar em casa... E você? Dor de barriga, eh?
- Não. – me virei para ele por fim. – Acho que a Maggy inventou para eu... – pensei um pouco antes de responder. – Eu não ir.
Ele sorriu e deu as costas indo se deitar no sofá ligando a TV.
- Vou tirar essa roupa e tomar um banho lá em cima já que não tenho mais nada para fazer... – ele não prestou atenção no que eu disse. – Depois eu faço o chá, tudo bem?
- Como quiser. – Minho nem olhou para mim enquanto zapeava os canais.
Eu subi as escadas até o quarto e busquei algumas coisas para o banho e para vestir depois dele para levar até o banheiro, tirei meu vestido preto, me enrolei na toalha e fui até o banheiro. Dentro do chuveiro eu podia ouvir o ruído da TV na sala que Minho assistia, então me arrisquei a cantar sem me preocupar com alguém ouvindo minha voz horrível uma de minhas músicas favoritas que eu sabia de cor e salteado, “Here Without You” do 3 Doors Down – que nem é uma banda tão reconhecida internacionalmente assim, mas é a minha favorita!
Com a touca de banho na cabeça para não molhar meu cabelo eu cantei a música toda fazendo da embalagem de shampoo meu microfone enquanto me esfregava com a outra mão.
Eu estava de costas para a porta enrolando a toalha no meu corpo. Estava apenas com minha lingerie preta e simples da Calvin Klein por baixo da toalha e banho. Não é por nada não que estou descrevendo minha roupa íntima, mas talvez num futuro próximo faça diferença a marca do meu sutiã. Ou Não. Tanto faz.
Eu acostumei a vestir calcinha e sutiã enquanto ainda estou no banheiro desde que fui morar com as meninas, Ann e Maggy. E aqui na casa, eu fazia sempre isso porque... bem, é melhor prevenir as coisas quando você está numa casa grande com 5 garotos dentro. Não porque eles possam fazer coisas erradas, mas porque nós podemos perder a cabeça. Se bem que eles são homens e podem perder a cabeça também. Tipo agora.
Penteei meus cabelos secos com os dedos me olhando no espelho. O espelho fica na frente da porta do banheiro, então eu vi quem entrou por ela. Óbvio que seria ele, não tinha mais ninguém em casa e o pessoal tinha saído para jantar há apenas alguns minutos, então era impossível ser qualquer outra pessoa.
Ele estava olhando para a minha toalha de bichinhos, e eu de repente, achei que ela era muito curta. Só não cobri minhas pernas porque... ah, sabe elas não são dois palitos, pode crer. Mas talvez... oh-ou, talvez ele gostasse de pernas finas.
- Minho! – eu quase gritei quando me virei. – Eu disse que estaria usando esse banheiro! Por que não foi no outro?
- Eu sei. Não quero usar o banheiro. – ele ainda olhava minha toalha e eu me encolhi.
- Então... ninguém te ensinou a não entrar num banheiro que uma garota esteja usando?
- Desculpe. Eu... – ele deu um passo à frente.
- Minho... – tentei me afastar e senti a pia atrás de mim. Meu vestido/túnica estava ali na pia esperando para que eu o vestisse.
- Desculpe, é culpa sua.
- Culpa minha? – ele se aproximou mais e eu só conseguia olhar para seus olhos. – Pelo quê?
Ele já estava na minha frente e olhava para meus olhos agora. Ele levantou as mãos, cauteloso, e as pousou com delicadeza nos meus ombros molhados por gotinhas de água do banho. Os dedos dele tocaram a alça do meu sutiã preto e meu corpo todo tomou choque e arrepiou-se. Eu não queria recuar, ah não.
Minho fez menção de puxar minha toalha, eu a segurei com mais força nas mãos. Minhas pernas estavam bambas, eu segurei com uma mão na pia. Ele se aproximou mais abaixando a cabeça até o meu... pescoço. Minha respiração acelerava de sentir o seu perfume e eu explodi quando ele beijou com delicadeza minha nuca enquanto suas mãos puxavam de leve minha toalha, eu a deixei escorregar da minha mão até cair nos meus pés. Ah, ele sabia tirar uma toalha do corpo de uma garota, meu Deus!
Tudo bem, talvez eu não deva chamar Deus nesse momento, não estou fazendo uma coisa muito santa...
Coloquei meus braços esticados em volta do seu pescoço, ele afastou sua cabeça do meu pescoço e olhou o meu sutiã preto. Devo ter me encolhido bem mais. Sua boca estava entreaberta e eu só conseguia olhar para ela. Tentei desviar, mas para quê desviar? Quero dizer, nós já estávamos dentro do banheiro agarradinhos, eu não precisava me preocupar em tirar meus olhos da sua boca hipnotizante.
Olha, eu tenho certa tara por bocas masculinas. Às vezes me pego conversando com um cara e olhando para a boca dele. Aí me bato mentalmente, vai que nesses segundos ele percebeu? Bem, aquelas bocas com lábios bem desenhados, não tão grossos nem tão finos me seduzem, mas o Minho tem uma boca tão sexy que... bem, acho que estou delirando.
- Por que você faz isso comigo, Sunie? – Minho murmurou com seus olhos nos meus. – Como consegue fazer isso?
- Eu não sei o que eu faço... – sussurrei, minha voz não conseguiria sair mais alto do que aquilo. – Eu sou tão parecida com outras garotas! Tão... clichê.
- Aí é que você se engana. – por que diabos a voz dele, para piorar a situação, tinha que ser tão sexy? Ele nem precisava sussurrar para eu sentir o arrepio. – Você é diferente de qualquer uma que eu tenha conhecido.
- Posso dizer o mesmo de você. – deslizei um dedo por seu rosto tão lindo que estava perto do meu. Só que para isso Minho estava curvado sobre mim. – Você é tão melhor que qualquer outro garoto que eu possa conhecer! E isso não tem nada a ver com você ser famoso...
- Eu sei. – ele também deslizou seu dedo por meu rosto e segurou meu queixo pequeno, por onde ele passava deixava minha pele pegando fogo. – Lembra que você me beijou antes de saber de qualquer coisa?
Ouvir ele falando aquilo me fazia ruborizar, mas eu só fechei os olhos quando ele passou seu braço pela minha cintura me puxando para cima e me sentando na pia, seu outro braço estava ocupado segurando meu minha nuca. Senti seus lábios mais relaxados, quentes e macios quando se encostaram aos meus. Minhas pernas abraçavam a cintura dele e minhas mãos seguravam seu rosto. Aquele rosto estava sendo meu por aqueles instantes eu tinha que segurá-lo!
- Você quer isso? – Minho separou seus lábios por um instante dos meus.
Minha resposta foi roçar meus lábios nos dele depois beijar seu queixo. Já disse que o queixo dele também é lindo? Duvido que tenha alguma parte do seu corpo que não me fascine.
Ele me soltou e se agachou no chão.
- Sobe.
Eu subi nas suas costas com minhas pernas abraçando sua cintura e minhas mãos no seu pescoço quase o estrangulando. Eu puxei minha túnica colorida da pia para vestir depois. Estava quase me esquecendo que estava seminua.
- Eu sou pesada. – deixei minha cabeça deitar no seu ombro.
- Posso confirmar que Taemin é mais. – ele ainda falava baixo.
Fechei meus olhos e tentei não pensar para onde Minho me levava, mesmo curiosa para saber em que porta ele tinha entrado e o que estava fazendo carregando alguma coisa nas mãos. Tentei só sentir cada pedaço do meu corpo colado ao seu, cada espaço, por menor que fosse, perto dele.
Minho desceu as escadas e eu estava me perguntando se suas costas não estavam doloridas com meu peso nelas.
Acho que ele viu meus olhos fechados assim que parou.
- Por que fechou os olhos? – ele beliscou meu nariz com os dedos.
- Nada. Para ser mais emocionante? – mordi o lábio sorrindo.
Minho sorriu para mim de volta e eu vi o que ele tinha pego no quarto: dois colchonetes que já estavam estendidos no chão da sala.
Desci das costas dele vestindo minha túnica de qualquer jeito.
- Hum. Vou fazer o chá. – falei passando pelos colchonetes e me lembrei que estava descalça.
- Não tenho nenhuma dor de cabeça agora. – ele sorria para mim.
- Mas eu vou fazer mesmo assim. Gosta de chá docinho?
- Gosto.
- Já volto. – e fui até a cozinha.
- Não demore!
Eu virei meu rosto com um sorriso de canto para Minho e entrei na cozinha.
Coloquei a água no fogo para esquentar, puxei duas canecas bonitinhas do armário e procurei por um pacote de chá, que eu jurava já ter visto ali de relance. Os achei quase escondidos atrás de uma caixa de cereal matinal. O chá era o meu favorito: de morango e cereja. Na caixinha do chá estava escrito também “sweet kiss” e eu mordi o lábio para não rir sozinha.
- Aqui. – entreguei uma caneca para Minho que estava quase deitado no colchonete com as costas encostadas no sofá.
Eu me sentei no outro colchonete do mesmo jeito que ele e vi que ele tinha colocado todas as almofadas ali. A TV estava desligada e só um abajur estava ligado, a luz da sala tinha sido desligada.
- Delicioso. – ele sorriu.
- Na embalagem diz... – ri comigo mesma. – Que tem gosto de beijo doce.
- Eh? – ele riu também. – Mas acho o seu melhor.
Eu comprimi meus lábios ruborizando e levando a caneca à boca para beber o chá. Estava docinho e muito gostoso. A fumacinha do chá esquentou meu rosto e eu pensei estar sonhando. Numa casa grande sozinha com Minho, bebendo chá com gosto de beijo e com a luz fraquinha...
Eu terminei meu chá e larguei a caneca do lado do meu colchonete. Automaticamente me virei para o lado de Minho e deitei a cabeça numa almofada fechando os olhos.
- Sunie?
- Hum? – nem abri os olhos porque estava sentindo a respiração quente de Minho dando lufadas fracas no meu rosto.
- Você sabe alguma palavra em coreano? – ele parecia nervoso, mas ainda sim não abri os olhos.
- Não. – respondi, simplesmente sem abrir os olhos nem me mexer.
- Saranghae. – sua voz saiu sussurrando.
Eu ia perguntar o que era “saranghae”, mas Minho já tinha ocupado minha boca com seus lábios.
Fale com o autor