Whispering
18 Where is my mind?
Notas iniciais
Bellamy se mantia a frente e Rey sempre ao fundo. Eles passaram a noite inteira andando pela mata pelo caminho que Murphy os guiava. Ela estava cansada, suas pernas as vezes falhavam, mas ainda assim continuava a andar. Seus olhos pesavam e minha voz estava incessantemente na sua cabeça.
Você devia estar indo para a montanha, Rey. Encontrar seu irmão.
Preciso ficar com Bellamy.
Ele está indo encontrar o povo dele, não ira te ajudar a encontrar seu irmão.
Cale sua boca.
Vá e ele nem irá perceber que se foi.
— Rey? — Bellamy pergunta após a observar por um tempo. — Você está bem?
Rey para de andar e sorri.
— Sim, sim.
Bellamy se aproxima e coloca sua mão em seu rosto.
— Você está muito pálida.
— Estou apenas cansada, Bell. Nada de mais. — Rey responde e ele beija sua testa voltando a caminhada.
Estou cansada de mentir. Rey não estava bem, sentia o sangue escorrendo de onde havia levado um tiro, mas todo o seu corpo estava sujo de sangue então ninguém percebia que esse era seu sangue. Um pedaço de pano improvisado ajudava a conter o sangue, porém, ela percebia a cada passo que não tava dando certo. Não quero continuar. Estou afundando. Bellamy estava a frente, todos estavam a sua frente. Estou sozinha mesmo com alguém.
Todos pareciam alienados, apenas procurando pelos seus amigos. Não que Rey não se importasse, entretanto, era mais importante para si encontrar seu irmão. Finalmente sabia onde ele estava após tanto anos e seu caminho a levava para o outro lado. Não sabia como falar para Bellamy, que logo ia se separar.
Rey nem nota para onde andava, sua mente estava em outro local, mas quando Murphy os joga no chão ela volta a si.
— É aqui — Murphy diz em tom baixo — Disse que encontraria.
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O local parecia estar abandonado a não por uns cinco selvagens. As estruturas estavam caindo ao pedaços e cobertas de mato. Nenhum dos caídos estavam lá, os selvagens não pareciam ser soldados, mas o fato de estarem com os objetos da nave atrai a atenção de Finn.
Quando o relógio de Clark é visto no pescoço de um deles, ai o plano já estava pronto e Rey se vê se escondendo no mato segurando um rifle. Murphy atraia o selvagem com o relógio, Bellamy o nocauteava e ela estava lá para se qualquer coisa desse errado.
Mas, nada da errado e quando Rey volta a si estava no buncker onde haviam escondido Charllote.
Charllote…parece ter sido há tanto tempo atrás, mas não faz nem dois meses. Olha onde eu me meti, olha meu estado e olha o deles. Nunca estive pior, nunca esqueci tanto das coisas. Eu acordo e estou em outro lugar. Eu me viro e estou em outro lugar. Estou cansada, cansada disso.
Bellamy estava tão focado no prisioneiro que nem percebia em Rey no canto do buncker encolhida com sua cabeça encostada na parede. Eles socavam e faziam o que queria com o prisioneiro, ela não ouvia e não se importava. Todo o seu corpo doía, sua visão estava turva.
Eu não consigo, Marla. Estou tão cansada. Apenas me faça dormir e acordar em casa. Agora não é a hora, Rey. Eu não me importo, apenas quero descansar.
Bellamy surge na sua frente, ajoelhado e com suas mãos no rosto dela. Sua boca se movia, palavras ecoavam. Seu nome era repetido várias vezes com alguma outra coisa.
— Rey? Rey? — Bellamy dizia incessantemente — Conseguimos um mapa, vamos embora.
— C-certo — Ela sussurra se levantando lentamente com ajuda dele.
— Pegue suas coisas — E assim se parte para junto de Finn, Sterling e Monroe que observavam o mapa.
— Já estou com ela… — Rey novamente sussurra sem ninguém a ouvir. O prisioneiro a observava, tinha seu rosto cheio de sangue e desconfigurado. Exatamente como o seu e de Bellamy jazia.
O grupo novamente volta a discutir, sobre o futuro do prisioneiro. O matar ou o deixar aqui. A discussão aumenta, suas vozes estavam quase gritando.
— Se não o matar, ele ira dizer onde estamos — Murphy dizia bem proximo de Bellamy.
— Ele está desarmado, Murphy — Bellamy tentava dizer.
Finn não estava entre eles, mas jazia no fundo com o prisioneiro. Rey o observava, com a pistola na mão.
— Ele vai contar ao seu povo tudo. — Eles nem percebiam a falta de Finn — Nós estamos mortos. E os seus amigos também.
Rey se aproxima de Finn, com suas mãos para cima. Sabia o que ele iria fazer. Suas boca sussurrava não. Finn não se importava, tinha a arma apontando para o prisioneiro.
— Não vamos fazer isso! — Bellamy continuava a dizer sem notar o que realmente estava acontecendo — Fim de papo. Se quiser matá-lo terá que passar por mim.
Rey estava próxima de Finn, sua mão tentando pegar a arma lentamente.
— O que aconteceu com você? Nem parece que já matou um terra-firme!
— Isso foi durante a batalha. Agora seria uma execução! — Bellamy e Murphy continuavam a discutir quando Rey grita.
— BELLAMY! — Todos se viram para trás e Finn atira.
O corpo cai e o sangue escorre pela cabeça do prisioneiro.
— O que você fez? — Rey pergunta em tom baixo, se questionando tudo que havia acontecido enquanto estava fora de si.
— Vamos em frente — Finn nem se importou em a responder, seguindo seu caminho até a porta do buncker.
Rey não parava de olhar para o corpo caído, o que fosse que tivesse acontecido também tinha culpa. Bellamy estava ao seu lado, mas ela nem percebia, ele a puxa pela mão para fora do buncker e Rey entra em transe novamente.
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O chão se torna preto e corpos surgem no meio da grama. Estaria realmente ficando tão louca ou isso é real? A grama queimada, os arbustos em cinzas. Os corpos num estado deplorador, com membros perdidos ou jogados em um lugar longe do corpo proveniente.
— Arca — Bellamy diz e Rey percebe o que era.
A arca se dividiu ao cair na terra, essa parte da nave não foi tão sortudo quanto o resto. Porém, apenas era visto cadeiras, placas de metal, corpos, mas nada da enorme nave que deveria ser.
O grupo caminhava adentrando a mata cinzenta com as armas a postos apenas para pararem na beira do precipício que dava para a enorme nave caída e destruída. Era um grande buraco com os restos do que era parte da arca.
— Não há nada que possamos fazer para essas pessoas — Bellamy diz se afastando do precipício, focado na sua missão de salvar seus amigos. — Temos que ir.
Um grito, vindo do fundo do precipício. Estridente, pedindo por socorro. O grupo volta a olhar para baixo e vê uma garota pendurada numa parte pequena da grande muralha de pedra ao lado de um galho.
— Mel? — Sterling grita reconhecendo a menina. — Precisamos a ajudar, ela é minha amiga!
Rey dava passos para trás, se adentrando ainda mais na mata cinzenta. O grupo discutia se ia ou não ajudar a garota, mas ela não se importava com mais nada agora. Nem sabia o que estava fazendo, sua mente era o silencio completo. Ela se senta na grama cinza, sua mente volta a anos atrás quando sua casa explodiu.
Não, não, isso passou. Não tem como mudar. Aconteceu. E meu pai fez isso, estou viva por todo esse tempo porque Mount Weather quis. Não sou forte, não sou uma sobrevivente. Sou um exemplo de dó, piedade. Eu sou ninguém. Eu sou apenas uma garota problemática.
O rosto de Bellamy novamente surge na sua frente, dessa vez ambas de suas mãos seguravam seu rosto. Lágrimas escorriam dos olhos de Rey, ela estava perdida e sabia disso.
— Rey? Me conte, Rey, por favor — Bellamy pedia enxugando suas lágrimas.
— Estou cansada disso… — Rey enterra seu rosto no peito dele, molhando sua camisa de tanto chorar — Cansada de ser assim.
— Rey, não entendo. — as mãos deles a segurava, mantendo-a segura. Ela soluçava e tremia, desesperada. — Por favor, apenas me fale.
— Eu estou perdido, não se onde estou, onde minha mente está. — Rey se enterrava mais no peito de Bellamy — Estou ficando louca...não, não...eu já sou louca, apenas estou ficando cada vez mais insana.
— Rey, Rey — Ele ergue seu rosto, as lágrimas que escorriam limpava a sujeira da sua pele. Bellamy a beija delicadamente, cariciando seu rosto — Eu te amo do jeito que é. Louca, insana. Não me importo. Eu apenas quero você do meu lado.
— Isso não vai acontecer, Bell. Preciso terminar o que comecei.
— Mount Weather?
— Preciso encontrar meu irmão, Bellamy. — Rey se afasta do peito de Bellamy e agora olhava de frente para ele — Preciso encontrar Josh.
— Apenas espere um pouco, apenas vamos terminar isso e eu vou até o fim do mundo com você se quiser.
— E se não encontrarmos Clarke?
— Nós vamos, apenas fique comigo por mais um pouco.
Um pouco, nunca é pouco. Devia saber disso
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