Whisper of the witch

1 01. Na última tarde de quinta...


01

Ela odiava as fofocas.

Mesmo tendo convivido com elas por uma grande parte de sua vida, Ginny Potter ainda as odiava. Tinha um desprezo especial pela coluna de Rita Skeeter, a jornalista geralmente construía uma falsa realidade envolvendo o seu nome e o de seu marido, mas lidava com Rita da mesma maneira que lidava com a birra de seus filhos, ignorando-a.

Entretanto, a notícia retratada no jornal não tinha o nome de Skeeter, a matéria estava assinada por Sandra Richardson, o que não era uma novidade, ela conhecia o estilo daquela repórter, seu nome havia sido citado várias matérias durante o último ano, mas ao mesmo tempo ainda se surpreendia quando colocava as mãos em uma das revistas. Sandra nunca publicava nada sem uma fonte confiável, ela se orgulhava disso, porém aquela notícia era ridiculamente falsa, pura fofoca. E isso deixou Ginny irritada.

Na última tarde de quinta, dia 23, Harry Potter foi visto com seus filhos, James e Albus Potter, em um passeio pelo Beco Diagonal sem a presença de sua esposa, Ginny Potter, o que não é uma novidade. Nos últimos tempos pouco se vê da jovem Sra. Potter que não seja em campo, sua carreira cresce à medida em que ela se afasta de sua família. Porém não devemos tirar conclusões precipitadas, deixo que os meus leitores tenham suas próprias opiniões sobre o casal. — Ginny abaixou o jornal e olhou para Harry sentado em sua mesa, seus olhos estavam fixos nos documentos do ministério.

—Eles estão ficando mais criativos a cada edição. — Harry comentou sem olhar para ela.

—Eles estão ficando mais irritantes a cada edição. — Ginny bufou e se acomodou sobre a mesa, os pés descalços balançando no ar. — Odeio quando eles dizem que eu estou me afastando de você.

—Eles não sabem de nada, amor. — Harry afirmou colocando a mão sobre a coxa dela, sua mão deslizou de baixo para cima, erguendo o tecido fino da camisola que ela usava.

—Já é a terceira notícias em menos de cinco meses. Eu acho que odeio Richardson quase tanto quanto odeio a Rita.

Sandra podia ser uma novata no mundo do jornalismo, mas em menos de um ano havia conseguido ganhar uma fama semelhante a de Rita Skeeter, embora suas notícias fossem verdadeiras, não deixavam de ser invasivas. Havia sido ela a responsável por revelar o envolvimento de Hubert Smith, o ministro do comércio, com sua jovem assistente, uma foto dos dois estampou a capa da Whisper of the Witch alguns meses antes. Todos os sórdidos casos de grandes figuras do mundo bruxo estavam sendo revelados, fotos e comentários teciam as notícias de Richardson, suas fontes eram tão confiáveis e seu nome tão conhecido, que algumas vezes ela não precisa de muitas palavras para acabar com a vida de alguém.

—Kingsley está ficando irritado com ela, já é a terceira vez em menos de um ano que ele tem que mudar um dos seus ministros. — Harry comentou enquanto arrastava as pontas dos dedos sobre a parte interna de sua coxa. Ginny sentiu os arrepios pelo seu corpo e o calor aumentou em seu ventre. — Por isso teremos um baile amanhã à noite. Ele quer distrair um pouco os funcionários.

—Você percebe que isso vai gerar ainda mais fofocas, não percebe? — ela olhou para Harry, seu marido parou de mover a mão e a encarou.

—Algumas vezes temos que apenas criar uma distração.

—Uma distração? — Ginny arqueou a sobrancelha, Harry sorriu minimamente, seus olhos verdes escurecidos de desejo.

—Oh sim, desviar um pouco a atenção das pessoas, sabe? Fazê-las esquecer do trabalho e focar um pouco na diversão. — ele a puxou pela cintura, deslizando-a sobre a mesa e a colocando à sua frente. — Como por exemplo uma linda mulher usando uma pequena camisola de seda.

—Isso seria uma distração para você, meu querido marido? — Ginny indagou e esperou o efeito de suas palavras. Harry levantou e agarrou sua nuca tomando sua boca em um beijo bruto, ela não se importou quando as mãos dele vagaram pelo seu corpo, apertando sua bunda e seios, puxando-a para perto até seus corpos estarem juntos. Ginny apoiou uma mão espalmada sobre a mesa enquanto a outra apertava o ombro de Harry, suas unhas enterradas em sua pele quando os movimentos dele se tornaram mais profundos. Ela reprimiu um grito quando chegou ao seu ápice, Harry mordeu seu pescoço com um pouco mais de força quando se viu caindo.

—Bom dia. — ele sussurrou e ela riu jogando a cabeça para trás.

—Bom dia. — Ginny saltou da mesa e ajeitou a camisola, uma escolha para uma noite quente de verão que causou sexo matinal. — Vou tomar um banho e depois acordar os meninos, você começa o café?

—Claro. — Harry afirmou. Ginny lhe roubou um beijo antes de correr escada acima. Tomou um rápido banho e vestiu as roupas de treino antes de seguir para o quarto de James, seu filho de quatro anos estava esparramado pela cama, o rosto contra o travesseiro e a boca aberta. Ginny se ajoelhou ao lado da cama e passou os dedos pelo seu cabelo castanho avermelhado.

—Está na hora de acordar, meu amor. — ela sussurrou recebendo apenas um grunhido sonolento em resposta. — James, papai está fazendo panquecas com melaço.

James ergueu a cabeça, os olhos ainda fechados e a boca aberta.

—Panquecas? — ele indagou piscando seus olhos castanhos.

—Panquecas. — Ginny afirmou e torceu para que Harry estivesse mesmo fazendo panquecas. — Agora vá para o banheiro que eu vou acordar seu irmão.

Ginny se levantou e James voltou a se deitar. Ela teria que passar lá novamente. Cruzou o corredor e abriu a porta do quarto de Albus, seu bebê já estava sentado em seu braço, segurava seu dragão de pelúcia com um dos braços enquanto coçava o olho com o punho fechado.

—Mamãe?

—Bom dia, meu amor. — ela estendeu os braços e Albus se levantou para caminhar até ela. Ginny o segurou e beijou sua bochecha. — Dormiu bem?

Albus assentiu enquanto bocejava, seus olhos verdes ainda nublados de sono. Ginny entrou novamente no quarto de James e arrastou seu filho para o banheiro, Harry chegou segundos depois de seus garotos entrarem na banheira, ambos gritaram felizes ao ver o pai.

—Vá tomar café, eu dou banho neles. — Harry disse empurrando-a em direção a porta. Ginny os deixou de bom grado e desceu a escada até a cozinha, tomou seu café ouvindo os gritos animados de seus garotos.

—Mamãe! — James gritou do banheiro. Ginny deixou sua xícara de lado e correu novamente para o segundo andar, James estava na porta do banheiro enrolado em seu roupão amarelo apenas esperando por ela para concluir a rotina diária.

Ginny nunca soube ao certo quando eles começaram com aquela rotina, talvez antes de James, quando Teddy ainda precisava da atenção total deles. Porém, era fácil e simples de se memorizar, Harry fazia o café enquanto ela acordava às crianças, ele dava banho neles e ela comia o que conseguia antes de terminar de vestir os meninos. Então os quatro desciam para terminar o café antes de saírem de casa.

Ela vestiu James com o uniforme de sua escola e tentou domar seu cabelo, o que sempre se provava um desafio que nem mesmo o maior grifinório conseguia realizar.

—Pronto, fique aqui enquanto eu visto seu irmão. — Ginny deu um rápido beijo na testa de James e se apressou até o quarto de Al, ele estava sentado no chão usando seu roupão vermelho e equilibrando seus blocos coloridos. — Vamos Al.

Ele se levantou e correu até seu guarda-roupa, Ginny o deixou escolher suas roupas, o vestiu com um blusa branca e shorts amarelos, arrumou seu cabelo e o guiou para fora do quarto. Harry os encontrou e James saiu correndo de seu quarto em direção a escada, Al o acompanhou com suas pernas curtas.

Foram apenas vinte minutos de conversas adultas e risadas infantis até Ginny precisar ir para o treino, ela beijou seus três garotos e seguiu para a lareira, Harry deixaria James na escola e Al na toca antes de ir para o Ministério. Ela sorriu enquanto entrava na chamas e acenava para seus filhos, seu peito se aqueceu como sempre acontecia todas as manhãs quando se despedia deles, observar Harry, James e Al pela última vez antes das chamas tomarem sua visão e ela ser levada para longe deles.

×××

Os bailes do ministério nunca eram chatos, pelo menos para quem sabia procurar, Ginny amava se sentar com as senhoras mais velhas e ouvir as fofocas que rolavam pelos corredores, geralmente escandalosas demais para serem repetidas em voz alta, e às vezes no fim da noite ela se juntava a Kingsley para contar o que sabia. Era um fato inegável que todos gostavam de uma boa fofoca, até o Ministro da magia.

Entretanto, naquela noite, Ginny não estava no clima de fofocas, o treino havia sido exaustivo e James estava ficando doente, espirros, tosses e tudo mais. Uma temporada de gripe infantil estava tomando conta das crianças da escola e James não poderia ficar de fora, até Teddy estava um tanto febril quando eles passaram na casa de Andy antes da festa. Al obviamente logo estaria adoecido e Ginny estava se preparando mentalmente para cuidar das três crianças doentes.

—Pegue. Eu não quero. — Hermione deixou uma taça de vinho sobre a mesa, Ginny olhou para sua cunhada que tinha a boca retorcida no nojo.

—Por que? — ela indagou puxando a taça para si e cheirando o líquido.

—Davina me deu e eu não podia recusar, então tomei apenas um gole, mas já sinto vontade de vomitar.

—Hermione, conte logo que está grávida e acabe com essa encenação.

—Eu não posso. Quando fizer isso eles começaram a me tratar com cuidado e eu não quero isso. — Hermione argumentou cruzando os braços e se encostando na cadeira. Ginny riu ao lembrar de sua sobrinha, Rose não parecia com Hermione apenas fisicamente. — E por falar em cuidado, onde está Rony?

—Com Harry e alguns amigos aurores. — ela apontou com a cabeça para um pequeno grupo perto do bar, o cabelo vermelho de Rony se destacava na multidão. — Como ele está se saindo? Já contou para alguém?

—Para os vizinhos e a professora de natação de Rose. Então, acho que estamos bem.

—Enquanto as revistas não souberem…

—Oh, nem me fale! — Hermione exclamou. — Eu vi a última reportagem da Whisper. Não sei como eles ousam dizer coisas tão ridículas e mentirosas sobre vocês.

—Eu sei que já deveria estar acostumada com isso, mas não consigo. Eu não me importo sobre o que falam de mim, só não quero que envolvam meus filhos nisso. — Ginny afirmou. Sua carreira lhe dava fama, a vida de Harry lhe dava fama, e ela podia lidar muito bem com isso, mas seus filhos ainda eram crianças e não precisavam desse tipo de atenção. Hermione assentiu silenciosamente, então acrescentou com um novo sorriso.

—O aniversário do meu pai está perto e ele fará um churrasco para a vizinhança. Mamãe gostaria de saber se vocês querem ir.

—Claro. Não perderíamos por nada.

Hermione continuou a sorrir enquanto contava os planos de seus pais. Ginny adorava os pais de Hermione, Mônica e Albert eram os trouxas mais legais que ela conhecia, eles tinham paciência para responder cada pergunta que ela fazia, e parecia adorar mostrar os objetos que tinham em casa ou no consultório, Ginny lembrava da animação de seu pai na primeira vez que eles foram visitar os Granger. Seus filhos também amavam os novos avós, Ginny não sabia como, mas James havia arranjado inúmeros avós por onde passava, as pessoas mais velhas caiam diante do charme e do sorriso de seu filho. Ela ainda estava se preparando para quando James crescesse e fosse para Hogwarts, McGonagall provavelmente iria pedir demissão.

—O que ela pensa que está fazendo? — o tom enraivecido de Hermione fez Ginny arquear as sobrancelhas confusa, seguindo o olhar de sua amiga, ela observou um bela mulher de cabelo loiro e vestido preto conversando com um homem mais velho de terno cinza.

—Quem é ela?

—A nova assistente de Marsan. Vanessa Shaper — Hermione disse, Ginny assentiu lembrando do chefe arrogante de Harry.

—E com quem ela está falando?

—Michael Sunley, sênior do conselho do hospital. Oh céus… — Hermione se levou da cadeira tentando ver melhor. — Você acha que ela está flertando com ele?

Ginny franziu a testa. Estava muito longe para ouvir qualquer coisa, mas pela expressão no rosto do homem podia ver que ele estava contente com a atenção que estava recebendo.

—Não sei. Isso seria ruim?

—O senhor Sunley é casado.

—Então isso é ruim. — ela murmurou. — Mas não acho que eles estão flertando. Ela parece até um tanto desconfortável.

—Parece mesmo. — Hermione sussurrou. — Já volto.

Ginny não teve tempo para falar nada, Hermione cruzou o salão desaparecendo a fim de ajudar alguém indefeso. Bufando, ela se levantou e caminhou até onde Harry estava. Depois de uma rápida conversa e olhares inapropriados, Ginny pediu para ir embora.

Era a primeira vez em meses que eles estariam sozinhos, então ela desejava aproveitar a noite.

A lua estava cheia quando eles entraram em casa, as cortinas das janelas da sala estavam abertas deixando a luz entrar, Ginny pensou em Teddy e seu costumeiro mau humor durante a lua cheia, um lembrete de sua parte lobo. Harry ajudou a tirar o casaco, seus dedos tocaram em sua pele à medida que o tecido caía, ele beijou seu ombro e dobrou o casaco deixando-o sobre o sofá.

—Onde Hermione estava indo quando saímos? — Harry passando o braço ao redor da cintura dela. Ginny sorriu sentindo o toque dele subir lentamente pelas suas costas, a ponta de seus dedos acariciando sua pele.

—Bancar a salvadora para uma alma inocente. — ela explicou apenas para acabar com o assunto, a mão de Harry se arrastou pela sua barriga até seu busto, seus dedos roçando contra seu seio fazendo-a grunhir em desejo. — Harry. Quarto.

—Com todo prazer. — Harry sussurrou, sua voz rouca contra o ouvido dela. Ginny fechou os olhos e deixou Harry a guiar em direção à escada.