Who Knew

18 All You Need Is Love


Notas iniciais
Eu não sei pq eu coloquei esse título. Acho pq eu to com preguiça mesmo '-'

Amy estava congelada, ouvindo-o dizer Alômais uma vez. Mantinha os lábios entreabertos, pronta para falar, mas nenhum som saia de sua boca. Ele tentou mais uma vez. Soltou um suspiro suave e falou:

- Amy, é você?

Aquele maldito tom de criancinha de rua. Ela não bancaria a idiota, por mais que estivesse certa de que fosse uma. Manteve-se forte, e respondeu de volta em um tom mais seco.

- Sim, quem está falando?

- Você sabe que sou eu- Ele continuava a falar com uma voz parecida com a que ele tinha quando ia fazer dez anos — Eu sei que deve estar brava comigo... foi por isso que eu liguei...

- Não sou a única — O cortou — A mãe está furiosa com você.

- Contou pra ela que eu estava com outra em casa?!- Perguntou desesperado — Ou sobre o término do noivado?

- O término, né. Ela merecia saber — Respirou fundo, com medo de manter conversa com ele — Prefere falar com ela? Eu passo!

- Não!- Exclamou do outro lado da linha — Eu preciso falar com você... me desculpa... ontem eu estava bêbado... não tem sido fácil pra mim viver desse jeito... não consigo tirar você da minha cabeça e pareço que vou morrer de tristeza quando sou frio com você ou minto...

- Era pra comover isso tudo? — Perguntou querendo chorar, mas mantendo um tom frio.

- Não- Respondeu — É só a verdade... eu estou me sentindo péssimo por querer você... mas ao mesmo tempo, me sinto péssimo por tratá-la como sou forçado a tratar. Não me conhece? Eu nunca te deixei um dia sem carinho, nunca te dei um fora como aquele dia que disse que sentia minha falta, eu nunca pensei em viver minha vida longe de você, mas olha só... estou precisando fazer tudo o que eu nunca fiz, nunca quis fazer... pensa que me divirto com isso? Acha que faço por que esqueci você? Eu espero que tenha se lembrado que eu disse muitas vezes, durante todas nossas vidas, que você é a pessoa que mais amo. Não falei da boca pra fora, e falaria muito menos agora, que já sou mais do que maduro.

Ela ficou olhando para o nada, digerindo as palavras dele com uma expressão triste. Ele continuou.

- Eu peço então, por favor, que me perdoe. Me perdoe por ter saído de casa mentindo pra você, me perdoe por ficar ainda mais distante, me perdoe por ter sido grosso ou insensível, me perdoe por ter bebido tanto e ter transado com uma outra mulher, me perdoe por ter sido ridículo com você, quando você provavelmente iria me pedir desculpas por ter dito que me odiava, que eu te conheço, me perdoe até pelos seus erros, mas por favor, me perdoe. Eu amo você, e tudo o que fiz foi na base do desespero.

O que ela achou que jamais aconteceria, aconteceu. Pensou que era realmente uma idiota, pois estava prestes a perdoá-lo. Todas as palavras dele, o modo arrependido e desesperado como falou haviam lhe proporcionado uma calma fora do comum. Todo aquele peso que se acumulou aos poucos, toda aquela sujeira que sentia em cima de si, tinha ido embora à questão de poucos minutos.

- Amy?

- Eu... perdôo você — Respondeu com uma voz mansa — Mas estou chateada pela mulher... como pode fazer algo tão íntimo com uma qualquer, poxa?

- O que faço pra me perdoar por isso? Eu não a amo, eu tentei esquecer você, só...

- Não explica muito... pode ser pior...

- O que faço pra me perdoar por isso?- Perguntou novamente. Amy suspirou fechando os olhos, e deixou-se levar pelo coração.

- Diga que me ama, e que não fará de novo — Pediu ouvindo-o respirar fundo sem soltar o ar do outro lado — Não pode fazer isso?

- Mas é claro que posso...- Ela tranqüilizou, esboçando um leve sorriso — Eu te amo... amo muito, nunca mais repetirei isso na minha vida... nada disso...

- Obrigado — Agradeceu já deixando que seu tom choroso tomasse conta de seu timbre — Eu também te amo muito...

Após um pouco de mimo por telefone da parte de William, ambos já conversavam normalmente. Pareciam ter voltado ao que eram antes, mas bem antes mesmo de Larissa e Renan. Se atualizaram, falaram bobagens, contaram segredos, e trocaram palavras carinhosas, já que não podiam se tocar. Alguns segundos em silêncio entre os dois, do outro lado da linha, William suspirou olhando o relógio no pulso, e voltou-se para a irmã.

- Vou ter que desligar, já faz quase uma hora...

- Pra mim parece um minuto — Amy disse melosa.

- Tem razão... sinto sua falta...- Ela fechou os olhos, parecendo deliciar-se da voz do mais velho dizendo-lhe isso — Quero que saiba que vou voltar a ficar mais distante...- Ela tirou o sorriso do rosto e abriu os olhos, perguntando calmamente.

- Por quê?

- Porque falando todo dia pelo telefone, não vai adiantar muita coisa... é tentar demais...E eu estou com uma banda...

- Uma banda?

- Uhm

- Então vamos voltar a ficar como antes? — Perguntou entristecida, já sentindo vontade de chorar.

- Não, haverá uma diferença- Ele sorriu, mesmo que ela não visse — Estaremos bem um com o outro... sem sentimentos ruins...

- Ainda é pouco pra mim — Ela disse fungando baixinho — O que faço quando sentir saudades?

- Pensa que estarei sentindo também... é o suficiente para não nos deixar mal acostumados, mas também não nos deixar chateados...- Ela ficou calada — Não concorda?

- Concordo sim — Sorriu ternamente.

- Então está bem... fico mais tranqüilo...

- Eu te amo... se cuida...

- Te amo também... se cuida...

Assim que desligou o telefone, do contrário do que imaginou, Amy sorriu. Estava aliviada com o que tinha acontecido, e melhor do que isso, só não tendo ele como irmão. Levantou-se do sofá pensando em todas as coisas que conversaram, sorrindo tolamente com algumas lembranças e rindo com outras, lhe vindo em mente a reação dele quando ela lhe contou que tinha terminado com Renan. Não podia ter sido melhor.

- Você, você o quê?! — Perguntou embasbacado.

- Isso mesmo que ouviu... Terminei com o Renan...

- Caralho! — Disse em um tom animado, ficando com a voz trêmula — Você não tem idéia, estou pulando aqui pela casa sem saber o que fazer!

- Não diga isso! — Disse gargalhando do outro lado da linha — William?! — Chamou ainda rindo, ouvindo um baque contra o telefone. Começou a se preocupar, mas logo despreocupou-se ouvindo-o gritar ao longe: "Ela terminou com o Renan! Agora é só minha!" do outro lado da linha. Riu ainda mais, e ouvindo-o voltar a falar no aparelho, eufórico, perguntou-lhe: — O que você fez?!

- Quer mesmo saber? — Perguntou em um tom travesso. Ela imaginava o sorriso perverso que ele deveria estar esboçando já — Eu fiquei pelado na frente da janela daqui do meu quarto e gritei isso mesmo que ouviu, bem alto! — Ela desatou a gargalhar de novo.

- Você é maluco...

Ela caminhou até a cozinha, rindo novamente. Foi procurar sua mãe, que havia ido irritada para o cômodo, há praticamente uma hora.

- O que está aprontando? — Perguntou num tom animado. Sharon virou-se para ela ainda emburrada, e mostrou-lhe uma travessa com coxinhas.

- Passando meu estresse fazendo coisas na cozinha — Amy riu, abraçando a mãe por trás, enquanto ela voltava a fazer os salgados — É o que costumo fazer pra esquecer essas coisas doidas que acontecem na minha volta...

- Ah, mãe! Sua boba...

Nada estragaria o fim daquele dia para Amy. Ninguém tiraria-lhe a paz.

Notas finais
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