White Memories
2 Por que você esqueceu de mim?
Notas iniciais
POV Elena
168 horas depois do acidente...
Acabei de receber alta do hospital depois de ficar uma semana, só tive ferimentos bem leves, mas os médicos acharam que precisava ficar de observação, já Damon não teve a mesma sorte que eu, os ferimentos dele foram gravíssimos e por conta disso, entrou em um coma induzido. Os médicos não sabem se ele vai acordar hoje ou daqui de alguns dias, vai depender simplesmente dele e demais ninguém.
Avisei para Caroline que estava indo para casa dela apenas para ficar em alguns dias, porque não conseguia entrar naquela casa onde tem várias coisas que me lembrava dele, mas antes eu fui até o quarto de hospital onde estava Damon para ver se tinha feito, mesmo se fosse uma pequena melhorada no seu quadro médico. O corredor onde se encontrava os quartos dos pacientes internados, estava um pouco vazio, não tinha muitas enfermeiras naquela área. Fui em direção a porta do quarto de Damon e respirei bem fundo antes de abri-la, coloquei a mão na maçaneta e virei ela bem devagar. Quando a entrada para o quarto dele estava livre da porta, eu entrei e em seguida encostei a porta.
A primeira coisa que eu vi naquele quarto, foi o Damon, o amor da minha vida, ele estava com o rosto cheio de hematomas roxos, vários fios conectados em seu peito e uma máscara de oxigênio para respirar. Olhei em volta do quarto procurando uma cadeira ou poltrona para sentar e ficar bem perto dele.
Achei uma pequena poltrona bege um pouco gasta, pus bem perto da maca onde estava Damon inconsciente, aconcheguei-me bem nela e coloquei a minha mão na dele, estava gelada:
— Por favor Dam, abre os olhos para mim. Quero ver esses olhos azuis que me faz me apaixonar por você a cada vez mais. – Percebi que algumas lagrimas começaram a cair do meu rosto, eu simplesmente não posso perde-lo, não iria aguentar. – Amor, eu preciso dar uma passada na casa da Caroline, vou ficar lá até você acordar. Seus pais estão sabendo do acidente e como sempre sua mãe gritou comigo, falando coisas horríveis. Eu prometo que irei voltar. Não vou te deixar sozinho. – Aproximei de seu rosto, todo machucado, coloquei minha mão bem delicadamente fazendo um carinho em sua bochecha. Meus pensamentos se encheram de perguntas: “Quando você vai acordar? ”, “Irá me deixar? ”, “Ficará assim para sempre? “. Deixei que esses pensamentos sumissem e depositei um beijo bem leve em seus lábios. Levantei e fui em direção da porta e sai.
***
Dei 40 pratas para o taxista pela corrida, abri a porta e fui para a fora. Olhei para a casa de Caroline, estava do mesmo jeito que vi na última vez que estive nessa casa, as paredes do lado de fora estavam com a cor amarela que a mãe de Caroline, Elizabeth Forbes, ama de paixão e na varanda tinha um banquinho que sentávamos quando éramos pequenas para conversar com alguns assuntos aleatórios de criança como: “Amiga, se viu aquele filme novo da Barbie? ” Ou “Amiga, eu comprei esse colar lindo lá naquela feirinha de Sábado”. Comecei a rir bem baixinho quando eu lembrei o dia em que a Caroline ia se declarar para Klaus que ocorreu nessa mesma varanda, tínhamos apenas 8 anos:
Flashback...
Caroline e eu estávamos sentadas no banquinho branco da varanda de sua casa. Uma de nós estava animada com a festinha que vai ocorrer na nossa escolinha e quem estava animada era a Caroline, não eu como sempre, não gostava muito de festa, e ela estava planejando mandar uma cartinha confessando o seu amor para o mais popular da escolinha, Klaus Mikaelson. Caroline era apaixonada por ele desde da 1 série, as vezes Klaus dava uns sorrisos de mostrar os dentes para ela que a deixava nas nuvens.
— Lena, estou tão ansiosa e um pouco de medo. E se ele não aceitar meus sentimentos? Eu vou ficar muito mal, que só vou pensar em gostar de alguém quando eu estiver com 30 anos.
— Que exagero Car – Tranquilizei minha melhor amiga – Se ele não aceitar, segue em frente. Um dia o seu “Príncipe Encanto” vai aparecer, pode ser o Klaus ou outra pessoa, você não vai conseguir adivinhar se não tentar procurar a sua outra metade de seu coração. Minha mãe sempre diz para mim “Arrisque e quebre a cara”. Se lembra na primeira vez em que eu ia confessar meu amor para o Stefan?
— Lembro como se fosse ontem as palavras dele “Elena, não posso aceitar seus sentimentos, porque eu gosto de garotos – Caroline começou a rir que nem uma hiena.
— Quando eu escutei isso, fiquei tão sem graça e ele também, depois eu soube que ele só contou para mim, o Stefan não tinha se assumido publicamente por medo de ser rejeitado pela família e amigos. – Olhei com um olhar de reprovação a Caroline por rir.
— Nossa Lena, eu não sabia. Quantos anos faz isso? – Perguntou Caroline toda vermelha de tanto rir e de vergonha por rir dessa situação.
— Faz 2 anos, mas agora não vamos falar sobre isso, vamos falar sobre como você vai entregar essa cartinha de amor.
Depois de relembrar de uma lembrança distante, fui em direção da porta de entrada e apertei a campainha. Demorou 3 segundos para Caroline atender. Ela estava, como sempre, de pijama cor de rosa com cara que acabou de acordar.
— Oi Caroline – comecei a chorar e minha amiga, sabendo do ocorrido, me puxou para um abraço, que eu precisava muito.
504 horas depois do acidente...
Três semanas se passaram e Damon continua na mesma. Sempre visitava Damon no hospital depois do almoço. Como sempre, entro no quarto de Damon e sento na pequena poltrona bege um pouco gasta. Damon deu uma melhorada, agora podia respirar sem a máscara e seus machucados estavam se cicatrizando. Sempre levava o livro que ele mais gostava, “O pequeno Príncipe”, nas palavras dele “um clássico”. Toda vez que eu aparecia, começava o primeiro capitulo e desejava que o Damon lesse o resto. Comecei lendo o primeiro parágrafo:
— "Certa vez, quando tinha seis anos, vi num livro sobre a Floreta Virgem, "Histórias Vividas”, uma imponente gravura. Representava ela uma jiboia que engolia uma fera. Eis a cópia do desenho. Dizia o livro: “As jiboias engolem, sem mastigar, a presa inteira. Em seguida, não podem mover-se e dormem os seis meses da digestão. ” Refleti muito então sobre as aventuras da selva, e fiz, com lápis de cor, o meu primeiro desenho. Meu primeiro...”
Eu parei de ler para ver o rosto lindo em que cada dia me apaixono mais, quando vi Damon se mexer e abrir os olhos de repente, deixando ver os seus lindos olhos azuis que sentia muita falta. Comecei a chorar de alegria e chamei a enfermeira. “Até que fim essas duas semanas de sofrimento acabaram” pensei.
A enfermeira pediu para que eu saísse do quarto e aguardasse na sala de espera e obedeci ao pedido. Lilian e Giuseppe, pais de Damon, quando tivesse tempo iam visitar o Damon e sentiam muita saudade do filho. "Eles vão ficar muito feliz com a notícia " pensei mais uma vez. Liguei para os pais dele, mas deu ocupado.
Já estava ficando impaciente, perguntava a mim mesma aonde estava a enfermeira. Depois de alguns minutos, que parecia horas, a mesma enfermeira estava vindo na minha direção.
— Você é Elena Gilbert, namorada do paciente Damon Salvatore? – Disse a enfermeira.
— Sim, sou eu. Como ele está? – Perguntei preocupada.
— Nós fizemos alguns exames. Se o resultado for ótimo, iremos pedir para o médico responsável pelo caso dele fazer a papelada. – Explicou calmamente.
Fiquei um pouco aliviada e estava torcendo que os resultados estejam ótimos. Resolvi entrar mais uma vez, eu precisava vê-lo.
— Amor como você está? – Entrei devagarinho no quarto para não assustar. – A enfermeira disse que se os exames derem um ótimo resultado, você pode receber alta.
Damon ficou me olhando de um jeito estranho, estava com uma cara de “Quem é você? ’’.
O meu mundo caiu, como assim Damon não me conhecia? Fiquei desesperada, não sabia o que fazer. Criei todas as minhas coragens para sair daquele quarto e chamar um enfermeiro mais próximo naquela ala hospitalar.
“Justo quando eu quero um enfermeiro, não aparece” pensei quase alto. Procurei em todo lugar daquela Ala, até que encontrei um enfermeiro tomando café. Fui em direção a ele e expliquei o que aconteceu. O enfermeiro chamado Brandon, foi atrás da enfermeira designada para resolver essa situação.
Essa enfermeira, chamou o médico que cuidava do nosso caso e esse medico pediu os resultados dos exames o mais rápido possível. Algumas horas se passaram, e os exames de Damon estavam prontos. O doutor me chamou na recepção para explicar os resultados. Explicou que como o acidente foi muito feio, o cérebro resolver apagar os acontecimentos e inclusive a pessoa que estava no acidente, que no caso fui eu, foi isso que eu entendi já que eu não entendo muito a medicina.
Fiquei tão triste com essa notícia, que eu pensava em sentar num cantinho de uma parede e chorar, mas tirei esses pensamentos e criei coragem para entrar de novo naquele quarto. Quando entrei no local, vi que Damon estava lendo o livro que nem lembro onde eu deixei, pelo menos isso não esqueceu que é apaixonado por Literatura e principalmente desse livro.
— Com licença, eu posso entrar? – Estava com dúvida se ele ia me deixar entrar.
— Claro – Falou Damon sem olhar para mim, estava tão concentrado no livro que nem prestou atenção.
Entrou e sentei na pequena poltrona bege. Quando eu me ajeitei na poltrona, Damon fechou o livro e olhou para mim.
— Então.... Quem é você? – Perguntou Damon
— Meu nome é Elena. – Por que você esqueceu de mim?
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