Who Are You? SasuSaku

6 Capítulo 6 – O Simples Ato de Acordar


Sakura era só sorrisos durante todo o fim de tarde que Naruto ficou com ela. Ele contou que Sasori ligou para avisar da sua chegada, e que ele jamais iria deixar de ir ver sua amiga de infância.

Naruto fazia parte de praticamente todas as suas memórias antigas. Menos à partir dos vinte anos, quando ela foi para a França com Ino, para seguirem suas carreiras por lá. Aos vinte e seis anos, Sakura já havia feito muito e conquistado seu espaço, e mesmo assim viu tudo desmoronar depois do acidente. Aquela cicatriz na sua cabeça (muito bem escondida pelo cabelo rosa) era a única coisa que marcava o fim da sua vida independente.

Durante o último ano, Sakura tentou se adaptar às próprias limitações. Bastou dois dias vivendo semanas no passado, para que ela se desse conta de que nada voltaria a ser como antes. Estava fadada a acordar sem se lembrar de nada do que fez, viu ou falou no dia anterior. Os papéis coloridos pregados por todo o apartamento lhe lembravam de seus compromissos. A caneta-gravador era sua companheira fiel no bolso. Sua agenda digital conectada à todos os aparelhos eletrônicos dela era uma ajuda incrível.

Mesmo com tudo isso, Sakura sabia que era hora de parar.

Ler aquela pasta todos os dias... Ver que a lesão no seu cérebro jamais poderia ser curada... De repente ela se deu conta de que já não tinha a menor condição de ser independente. Ela precisava ficar perto da família.

— Ei, Sakura, o quê foi? — Naruto peguntou, limpando sua bochecha. Sakura nem percebeu que estava chorando.

— Eu tento não me lamentar pelo que houve — ela fungou. — Sigo em frente... Finjo que não me afeta. Cada dia é uma página em branco, que eu tenho que preencher, mas tendo a consciência de quê amanhã não haverá uma continuação. Terei que começar tudo de novo.

— Sinto muito — ele disse.

— Tudo bem — ela enxugou o rosto e sorriu. — Me conta, o quê tem feito nos últimos anos?

[...]

Sakura acordou naquela manhã estranhando o lugar onde estava. Aquele, definitivamente, não era o quarto do seu apartamento em Paris. Olhou para o rádio relógio posicionado à sua direita e leu no papelzinho branco "Leia isso", com uma setinha apontando para uma pasta vermelha cheia de papéis dentro.

Ela se sentou na cama e começou a ler. Sentiu os olhos lacrimejando conforme via as tomografias do seu cérebro e os diagnósticos por escrito de todos os neurocirurgiões que consultou. Pôs a mão na cabeça, sentindo a cicatriz da cirurgia no couro cabeludo. Viu as fotos de sua chegada, no dia anterior, tiradas no celular e também escutou os áudios gravados na caneta-gravador. Doeu muito ouvir sua própria voz dizer algo que ela não se lembrava de ter dito:

"Vou morar na casa do Sasori de novo. Não surtar ao acordar e não estar em Paris."

Mas era um loop. E se tornara sua maior batalha, o simples ato de acordar. Se situar. Não surtar. Se manter calma.