Who Do You Love?
1 The Forgotten Question
Era uma tarde quente de setembro.
Maxwell estava andando por sua rua favorita em Nova York. Tinha o sentimento do mundo nas costas, pesado e ao mesmo tempo bom. Adorava aquela cidade, o se sentir perder na multidão. Parecia que, ao juntar-se a massa, perdia-se, esquecia-se... Não era mais um mas sim parte de algo maior. Maior que seus problemas e dúvidas, maior que si mesmo.
Tinha andado algumas quadras e se alegrava com os lugares conhecidos. Andaria mais duas quadras e sentaria em frente ao Central Park no seu café favorito.
Mas havia uma surpresa a espera dele, daquelas capazes de estragar qualquer felicidade. Um fantasma, algo do nosso passado que aparece de repente, querendo nos arrastar para junto dele.
Atravessava a avenida e ao olhar a vitrine do cafée, qual não foi sua surpresa ao vê-la ali. Sim, ela avisara que estaria na cidade, mas ele, como nos últimos anos, evitava encontrá-la. Parou um pouco distante do café e ficou a observá-la. Ela não tinha mudado muita coisa. Os cabelos continuavam longos, a pele rosada, e o olhar triste como ele se lembrava de ter visto ao se despedirem.
Como num filme, as cenas apareceram diante de seus olhos.
“Eram amigos inseparáveis, até que o amor surgiu. Começaram a namorar. Tempos depois discutiram por algo que agora não tinha a menor importância. Ele conhecera outra menina e ela tinha se apaixonado novamente. Ele ficara sabendo que ela ia embora, então decidiu se despedir. Mas ao vê-la, algo mudou nele. Ele a queria para si.
Percebendo, ela começou a chorar. “Se está chorando é porque quer ficar...” dissera ele. Ela o olhou muito seriamente, dizendo: “Se choro, é porque tenho certeza que devo ir.” e depois disso ela simplesmente entrou no belo carro de seu novo amor e se foi.
I Know he’s driving a fancy car
When you’re with him you’re feeling like a star
Ao voltar para casa Max só conseguia pensar nela. Mesmo seus amigos dando o maior apoio, dizendo que ele deveria esquecer e seguir em frente, ele simplesmente não conseguia. Sabia que a amaria para sempre e era realmente isso que queria.
Mesmo quando seu grupo havia deslanchado, tornando-se histeria por todo mundo, Max se lembrava dela e como ela sempre o incentivara a cantar e a continuar.
Por vezes tentara encontrar o rosto dela na plateia os nos lugares em que ia, porém era inútil. Ela desaparecera.
Quando se via só parecia poder vê-la próxima a uma janela, lendo ou olhando a chuva. Sempre que chovia, ele se perguntava o que teria acontecido a ela.
But when I’m at home alone I think only of you
So, what do you know? How does it go?
Se encontraram por acaso num show dele em Frankfurt. Max sentiu o coração dar um salto e bater forte ao reconhecê-la. Ela estava muito bem vestida, com jóias que ressaltavam sua beleza.
Depois de um cumprimento distante, ela apresentou-o a seu marido. Ela se casara. Para disfarçar o baque, ele achou melhor convida-los para uma festa que haveria após o show. Ela se mostrou receosa, porém seu marido achou uma ótima ideia, aceitando no mesmo instante.
Na festa, Maxwell bebeu, dançou, comeu, conversou... tudo sem tirar os olhos dela. Viu-a sentada a uma mesa, mexendo no copo a sua frente, enquanto seu marido dançava com outra pessoa. Tinha os visto discutir e algo dizia-lhe que aquilo era freqüente. Foi até ela.
So how can he buy a love that’s not for sale?
If you two were so in love I couldn’t tell, baby
Ela negou tudo, disse que se amavam muito e eram muito felizes. Quando Max insistiu, ela se levantou e foi para a área externa.
“Pode se abrir comigo.” pediu ele. “É você Max! Ele quis vir até esta festa para te mostrar, quis te provar... mas não consegue. No fundo ele sabe, sabe que nunca deixei de te amar”. Ao ouvir aquilo, ele a tomara nos braços e a beijara, sentindo seu corpo despertar em desejo.
De repente uma mão o pegou pelo ombro e os separou bruscamente. Era o marido dela. Max tomou toda a culpa para si. E ficou observando ele arrastando-a para longe, ela indo resignada, com o olhar triste. Como agora.”
Ele nunca mais tentara se comunicar com ela. No entanto ela passara a enviar e-mails, pelo menos uma vez por ano. Ele nunca respondia, nem mesmo sabia porque.
E agora, ao vê-la tão perto, não conseguia pensar em mais nada, a não ser em ir até lá e falar com ela.
Girl, but when I’m at home alone I hear your heart it spells
You gotta know... and how does it grow?
Aproximou-se, deixando que ela o visse. Ela não sorriu, não o chamou, apenas ficou olhando, como se observasse um sonho. Ele sorriu e entrou. Sentou-se em frente a ela, sem saber por onde começar. Ela sorriu:
– Está com cara de bobo, Maxwell.
– Estou com cara de quem acaba de receber uma surpresa. – ele sorriu, e baixou os olhos rapidamente para a mesa. – Uma boa surpresa.
– Surpresa? – ela levantou as sobrancelhas, simpática. – Eu avisei que viria...
– É, eu vi seus e-mails. Vi todos eles. – confessou.
– E por que não respondia?
– Não sei. E como você está? – olhou na mão esquerda e viu que ela continuava casada.
– Estou bem. Mudo-me para Londres na semana que vem para trabalhar na área de criação publicitária para uma rede de lojas de lá. Estou bem animada.
– Seu olhar não mostrava isso.
– Há quanto tempo estava me olhando? – seu tom denotava que estava se divertindo.
A pergunta não pegou Max de surpresa. Ela o conhecia muito bem, mesmo após tanto tempo.
– Há pouco tempo. – ele olhou através da vitrine. – Gostaria de dar uma volta?
So let’s take sometime out to find a way
‘Cause there are so many things I need to say
Foram andando pelo Central Park conversando sobre amenidades. Max descobriu que ela era uma publicitária renomada e muito requisitada. Ela descobriu que Max estava noivo, embora não usasse aliança. Ele descobriu que ela perdera a mãe há dois anos. Ela ouviu-o contando sobre seu problema com o álcool e sua recuperação.
Estavam se divertindo, se conhecendo novamente. Falavam tentando recuperar o tempo perdido e evitar o assunto que mais teimava em ambas as mentes.
Começou a anoitecer e um vento frio bateu, fazendo-a se encolher. Sem parar para avaliar, ele a abraçou, aquecendo-a. Olharam-se de frente, muito próximos.
Desta vez, foi ela quem o beijou. Novamente o beijo pareceu despertar algo dentro de ambos. Gentilmente ele a encostou a uma árvore e continuaram se beijando por muitos minutos.
‘Cause when the lights are down and love is in the air
And I need to know: do you really care?
Do you really care, baby?
Finalmente se separam e começam a andar ao lado um do outro, em silêncio. Max pára e a puxa pela mão, fazendo-a parar e encará-lo.
– Você tem que me ouvir: eu amo você! Largue seu marido, largue sua vida, largue tudo... venha comigo, fique comigo. – as palavras saíam em torrente e ela podia ver toda a sinceridade dele. – Agora, agora eu sei: eu não respondia seus e-mails porque não tinha o que falar, não conseguiria te escrever sobre coisas do cotidiano, coisas normais... só consigo te falar coisas de amor, do meu amor. – puxou-a, abraçando-a. – Eu não sei mais se consigo ficar sem você. Se você confiar em mim... ah! Nós podemos ser tão felizes juntos...
Girl I’ve found I just can’t leave you alone
Ain’t nobody tell me I’m wrong
And I promisse I will make love at home
And if you ever in need put your full trust in me
And I will never leave you at home...
– Pare. – ela se soltou e ele pôde ver que seu olhar triste novamente. – Eu não posso. Não posso largar nada...
Who do you love?
Who do you love?
– Você o ama? – lançou ele, tentando se controlar.
– Sim.
– O ama... como me ama? – ele ofegou, ansioso.
Ela não respondeu. Passou a língua entre os lábios, depois sorriu:
– Eu... – desistiu no meio da frase e começou a andar.
Girl, I know that you are torn between what was and what could be
I wanna know, gotta know, wanna know, gotta know...
Maxwell chamava-a, então ela apressou o passo. Correu e pegou o primeiro táxi que viu. Sentiu-se aliviada ao se afastar.
Ao chegar em casa, Max se jogou na cama. Sentia-se entorpecido. Não conseguia pensar em nada, nem no que acabara de acontecer.
Quando deu por si, já tinha ligado o computador e respondia um dos vários e-mails que ela lhe mandara. E o início do e-mail começava com a pergunta que ele tinha na garganta. A pergunta que teria que guardar e aguardar até o próximo reencontro.
Who do you love?
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