Elmekia, 1089.

Chovia serenamente, essa que trazia o frio que há tanto não fazia. A fazenda estava sobre o brilho acinzentado do céu, e agora das gotas de chuva que caiam e intensificavam-se a cada instante.

Stella havia saído mais cedo para um lugar um pouco distante, na procura de uma das suas frutas favoritas, a qual ainda não conseguira ver por ali, doces maçãs, ao longe num lugar mais afastado, onde ninguém saberia ao certo se não ela.

No caminho de volta corria por entre os pingos d’água, logo, não conseguia ver quase nada pela intensidade da chuva. Ao forçar o olhar procurando novamente o caminho, viu uma pequena cabana apresentando-se bem velha, correu até ela, na esperança de que logo a chuva se acalmasse, chegando à varanda, viu que um rapaz a observava na chuva, fitando seu olhar pela janela que vidros não tinham.

Cercada pelo seu silêncio corada ficou, ao voltar a si, o rapaz fixou-se como se tivesse voltado àquela cena, então convidou a para se adentrar. Desculpando-se, sorriu dizendo:

— Perdido fiquei ao vê-la correndo entre a água, o reflexo das cores inexistentes da chuva entre o brilho do seu olhar me fascinaram...

Nesse instante, o pequeno cesto de maçãs caiu, e ela viu-se caindo lentamente, quando sentiu se aparada pelo rapaz.

Empurrou-o levemente, ele no entanto não se intimidou pela repressão, a segurou e abraçou-a pressionando contra o peito, ela não sabia como reagir, o calor que chegava até ela a deixava paralisada, sem saber o que fazer ou o que seria aquele instante, fechou os olhos e viu-se no céu, aquele onde não havia chegado até então.


Pensar detalhes de tudo, até agora insignificantes, que nada mostravam até esse instante e agora passavam rapidamente diante seus olhos, revelando o que realmente havia em todas aquelas semanas vividas até agora. A triste melodia do piano que ainda se esforçava em aprender, a felicidade que ela transmitia, a qual não saberia explicar até esse instante...

Ao sentir seu corpo se molhando junto ao dela afastou-se ligeiramente, percebendo quanto incômodo estaria causando a bela moça. Olhou em seus olhos em seguida abaixando o olhar, como se fizesse algo errado.

Sem saber o que poderia tê-lo feito agir assim desde o início, aproximou-se em sua inocência, levando as mãos ao seu rosto, ele notara que ela sentia a mágica daquele momento, nesse instante seus olhares se cruzaram e ele a beijou carinhosamente; Cerrando os olhos, sentiu-se pela primeira vez com o coração saindo do peito; enquanto a pequena Stella, avermelhada como uma cereja perdida ficou ao sentir o sabor do seu tão sonhado primeiro beijo.

Não mais ouvia a chuva se não seu coração batendo como um tambor ao seu ouvido, correndo saiu pela chuva, achando que logo acordaria do que poderia estar sendo somente um sonho, deixando sua cesta ao chão da cabana, onde o rapaz voltou a olhá-la pela janela, mais uma vez.

A lua veio ao céu, Stella já se preparava para dormir. Ainda agitada, tomou um pouco d’água, deixando o pouco que restou no copo em seu pequeno criado ao lado da cama. Quando se pôs na cama, sentiu se como um peso, respirou fundo e viu o quanto estava cansada; mas também sabia que tinha forças para repetir todo o dia e vontade não lhe faltava, essa tarde não saia de seus pensamentos, nem como aquele misterioso rapaz de olhos castanhos, com aquele beijo que a fez se sentir como nunca.


Em meio a um suspiro seus olhos se fecharam; então à bela adormeceu.

Todas às forças ali presentes agora haviam sido carregadas pelo sono, em meio aos sonhos, viu-se em lembranças longínquas, na presença de sua mãe e na felicidade que um dia tivera quando pequenina. Coisas que foram levadas pela morte e nunca mais voltariam, pensou até então. Com a idade detivera conhecimento para saber que seria inevitável, e todos um dia partiriam; mas também alimentou o desejo de ter amor assim novamente, verdadeiro, como em seus doces contos de fada.

Amanhecia; o sol já raiava quando Stella veio a abrir os olhos, esticou se na cama, bocejando, como se ela quisesse a noite de volta, para continuar sonhando a realidade do dia anterior.


Logo se levantou indo ao banho, para despertar-se naquele novo dia. Aprontou-se e desceu para o café, notou que seu pai não estava; mas não se importava tanto, pois ainda não se acostumara com a nova casa, nem com seu pai.

Quando passou o olhar em algumas frutas na mesa, lembrou de seu cesto, que agora não mais estaria consigo; pensativa ficou durante alguns instantes, o pão feito aquela manhã tinha um sabor diferente, amornava sua boca, como se aquecesse o desejo de reencontrá-lo.

No entanto, uma das ajudantes a pegou distante e ficou observando-há por alguns instantes.

— Stella, o que houve?

— Stella não respondeu, nem percebeu que estava na presença de outra pessoa.

A ajudante resolveu não insistir saindo logo em seguida; Stella, no entanto, nem chegou a perceber que voltou a sonhar acordada, percebera somente o sorriso nos lábios, que não lembrava tê-lo um instante atrás.

Esse foi somente o início daquele sentimento que mudaria a vida de quem se colocasse entre essa paixão, nas palavras que já foram ditas uma e, agora voltam para se tornar realidade outra vez.