Who Is - AGAIN
4 Capítulo 4
Notas iniciais
-Se não quiseres não precisas de contar! – Bruno me cortou dando um leve beijo no topo da minha cabeça, ainda deitada no ombro dele.
- Ele adorava sair em missão, mesmo sabendo que podia ser perigoso, ele dizia que lhe fazia bem ao ego, ajudar aqueles que estavam envolvidos numa guerra, que não era deles. –dei um leve sorriso ao relembrar a forma orgulhosa como Miguel falava das pessoas que havia ajudado. – Ainda não tinha passado um mês desde a sua ida, quando me ligaram, apos um interrogatório sobre quem eu era e que relação tinha com o Miguel, disseram-me da forma mais dura e fria possível, que ele… - não consegui conter as lagrimas e desabei naquele momento – que ele tinha morrido, depois de ser alvejado por 3 talibãs. Nesse momento foi como se ficasse sem chão, sem ele nada faria sentido e com todos os planos que tínhamos, foi muito difícil pensar que ele não estaria mais ali para me apoiar. Pensei em desistir de tudo, dos meus sonhos, da minha dança e até mesmo, desistir da vida. Mas eu sabia que ele nunca me iria apoiar nessa ideia. – o Bruno continuava ali, calmo, fazendo carinhos na minha mão e dando leves beijos na minha cabeça.
O silencio tinha sido tomado pelo meu choro. Depois de alguns minutos sem dizer nada continuei.
- Sei que pode parecer estranho mas o natal é a altura do ano que mais custa passar sem ele. Ele adorava o Natal e vivia-o tão intensamente que uma semana antes já corria por varias instituições para estar com as crianças. Mas era na noite de Natal que ele abdicava de tudo, até mesmo dos pais e irmãos, de quem nunca se queria separar, só para estarmos juntos. – por muita que fosse a minha dor ao recorda-lo, não conseguia deixar de sorrir enquanto me lembrava dele.
-E tu? Como ficaste com tudo isso? Porque olhando para ti a relembrar o passado parece que aí o coraçãozinho ficou … -Interrompi-o
-Eu.. eu tive que me acostumar com isso. Custou muito, aliás, ainda custa e sempre custará pensar eu tudo o que não vivi com ele.. mas por muito que faça, e acredita que já fiz e continuo a fazer coisas muito erradas e sem fundamento, nada o irá trazer de volta.
-Uma mulher com tanta coragem e força de vontade, duvido que tenha falhado assim tanto.. –Bruno disse sorrindo e olhando-me com aqueles olhos lindos.
-É.. vê-se bem que tu não me conheces! – agora já sorria, sabia que chorar não ia mudar nada do que aconteceu, e com o passar dos anos aprendi a controlar a minha dor e o meu choro. – já errei e muito, e arrependo-me muito disso, porque no meio de tudo isto, quem sofreu mais foi a minha família.. que já não vejo desde o velório do Miguel. Acho que perdi a coragem de voltar a Portugal, porque sabia que ele não iria lá estar para e receber. Bem mas é melhor parar de falar disto… daqui a pouco pensas que a tua afilhada tem uma madrinha burra que se lamenta por coisas que não podem mais ser mudadas. — Bruno gargalhou com este meu comentário.
Ficamos mais algum tempo falando sobre os mais diversos assuntos, até que decidimos voltar a entrar. Assim que olhamos para o sofá vimos a Nina e o Nick a dormir. Fui ao banheiro passar agua na cara e refazer a maquilhagem para tentar esconder os inchaços que começavam a aparecer nos meus olhos. Quando cheguei na sala olhei para o relógio que marcava 23:55h, fui até à cozinha, peguei o champanhe enquanto o Bruno pegava os cálices, abrimos a garrafa sem fazer muito barulho, deitamos nos nossos copos.
-Bem, visto que eles não acordam para o brinde da meia noite, brindamos só nós e depois acordamo-los. – Bruno disse enquanto continha o riso e pegava os nossos casacos, para voltarmos à varanda e ver a contagem decrescente que era mostrada num ecrã gigante na rua.
5, 4, 3 ,2, 1 FELIZ NATAL
Eu e o Bruno brindamos e trocamos alguns votos de agradecimento.
-Pela Agnes, prometo que daqui a um ano estaremos a brindar juntos. Concordas? – Bruno perguntou-me enquanto me piscava o olho.
-Concordo plenamente, mas espero que daqui a um ano, aqueles dois estejam acordados para brindarem também, né?- gargalhamos e aproximamo-nos para um abraço de Natal.
A noite estava bem mais fria do que quando aqui estivemos a falar. Isso fez com que o abraço fosse mais apertado e prolongado. Afastamo-nos um pouco mas continuava-mos abraçados, as nossas caras aproximavam-se e cada vez sentia mais a respiração do Bruno. Involuntariamente, fechei os olhos e senti os lábios de Bruno encostarem-se aos meus, naquilo que alguns segundos depois se transformava num beijo calmo e carinhoso. Acho que se alguém visse iria dizer que era apaixonado, mas isso não era verdade. Eu nunca me apaixonaria outra vez. Aquando da morte de Miguel convenci-me de uma coisa: Eu Desisti do Amor. Sim, eu nunca me imaginei com outra pessoa e 4 anos depois, o meu pensamento mantinha-se. Separamo-nos por breves instantes para repor ar nos nossos pulmões e quando nos preparávamos para retomar o beijo,
- Ei, porque não nos chamaram para brindar. – Era Nina, os olhos dela ainda estavam meios fechados e isso fez-me ficar mais tranquila. Afinal espalha brasas como ela é, se tivesse visto que nos estávamos a beijar já tinha dado um grito ou dito alguma coisa.
- Desculpa, mas quando vimos as horas já era quase meia-noite e como sabia-mos que vocês não acordariam a tempo para fazer a contagem e brindar, decidimos brindar sozinhos. – Bruno disse um pouco atrapalhado pensando que Nina tinha visto o nosso beijo.
- É, nós íamos agora mesmo chamar-vos.
- Mas já passam 5 min da meia-noite, porque ainda estão aqui fora?
- Porque – Bruno começou e era percetível a atrapalhação dele para arranjar uma desculpa.
-Porque estávamos a ver aquelas crianças lá em baixo a brincar na neve. – foi a primeira coisa que vi, quando olhei para a rua.
-Ahh sim, e qual é o interesse disso, einh? – Neste momento o meu coração quase parou.
Será que a Nina viu e está só a tentar fazer com que nós dígamos a verdade? Não! Ela nunca conseguiria fazer isso... Não comigo. – Eu pensava, ainda um pouco apavorada.
- Então… porque estávamos a imaginar que daqui a um ano será a Agnes a estar lá em baixo a brincar. – Acho que o Bruno ainda consegue arranjar desculpas melhor que eu!! Rs – Mas agora vamos para dentro que está frio demais .. E certos dorminhocos ainda têm que fazer o brinde de natal. – Assim que Nina entrou na sala nós a seguimos. Bruno ia à minha frente e rapidamente se virou para trás e piscou o olho com aquele sorriso lindo dele. Eu de tão envergonhada que estava apenas consegui sorrir.
[…]
-Pessoal, já são 3:00h eu vou embora. Estou cansado. – Bruno disse enquanto se levantava.
-Pois, eu também vou indo. Bruno, dás-me boleia? – Levantei-me e tal como Bruno despedi-me de Nina e Nick.
- Ok, mas já sabem, amanha é para vir cedo. Afinal alguém vai ter que me ajudar a arrumar esta bagunça e cozinhar. – Nina disse com voz de menina mimada.
Pegamos os casacos e descemos. Assim que entramos no carro de Bruno ele deu partida.
-Desculpa! Eu não deveria ter-te beijado. Eu compreendo que fiques zangada comigo, eu fui um parvo impulsivo.
- Não tem problema, afinal eu, também não impedi. – Sorri mas sem nunca olhar para ele.
- Chegamos. – Bruno disse enquanto parava o carro. – Amanha te pego às 9:00. Tudo bem?
- Perfeito! – eu não sabia o que se passava comigo, mas algo me “atraia” a Bruno. Por muito que tentasse sair daquele carro, eu não conseguia. Os nossos carpos estavam, novamente muito perto e quando o beijo estava quase a iniciar-se, ganhei força e desviei-me abrindo a porta. – Bem, então até amanha. Tenha uma boa noite Bruno.
-Boa noite. – apesar da cara de “tacho” com que Bruno ficou quando me esquivei do beijo, ele abriu o seu maior sorriso e se despediu.
Entrei em casa, fechei a porta e parei por um minuto encostada à mesma.
-Pelo sorrisinho de apaixonada, a noite correu muito bem.
-Que susto, Dereck. Queres me matar do coração é? A noite foi normal, e pelo que estou vendo, ninguém está com sorriso de apaixonado nesta casa. – caminhei até à sala onde me cruzei com Dereck, que até agora estava sentado no sofá e se levantou para me receber.
- Feliz Natal meu amor. Agora vá dormir que está com cara de quem está cansada. –Dito isto Dereck, deu-me um beijo na testa.
-Feliz Natal. É vou mesmo dormir que estou mortinha de cansaço. Durma bem, Dereck!
-Boa noite meu anjo!
Deixei a sala e fui para o meu quarto. Pensei em tomar um banho, mas perdi a vontade. A única coisa que queria naquele momento era deitar-me na minha cama e dormir!
Notas finais
Até amanha, fofas!
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