White Tiger - Our Last Night
1 Capítulo 1
Notas iniciais
"You got two eyes that took me by surprise when you walked by
I think that I could die a thousand deaths and still turn out just fine
If I could just see your face every day of my life"
— Meu senhor eu preciso trocar essa música... – bati as mãos na cama até encontrar meu celular e desligar a música que por algum motivo eu achei que seria bom colocar de alarme.
Sabe quando você coloca uma musica que adora de alarme e no final acaba odiando ela com todas as forças? No meu caso eu fiz de proposito pra odiar essa musica mesmo, ai quem sabe paro de ouvi-la. Meu ex-namorado(ficante? peguete? não sei) tocou ela pra mim um tempo atrás e acho que foi aí que percebi que estava apaixonada por ele mesmo. Um mês depois descobri que ele me traiu com uma dessas groupies aleatórias, foi um murro nessa minha carinha de sono e até hoje me apego a essa música.
Chame do que quiser: negação, ser trouxa mesmo ou o que for, só sei que quero odiar essa maldita música.
Ah, sim... como assim groupies? Bom, eu estava namorando(era isso?) um guitarrista de uma banda que nem vale comentar na Warped Tour passada.
Prazer, Taylor Grimmes, tatuadora e atualmente contratada pelos organizadores da Warped Tour pelo terceiro ano seguido para tatuar os membros das bandas e o público, caso queiram e paguem porque né, eu não cago dinheiro e preciso trabalhar. Também dou uma ajudinha na organização quando precisam. 1001 funções.
Fui levantar da cama ainda meio dormindo e dez segundos depois já estava caída de bunda no chão. Eu tinha escorregado em....aquilo era... ok, não sei identificar o que era mas parecia bem nojento.
— QUE MERDA, MEU DEUS QUE NOJO, QUE MERDA É ISSO, CREDO – levantei e corri para o banheiro e já abri o chuveiro e me joguei lá dentro.
Nunca tenha um gato que fica mais na rua do que na sua casa, sabe porque? Ele vai te trazer esses "presentinhos" enviados diretamente dos piores cantos da cidade e se bobear, ainda vai soltar na sua cara enquanto estiver dormindo.
Been there. Done that.
Sai do banho, vesti a primeira coisa que encontrei, uma camiseta velha do Metallica e um short jeans, e sai em direção a uma loja de materiais para tatuagem, passei pela porta e já abri um sorriso
— JOEY, AMOR, CHEGUEI! – gritei enquanto andava pela loja vazia
— TO INDO QUERIDA – ouvi a voz levemente afeminada gritar de volta e ri
Joey era dono da loja de materiais, e meu melhor amigo. Ele era gay, sim, mas daqueles bem gay mesmo, que faz coreografia da Lady Gaga e tudo o mais. A melhor pessoa que conheci desde que me mudei para Nova York. Ele apareceu descendo as escadas do estoque com a roupa mais chamativa que já vi na vida
— Meu deus mas você ta arrasando mesmo hein, tudo isso é pra quem? Olha que eu tenho ciúmes! – falei me pendurando no pescoço dele
— Eu sou lindo por natureza, querida, não preciso me produzir pra ninguém além de mim mesmo. – riu – Olha só, as suas coisas já estão separadas aqui, pode pegar mais qualquer coisa que precisar e anota lá no caderninho. Vem ca, o pessoal do estúdio que você trabalha não reclama dessas fugidas que você da com a Warped?
— Ai, se reclamam eu não estou nem ai, quem mandou não terem o meu talento, carisma, inteligência...
— E humildade né, Taylor. – disse me interrompendo e rimos – Quando que você parte?
— Hoje mesmo. As 19h e já são.... quase 15h. Tem tempo ainda, fiquei sabendo que vai ter umas bandas novas esse ano, vem cá, vamos procurar.
— Olha ela, já ta na caça de quem vai pegar esse ano, atirada você hein, não te criei assim! – falou vindo para o meu lado, só mostrei a língua em troca e murmurei um "cala a boca"
Buscamos banda por banda, a maioria já tinha ouvido falar mas uma em especifico chamou minha atenção com a música conhecida por "White Tiger", se chamava Our Last Night.
— Porra, que cara bonito. – apontei pro computador e Joey riu
— Alá, já até escolheu o da vez.
— Cala a boca, Joey. Só to falando que o cara é bonito, uai, que que tem?
— Nada, não ta mais aqui quem falou.
Tempo depois fui pra casa e enquanto entrava no meu apartamento lembrei do cara daquela banda. Cá entre nós, bonito não... lindo pra caralho. Maaaas, sai dessa vida. Só não me mudo pra um convento porque acho que não ia dar certo, mas pra mim chega de homem, é só dor de cabeça e o único tipo de dor de cabeça que eu quero na minha vida é a causada pela ressaca.
Peguei uma garrafa de vodca e ri enquanto guardava ela na minha mala. Okay, eu tenho certo problema com bebida... não que eu fique bêbada e de problemas, sou mais o tipo que fica bêbada e olha pra parede e ri sozinha, mas a questão é que eu adoro beber, e bebo muito.
Tudo pronto, fui esperar minha carona na rua. Finalmente estava chegando a hora... mais uma Warped Tour.
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