White Day

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Essa oneshot é dedicada inteiramente a minha preciosa xuxu BRIGHTNARU, que pediu esse casalzinho especial e como bônus ainda soquei Sasunaru pra exaltar o casalzão. Eu espero de verdade que você goste do resultado dessa one, bebê, porque escrevi com todo o coração pra você. ♥

No mais, boa leitura!

O almoço naquele dia havia sido preparado pelo menos uma hora mais cedo e toda a refeição ocorreu perfeitamente calma até às meio dia e meio.

Era um dia importante, não somente para Sakura, mas para sua mãe também, que esperava ansiosamente poder se deliciar nos chocolates que o marido lhe traria após o trabalho.

A data em questão era o White Day. 14 de março. Sakura contou até mesmo os segundos para aquele dia, porque bem, no mês anterior havia acontecido o Valentine's Day e como seguindo sua própria tradição, desde que havia entrado na escola, deu chocolates para o seu amado e esperava que finalmente naquele ano ele fosse lhe reconhecer como sua amada também, porque na sua concepção infantil, ela já tinha alcançado uma idade muito boa para ser notada, diga-se os dez anos.

Suas pequeninas mãos ajeitaram o avermelhado laço que prendia seus curtos cabelos rosas tingidos temporariamente para aquele dia, deixando-a com uma aparência extremamente fofa, somado aos seus apertados olhos verdes e bochechas sempre coradas. Ino, uma das suas mais preciosas amigas, sempre lhe dissera para combinar aquele lacinho quando vestisse seu vestido em tom de verde com desenhos de flores de cerejeira e sua sapatilha branca. E como a Yamanaka era simplesmente a garota mais popular entre os anos básicos escolares, é lógico que Sakura seguiria seu conselho. Ela queria estar impecável, como sabia que Ino sempre estaria.

A mochila em suas costas fazia um peso leve, teria menos aulas que o comum, em prol da comemoração. Segundo o cronograma, apenas a primeira e segunda aula de japonês básico e matemática, respectivamente, e então uma pausa para o lanche e por fim um curto intervalo e então os alunos poderiam transitar livremente pela escola, para entregarem os chocolates destinados aos colegas e amigos especiais.

Sakura suspirou em expectativa enquanto se dirigia novamente para a sala de estar, com as sapatilhas em mãos para calçar assim que saísse do piso de madeira do interior da casa. Sua mãe já se encontrava com as chaves do carro em mãos e com um sorriso gentil, esperando pacientemente por sua garotinha.

E toda a interação silenciosa não levou mais do que simples cinco minutos e logo, mãe e filha, estavam saindo em direção a garagem com destino a escola. Sakura sorria abertamente e o diálogo no decorrer do caminho com duração de quinze minutos foi leve e tranquilo.

A escola repleta de alunos pequenos, e só alguns mais velhos e altos do que os da idade de Haruno, já podia ser vista e estava cheia naquele dia, talvez até dando uma impressão de estar mais do que nos outros dias comuns.

Um beijo foi depositado na raiz dos cabelos da pequena Haruno, que permaneciam com sua cor de origem, um loiro acinzentado, e sua mãe lhe desejou boa sorte, dizendo-a que seria um dia especial. Sakura a olhou com olhinhos brilhando em excitação e ansiedade e antes que descesse do carro, apertando a barra de seu vestido, depositou um beijo estalado na bochecha da progenitora, desejando-lhe que voltasse em segurança. Ela em seguida abriu a porta com certa pressa e pulou para fora do carro, rumando em passos apressados e certeiros para o portão do colégio, sob o olhar cuidadoso e protetor de sua mãe, esperando-a se juntar aos colegas de classe.

Ino já estava com uma caixa de chocolate em formato de coração nas mãos, como era o esperado, mas a rosada se sentiu ainda esperançosa ao perceber que Hinata, Tenten e Temari — as duas últimas sendo meninas um ano a frente — também estavam de mãos vazias como ela. E suas bochechas encheram em expectativa, ao atravessar o portão, no momento que seus olhos capturaram a imagem do pequeno Uchiha Sasuke com bochechas coradas rumando para dentro da grande escola com uma caixa pequena e discreta, mas obviamente evidenciando ser de chocolates. O coração de Haruno derreteu e seus olhos brilharam com os pensamentos de que aqueles chocolates seriam destinado a si.

O caminho até a sala de aula enumerada de 105 foi preenchido com conversas sonhadoras das meninas e a ansiedade balançando os corações e as aulas que se seguiriam, que não demoraram. A professora Kurenai de matemática, antes de finalizar a aula daquele dia, em vista pouco produtivo pelo ânimo das alunas e nervosismo por partes do alunos, reforçou um pequeno lembrete do significado daquele dia em vista da escola.

‘’Não estaremos celebrando esse dia como um lembrete romântico. Vocês são crianças. Estamos celebrando a amizade, o carinho, o afeto e a inclusão. Assim como as meninas presentearam os meninos que lhe eram especiais de alguma maneira, assim eles também o farão. Não se esqueçam que, de um grande amor, sempre antes veio a amizade. ‘’

Aquelas palavras passaram o lanche e o intervalo todo martelando na cabeça de Sakura, que insistia em dar ênfase apenas na última parte. Seus pais eram grandes amigos antes de se casarem, e na real, a maior parte dos pais de seus amigos também. A rosada sonhava que seria assim também com o Uchiha. Que seriam amigos durante longos anos escolares e aos dezoito ele se declararia para ela, por onde começariam sua jornada como casal. O pequeno detalhe que ela insistia em esquecer era de que, nem ao menos eram amigos, mas ela acreditava fielmente que isso ainda seria arranjado.

No caminho de volta para a sua sala, seus olhos percorreram por todos os decorativos que enfeitavam a escola. Mesmo que os professores insistissem que aquela não era uma data de comemoração romântica — pelo menos não para os pequeninos — ainda assim a escola possuía esse clima. Com balões brancos, vermelhos e rosas espalhados pelo teto e fileiras de corações de papel adornando as portas de entradas de todos os ambientes.

Sakura já podia vislumbrar vários meninos indo de salas em salas, presentearem suas meninas especiais. Passou pela sala de Temari e Tenten e pôde ver que a primeira loira recebia uma caixa de Shikamaru, que era da sala da Haruno. Era sempre engraçado observar a cara de brava de Temari para com o menino de rabo de cavalo alto, mas suas bochechas entregavam sua timidez perante o ato. Sakura achava adorável o modo como sempre se provocavam com apelidos de garota problemática e bebê chorão. Em sua humilde opinião, eles formavam um bom par de amigos. O que surpreendeu a menina agora de cabelos rosas era ver Lee — um garoto da mesma sala das meninas mais velhas — dando uma caixa verde de chocolates para Tenten. Ela parou por um momento observando a cena. Sabia que ambos eram bem amigos, juntando um trio com o primo de Hinata, já que estudavam na mesma sala desde sempre, mas o que a surpreendeu de verdade era que Lee naquele ano, mudou o destino da caixinha. Em geral, enquanto Sakura destinava os doces ao seu precioso Uchiha, Lee dava para si, todos os anos.

Seu coração se apertou inevitavelmente ao perceber que não era mais assim tão especial para Lee e quem ocupava seu lugar agora era Tenten. Ficara imensamente feliz pela amiga, que sempre oferecia chocolates no dia dos namorados para o de cabelo de tigela e grossas sobrancelhas, mas nunca havia sido retribuída. Sakura balançou a cabeça a fim de dissipar esses pensamentos e voltar a andar, se concentrando na imagem da caixa discreta que estaria a sua espera assim que chegasse na sua sala.

A alcançando, Haruno pôde ver uma cena que se seguia todos os anos sem falta. Neji segurava as mãos pálidas, pequenas e delicadas de Hinata, enquanto voltavam do intervalo. A de cabelos pretos azulados olhava para o primo com seus olhos raros perolados sorridentes. Era sempre assim, os primos se presenteavam e vivem juntos. Talvez fosse pelas famílias extremamente ligadas, mas somente Sakura sabia o quanto eram especiais um para o outro.

Kiba estava distribuindo chocolates para todas as garotas para quem ele conseguiu comprar caixas com sua pequena mesada e isso arrancou uma risada da rosada. Chouji como de costume, estava comendo os chocolates que ele comprou para si mesmo. E Ino estava com a mesa abarrotada de caixas de diferentes cores, com sabores e cheiros variados e, no momento ela atendia à uma pequena fila que se formava e o próximo à lhe entregar uma caixa consideravelmente grande era Sai, um menino calado e extremamente pálido de outra sala. Ino lhe sorria simpática e Sakura sorriu com a visão do menino com as bochechas coradas, fazendo-o ter ao menos alguma cor.

Seus cabelos rosados balançavam a medida que ela pulava em curtos passos até sua cadeira, que ficava localizada mais para o centro da sala, com visão privilegiada para a cadeira mais à frente de Sasuke. Ela sentou e ajeitou sua postura, fechando os olhos e respirando fundo, era chegado o momento.

Ela prendeu a respiração recém puxada, e suspeitava que mais da metade das outras meninas também fez o mesmo no momento em que os cabelos arrepiados e repicados de Uchiha, se mexeram quando ele levantou e direcionou seu olhar frio de cor ônix para o canto de trás da sala. Suas mãos tremulavam um pouco, era perceptível pela caixa que ele carregava. Seus passos eram hesitantes, mas firmes e eles eram direcionados aparentemente em direção à Sakura. Sua expectativa estava alta e seus lábios abertos em um sorriso imenso, pronta para se levantar e desejar um imenso obrigada para o menino, assim que ele lhe entregasse a caixinha. E claro, ela já estava formulando seu discurso para se gabar pelo feito.

Mas como se um espelho tivesse acabado de se quebrar, assim eram as esperanças da Haruno, os passos de Sasuke mudaram de direção mais para o fundo da sala, na direção à uma cadeira colada às paredes e todos os olhares se seguiram para aquele destino. Só havia uma única pessoa que tinha a atenção de Sasuke nesse momento e uma cabeleira loira ergueu-se quando notou que era o centro das atenções. Naruto apoiou-se em seus cotovelos para ajeitar a postura na mesma rapidez que suas bochechas, marcadas por cicatrizes de um acidente quando mais novo, ganharam tons completamente avermelhados.

Sakura escutou cochichos mais atrás, e descobriu naquele momento que, além de si, Naruto também havia presenteado Sasuke no dia dos namorados com chocolates meio amargos. Ela também descobriu que Sasuke tinha comido de bom grado com bochechas coradas e expressão fechada, mas ele não havia comido os dela, que eram banhados ao leite.

Naruto sempre dava chocolates meio amargos para Sasuke, foi o que descobriu, mas todos estavam surpresos porque era a primeira vez que o Uchiha se dignava a devolver o presente para alguém. Os dois estavam visivelmente tímidos e um pouco desconfortáveis, mas tinham sorriso discretos adornados nos lábios. Os dedos se roçaram no ato da caixa se transferir de um para o outro e o corpo do loirinho se ergueu o suficiente para que seus finos lábios dessem um beijo estalado na bochecha do possuidor de cabelos escuros. Com o ato, Sasuke ficou mais corado que um tomate maduro e visivelmente tenso, mas logo ambos estavam caminhando para fora da sala — sob os olhares observadores — com os dedos indicadores e médio entrelaçados. Pareciam extremamente felizes e corados.

Sakura só percebia que chorava quando sentiu uma gota solitária descer-lhe a bochecha, trazendo uma sensação gelada para a pele extremamente quente.

Sasuke comia os chocolates que Naruto lhe dava.

Eles eram meio amargos e apesar da cara fechada, ele fazia de boa vontade.

Sasuke não comia os chocolates que Sakura lhe dava.

Eles eram doces.

Sasuke e Naruto eram melhores amigos.

Sasuke trocara poucas palavras consigo durante anos e olhares frios.

Aquilo doeu no pequeno coração inocente da rosada e mais lágrimas vieram. A ilusão tinha lhe batido na cara e agora ela podia ver claramente a realidade. Ela não era uma pessoa especial para Sasuke, não do jeito que Naruto era para ele. E isso doía bastante. Eram anos dedicados a um amor infantil e infrutífero. Aquele havia se tornado um dia amargo para Sakura.

Ela nem sabia mais quanto tempo havia se passado, ou quanto tempo passou chorando sozinha em sua mesa. As lágrimas já haviam se cessado, mesmo deixando um rastro no rosto outrora avermelhado. Poucas mochilas ainda se encontravam ali, a maior parte dos alunos já havia ido embora. Tenten e Lee juntos. Temari despedindo-se com um beijo na bochecha de Shikamaru. Hinata e Neji lado a lado. Sasuke e Naruto de mãos dadas.

Sakura tinha a visão desfocada e só voltou de seu estado apático no momento que sentiu mãos quentes tocarem delicadamente em seu rosto e seu nome ser chamado por um tom de voz doce e gentil. Era Ino a sua frente e ela segurava a mesma caixinha em formato de coração que Haruno à viu segurar na entrada. Seus olhos se fixaram nos esverdeados da amiga. Tinham incrivelmente o mesmo tom que os seus, a diferença é que estavam brancos e os da rosada se encontravam avermelhados pelo recente choro.

— Você não devia se humilhar desse jeito para o Uchiha, Saku.

— Do que está falando? — Sua voz saiu baixa e defensiva.

— Você é especial para outras pessoas, e ele está perdendo uma grande sorte ao não te considerar assim. Você é linda e preciosa, Sakura e não devia se deixar chorar por algo assim. Ele está feliz com o Naru, mas você também precisa ser feliz e se sentir especial para outras pessoas. Precisa se sentir suficiente para si mesma, antes de ser para qualquer outra pessoa. — E as palavras da loirinha fluíam leves e delicadas, a medida que limpava o rastro das lágrimas da bochecha de Sakura. — Isso aqui é pra você. Estava querendo te entregar desde o começo da aula. — E a caixa em formato de coração foi entrega e deixada na mesa da rosada, que sorriu surpresa para a amiga.

Sakura não havia recebido chocolates do Sasuke, como sempre almejou. Mas seu coração bateu mais forte com as palavras direcionadas a si e com o presente que recebeu, sem que tivesse dado nada em troca. Sakura por fim percebeu o real significado daquele dia para crianças da sua idade. Ela era a pessoa especial da loira e Ino também era sua pessoa especial. E a Haruno já sabia para quem seriam destinados os chocolates do próximo ano, no dia dos namorados.

A bochecha da Yamanaka se tornou avermelhada com o beijo estalado que recebeu da amiga e juntas, de mãos dadas e com mochila nas costas, dividiam o chocolate com pedaços de cereja dentro até a saída.

White Day não poderia ser mais perfeito para Sakura do que havia sido. Porque agora ela se sentia especial não só para si, mas para alguém também. Alguém com quem compartilhava um laço e chocolates sabor cereja.

Notas finais
Comentários são sempre bem vindos, até a próxima! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!