Notas iniciais
Olá!~ Essa é minha primeira fanfic nesse perfil, mas já tive outras contas e fanfictions aqui no Nyah, infelizmente (e burramente) já as excluí faz tempo, então eu sou meio que uma anônima por aqui, recomeçando tudo do zero. De qualquer modo espero que alguém leia WG! ;)

Mais um ano letivo em Hogwarts começaria dali a algumas horas. Em Londres, na casa da família Gregor, a caçula da casa, uma garota baixinha de olhos e cabelos bem escuros e bochechas redondas e rosadas, tentava pegar no sono deitada em seu quarto alisando os pelos negros do gato que ronronava ao seu lado. As luzes noturnas entravam pelas brechas da cortina e pareciam iluminar todo o quarto, dificultando mais ainda seu sono de vir.

Era sempre assim. Durante seus seis anos em Hogwarts Nina sempre ficava ansiosa para o início das aulas e mal conseguia pregar os olhos até o dia amanhecer. Nesta noite estava se sentindo ligeiramente diferente dos anos anteriores. Não estava apenas ansiosa, algo mais a inquietava em seu íntimo. Seria seu último ano na escola. Apesar da felicidade em voltar à Hogwarts e finalmente terminar seus estudos, a saudade de todos aqueles anos já batia à porta. Assim como todos estudantes, tivera os melhores anos de sua vida dentro daquele castelo – e aos arredores dele também – e não se sentia pronta para pensar que dali a um bocado de meses estaria deixando a o castelo.

Outro assunto também a perturbava. Desde o final do sexto ano letivo não recebera nenhuma notícia de certa pessoa. Não que ela esperasse receber uma carta dele na porta da sua casa, obviamente impossível que isso acontecesse, mas claramente seu coração estava inquieto em saber que o veria novamente. Será que mantinha o mesmo corte de cabelo? E estaria, depois de férias longas, mais animado? Sorriria mais para ela? Nina adorava quando seu sorriso tímido aparecia na face, o que era muito incomum, ao contrário dela mesma que sempre estava mostrando os dentes e rindo de tudo.

Quando menos esperava sua mãe estava batendo à porta para acordá-la. Conseguira cair no sono entre um pensamento e outro e acabara levando um susto da mãe. A senhora Gregor apressou a filha caçula e saiu correndo de volta quando a campainha tocou. Nina correu para um banho bem rápido e quente, arrumou o cabelo bagunçado em um rabo-de-cavalo bem feito e trocou seu pijama de tom pálido por jeans limpos e um casaco de moletom cinza.

Sentiu-se mais desperta e animada após o banho, então saiu correndo escada a baixo. A família já estava reunida na mesa retangular se servindo de um maravilhoso café da manhã que cheirava à baunilha e leite quente. Mal percebeu em meio à tagarelice matinal de sua família (pai, mãe e dois irmãos mais velhos) estava também seu melhor amigo, Maurice. O garoto tinha sido sua melhor – e única – companhia desde seu primeiro dia em Hogwarts e desde estão nunca se separaram. Ela se lembrava dele no primeiro dia do primeiro ano: seus olhos eram gigantes e de um azul muito claro, ele era um dos mais baixos entre os meninos, seus cabelos eram rebeldes e claros num tom de castanho quase louro e suas unhas pareciam ter sido trituradas, exatamente como as dela. Hoje em dia Maurice continuava abaixo da média dos meninos, mas ainda assim era maior que ela. Aos 17 já tinha um torso forte e largo graças à sua posição de batedor no time de Quadribol da Corvinal e os cabelos continuavam da mesma cor, espetados e indomáveis, além de que desde o ano anterior os pelos da face começaram a crescer de forma falha em seu maxilar quadrado.

– Nina! – a mãe a tirou do transe que estava, ainda em pé na escada, e fez com que todos levantassem os olhos para ela. – Venha logo antes que seu pai acabe com as panquecas!

Maurice se levantou sorrindo timidamente para receber a amiga com um abraço e ela veio até ele com os olhos quase se fechando por causa das suas bochechas sorridentes. Abraçaram-se calorosamente e se sentaram um ao lado do outro na mesa.

– Você tem que me contar tudo sobre a França! – ela cutucou o amigo e estendeu os braços para buscar as últimas panquecas do prato que ainda estavam quentinhas.

– Eu sempre te conto sobre a França. – ele sorriu mais. – As coisas continuam as mesmas, sabe? Não criaram outra Notre Dame, continua tudo igual.

– Tudo bem, mas como foram as férias? – ela mal terminara de engolir os primeiros pedaços de panqueca para falar.

– Ótimas. Papai me deixou andar sozinho pela cidade dessa vez e tia Claudine me fez engordar como um porco.

– Como ele está?

– Mon pá? – Maurice também estava com a boca cheia de panqueca e soara como um francês guloso. – Papai tá bem, sempre fica mais simpático depois de voltar da França.

Maurice Barrett é filho único de John Oliver Barrett, diretor do Departamento de Cooperação Internacional em Magia do Ministério. Seu cargo sempre o fez viajar muito pelo mundo e durante uma de suas visitas à França se apaixonou por uma jovem trouxa, Flora De Clair. Se casaram um ano depois e Flora engravidou dois anos após o casamento, mas não sobreviveu ao nascimento do filho. Maurice viveu a vida toda com o pai que ainda chora secretamente todas as noites por Flora e se obriga a visitar a França todos os anos para poder sentir a amada viva entre os aromas e luzes de Paris.
Depois de esvaziarem a mesa do café a agitação começou pois já estavam todos atrasados. O senhor Chase Gregor agarrou sua maleta, beijou a esposa na bochecha e saiu correndo para o Profeta Diário onde trabalha como jornalista. Os irmãos mais velhos Guy e Benny deixaram abraços e beijos na mãe, cataram seus casacões e malas e seguiram rumo para os Estados Unidos, onde iniciariam um “tour” com a banda. A senhora Gregor ainda odiava a ideia dos filhos, ao invés de terem se tornado bruxos excepcionais, formaram-se em Hogwarts e não esperaram um dia a mais para começar uma banda de rock (para bruxos, claro), que, aliás, já durava cinco anos.

– Ainda é cedo! Benny, Guy, fiquem mais! – a mãe tentou agarrar os filhos pelas jaquetas de couro.

– Mamãe, nós temos ensaio daqui a pouco em Chicago, precisamos aparatar com o restante da banda! – Guy esticou o braço antes de sair para furtar um pedaço de queijo da mesa. – Tchau, tchau!

– Mãe, prometo que traremos presentes para você. – Benny se apressou também e deu um último beijo na mãe.

– Não quero presentes vindos daqueles americanos fedidos, quero meus filhos! – ela gritou mas a porta já tinha sido fechada.

Nina e Maurice se apressaram também, checaram todos os pertences nos malões, deram adeus à mulher e partiram para a estação de King’s Cross. Não mais lhe doía deixar a casa, porque sabia que tinha que aproveitar cada último minuto em Hogwarts, e sabia que os pais se divertiam muito sozinhos em casa.

O trem partiu às onze em ponto e os dois foram até a última cabine do trem, como de costume, esperando encontra-la vazia, mas duas alunas da Sonserina, Janis Kelsey e Bertha Fleming, já o ocupavam e estavam bem acomodadas lá. Os amigos se esgueiraram para o banco vazio com carrancas no rosto, Maurice na janela e Nina de frente para Janis.

– Ora, se não é o casal mais fofo de Hogwarts! – Janis abriu um sorrisão falso e balançou o cabelo cor de mel. – Combinam tanto juntos! Não é, Bertha?

– Feitos um para o outro. – a outra garota tinha um cabelo cheio e ondulado era num tom cor-de-rosa clarinho e imitou o movimento da amiga.

– Será que depois de se formar você vai conseguir se tornar professora em Hogwarts, Nina? – Janis atiçou. – Ou vai tomar o mesmo rumo da sua mãe, se tornar uma dona de casa bruxa quando Maurice te presentear com uma gigantesca barriga de grávida?

As amigas gargalharam juntas e Nina não conseguiu se conter, por impulso pulou do banco com os punhos fechados prontos para acertar o nariz de Janis, não tinha nem mesmo pensado em sacar a varinha do bolso, mas fora contida pelo torso do amigo que entrou na sua frente.

– Não vale à pena. – ele sussurrou e a fez sentar-se no banco novamente, o rosto fumegando.

Nunca ligava para o que Janis falava sobre ela, mas ficava uma fera quando o assunto era sua mãe, Andrea Jo Gregor. Ela engravidara de Chase assim que terminaram os estudos em Hogwarts (rumores diziam que ela já estava grávida antes mesmo de se graduarem) e teve de se dedicar integralmente à casa, o casamento e ao primeiro filho, abandonando o sonho de se tornar enfermeira na escola. Apesar do sonho que fora perdido de vez (ela engravidou novamente logo após o nascimento de Guy), Andrea sempre se sentiu completa e feliz dedicando todo o seu tempo à família, jamais reclamou.

– Oh sim, proteja sua amada, Maurice, porque ela é mais tonta que um trouxa.

– Cresça, Janis. – Nina rebateu com irritação. – Pensei que você não fosse tão infantil quanto sua aparência.

Janis bufou e virou a cara. De fato, parecia uma garotinha do primeiro ano se não fosse por sua altura. O rosto era todo pequeno e infantil, o nariz redondinho e a boca fina sempre borrada com batom rosa. As sobrancelhas eram desgrenhadas e o corpo magro e alto, totalmente o oposto de Nina – que era baixinha, mas fora compensada com curvas.

A viagem até Hogwarts fora um desastre. Maurice e Nina adoravam o expresso porque passavam a maior parte do tempo rindo e brincando com os Feijõezinhos de Todos os Sabores, mas o ritual que os dois seguiam todos os anos fora quebrado pela presença das sonserinas, tornando a viagem silenciosa, tensa e entediante.
* * *
O Salão Principal estava, como sempre, impecável. Depois das primeiras palavras do diretor e a escolha do Chapéu Seletor para cada calouro (aparentemente a Grifinória recebera mais alunos que o restante das casas) as mesas se encheram de cor, formas e cheiros e todos atacaram no segundo seguinte. A barriga que roncava fez a garota encher o prato de purê de batatas, ervilhas e um pedaço do tamanho de sua mão inteira de bife com bacon. A comida de Hogwarts – principalmente o banquete de boas-vindas – era a melhor de todas. Por melhor que alguém pudesse cozinhar, nada se comparava ao tempero e magia da comida dos elfos da escola.

Só após a quarta garfada Nina levantou a cabeça para a mesa dos professores, lembrando-se do que queria tanto ver. Teve de olhar duas vezes para confirmar que ele estava lá, na ponta esquerda da mesa, quase escondido de tão curvado, abrindo sorrisos para a professora de feitiços, Eliza Dorsey, que ao seu lado não parava de falar e rir. Nina soltou o ar e sorriu automaticamente sem perceber. Estranhamente se sentia até mais aquecida por dentro em finalmente revê-lo porque teve medo de que ele abandonasse o cargo de repente.

– Nina? – Maurice chamou com a boca cheia. – O que foi? Para o quê você tá olhando?

– Nada. Só estou checando se teremos os mesmos professores. – sorriu para o amigo e voltou a comer.

Notas finais
É isso aí! Tá curtinho, mas acho que essa é minha média de tamanho por capítulo. Se chegou até aqui, comente por favor para eu saber que alguém leu! xx