White
1 A morte, nem sempre é algo ruim...
Notas iniciais
Em minha opinião essa é umas das melhores fics que já fiz... então espero que aproveitem n-n/
P.O.V- Lyrah
Viver, para alguns aparenta ser algo tão prazeroso. Parecem estar divertindo-se tanto...
Gostaria de estar entre estes felizardos viventes. Porém, aqui estou eu, deitada em minha cama observando criancinhas brincar na pracinha pela janela de meu quarto.
Nesse exato momento meu pai provavelmente encontrasse bêbado em algum bar pela cidade. Assim que chegar há chances de trazer consigo mais uma de suas amadas prostitutas. Sinto-me enojada o ouvir tais vozes gemendo no quarto ao lado.
Talvez, por ter vergonha de sua filha, meu pai tende a me aprisionar em meu quarto. Sou proibida de até mesmo de ir à cozinha. Em breve, quando estivermos em período de aulas, poderei sentir o vento ao lado de fora deste quarto, anseio muito por isto.
Cansada de observar as criancinhas, levanto-me e sigo em direção ao banheiro. Avisto minha face fina e pálida diante do espelho e suspiro levemente. Um barulho estrondoso vindo da porta de meu quarto interrompe meu amado silêncio. Era James, meu pai.
— Ei James, ao menos bata na porta quando estiver entrando — repreendo-o num tom tedioso e desanimado.
O homem segura em meu braço e arrasta-me até minha cama jogando-me na mesma e deitando-se, também, sobre ela.
- Sinto que já esta pronta para ser usada. seu tom era malicioso e seu hálito cheirava a bebida alcoólica.
- Me largue seu velho idiota! grito exasperada.
Debato-me em seus braços sujos e suados, na intenção de fugir dos mesmos. Com um pouco de esforço livro-me do homem e corro até a porta de meu quarto que, por infelicidade a minha, encontrava-se trancada.
Sem saber o que fazer sigo para dentro de meu banheiro, tendo atrás de mim um bêbado tentando estuprar-me. Ele apoia suas mãos em minha cintura.
- Sua vadia inútil, eu te dei um lar, te criei suas mãos começam a movimentar-se subindo até meus seios, arrepiando-me, porém não de prazer, mas sim de pavor agora, exijo que satisfaça meus desejos!
- Tire essas mãos sujas de mim seu bêbado nojento! berrei uma oitava mais alta.
Eu o empurro fazendo com que o mesmo batesse sua cabeça fortemente no chão. O chão começa a ser manchado pelo vermelho do sangue de James, assustando-me ainda mais. Balanço-o levemente com meu pé direito tentando acordá-lo e, ao mesmo tempo, tentando raciocinar o que acabara de fazer.
Ele estava morto, eu havia o matado. Além do susto, não pude sentir mais nenhum sentimento. Estava apenas preocupada com o que me aconteceria agora.
Coloco minhas mãos no bolso de sua jaqueta marrom tentando encontrar a chave da porta de meu quarto. Não a encontrava em nenhum bolso sequer, ele não estava com a chave. Levanto-me e mordo meu lábio inferior tentando formular um jeito de fugir daquele local. Olho para os cantos do quarto e encontro a chave jogada a lado do box do banheiro. Pego-a rapidamente sentindo um grande alívio por tê-la achado.
"Lembre-se Lyrah, quando se ver em uma oportunidade de fugir deste monstro, não quero que pense duas vezes. Apenas vá. Não diga a ninguém onde está indo, nenhum ser humano é digno de saber."
As palavras de minha mãe ecoavam em minha mente. Era isso o que deveria fazer. Troco de roupa e sigo até a entrada da casa, todos os habitantes que ali moravam me olham assustados, talvez por nunca tiverem me visto ou por meu rosto estar mais pálido que o normal. Porém o dia já estava em seu fim, não podia me preocupar com o que os outros pensavam de mim. Eu precisava arrumar um lugar onde pudesse passar a noite.
Ando sem rumo durante algum tempo. Meu corpo estava fraco, não havia comido desde manhã. Ouço uma voz fina e doce suas palavras era estranhas aos meus ouvidos, eu não a entendia , algo me dizia que deveria seguir aquela voz, algo dizia-me que ela iria me ajudar. Sigo a voz estranhamente doce que me levara á um lugar desconhecido.
Tudo o que eu podia ver era um cercado de madeira branca envelhecida que guardava várias árvores formando uma densa e assustadora floresta. Senti que deveria entrar naquela floresta. Á esta altura já nem me lembrava da voz misteriosa que havia me trazido até aqui. Pulo a cerca adentrando então no local que me parecia um tanto perigoso para alguém se abrigar.
Caminho em meio a várias árvores enormes até me deparar com uma em especial. Era enorme, seu tronco era de cor escura contendo, também, musgo e folhagem morta ao seu redor, parecia ter mais anos do que a própria cidade em que estava localizada. Percebo que em seu tronco enorme havia uma pequena abertura na qual me espremi entre a mesma na intenção de explorar mais daquela planta. Ao entrar na árvore vejo que sua parte interna permanecia oca, fazendo com que sobrasse espaço o suficiente para abrigar-me durante a noite fria que chegava.
P.O.V- Zack
Não existe lugar mais tedioso do que esse. Irrita-me o simples fato de que nosso mundo é intercalado com outro, odeio ser obrigado a ver imagens dos seres daquele mundo como se fossem fantasmas no nosso. Talvez eles também possam nos ver de onde estão, mas posso afirmar que esses seres estranhos não nos veem. Eles são apenas fantasmas para nós e já nos acostumamos com esse fato, tentamos continuar nossas vidas observando as deles não importa onde estivermos.
Suspiro e levanto-me do sofá em que estava deitado. Pego um copo d'água e sigo até a porta de entrada, atravessando mais uma daquelas imagens destorcidas e embaçadas de seres de outro mundo fazendo com que a mesma se torne fumaça e desapareça. Caminho até o jardim de minha casa, encontrando lá, os tontos dos quais posso chamar de 'amigos'. Annita e Daniel.
- E aí Zack! Daniel levanta o braço dando-me uma saudação e logo voltando a recolher as pedras do jardim venha nos ajudar.
- Não obrigado tenho mais o que fazer — digo com indiferença.
- Seu chato! — reclama em voz alta Annita, o ser mais infantil que conheço.
- Se arrumassem outra coisa para fazer eu até os ajudaria.
Pego uma das pedras do jardim e jogo na árvore mais próxima.
- Nós fomos proibidos de sair de casa por sua culpa, Zack! Se não tivesse matado o cãozinho da rainha nós teríamos algo melhor a se fazer.
Sua arrogância me irritava.
- Isso mesmo! — Annita cruza os braços em tom de reprovação surpreendendo-me, pois ela nunca havia estado contra mim por enquanto o melhor a se fazer por aqui é jogar pedras nessas almas inúteis que vagam por ai...
- Seus idiotas, como eu ia saber que aquela coisa era o 'cãozinho' da rainha? Se eu não o matasse vocês estariam mortos, aquele bicho ia comer a gente! — manifesto-me aos dois que ficam parados de ande de mim sem reação.
Nos entreolhamos por alguns segundos e começamos a rir de nós mesmos e de como estávamos agindo.
- Então vai nos ajudar a jogar pedrinhas nas almas? a loira me olha esperançosa.
Eu aproximo-me da mesma e ficando a quase um centímetro de distância e então sorrio.
- Não afasto-me dela deixando-a corada. Percebo que Daniel não havia gostado daquela minha atitude então começo e rir eu vou dar uma volta... Caso precisem de mim é só gritar — solto um sorriso malicioso e deixo o local. Seguindo direto para o outro jardim da casa. A parte de trás da mesma.
Notas finais
Estarei postando mais ou menos de um a dois caps por cada 2 semanas... pois tenho aulas .q
Até o proximo cap o/
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