Who Knew
8 I Can Sense A Lie
Notas iniciais
William passou o caminho todo pensativo enquanto Larissa lia um livro. Seus pensamentos pertenciam obviamente a sua irmã, Amy, e todo o ocorrido entre eles até então. A intimidade que tinham os fizeram perder a vergonha na cara? As coisas não estavam nada boas para serem levadas tão tranquilamente. O ruivo não queria se acostumar a vê-la novamente, estava muito bem sem ela, pelo menos o que organizou para sua vida estava. Que importa o coração quando ele está errado?
Mal chegaram na casa dos pais dele, e voltaram para o carro. Na porta de entrada havia um bilhete com um endereço que provavelmente seria da casa de Renan. Todos já estavam lá, então ele e Larissa deveriam estar também. Se encaminharam e logo chegaram. Não precisaram tocar a campainha, Renan e Amy estavam ao lado da porta da casa, namorando. Bela maneira de William ser friamente golpeado. Pigarreou chamando atenção, já que a irmã estava de costas e o garoto de olhos fechados, fazendo ambos se assustarem, recompondo-se.
- Oi! Que bom que vieram! — Cumprimentou Renan
- Que isso! Obrigado você por nos chamar — Agradeceu Larissa, sorridente — Parabéns, querido...
- Obrigado — ambos se abraçaram — Foi mal, William... — Disse encolhendo-se, com um sorriso torto — Eu faço tudo com o maior carinho possível, se te conforta — Referiu-se a irmã dele, pela expressão de repugnância que ele fazia.
- Imagina, eu não acho ruim que façam isso — Tentou corrigir, suavemente. Nem queria olhar para a cara de Larissa, deveria estar péssima.
Que bom... — Sorriu ainda um pouco tímido, limpando a maquiagem na boca, com o polegar, enquanto Amy acariciava o vestido negro que usava — Entrem! — Pediu colocando a mão na cintura da namorada — A casa é de vocês...
Tentando desligar um pouco o lado de seu cérebro que só pertencia a Amy, William apressou-se em cumprimentar seus pais e se apresentar para os famíliares de Renan. Queria ficar sozinho, e observaria toda a grande casa de seu cunhadinhopara isso. Distraiu-se realmente, observando pequenos detalhes como quadros e finos objetos decorativos, imaginando de onde vinha tanta criatividade como a daqueles artistas, desejando-a para si. Foram apenas cinco minutos em paz.
- Você nem falou comigo — Disse em um tom infantil e de dar pena, mas William não se deixou levar. Respirou fundo sem muito alarde, e a olhou, desinteressado.
- Ah, desculpe, Amy. Eu fiquei curioso em ver a casa — Ela sorriu torto, tristemente — Tudo bem?
- Estou sim... — Respondeu indo até ele, o abraçando. O ruivo refletiu. Um abraço não faria mal. Envolveu os seus braços no corpo dela também, e trouxe sua cabeça de encontro com seu peito — E você? Está bem? — Ela perguntou olhando para cima, de modo que seu nariz tocasse o queixo dele.
- Estou sim, muito bem — Respondeu mandando para o inferno as imagens que lhe vinham em mente, dela com Renan em frente a porta, a pouco tempo — Eu... fico feliz de que Renan e você estejam tão bem — Comentou não tendo o que falar, sabendo que acabou dizendo merda. Amy riu nasalmente.
- E eu fico feliz de que esteja te vendo de novo — Ele amoleceu — Eu quem tive a idéia de convidá-los... Renan adorou...
William se afastou dela e respirou fundo, levando a mão entre os cabelos. Ela o olhou confusa.
- Algum problema? Sente algo? — Perguntou se aproximando novamente.
- Não... só... achei que tinha esquecido meu celular em casa...- Bela desculpa... dúvido que ela acredite...
- Não acredito — Riu, abraçando-o de novo — Você não sabe mentir pra mim...
O ruivo olhou para as paredes em volta de ambos, como se elas pudessem lhe salvar daquela situação. Tão meiga, com um corpo tão quente, tão macio, tão conhecido por ele... Como precisava amá-la. Como anciava tê-la. Pensava em afastá-la, sair dalí sem explicações, mas não conseguia. Ela lhe prendia alí, mesmo sem sequer fazer força. Amy o olhou então, novamente fazendo seu nariz alcançar seu queixo, e não conseguindo evitar, William retribuiu o olhar. Era tentador demais para conseguir sair daquela situação. Não evitaria nada, seja o que fosse acontecer. Ela alisou-lhe o rosto, sorrindo ternamente, e aproximou-se fazendo-o fechar os olhos, prendendo a respiração.
- Lembra de quando nós davamos selinho? — Ela usava um tom baixo, em seu ouvido, mas em momento algum parecia querer provocá-lo (n/a: Não acreditem) — Eu sinto falta, disso... não podemos voltar a fazer isso? — Ela voltou seu rosto de frente para o dele, e sorriu, mordendo o lábio inferior, anciosa por uma resposta. William viajou por alguns segundos, olhando-a sem saber o que dizer, mas logo obteve forças, afastando-a delicadamente.
- Não podemos... nós fizemos muita coisa errada depois daqueles selinhos inocentes... além de que nós eramos crianças... não faziamos com outras intenções...
Ele se distanciou seis passos da mais nova, virando-se para vê-la novamente. Parecia inconformada, perplexa. Sem se mover, ela respirou fundo fitando o chão, e encontrando palavras, desatou a falar.
- Eu não estou tendo outras intenções agora. Poxa, eu te amo.
- Precisa tanto manter esse contato todo comigo?
- Ah... — Ela pareceu confusa e admirada — sim... por que não?
- Amy — Ele aproximou-se dela novamente, fechando os olhos e negando com a cabeça, como se procurasse as palavras exatas para que ela compreendesse — Olha, você sabe bem que nós reagimos de maneira incomum a pouco tempo atrás, não é?
- Você me beijou — Disse friamente, culpando-o.
- Você retribuiu! Me tocou! — Exclamou de volta. Amy arregalou os olhos, chamando atenção dele, e após uma pausa para se acalmar então, ele continuou — Você provocou.
- Eu não fiz nada...
- Você fez sim... se não quisesse nada eu nem estaria assim como estou agora.
- E como está agora? — Perguntou diretamente.
- Desesperado! — Respondeu bufando, recostando-se na parede — Quero ficar longe de você. É estranho o que sinto quando estamos muito próximos. É nojento!
- Sente nojo de mim? — Perguntou entristecida.
- Não — Negou tão entristecido quanto — Você sabe o que quero dizer... somos irmãos, somos do mesmo sangue, não podemos sentir... essas coisas... aproximarmos um do outro de maneira mais íntima como se pudessemos ir até o limite.
- Até o limite? Qual é o limite?
- Você sabe bem. Qual é o limite para um homem e uma mulher? — Amy se calou, abaixando a cabeça, parecendo constrangida — Pois é.
William desceu as escadas correndo, deixando a mais nova sozinha. Não demorou muito e a mesma repetiu o ato, encontrando-o na cozinha com as outras pessoas. Fitou-o o tempo todo, a fim de ver se ele a olharia, e incoformada com a falta de atenção, saiu da presença de todos cuidadosamente. Decidiu ficar na biblioteca da grande casa, um cômodo afastado dos comumente usados, onde sem a companhia de ninguém, pudesse chorar lamentando o afastamento de seu irmão que tanto amava.
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