White Roses

1 Capítulo Único


White Roses

Carregando um buquê de rosas brancas ela olhava para trás pela última vez a procura de alguém que não estaria ali...


Capítulo Único


Dois anos haviam se passado desde que fora embora se exilar no extremo norte do país e agora estava de volta a cidade Central. Era o primeiro dia do inverno e as ruas já estavam cheias de pessoas devidamente agasalhadas.


O moreno que usava um pesado casaco de inverno caminhava em direção a casa do velho amigo Maes Hughes. Nem com ele havia mantido contato durante os últimos vinte e quatro meses. Sua afilhada já devia estar enorme.


Um sorriso brotou nos lábios finos ao se lembrar da fixação do amigo pela filha e esposa. Chegava a ser irritante, uma coisa irritante que fazia falta. Assim como a companhia dos subordinados e dela...


A casa estava da mesma maneira que estava da última vez que esteve ali, uma típica casa de uma família Amestrina. Cumprimentou com um movimento com a cabeça a mulher que varria a calçada do outro lado da rua e adentrou o portãozinho.


- Finalmente de volta...


Suspirou longamente antes de tocar a campainha, mas depois disso não teve que esperar muito, Maes logo veio atender a porta.


- Kami-sama, Roy???


- Eu mesmo, velho amigo!


Foram alguns minutos de uma animada boas-vindas. Maes continuava o mesmo e como sentia falta desse jeito dele.


- Nossa! Eu jurava que não veria você mais!


- Eu precisa colocar minhas idéias no lugar. Mas e aí, qual é a dessa roupa de pingüim? Alguém vai casar?


- Bem...


Maes parecia ter ficado receoso com a pergunta.


- Papai!!


Elycia adentra a sala e pula no colo pai, e como o esperado, estava enorme.


- Ely, você lembra do seu padrinho?


- Oi tio Roy! – a menina sorriu –


- Oi.


- Ah... a mamãe pediu para avisar que eu e ela já vamos, parece que a Tia Riza está quase tendo um treco!


- Tudo bem! – Maes dá um beijo no topo da cabeça da filha que sai correndo –


- Riza? O que tem ela?


- Você perguntou se eu vou a um casamento, e eu respondo que vou. Sou o padrinho do casamento da Riza com o Oliver Black.


Aquelas palavras deixaram Roy sem a menor ação. Não acreditava que a Riza, sua Riza estava prestes a casar com alguém que não era si.


- Você só pode estar brincando...


- Não. Depois que você foi embora parecia que um pedaço dela havia sido arrancado, ela trabalhava muito mais que o necessário, não falava com ninguém e sempre era pega olhando para a janela como se esperasse ver você atravessar o pátio do QG... Ela ficou quase um ano e meio assim, em um estado de amofinação...


- Então esse idiota apareceu?


Roy não conseguia esconder a raiva em sua voz.


- Foi. Ele conseguiu fazê-la sorrir de novo, os olhos dela voltaram a ter brilho. Ela não acreditava mais que você voltaria... E muito menos que voltaria para ficar com ela.


- Mas eu voltei!! Ela podia ter esperado!! Ela tinha que ter esperado!


Roy estava desesperado e estava com raiva. Não entrava em sua cabeça que havia sido trocado por outro.


- Não, ela não tinha. Você teve anos para dizer que a amava e não disse. Agora, tudo o que ela quer é ser feliz, mesmo sem você.


- Mas ela sabia...


O olhar de Roy se jogou ao chão.


- Não, ela não sabia. Como poderia se você nunca falou? Você sempre a teve, mas ela nunca teve a você. Ela cansou de esperar...


Roy não conseguia falar mais nada.


Uma dor como a de uma faca cravada no peito lhe corroia a alma. Um pedaço de si havia sido arrancado...


- Mas ela ainda não está casada, o casamento ocorrerá na Igreja Central.


Maes se levantou e ajeitou o smoking.


- Fique a vontade, mas eu tenho que ir.


O corpo de Roy afundou-se no sofá. Não sabia o que fazer...


-


-


Dentro de um belíssimo vestido branco tomara que caia e bordado delicadamente estava Riza. Os fios loiros estavam presos por uma coroa de cristais e por cima dos ombros usava um bolero de renda também branco que parecia uma segunda pele. A maquiagem simples só a deixava mais bela... Parecia uma boneca.


- Você está perfeita, Riza-san.


Gracie se afastou um pouco para contemplar a amiga vestida de noiva.


- Obrigada...


A loira levantou o olhar para o grande espelho a sua frente. Estava realmente maravilhosa para viver o grande dia de sua vida.


- O que foi? Não gostou de algo?


- Não... Eu só estava me vendo. Sabe, eu nunca sonhei muito com um casamento, mas agora não consigo me imaginar sem um.


- É realmente mágico, pena que o noivo...


Gracie parou abruptamente percebendo que havia dito besteira.


- Desculpe...


- Não peça desculpas, no fundo eu também queria que fosse ele, mas não foi ele que amou.


- Não diga isso...


- Eu não me iludo, ele nunca me amou e nem tinha motivos para isso. Mas isso não importa, agora ele deve estar bem, em algum lugar do país...


Gracie sabia que não era Oliver o grande amor de Riza, como também sabia que ela já estava satisfeita em ser amada. Os anos haviam mostrado a Gracie o quanto Riza era frágil e precisava de cuidados, esses que Roy nunca dispensara a ela.


Talvez fosse melhor assim.


- Ela me ama e eu o amo. Vamos ser felizes.


A mulher entendeu que Riza dizia isso para si mesma e não para ela.


- Vocês vão. Eu tenho certeza disso.


Riza caminhou até a amiga e sorriu simples. Também acreditava nisso.


O caminho até a Igreja não foi longo, e durante todo o trajeto não tirou os olhos das ruas cheias de gente. Queria guardar essa imagem, já que depois do casamento se mudaria com o marido para o exterior.


Não sabia por que, mas estava tão feliz, mesmo que não fosse Ele a lhe esperar no altar, a partir daquele momento teria alguém com quem contar para sempre.


Oliver era tão bom, tão paciente, tão amigo, tão carinhoso...


Ele havia salvado-a da beira do abismo que Roy a deixara.


- Espere dois minutos depois que eu entrar e entre.


Gracie acertou um fio de cabelo da loira que estava fora do lugar.


- Ok. Dois minutos.


Riza sorriu para amiga mais uma vez antes das portas da igreja serem fechadas.


Suspirou enquanto esperava os dois minutos. Um vento frio tocou a pele que estava descoberta causando-lhe um arrepio. Estava na hora, mas antes de entrar, segurando o buquê de rosas brancas, não podia deixar de olhar para trás.


Mesmo sabendo que quem queria encontrar não estaria ali.


Será que era errado querer que seu amor estivesse ali? Mesmo que não fosse para puxá-la para longe.


Não muito longe dali, Roy observava, queria levá-la dali, mas ela parecia tão feliz, não tinha o direito de fazer nada contra isso. Havia sido substituído por justa causa.


Porém, antes de ir, viu o olhar que ela lançou para trás...


Ela ainda o amava. Ela queria encontrá-lo ali...


Mas estava entrando?


Não!!


- RIZA!!


Aquela voz...


Não, não podia ser ele.


Não agora que estava vestida para casar com outro.


Virou a cabeça para trás e o viu a caminhar com passos firmes em sua direção.


O buquê de rosas escorregou das pequenas mãos e foi caindo escada a baixo.


- Não sabia que tinha voltado...


- E eu não sabia que você ia casar.


- Não sabia onde estava, como esperava receber um convite?


- Eu nunca achei que receberia um convite seu.


- Eu não sou invisível, um dia encontraria um... Amor.


A última palavra quase não saiu.


- Então você ama esse homem?


- Por que outro motivo me casaria com ele?


- Por minha causa.


- Presunçoso, não?


- Desculpe... Eu não queria ter te deixado.


- Você não deixou nada. Nunca passamos de amigos... E é assim vamos continuar.


- Não se você quiser. Vem comigo...


Roy estendeu a mão.


- Por que agora? Você teve tantos anos...


- Idiotice. Mas se você achar que não mereço perdão, entre aí e case-se.


- E o que te faz que eu vou trocar o certo pelo duvidoso?


- Eu não sou duvidoso e você sabe que se sair daqui comigo não vai se arrepender.


Riza olhou para trás e viu tudo o que estava trocando por ele. Roy era instável, era a tempestade e ela estava prestes a se jogar no olho do furacão.


- Eu sei que vou me arrepender amargamente disso...


Riza pega a mão dele que começa a puxá-la para longe da igreja.


- Não, você não vai.


Os primeiros flocos de neve do inverno começavam a cair sobre o casal que entra no primeiro taxi que encontram para longe dali.


Não sabiam direito como ficariam, mas isso não importava, não ali.


Aquele dia de inverno seria o primeiro dos muitos que passariam juntos, como sempre deveriam ter estado.


Fim


Notas finais
Mais um fic curtinha!!
Espero que gostem!!!
Kiss e comentem please!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!