Who Knew
12 Last Kiss
Notas iniciais
Oruivo tinha ido se sentar na beira da cama novamente.
— Tem certeza?
- Sim... como você disse, vai ir embora hoje, e... quanto antes melhor... — Ela continuou o olhando. Respondeu o sorriso grato que ele lhe ofereceu e pigarreou baixo — Então...
- Bom... — Começou — é um assunto delicado... teremos que falar de coisas intimas...
- Certo — Concordou, movendo a cabeça positivamente — Estou pronta.
William a olhou por alguns segundos. Eles realmente haviam estragado tudo, mas não foi por querer. Sentiu vontade de chorar, recordando-se de tudo que construiram juntos, como irmãos inseparáveis, mas controlou-se. Precisava manter-se forte como se manteve até então.
- Não vou seguir ordem em minhas perguntas ou recomendações... direi conforme for me lembrando... — Ele anunciou, e ela apenas prestava atenção — Okay... então primeiramente, mas não mais importante do que o restante... Renan sabia que você... — Ele engasgou, custava lhe falar aquilo, lembrando-se do ocorrido entre eles — que você era virgem?
- Não — Ela respondeu com culpa em sua palavra — Eu apenas dizia que... não estava preparada pra fazer essas coisas... com ele...
O mais velho se aliviou de certa forma. Era a retirada de um grande peso Renan não ter informações com detalhes sobre Amy.
- E você pretende dizer isso para alguém? — Continuou, sendo lento porém objetivo em suas perguntas.
- De maneira alguma... gostaria de deixar no passado... — Ela abaixou a cabeça, suspirando alto.
- Estamos de acordo, então... é o que eu pretendo fazer... — Ela moveu a cabeça em compreensão — Eu quero lhe pedir perdão, por tudo isso. Fui eu quem comecei com essa história, e você me conhece, não faria por mal, pra foder com sua vida.
- Não — Ela levantou o rosto, enxugando as lágrimas — Eu não sei se você se lembra, mas... eu quem obriguei...
- Você não me obrigou, eu cedi!
- Uma investida minha! — Ele se calou, apenas a olhando — Você cedeu uma investida minha. Por mais que... estivesse bêbado, não me agarraria de maneira alguma. Você não tem culpa se... — Ela engoliu em seco, olhando para os pés — se eu te desejo e... fiz merda — Ela começou a chorar mais, escondendo o rosto nas mãos — Droga! E eu ainda tenho a cara de pau de dizer que estragamos! Eu quem estraguei tudo! Eu!
- Ei! — William disse carinhosamente, aproximando-se dela e a abraçando — Não se trate dessa forma, você não teria sequer confessado seus sentimentos se eu não tivesse me revelado — Confortou, alisando-lhe as costas — Fica calma... a culpa continua sendo de nós dois — E sorriu, dizendo isso de maneira divertida, a fim de distraí-la.
- Estou acabada — Lamentou, enquanto ele voltava a se sentar na cama — Nós... nós fomos horríveis... e nossa mãe? — Perguntou se desesperando novamente, voltando a chorar.
- Não pense em coisas que só vão piorar... — Recomendou ele — Na verdade, nem nós temos culpa nisso. Se esqueceu que as pessoas não mandam nos sentimentos que tem?
- Somos irmãos! — Exclamou ela, derramando-se em lágrimas.
- Não faz assim — Ele choramingou, olhando-a com angústia — Eu fico destruído vendo você assim, sem poder fazer nada...
- Desculpe — Pediu a morena, tentando se controlar — Estou bagunçando tudo... — William ficou calado, a olhando — Vamos lá, não quero dar trabalho — Disse se abanando, respirando fundo.
- Não está dando... tem todo o direito de se desesperar... — Amy fungou — É que antes eu cuidava de você e... agora... não...
- Eu queria tentar viver como antes com você, William. Será que não tem como? — Perguntou com a voz embrulhada pelo choro.
- Claro que não... não pense em uma coisa dessas...
- E então como acaba?
- Como você mesma disse... deixaremos no passado, viveremos nossas vidas...
- Mas, distantes?! Eu não pensei que seria dessa maneira! Eu ainda te amo!
- Amy! — Ele exclamou, colocando-se de pé e se agachando em seguida, ao chegar aos pés dela — Você terá que ser forte. Não poderemos mais nos ver.
- Por favor... vamos tentar... — Pediu, alisando-lhe o rosto carinhosamente.
- Não! — Exclamou indignado, segurando a mão dela com força — Você não percebeu o que está acontecendo?! Pensa bem, você acha mesmo que conseguiremos conviver juntos depois disso, e ainda por cima como se nada houvesse acontecido?! — Ela ficou quieta — Diga! Acha que consegue me olhar e não sentir vontade de me beijar? Me tocar, transar comigo?! Se acha que consegue, parabéns, por que eu não! — Ambos ficaram quietos. William ofegava — Será o melhor a ser feito...
- Eu quero me matar...
- Eu também — Disse a olhando — Mas nem se atreva fazer algo do gênero! Que faço igual logo depois.
- Como pode me ameaçar em um momento como esse? — Perguntou chocada.
- Devolvo a pergunta pra você — Ele se levantou — Acho que... acertamos as coisas, então... Renan não sabia que você era virgem, não contaremos para ninguém sobre o que aconteceu, e estamos dispostos a nos afastar pra não cometermos o mesmo erro novamente...
- Você está disposto... — Debateu.
- Tem outra escolha? Além da escolha absurda de tentarmos agir como irmãos?
- Nunca mais vira para cá? — Perguntou ignorando-o.
- Virei... mas isso levará um tempo. Precisamos respirar outros ares um pouco.
- Eu entendo — Disse se pondo em pé de frente para ele — Na situação em que estamos, isso nem me importa. Só quero vê-lo novamente — William sorriu torto e tristemente.
- Eu ainda te amo. Não iria sumir, fica tranquila — Ela retribuiu o sorriso — Irei tomar café e tentarei fazer Larissa concordar em ir embora logo depois. Desce comigo?
- Desço sim — Ele sorriu do mesmo modo mais uma vez e ameaçou sair do quarto. Amy segurou delicadamente o braço dele — Mas... antes... eu quero uma coisa...
- O que? — Perguntou olhando fixamente seu rosto, estranhando suas expressões.
- Um... beijo. O último... — Ele arregalou levemente os olhos — Por favor, William... — Pediu com uma lágrima escorrendo em seu rosto — O último...
Ele não negaria, tanto pelo choro, quanto pela sua vontade. Após tudo o que aconteceu, recusar um beijo seria ridículo. Tomou-a então em seus braços, já acariciando com vontade suas costas, e tocando seus lábios aos dela com pressa, iniciou um beijo ardente e profundo. Seria a última vez que sentiria o gosto da boca dela, e como um bom beijo de despedida, aproveitaria o máximo que pudesse.
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