002 ~ Lucy in the Sky

Arredores de Naebli, 1079.

Lucy dormia, a noite continuava a ficar mais fria; entre os lençóis ela se remexia um pouco, como se estivesse atordoada com algo.

Ela caminhava descalça por um jardim, flocos de neve agora caiam do alto, o vento balançava seus cabelos sobre o brilho branco da neve; tudo estava descolorido, pálido, como se estivesse morrendo.

Adentrando mais além, viu uma figura de longos cabelos a frente de uma mulher; ela estava paralisada, aquilo parecia uma cena já vivida, seu coração agora batia um tanto acelerado.

Lucy escondeu-se atrás de uma pequena árvore e decidiu continuar ali, a fim de saber o que poderia estar acontecendo; Quando finalmente deu se conta do poder que a envolvia, correu de manso, para que não percebessem sua presença.

— Não pode ser.

— Sinto como se fosse desaparecer, como poderia ser tão forte?!

— Quem será?!

Às linhas tênues entre o lugar e seu corpo pareciam estremecer, aquela forte presença a estaria sufocando “em pensamento sabia que teria de suportar, pois qualquer reação ofensiva anularia o esforço em apagar sua presença”

Decidiu voltar novamente à outra parte do jardim, se ocultando o máximo possível; agora era capaz de sentir o frio vindo da neve, seus pés queimavam diante o gelo criado pelo frio. Já era difícil caminhar, se manter calma então estava se tornando impossível.

— Como vim parar aqui?!

— Droga, isso está saindo do controle.

Ao chegar novamente onde estava não via mais ninguém, mas ainda sentia uma enorme presença nos arredores, decidiu então continuar seguindo até a casa, pois ali fora muito frio estava.

Respirou fundo, sabia que estava com medo, que aquilo não poderia ser uma viagem comum... Abriu uma das enormes portas corrediças de madeira da mansão e entrou.

— Tum, Tum.

— Tum, Tum.

Seu coração batia acelerado, arrepiou-se e não obstante ouvia passos vindo em sua direção; novamente a pressão começou a desalinhar seu corpo, era difícil respirar. Correu com todas às forças rumo à escada, descendo então ao andar de baixo.

— O que poderia ser isso?

Ela tremia de frio, já com muito medo.

— Preciso encontrar uma maneira de sair, nem que pra isso eu tenha que...

Encostou-se na parede tentando se concentrar, sua respiração um tanto ofegante fazia com que o calor de seu corpo soprasse uma fumaça de calor em meio ao tempo frio.

Os passos continuavam em sua direção; seu corpo sentia a pressão causada, destruindo suas chances de se concentrar; suas costas formigaram por um instante, se remexeu e virou-se olhando para a parede, viu que uma fraca luz emanava, fechou os olhos e então levou sua mão rumo à luz.

— AHHH!

Acordou exaltada, seu corpo estava suado e sua expressão assustada agora ia retornando ao normal sentindo que estava em sua cama.

— Um sonho?

— Isso era um sonho afinal?

— Como poderia ser?!

O que parecia ser uma visão se tornou muito mais; o que ela parecia conhecer seria somente o início do que poderia vir; o que seria tudo aquilo ou o que era; havia deixado-a intrigada.

Algumas horas depois...

Lucy estava sentada numa pequena bancada, esperando que o almoço pronto estivesse; em suas mãos, cartas, as quais embaralhava fixando ao céu seu olhar. Colocou-as sobre a bancada, assim, juntou suas mãos e soprou entre elas.

~

Ao céu estarei; ao céu levarei, o amor que se perdeu.

No céu ficarei; ao seu lado estarei... Para sempre.

~

Voltou suas mãos às cartas, puxando três delas...

[ O Cadeado — http://img185.imageshack.us/my.php?image=cadeadoxp2.jpg ]

[ O Coração Partido — http://img381.imageshack.us/my.php?image=colaxxyondt6.jpg ]

[ A Espada — http://img247.imageshack.us/my.php?image=swordtr1.jpg ]

Abriu um leve sorriso, e ao rever a segunda abaixou o olhar guardando às cartas no que seria uma pequena bolsa de couro.Abriu o pequeno portão lado a cerca e entrou em casa, ouviu alguém falar da cozinha; O almoço está quase pronto. Lucy direcionou o rosto rumo à porta dizendo que estava sem fome, entrou no quarto, pegou uma bolsa um pouco maior e saiu então.

Quase uma hora de casa continuava caminhando em passos fortes, preocupada e tensa, chegara num campo, rodeada de flores seguiu mais adentro, entre árvores chegou a um enorme salgueiro.

— Mamãe... Estou aqui.

Ela deitou ao lado do salgueiro com os olhos um pouco avermelhados, como se quisesse chorar.

— Mamãe, será possível que isso aconteça?!

Uma voz soprava ao longe enquanto os olhos dela fechados estavam; ainda sim ela nada ouvia, mas podia sentir dentro de si às palavras surgindo em seus pensamentos.

— Chegou a hora de despertar.

O vento soprou forte balançando as folhagens, se não pelo salgueiro ela sentia se quase arrastada.

“Chegada a hora de quebrar essas correntes

Para mostrar o verdadeiro caminho das estrelas”

Seu coração agora palpitava e a ventania formada a fazia levitar; às folhas ao redor começavam a girar entorno de si. Lucy sentia seu corpo enfraquecer e sua visão embaralhar quando então puxou de sua pequena bolsa uma carta que estava envolta a uma seda azul com detalhes em prata, levando a sua frente.

Quase não enxergava; seu corpo mal sentia enquanto relutava com palavras de sua mãe nos pensamentos “não se deixe apagar, você deve quebrar suas amarras”

Lembrou-se então da carta em suas mãos, guardada por toda a vida, essa que simplesmente apareceu aos seus 13 anos, sem rastros. A qual nunca conseguiu usar; predizia um corpo de luz rompendo uma corrente.

Com o pouco de força que lhe restava; murmurou:

~

Paz que reina, nós que a mantemos

Paz que reina, e agora quebraram

Paz que reina; a traremos de volta

~

Estrela selada, em meu corpo guardada

Nessas terras aflitas

Ao céu voltará

~

O vento a levou ao céu e ao seu redor cartas giravam criando o tufão que a levantava, seus olhos estavam esbranquiçados, como se estivesse sendo tomada, seus braços começavam a erguer-se lentamente.

~

Cartas da lua

Com meus poderes, eu vos liberto

~

As cartas se reuniram em sua frente enquanto ela parecia levitar-se no céu; fechou os olhos e quando os abriu novamente a cor havia retornado ao normal.

— Aqui estou eu após tanto tempo.

Desceu ao chão admirando tudo ao seu redor, então se ajoelhou frente ao salgueiro

~ Lembranças da mãe terra, liberta os poderes meus; entre a lua e às estrelas o caminho será seu ~

Se deitou junto ao salgueiro e ali se recolheu até a noite tentando se lembrar do que acontecera, pensativa e calma, analisou o que havia acontecido consigo nesses momentos passados, mas suas memórias pareciam desordenadas, suas forças pareciam consumi-la até que se juntou ao salgueiro e por fim dormiu.