Notas iniciais
Espero que gostem do 1º Capítulo, não esqueçam de comentar, aproveitem a história

Correr... Correr... Correr. Esse era o meu único pensamento naquele momento. A floresta era grande, fria e muito sombria, corria de um lado, corria para o outro, balas tranquilizantes zumbiam nos meus ouvidos a todo momento. Eu tinha que escapar... eu tinha que escapar. Paro ligeiramente numa árvore para recuperar o fôlego, mas o momento é cortado após uma bala tranquilizantes atingir o tronco da árvore a milímetros de meu rosto.

Corro sem parar até chegar num lago, olho para esquerda... Nada, olho para a direita e avisto uma ponte. Saio correndo até ela, um agente chega perto de mim, mas eu uso meus poderes para empurrá-lo ao longe, fazendo-o bater numa árvore e cair desmaiado. Essa é a minha chance. Depois de alguns segundos correndo sem parar, consigo chegar na ponte, mas algo me interrompe.

Um tremor, uma explosão e um barulho ensurdecedor. Caio no chão com as mãos tapando os ouvidos o máximo que posso para não escutar o som de alta frequência. Agentes começam a me cercar do lado da ponte da qual eu vim. Tento usar meus poderes para empurrá-los, mas o barulho me impede de fazer tal feito. A única coisa me lembro é de sentir uma leve dor no ombro e desmaiar.

[...]

Acordo assustado. Estou de volta naquele quarto branco, confinado. Ele não é a pior coisa do mundo, mas certamente não é a melhor. Eu cresci nesse quarto e provavelmente morrerei aqui também. O quarto é pequeno, mas tem lá o seu conforto, tem tudo que uma criança, totalmente desocupada, poderia querer, livros, muitos livros e uma página na internet com wallpapers de lugares que provavelmente eu nunca iria visitar

Olho ao redor da pequena sala e sinto algo encostando em meu pescoço. Tateio com meus dedos e percebo que estou usando uma coleira de força, sim, uma coleira de força. Quando eu tinha por volta de 13 anos, eu comecei a colocar na minha cabeça a ideia de fugir desse lugar, foi quando eu usei meus poderes e destruí um setor inteiro do Centro de Pesquisas. Eles me pegaram e me confinaram numa sala totalmente vazia, branca com as paredes forradas. Lógico que eu tentei fugir mais uma vez, fui pego de novo e estava no meu quarto com essa coleira, e no meu treinamento eles tiram, pois essa coleira transmite um enorme choque que causa uma enorme dor quando tento usar meus poderes, então o certo a se fazer era não usá-los e parar de fugir, mas eu continuei.

Semana passada eu completei 16 anos. 16 anos que estou nesse lugar. 16 anos que nunca conheci ninguém fora os cientistas desse lugar. 16 anos que nunca brinquei com ninguém, nem tive uma infância normal.

Quinta-feira. Acordo, a porta metálica que me impede de sair, não totalmente, se abre, uma figura feminina com cabelos castanhos e curtos aparece vestindo um traje branco de cientista, em seu crachá diz que seu nome é Alice e ela está acompanhada de dois guardas. Um dos guardas entra no meu quarto, eu me levanto e ele segura meu braço, os três me levam até um pequeno lugar com uma pia, uma privada e um box com um chuveiro, tenho acesso a esse lugar três vezes ao dia, quando acordo, no meio da tarde e antes de dormir.

Faço minha higiene, é bem difícil tomar banho quando se está com uma coleira de metal presa no seu pescoço, mas depois de um tempo você se acostuma. Visto a mesma roupa, porque não tenho o luxo de vestir outra roupa, no guarda-roupa só tenho sete roupas iguais, uma para cada dia da semana, não posso ficar trocando de roupa toda hora.

Saio do banheiro e eles me levam até um sala branca com um espelho em uma de suas paredes. Sei que eles estão lá, não faz sentido ter um espelho numa sala toda vazia. Há no centro dessa sala, uma mesa de metal, uma cadeira de madeira e pequenos brinquedos feitos de plástico.

Um dos guardas tira minha coleira e me empurra para dentro da sala, quase me fazendo cair. A porta atrás de mim se fecha e uma voz de homem razoavelmente velho surge de algum lugar dizendo:

— Jake. — Ele me chama. — À sua frente estão 3 objetos feitos de materiais diferentes. Eu quero que você queime a cadeira, amasse a mesa e mude a forma dos brinquedos.

Fico parado me recusando a fazer o que ele manda. O homem chama meu nome três vezes e depois ouço o mesmo barulho da noite anterior. Caio no chão com as mãos nos ouvidos relutante. Alguns segundos depois o barulho para e o mesmo homem diz novamente.

— Jake. À sua frente estão 3 objetos feitos de materiais diferentes. Eu quero que você queime a cadeira, amasse a mesa e mude a forma dos brinquedos.

Me levanto e foco primeiro na cadeira, me concentro, começo a pensar em fogo, coisas queimando, meus olhos começam a arder e logo a cadeira começa a esquentar, a madeira começa a queimar, o fogo surge e vai se espalhando, depois de um tempo ele some e nada mais resta, a não ser pó do que antes era uma cadeira.

Me dirijo até a mesa, coloco minhas mãos em cima dela. Começo a empurrar, mas nada acontece, depois de um tempo seus pés começam a ranger e a mesa vai diminuindo de tamanho, continuo empurrando logo uma linha é criada no meio da mesa e ela começa se dobrar quanto mais forte eu empurro. Quando não consigo mais empurrar eu me afasto e parece que criei um M com a mesa.

Vou até os brinquedos e fico de frente para eles. “Como vou mudar a sua forma?” me pergunto, após um tempo tenho uma ideia. Com alguns movimento leves de mão, os brinquedos estão flutuando naquele espaço, eu os direciono a um ponto comum. Eles começam a se fundir e a criar uma massa dura maleável, com um pouco de técnica crio um pequeno carro e o coloco no chão.

Espero mais instruções, mas nada acontece. Silêncio, apenas isso. Silêncio e mais silêncio. Começo a ouvir tiros e gritos vindo do lado de fora. Algo entrará aqui e quando entrar estarei preparado. A porta leva uma forte batida, depois outra, ela se move um pouco pra frente. O medo é perceptível em mim, mas eu sou mais forte que isso, o que entrar nessa sala eu posso matar.

Após mais algumas batidas a porta se abre, invisto pra frente e com minha mente, empurro contra a parede do corredor, que dava acesso à porta da sala, três pessoas vestidas como militares.

— Quem são você? — Pergunto com firmeza empurrando-os contra a parede do longo corredor.

— Eu... Sou... — A pessoa da direita começa a falar. — Você poderia me soltar por favor?

Fico receoso, mas a única forma de descobrir quem são eles e o que querem é confiando neles. Solto apenas a pessoa da direita que possivelmente usava um modelador de voz. Ela cai no chão, se levanta e tira o capacete. É um garota, que aparentava ter a minha idade. Ela tinha cabelos loiros que estavam amarrados em um rabo de cavalo, tinha uma pele branca um pouco bronzeada, olhos verdes claros e os lábios com um vermelho fraco.

— Meu nome é July. — Ela começa. — E nós viemos resgatar você... Jake.

— Como você sabe o meu nome? — Digo.

— Há muitas coisas que você ainda não sabe sobre você mesmo Jake e nós iremos lhe dizer tudo... No tempo certo. — Ela retruca e solto os companheiros dela. — Vamos, temos que sair daqui agora e rápido. — Ela fala colocando o capacete de volta e esperando seus companheiros se levantarem.

— Por que? O que vai acontecer? — Falo depressa.

— Nós vamos explodir esse lugar. — Ela responde e dá um leve sorriso.

Começamos a correr e passar em lugares que eu nunca havia visto. Logo que começamos a corrida mais... Ainda não sei como chama-los, então simplesmente pessoas. Mais pessoas se juntam a nós.

— Depressa, vamos depressa. — Alguém em algum lugar entre nós gritou. — Não vamos conseguir.

Na nossa frente uma grande porta de metal desliza aos poucos para baixo e irá confinar o local. Me concentro naquela porta grande e com minha mente começo a manipulá-la, ela começa a se amassar e a se contorcer e logo ela é arremessada para longe.

— Boa Jake. — July diz do meu lado.

Consigo ouvir uma contagem regressiva vindo do capacete de July

— 5... 4... 3... 2... 1... — O Centro de Pesquisa explode fazendo várias pessoas de metal irem ao ar e o fogo começa a se propagar pela floresta e algo incrível acontece. Um garoto tira o capacete e começa a manipular as chamas fazendo-as diminuir.

— O que tá acontecendo? — Falo baixo quase sussurrando.

Continuamos correndo e chegamos na ponte onde eu tinha chegado na noite passada e que quase consegui escapar. Perto dela estavam vários caminhões com suas traseiras abertas. As pessoas entram, e quando estou indo entrar num deles, July me dá a mão para me ajudar a subir, sei que é ela, pois eu estava seguindo-a o tempo todo.

Todos se sentam, as portas dos caminhões se fecham e o motor arranca fazendo o caminhão ligar e começar a tremer, algum tempo depois ele começa a andar. Pequenas janelas são abertas na lateral do compartimento em que nos encontramos, todos começam a tirar o capacete e olhar para mim sorrindo e percebo que July está do lado oposto ao meu.

— Bem-Vindo ao Esquadrão 51. — July diz para mim e continua sorrindo.

Algo ainda me era muito estranho. Quem eles eram? Por que me salvaram? Existiam outros iguais aquele garoto que manipulou as chamas? Quem eu era? Tudo estava muito confuso, mas algo me dizia que tudo seria revelado para mim.

Notas finais
Comentem por favor, quero opiniões, sugestões, o que está bom ? o que está ruim, comentem comentem comentem Amo vocês