Saímos do meu apartamento e fomos para casa do Bruno. Todos os rapazes da banda já lá estavam. Mas quem me chamou mais atenção foi a mulher do Phill, Urbana, principalmente pelo seu corte de cabelo digamos, diferente. Assim que me viu Phill veio logo cumprimentar-me.

- ‘Lil S’, ainda bem que vieste. Vem, quero-te apresentar a minha mulher e os meus tesouros.

-‘Lil S’? – Perguntei com alguma indignação, todos na sala ouviram e se riram.

- Desculpa, não gostaste? É que como tu és pequena e tens um nome diferente, é mais fácil. Não te importas, pois não?

-Não, não me importo, mas para a próxima avisa.

-Tudo bem. – Phill largou o meu braço, pois estava a puxa-lo desde que havia chegado, e abraçou-se a Urbana – então esta é a Urbana e aquele ali é o Zadeh. Amor, esta é Sandra, ou melhor, Lil S. –Urbana sorriu e logo me abraçou.

-Prazer. Pensei que nunca mais iria conhecer a tão famosa Sandra.

-Prazer. Famosa? Não, acho que te enganaste na Sandra – Sorrimos e logo Phill gargalhou.

-Pelo que me um passarinho – Apontou discretamente para Phill – me disse, és tu. Agora a serio, fico muito feliz por te conhecer, algo me diz que ainda vamos ser boas amigas.

-Assim o espero. Menino ou menina? – Perguntei apontando com o olhar para a barriga enorme dela

-Menina, Zaima.

-Que fofo. Está quase não?

-É, já só falta 1 mês. Aliás, Bruno será o padrinho, mas ainda não temos madrinha, né Phill?

-É verdade. Então que me dizes Lil S?- Perguntou o Phill.

-Que digo a quê? – Eu realmente não estava atenta à conversa porque o Zadeh estava a gatinhar na nossa direção e quando chegou às minhas pernas olhou-me pedindo colo. Enquanto respondia peguei Zadeh no colo.

-Que nos diz de ser a madrinha da Zaima, junto com Bruno?

-Ah é muito simpático da vossa parte, mas nós ainda mal nos conhecemos, e nem sei se nos iremos ver no futuro!

-Por isso mesmo, assim é uma forma de não perdermos contato. Eu gostei de ti, e eu nunca me engano na primeira impressão. E pelos vistos Zadeh também gosta de ti. – Urbana logo respondeu. Rimos, pois Zadeh já estava agarrado ao meu pescoço e dando beijos na minha bochecha.

-É isso mesmo Urbana. E não sei se já sabes, mas não é só o Zadeh que gosta dela. Pelos vistos anda por aí um rapaz vindo de Marte, que também está apanhadinho por ela. – Phill e Urbana riram.

-Phill, deixe de ser intriguista. Agora se me dão licença. – Sorri envergonhada pelo que Phill havia dito e fui em direção a Phred, ainda com Zadeh agarrado ao meu pescoço. E que depois de alguns minutos adormeceu no meu colo. O jantar correu normalmente e muito divertido. Zadeh acordava sempre que eu tentava deita-lo em algum sitio e por isso ficou a noite toda no meu colo. Eram 23.30h quando eu avisei que estava indo embora.

-Mas já? Ainda é tão cedo. – Bruno perguntou-me e todos os outros me encararam

- É Bruno, vocês são uma ótima companhia, mas eu amanhã acordo cedo.

-Cedo, para ti é o quê? 9:00h? E porque tem que acordar cedo? — Phred perguntou e arrancou gargalhadas de todos

-Meu caro Phred, amanhã tenho que começar a ensaiar. E não, cedo não são 9.00h, mas sim 6.00h.

-6.00? Porque tão cedo? Afinal a essa hora a cidade ainda está parada.

- Então porque a vida de bailarina não é só ir de casa para os ensaios. Se quero manter o meu corpo tenho que fazer exercício matinal. -Todos me olharam com cara assustada.

- Tudo bem, então. E te digo mais, Sandra, assim que esta miúda nascer, acho que me vou colar a ti, e fazer exercício também. – Urbana disse e aproveitou para avisar que também queria ir para casa, pois já estava cansada. Depois de me despedir de todos, Bruno nos acompanhou até à porta e quando ia a dar-lhe um beijo na face ele virou a cara, involuntariamente, e acabamos dando um selinho. Phill me levou a casa e pelo caminho foram sempre brincando com o que tinha acontecido na porta de casa, entre mim e Bruno. Assim que chegamos, saí e combinei de almoçar com Urbana no dia seguinte. Subi e fui dormir, afinal, a minha rotina de N.Y. não poderia ser mudada. No dia seguinte tal como planeado, acordei cedo e fui fazer o meu exercício matinal. Cheguei a casa eram 11:40h, e logo tomei um duche e vesti-me para ir almoçar com Urbana, tal como tinha ficado marcado. Peguei um táxi e fui até ao restaurante, Café Pinot, indicado por ela. Assim que entrei, vi Urbana levantar-se, ela estava sentada numa mesa no fundo do restaurante que era bastante acolhedor.

-Desculpa, estou atrasada, certo?

-Que nada, eu é que vim um pouco mais cedo porque aproveitei de sair de casa antes de Zadeh acordar. – Sentei-me e logo o empregado veio até nós entregar o cardápio. Escolhemos e os nossos pedidos não demoraram muito. A conversa estava muito interessante, assim como o almoço.- Sandra, posso perguntar-te uma coisa, digamos, pessoal? Se não quiseres responder tudo bem, eu entenderei.

-Claro, pergunta! – Respondi e voltei o olhar para o meu prato, mas mantendo-me atenta à conversa

-Eu notei que existe um clima especial entre ti e o Bruno. E o que eu queria-te perguntar é se tu gostas mesmo dele ou se é apenas uma atração momentânea? – Enquanto Urbana perguntava eu atrapalhei-me com a comida e tive que tossir e beber um gole de água para me acalmar um pouco – Mas digamos que, NORMALMENTE, esta reação significa que sim. -Urbana riu e fez-me rir também.

-Sinceramente eu estou muito confusa. E tenho medo de dizer algo que possa vir a arrepender-me no futuro. Eu gosto muito do Bruno, mas não sei bem o que este “gostar” significa, entendes?

-Entendo. Mas eu acho que tens que por fim a essa confusão, antes que alguém saía magoado.

-Magoado? Como assim?

-Eu já conheço o Bruno à alguns anos e sei o que ele sofreu quando a relação entre ele e a Chanel terminou. E ontem, durante o jantar, eu pude notar o brilho nos olhos dele, um brilho especial, que eu já não via à muito tempo. Por isso é que eu tenho medo que ele saía magoado nesta história, e tu também, porque ficar nessa confusão não te vai levar a lado nenhum.

-É, eu sei, mas para mim é muito difícil pensar em tudo o que este sentimento pode implicar. – Contei a Urbana, resumidamente, o que tinha acontecido com Miguel. – E é por isso que eu ainda temo tanto envolver-me com alguém, porque não sei se estou preparada para sofrer mais.

-Nem consigo imaginar o quanto tenhas sofrido. E muito menos o que sofres ao contar tudo isso…

-É muito duro, mesmo. Mas por incrível que pareça agora, sinto-me um pouco mais à vontade para falar sobre isso. Porque só 3 pessoas, aqui nos Estados Unidos sabem, quer dizer agora são 5. Porque eu nunca senti confiança nos outros para contar o meu passado.

-Bem, isso é inexplicável. E eu de certa forma sinto-me honrada por fazer parte dessas pessoas em quem confiaste para me contar isso. Mas sabes que o que tu estás a sentir agora, não é confiança ou à vontade para falar sobre isso…

-Então? Que mais pode ser?

-Eu acho que tu estás a superar toda essa dor, e mesmo que involuntariamente, estás a seguir em frente. E isso pode querer dizer muita coisa?

-Muita coisa tipo…?

-Tipo, que essa ferida enorme que permanecia no teu coração tenha sido curada, e que talvez agora ele esteja pronto para receber outro amor!

-Será? – Perguntei sorrindo. Desde a morte de Miguel eu nunca desejei ter outro homem, ou voltar a apaixonar-me, mas sempre desejei superar a perda dele.

-Eu quero acreditar que sim. Mas não poderemos afirmar nada, sem que tu ponhas um ponto nessa tua confusão. Queres a minha opinião?

-Claro, tu estás a sair-me é uma boa conselheira amorosa. –Gargalhamos o que chamou à atenção de quem estava na mesa do lado.

-Eu acho que neste momento, deves por de lado tudo o que o teu cérebro diz e seguir o coração. As vezes ele engana-se e acaba magoado, mas quando acerta, é para a vida.

-É, acho que tenho mesmo que acabar com todas as minhas dúvidas. – Acabamos o almoço e depois de eu pagar a conta Urbana perguntou-me se não queria ir com ela ao shopping, pois ela queria comprar algumas roupas para a reta final da gravidez. Aceitei, e antes fomos por casa de Urbana buscar Zadeh, que já estava acordado e pronto para sair connosco. Assim que Zadeh me viu, logo começou e esticar os bracinhos para que eu o pegasse no colo. Assim o fiz e depois de sentá-lo na cadeirinha do carro, fomos para o shopping. Zadeh não me largava nem por um minuto, o que eu achava muita graça, afinal ele mal me conhecia. Paramos na praça da alimentação porque Urbana já estava com fome. Aproveitei para tirar os meus saltos e calçar as sabrinas que tinha comprado. Enquanto eu dava a mamadeira para Zadeh, Urbana lanchava.

-Então já se decidiu?

-Em relação a quê?

-Se vai ou não ser madrinha da Zaima? Oh vá lá. Zadeh já gosta tanto de ti e até eu, já estou curiosa para te conhecer melhor e saber como vai resolver essa confusão. E assim é uma forma de não nos afastarmos. – Urbana olhava para mim com carinha de Gato das Botas do Shrek

-Tudo bem. Eu aceito ser madrinha dela, mas agora para de me olhar dessa forma. – O resto da tarde correu muito bem. E assim que me deixou no meu apartamento vi Zadeh chorar dentro do carro. Este miúdo gosta mesmo de mim. Assim que cheguei a casa, liguei o computador para falar com a minha irmã mais nova. Apesar de ter um irmão mais novo, também, eu era mais ligada à minha irmã, Patrícia, e falava-nos quase todos os dias. Nem dei pelas horas passarem e assim que desliguei, só comi uma tigela de leite com cereais e fui dormir.

Notas finais
:'( Chorando porque ninguém lê!!! :'(