Megan tomou um susto. De olhos arregalados, olhou para a porta, e viu Alba parada ali, de braços cruzados, meio zangada.

— O que está fazendo aqui? Cadê a caixa dos livros russos? Eu não te pedi para encontrar a Cynthia pra mim? — Alba bufou, se aproximando da irmã.

— Eu me perdi... E perdi a caixa também... — Megan suspirou baixinho.

Alba apenas balançou a cabeça. Olhando ao redor, suspirou.

— Não me lembro dessa sala. Acho que é o lugar onde a Cynthia guarda os artigos raros. Só pessoal autorizado pode entrar aqui. — ela comentou.

Megan apenas observou a irmã, sem saber o que fazer. Alba caminhou suavemente pela sala, lançando um olhar de scanner para cada item das bancadas. Na verdade, ela não reconhecia nenhum deles, de nenhum livro que possa ter lido.

— São tão raros que não foram nem identificados... — Alba caminhou, voltando para onde estava sua irmã — Não me lembro de nada parecido em nenhum dos registros... Nem desse livro.

Megan olhou para o livro que estava em suas mãos, subitamente lembrando-se da existência dele.

— O que será que está escrito nele? — Megan perguntou — A capa é bem estranha...

— Não tem título. — Alba o fitou por alguns instantes — Deve ser tibetano. Ou do século II. Pode até estar escrito em sânscrito.

— Vamos abrir? — Megan pediu.

— Acho melhor colocar devolta no lugar. Nem deveríamos estar aqui. — Alba discordou.

— Ah, por favor! Só uma olhadinha! — Megan insistiu.

Alba bufou, caminhando até a porta. Megan ignorou os apelos da irmã, e abriu a capa do livro. A primeira página era branca, e parecia estar vazia. Mas, assim como o título na capa, as letras estavam escritas em dourado. Megan achou elas muito difíceis de se ler, e aproximou o livro do seu rosto.

— Olha, Alba, acho que é um poema...

Cuidado, meu bem, palavras tem poder
Olhe ao seu redor e logo vai poder ver
Ardendo em chamas você partirá
E a confusão então vai provocar...

— Ardendo em chamas? Isso não pode ser coisa boa... — Alba voltou para perto da irmã.

— Tem mais, olha...

Arrume tudo, se puder
Conserte os erros, destinos revele
E quando Aslam ao seu reino retornar
Lembrará de te recompensar.

Antes que pudesse ler mais alguma coisa, Megan viu que as letras do livro ficaram cada vez mais douradas e brilhantes. Alba olhou ao seu redor, e viu que o papel de parede da sala começava a pegar fogo. Espantada, ela tentou se aproximar da parede para apagar as chamas, mas assim que encostou na bancada de mogno, levou um baita choque, que a fez gritar, e voltar para perto da irmã.

Assustadas, as duas apenas assistiram as pequenas chamas transformarem-se em enormes colunas de labaredas, consumindo o revestimento das paredes, e o carpete fofo do chão.

Os balcões de mogno queimavam como lenha em uma fogueira, e Alba sentiu uma dor no coração de ver aquelas belas peças se desfazendo em fuligem. O fogo consumiu toda a sala, e o teto desabou, caindo ao redor das irmãs. Agora, o fogo já havia transformado aquela sala toda em uma fornalha ardente, mas apesar de sofrerem ao assistir a destruição, as irmãs não foram atingidas em nenhum momento.

Então, tão de repente quanto surgiu, o fogo foi se apagando lentamente. Um vento forte dispersou a fuligem que restara da destruição, e carregou o livro pesado das mãos da Megan. Parecia que agora, tudo havia sido destruído.