White Eyes

1 CAPÍTULO ÚNICO - Alucinações Reais


Notas iniciais
Uma one-shot que saiu do nada da minha mente, então não me matem se estiver ruim! Os personagens não tem um nome certo e você fica pensando se tudo foi suícidio ou se realmente aconteceu algo sobrenatural. Bem, talvez eu faça um outro capítulo pra explicar, mas por enquanto acaba por aqui. Eu tentei, lol.
Espero que gostem.

xoxo, H.

O teto girava e eu sentia minha cabeça pesar. Sabia que os remédios estavam fazendo efeito, mas não liguei. Já estava acostumado.

Olhei para o lado e vi a enfermeira me olhando com pena nos olhos antes de sair. E com isso eu também já estava acostumado.

Suspirei e esperei a inconsciência, mas para o meu azar ela não veio. E ai eu comecei a me desesperar.

Não sentia dor nem frio ainda, apenas sabia que algo estava pra acontecer, algo que eu tentava evitar. Não acabaria mais o tormento, acabaria?

Ela estava vindo mais uma vez. E dessa vez eu tinha certeza que ela estaria zangada comigo por mantê-la longe.

Prendi a respiração quando senti seu hálito frio no meu pescoço. “É só uma alucinação, você só esta tendo uma alucinação” Eu pensava constantemente, com os olhos fechados, tentando mandá-la embora, mas eu sabia que era impossível. Ao contrário do que os médicos pensavam eu não era louco. Não totalmente.

“Porque?” Ela sussurrou com uma voz doce e fria. Abri os olhos e notei seu braço branco e frio em cima do meu. “Porque você não gosta mais de mim?” Ela choramingou no meu ouvido. Senti um arrepio de medo percorrer todo o meu corpo e soltei o ar pela boca, fazendo fumaça. Onde ela estava tudo ficava mais frio e morto.

“O que você quer? Já não acabou com a minha vida o bastante? Me deixe em paz” Eu murmurei o mais baixo que pude, mas ela estava tão perto que ouviria.

“Você não gosta mais de mim?” Ela repetiu irritada e passou as unhas apodrecidas pelo meu braço, rasgando a pele. Rangi os dentes com a dor e evitei gritar, não queria chamar a atenção de todos para cá novamente. Tinha que acabar isso de uma vez. E sozinho.

“Não. Eu não gosto mais de você” Falei o mais frio que consegui, e apesar da voz um pouco tremula, saiu convincente.

“Você tem que gostar de mim” Ela falou com mais raiva ainda, uma voz que eu nunca tinha ouvido. Meu corpo todo tremeu de pavor quando suas unhas furaram sua própria pele, de tanta raiva emitida por ela. Tentei respirar, mas o ar estava preso em meus pulmões. Ela tirou suas unhas grandes e afiadas da sua pele branca e morta e cravou-as no meu pulso, subindo por todo o braço e furando mais os outros cortes.

A dor era insuportável, mas eu não gritei. Sentia meu sangue escorrendo quente pelo meu braço e o ouvia pingar no chão, formando uma poça preta a meus olhos. O pequeno quarto de hospício só era iluminado pela lua, fazendo a pele dela ficar mais branca do que eu imaginaria.

Tentei me virar para vê-la, mas ela não estava mais atrás de mim. Ainda sentado e com dor, procurei-a pelo quarto na esperança de ter desaparecido.

Mas ainda era cedo demais para a dor acabar.

“Você disse que me amava, disse que me queria para sempre” Ela me encarou do outro lado do pequeno quarto, os cabelos morenos bagunçados e os olhos totalmente brancos. Não havia vida, muito menos cor, ali. Era terrivelmente assustador olhá-la daquele jeito.

“Você não é mais você. Você tem que ir! Você está morta!” Falei friamente encarando seus olhos brancos.

“É claro que estou morta” Ela sorriu cruelmente e inclinou a cabeça sutilmente para o lado e eu senti a pior dor de toda minha vida, como se meu peito fosse dilacerado de dentro para fora. Eu não conseguia respirar e nem gritar podia. Encarei mais uma vez com pavor o par de olhos brancos a minha frente.

“Você vai me amar daqui a pouco” Ela falou mais suavemente “Daqui a pouco vai estar comigo. E então viveremos felizes para sempre. Juntos” Seu sorriso sombrio cobria quase todo o rosto e eu consegui gritar pela primeira vez, sentido seus braços brancos como osso perfurarem minha perna esquerda.

Urrei de dor e então fechei os olhos com força, evitando olhar todo aquele sangue que escorria pelo quarto. Sentia-me cada vez mais fraco, quase sem sangue, mas ela me manteria assim durante um bom tempo.

Sofrer seria minha pena por tê-la feito passar por tudo. E então só me restaria a morte.

“Me desculpe” Sussurrei quase sem forças “Me desculpe por tudo. Não queria você morta. Eu te amava! Pelo amor de Deus, pare com isso” Apertei mais os olhos sentindo minha outra perna ser perfurada por suas unhas.

“Devia ter pensado nisso antes” Ouvi sua voz fria e doce falar num tom infantil.

Abri os olhos com pavor e encarei seus olhos brancos.

“Deus me ajude!” Murmurei quase sem fôlego. Meu coração vacilou e eu ouvi sua risada fria.

“Deus não pode te ajudar agora” Seu hálito frio estava perto de mim e suas palavras fizeram o resto do meu sangue gelar de pavor.

Senti seus lábios frios encostarem-se aos meus antes de a escuridão total me engolir.

FIM.

Notas finais
É eu sei, sombrio né? Atogon!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!