Who I Am?
15 Number Fifteen
Notas iniciais

—Eu tenho o dia inteirinho, garoto...- a morena falou ironicamente, com ambas as mãos na cintura.
Estavam na Arena, com milhares de semideuses assistindo, assim como sátiros, ninfas, um centauro, o oráculo, dois deuses...
—Você não pretende sacar sua espada?- o filho de Ares indagou.
—Eu sei o que estou fazendo...- ela arqueou a sobrancelha, sorrindo. -Mas e você? Sabe?
—Claro que sei...- falou, convencido. Ficou em posição, assim como ela, que ainda não tinha nenhuma arma em mãos.
Ele a atacou. Quando pensou que havia atingido-a, olhou bem. Ela tinha se defendido com sua espada de ferro estígio. Ele ficou surpreso. Não só ele, mas todos os que assistiam. Se afastou rapidamente, voltando à posição inicial. Helena apenas endireitou a postura, esperando pelo próximo ataque. Liam tentava bolar diversas táticas em sua mente. Quando ele voltou a atacar, se surpreendeu. Um coro foi ouvido e todos estavam estáticos, impressionados.
Helena havia pego, num movimento incrivelmente rápido, a espada da mão do filho de Ares e a fincado no chão. Agora, ela estava apoiada na espada de Liam com a mão esquerda, se inclinando um pouco. Sua perna direita estava para cima, de modo que ela fizesse um espacate verticalmente. A mão direita dela segurava a espada de ferro estígio e a apontava na direção do pescoço do semideus. Ela o olhava com um sorrisinho.
—Não vai fazer nada?- colocou ambos os pés no chão, segurando, agora, as duas espadas. O moreno tinha suor escorrendo pela têmpora. -Você é patético.
—O que foi que disse?- ele estava possesso. Ela gargalhou ironicamente.
—Que você é patético.- abaixou ambas as espadas em mãos, olhando-o diretamente. -Você não sabe o que fazer e está com birra por isso.- começou a caminhar na direção dele, enquanto que ele recuava. -Não é digno de ser chamado de filho do deus da guerra.
—O que ela ‘tá fazendo?- Harry, que estava ao lado de Apolo, indagou.
—Tentando ensinar o filho do deus da guerra a guerrilhar.- o loiro riu.
—Se fosse digno, não estaria se borrando de medo.- ela continuou. -Eu vou perguntar somente uma vez e não vou repetir: O que você deve fazer agora?
—E-Eu...- ele estava desnorteado. A deusa rangeu os dentes e lançou a espada do moreno na direção de um dos muros que separavam o centro da arena dos espectadores, assustando alguns semideuses.
—IDIOTA!- berrou, fazendo com que sua própria espada desaparecesse. Avançou na direção do moreno e o agarrou pela gola da camiseta, o puxando de volta ao centro da arena. O soltou e ele caiu no chão. Ela respirou fundo. -Vou te dar uma ajudinha.- sorriu de leve, fechando os punhos e ficando em posição de luta.
—Vo-você quer q-que eu lute corpo a corpo com você?- ele estava tão assustado, que gaguejava. Helena apenas assentiu. -Eu não posso... Você é mulher...
—Quanto cavalheirismo...- ela revirou os olhos. -Largue a mão, garoto! Num campo de batalha não existe essa de ser homem ou mulher... Apenas existem os inimigos e os aliados.- endireitou o corpo e jogou os cabelos para o lado. -Pelos deuses... O que andam ensinando a vocês por aqui?- voltou a se aproximar do moreno, que estava estático no chão e lhe estendeu a mão. Liam intercalava o olhar entre a mão estendida e o rosto da deusa. Revirou os olhos mais uma vez e o puxou para que se levantasse. Ouviram-se alguns poucos risos, e, surpreendentemente, os da morena faziam parte. -Quem dá esgrima a vocês?- ela indagou, olhando o moreno.
—É o irmão mais velho do Harry, mas ele está com a família agora, tirando umas férias.- o filho de Ares ajeitou o topete.
—Entendo...- ela sorriu de lado. Pigarreou e olhou em volta, a todos.
—O duelo acabou. Aqueles que teriam aula de esgrima nesse instante, por favor, permaneçam na Arena. Quanto aos outros, retornem às suas atividades normais.- pediu / ordenou.
Todos foram se dispersando, um a um até que ficaram alguns poucos semideuses nas arquibancadas, quinze para ser mais exata. Entre eles, se encontravam o filho de Ares e o filho de Poseidon. Helena sorriu abertamente, chamando-os com as mãos, para se aproximarem.
—O que você vai fazer?- Liam indagou.
—Arrancar essa sua língua, já que não para de fazer tantas perguntas idiotas.- revirou os olhos e alguns riram. -Pois bem, vocês já me conhecem...
—Mas você não nos conhece.- um deles falou e o que estava ao seu lado riu baixo. Helena desviou o olhar para ambos e riu de leve, se aproximando.
—Você, engraçadinho, é Bruno Devemporter. Dezesseis anos, filho de Hebe.- sorriu ao ver que ele se espantou. — E o seu amiguinho risonho é Matthew Gordan. Dezessete anos, filho de Hefesto.- ela sorriu, sabendo que ficaram ambos impressionados.
—Como ela...- o filho de Hebe tentou falar, mas Helena o interrompeu.
—Não é hora para conversas alheias.- fuzilou-os com o olhar e ambos sentiram um arrepio percorrer suas espinhas. -Pois bem, quem vai ensinar esgrima para vocês serei eu, pelo menos até seu professor retornar.- cruzou os braços, observando cada um. -Vamos lá. Quem pode me dizer quantas armas um guerreiro deve saber manusear?
—Pelo menos duas.- um deles ergueu as mãos. Helena negou.
—Mais alguém?- indagou, esperando alguma iniciativa. Ninguém se manifestou. Ela soltou um suspiro. -Meus caros, vocês estão realmente desatualizados.- negou com a cabeça, para em seguida erguer a mão direita e essa se envolver em uma energia negra. Segundos depois, quatro armas apareceram flutuando atrás dela. -Um guerreiro deve saber manusear com precisão estas quatro armas: adaga, espada, lança e arco. Certo, agora, quem pode me dizer em que distância devemos utilizar cada uma?
—A adaga é utilizada para distâncias pequenas ou médias, assim como a espada. A lança é para distâncias médias a longas. Já o arco é para distâncias longas.- uma menina quem respondeu.
—Muito bem, Davina.— Helena sorriu para ela. -Vamos para outro assunto agora.- as armas desapareceram. Ela olhou diretamente para Liam.- Se, num duelo, o seu inimigo lhe retira sua arma e seu escudo e os joga para longe, e você não tem mais nada para se defender, o que você deve fazer?
—Deve tentar retirar a arma dele e aí terá duas opções: ou o confronta com a arma que retirou dele ou inicia uma luta corporal com ele.- Fora Harry que respondera, analisando a morena. Esta que olhou para o moreno de olhos verdes e sorriu com ternura.
—Correto, Harrold.- assumiu a expressão fria novamente. -Ok, vamos para a parte mais legal.
—Ufa, achei que você fosse dar apenas teorias.- ela ouviu um murmúrio.
—Caro William, considere-se sortudo por receber a teoria antes.- ela o olhou. As orbes castanhas estavam opacas. -Quando eu comecei a treinar eu jamais recebi uma teoria ou instrução sequer. Era atacar ou morrer. Infelizmente, morrer é algo que alguém como eu não possui o privilégio.- virou-se de costas a todos. -Já que seu amiguinho adora falar quando não é apropriado, vocês todos vão receber uma punição.- um coro de reclamação foi ouvido. A morena virou-se para eles. -Alguém aqui é bidestro?- todos negaram. -Maravilha.- o sorriso sombrio era desenhado em seus lábios. -Quantos são destros?- seis levantaram a mão. Ela supôs, logicamente, que o resto era canhoto. -Pois bem. Vocês irão fazer o seguinte: todos devem treinar golpes com suas espadas, pode ser com o ar ou algum boneco de palha, vocês escolhem. Mas, tenho uma condição: vocês devem fazer isso com a mão que menos utilizam.
—É o quê?- o filho de Hebe exclamou, surpreso.
—Exatamente. Os destros devem fazer isso com a mão esquerda e os canhotos com a mão direita.- ela via eles reclamarem e aquilo era música para seus ouvidos.
—‘Tá de sacanagem, né?- Liam exclamou. Ela negou.
—Não, Laquê Ambulante.- ela fez com que duas espadas de ferro estígio aparecessem em suas mãos. — Eu sou destra, só para constar.- ela caminhou até um dos bonecos de palha, ficando a frente dele. Todos pararam para observar.
Helena respirou fundo e avançou na direção do boneco. Ela deu um, dois, três giros, e, entre cada um deles, ela deferia um golpe contra o boneco, intercalando as espadas. Depois deu mais dois giros e mais dois golpes com a mão esquerda e a cabeça de palha caiu no chão. Na região do peito do boneco, havia um enorme H marcado ali.
—Uou, incrível...- Harry murmurou.
—Não é tão difícil, como pode perceber.- as espadas sumiram. -Vocês chegam lá. Eu só demorei quarenta anos para conseguir fazer isso perfeitamente.- tentou motivá-los, mas aquilo era menos motivador do que acordar cedo.
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—Ok, ok. Podem parar. Estão dispensados.- A deusa bateu palma duas vezes e os semideuses arfaram, quase dizendo um “Aleluia”. Realmente, depois de duas horas incansáveis, havia acabado. Todos pingavam de suor, a respirações descompassadas. Digamos que eles estavam morrendo de cansaço.
A morena negou com a cabeça, vendo-os cambalearem em direção à saída da Arena. Virou-se na direção contrária aos semideuses cambaleantes e levou um pequeno susto. Harry estava parado com as mãos no bolso da bermuda, olhando para ela. Detalhe: ele estava sem camisa. A mesma estava pendurada na bermuda dele, aparentemente encharcada de suor.
Helena percorreu o olhar pelo peitoral despido do moreno. Ele era bronzeado e os gominhos do abdômen eram evidentes. Brilhava na luz do sol, devido ao suor. Os braços eram fortes e notou que ele tinha tatuagens neles. Ela engoliu em seco, mordendo o lábio inferior.
—Helena?- ele a chamou, já que ela havia parado de piscar. Ela acordou do transe e o olhou. -Tem algum problema se eu ficar e treinar mais um pouco?
—De maneira nenhuma.- ela negou com a cabeça. -Na realidade, eu também pretendo treinar.
—Posso sugerir algo?- ele indagou e ela inclinou a cabeça, como se dissesse “O quê?”. -Que tal treinarmos juntos?
—Um contra o outro?- ela arqueou a sobrancelha e ele assentiu. -Tudo bem.- sorriu. -Só tome cuidado pra não se machucar.- uma bainha com uma espada apareceu na cintura dela.
—Digo o mesmo.- ele retribuiu o sorriso e sacou a espada de sua bainha, assim como ela.
Ambos ficaram em posição e acabaram por atacar ao mesmo tempo, tendo um grande som emitido pelas espadas e se chocaram. Começaram a travar uma pequena batalha, com investidas principalmente da parte dela. Após algum tempo ele, incrivelmente, conseguiu tirar a espada de Helena a jogando longe. Para se defender, a morena conseguiu chutar a bate da espada dele para cima, para que a mesma saísse da mão dele, e, em seguida, ela chutou a espada para longe, como ele havia feito anteriormente. Agora ambos estavam sem suas espadas. Se entreolharam e sorriram, fechando seus punhos quase que no mesmo instante, tendo ela avançado para atacá-lo primeiro. Ele cruzara os braços para que fizesse um “X” a sua frente, se defendendo dos socos e chutes dela. Em um dos chutes que ela deferiu, ele segurou seu tornozelo e ela caiu de costas no chão. Ele ficou por cima dela, sentando-se em suas coxas, e a segurou pelos pulsos. Ela se movia, tentando sair, mas ele conseguiu se sobressair no quesito força, em relação a ela.
—Eu não aceito a derrota, se é isso que o seu sorrisinho sugere.- ela olhou diretamente nas orbes verdes dele. Deu um sorriso e ele se distraiu, se levantando um pouco e deixando as coxas dela livres. Ela aproveitou essa oportunidade para dar uma joelhada na base da coluna dele, que caiu no chão e agora era ela quem estava por cima dele, segurando-o pelos pulsos. Sorriu vitoriosa. -Parece que eu venci.- gargalhou, ainda o olhando. Os cabelos dela faziam uma pequena cortina em volta dos rostos de ambos. Os olhares se chocaram e um brilho surgiu em seus olhares. Agora era castanho no verde e verde no castanho. As respirações tão próximas a ponto de sentirem o hálito um do outro. O dele tinha um leve aroma de hortelã e o dela exalava a baunilha e chocolate. Estavam em transe profundo e se aproximavam ainda mais.
Até que não houve mais distância.
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