Whisper

8 I Love You, I'll Kill You...


Notas iniciais
Capítulo novo que me deixou super abalada emocionalmente -.-' Culpa do Itachi que sempre faz isso comigo, mas enfim...
Haters gonna Hate and Lovers gonna Love... *-*
Música desse capítulo: I Love You, I'll Kill You - Enigma
Espero que gostem... Nos vemos no final do cap! ;)

A música alta se espalhava pelo local, e todos pareciam inebriados e envolvidos demais com aquela festa. Vampiros, humanos e outras criaturas da noite se divertiam juntos naquele ambiente um tanto quanto... Peculiar. Uma banda também tocava ao vivo no palco do salão, deixando grande parte do público completamente distraído com sua performance, o que também faz com que os integrantes da Akatsuki se infiltrem no local sem serem percebidos pelas criaturas sobrenaturais. Konan, Hidan, Deidara e Tobi passam pelo corredor que dava acesso ao salão principal do evento, sem realmente chamarem a atenção das pessoas, salvo alguns olhares de desejo que lhe eram lançados, inevitavelmente. Já Kisame e Itachi acabam ficando para trás, propositalmente, pois o moreno parecia receoso com algo que o resto do grupo ainda não sabia.

—O que foi Itachi?—diz o maior, ao perceber o seu companheiro parar diante da porta, com uma expressão quase imperceptível de preocupação em seus olhos avermelhados.

—Kisame... Não quero que continuemos com eles... —murmura o moreno, voltando-se para o azulado que lhe observa com um olhar um pouco surpreso.

—O que você está tramando?

—Nada. Apenas confie em mim. Não vamos continuar daqui. —diz o moreno, dando um passo e aproximando-se de Kisame, que continua fitando aqueles olhos avermelhados que sempre pareciam esconder algo por debaixo da sua frieza.

—O nosso plano de ação já está todo traçado. Se um de nós falhar, todos podem se dar mal. Você não vai querer o líder nos cobrando isso mais tarde...

—Isso se tiver um mais tarde para nós...—murmura o moreno, abaixando o olhar como se estivesse pensativo, mas nesse instante, o maior o segura pelo queixo delicado, trazendo o para si, de forma que seus rostos ficam muito próximos, e diz:

—Seja lá o que estiver tramando, você sabe muito bem que eu vou lhe impedir se for fazer alguma loucura, não é mesmo?

—Apenas confie em mim. —pede mais uma vez o moreno, com aquele olhar enigmático que apenas seu companheiro de dupla sabia desvendar.

Lá dentro, no salão onde acontecia a festa...

Os Akatsukis já estavam em uma mesa, e faziam alguns pedidos para uma atendente que parecia ser uma humana normal. Eles pareciam pessoas normais entre tantas outras criaturas da noite que estavam ali, igualmente disfarçadas em suas habilidades sobrenaturais. Ao dar por falta da dupla que ficara para trás, Konan é a primeira a perguntar:

—Onde estão Itachi e Kisame?

—Achei que estivessem entrado junto com a gente. —responde Deidara.

—Ah, eles devem ter ficado para trás de propósito para darem uns pegas, você sabe como aqueles otários insistem em serem ‘discretos’... —diz Hidan, gargalhando alto em seguida, sem perceber que os dois já se aproximavam da mesa por trás dele.

—Itachi-senpai, Kisame-senpai... É verdade que vocês ficaram para trás para...? —diz Tobi, tendo sua pergunta interrompida por Deidara que lhe dá um tapa na nuca, impedindo-o de continuar:

—Cala a boca Tobi! Deixa de ser inconveniente, un! —aspera-se o loiro, enquanto o moreno e o azulado se sentam à mesa com uma indiferença gélida para o mascarado.

—Melhor pararmos com as brincadeiras e nos concentrarmos no que realmente viemos fazer aqui. —rosna Konan, chamando a atenção de todos na mesa. Ela então abre um pedaço de papel discretamente sobre a mesa, e continua: —Apenas revisando nosso plano de ação. Eles devem estar nesse exato momento abaixo de nós. Tobi, você vai desviar a atenção dos humanos que estão por aqui, e dos vampiros que for capaz de controlar também.

—Sim Konan-senpai! Tobi entendeu perfeitamente!

—Deidara e Itachi também vão distrair o máximo de pessoas que puderem, usando sua Presença; Kisame e Hidan irão comigo até o subsolo, onde exterminaremos os caçadores, antes que eles percebam que estamos aqui.

—Pensei que não pudéssemos usar disciplinas, un. —comenta o loiro.

—Sim, mas será necessário. Não teríamos conseguido entrar aqui sem Ofuscação e não deixaremos nenhum rastro. Pois quando tudo acabar, qualquer vestígio vai ter ido embora durante as suas explosões e...—a garota pára de falar de repente, percebendo tanto pelo olhar dos companheiros para si, quanto pela presença de alguém que aproxima-se sorrateiramente atrás de si, que algo havia dado errado. Em uma fração de segundos, a mesa deles é cercada por espécies de seguranças lhes apontando armas, ao mesmo tempo em que eles também se levantam, voltando suas armas contra o inescrupuloso vampiro que envolve Konan com sua serpente branca.

—Há quanto tempo! Ao que devo a honra da presença de velhos amigos nessa noite? —sibila Orochimaru, tocando o rosto da azulada que lhe dispensava um olhar facínora de relance enquanto sentia o pegajoso animal se enroscar em seu pescoço juntamente com a proximidade do corpo do Seguidor de Set, que não se intimidava com o fato de ter as lâminas da foice de Hidan e da Samehada de Kisame ao redor do seu pescoço.

—As suas boas vindas sempre são as melhores...—comenta Konan, com o desprezo que sentia pela situação na qual se encontrava.

—Assim como os cumprimentos que a Akatsuki me oferece ao chegar a meus domínios... E não digo apenas por essas gélidas lâminas em meu pescoço... Você sabe que meu bebê aqui faria sua cabeça rolar antes que seus amigos pensassem em manusear suas armas.

—Hunf! —resmunga a garota, com um olhar obstinado, enquanto pedia silenciosamente com o olhar para Kisame e Hidan não se moverem, já que o que Orochimaru dizia era verdade.

—Que bom que entendem isso...—diz o homem, voltando seu olhar aos seus subordinados, que entendem seu sinal e se aproximam colocando alguns explosivos com fios cortados sobre a mesa, enquanto ele continua: —Agora voltando ao assunto sobre como vocês não tem modos para chegar no domínio alheio, eu gostaria de saber o que é isso? Explosivos de prata espalhados pelo prédio, de forma que qualquer lupino pudesse farejá-los? É algum tipo de brincadeira de mau gosto da prole terrorista que vocês recrutaram?

—Isso não é nosso. —resmunga a garota, lançando um olhar para Deidara, que entende o sinal.

—Claro que não! Até parece que eu iria lidar com esse monte de lixo, un. Isso não chega aos pés da minha arte.

—Do que ele está falando menina Ventrue? —pergunta Orochimaru à garota, demonstrando um resquício de falta de controle da situação pela primeira vez na noite, e Deidara sorri, dizendo:

—Eu vou lhe mostrar a verdadeira arte, un!

Nesse momento, todas as inúmeras esculturas que existiam espalhadas pela linda decoração do local começam a brilhar de uma forma estranha, assim como fazer um leve ruído, perceptível apenas aos ouvidos mais atentos. As duas estátuas de mármore que enfeitavam a porta de entrada são as primeiras a se desfazerem em uma explosão violenta, que faz parte das paredes desmoronar e fechar a saída do salão. Em seguida, o mesmo começa a acontecer com o restante das esculturas do ambiente, que começam a explodir uma a uma, transformando a festa num verdadeiro caos de fogo e desespero para todos os presentes. Só então Orochimaru percebe que o grupo da Akatsuki desaparecera da sua frente, mas mesmo assim ele não desiste de ir atrás deles:

—Kabuto! Chame os caçadores do subsolo e dê ordens para capturar cada um deles. Eu quero enviar a cabeça de todos para Pain antes mesmo de amanhecer! —diz o vampiro, transformando-se em uma cobra branca que desaparece dali em meio aos escombros que já se formavam.

—Sim senhor...—responde Kabuto num suspiro conformado, sumindo em um vulto rápido em meio à confusão.

Enquanto isso, em alguns cômodos longe do salão principal daquela mansão, um barulho intenso de tiroteio e brandir de lâminas podia ser ouvido, à medida que o grupo da Akatsuki fazia um verdadeiro massacre entre os vampiros e humanos que estavam por ali. Konan, Deidara e Tobi atiravam contra alguns seguranças que os perseguiam, enquanto Hidan abria caminho retalhando com sua foice alguns vampiros que tentavam se impor contra o grupo.

—Ei, cadê o Kisame e o Itachi de novo? É tão difícil assim aqueles dois se manterem por perto da gente?! —indaga a azulada chamando a atenção de todos para o fato dos dois não estarem ali.


Não muito longe, em outro cômodo da mansão...

—Itachi-san, onde pensa que está indo? Os explosivos de Deidara já fecharam todas as saídas da casa, não tem como sairmos daqui se não for pelo local mapeado por Zetsu anteriormente, que é para onde o grupo está indo agora! —diz Kisame, enquanto seguia Itachi que parecia convicto em fazer algo que realmente não estava ligado ao plano estabelecido por eles.

—Não há outra saída, a não ser a que nós dois estamos indo agora. —diz Itachi, sério, fazendo o azulado franzir o cenho, intrigado.

—Como?


Nesse mesmo instante, o grupo da Akatsuki chega a um cômodo, após matarem praticamente a todos que passaram diante de si, e ainda seguindo o mapa que abre rapidamente para conferir o local, Konan diz:

—É aqui. A nossa rota de fuga! Já pode detonar o restante dos explosivos Deidara. —diz a garota, andando depressa até uma cortina e abrindo uma janela, no entanto sua expressão muda para extremamente assustada com o que encontra.

—Mas que porra é essa? —diz Hidan, atônito com os demais, diante da passagem que não existia de acordo com o mapa, mas sim, uma parede alta e imponente bloqueando a sua rota de fuga.

...

—Eu alterei o mapa feito pelo Zetsu, porque sabia que se fizéssemos tudo conforme o planejado, eu não terei o tempo que eu preciso para...—Itachi faz uma pausa, completamente hesitante, mas Kisame que lhe conhecia bem, entende sua linha de raciocínio.

—Eu não acredito que você está arriscando todo o grupo por causa daquele moleque maldito!—diz o azulado

—Tem algo que preciso fazer, e ficar com o grupo, só vai me atrapalhar. —diz o moreno, continuando a andar convicto, até que eles encontram um grupo que parecia lhes aguardar em meio aos escombros.

Não era necessário mais perguntas diante da situação e Kisame apenas empunha a Samehada, colocando-a sobre o ombro. A sua frente estavam quatro caçadores. Dois rapazes, um mais alto e de cabelos castanhos alaranjados, e o outro de cabelos azulados até o ombro. Havia também uma garota ruiva, e ao lado dela, mais precisamente, a um passo a frente dos demais, estava Sasuke com uma mão escorada sobre o cabo da sua ninjatô, ainda embainhada na sua cintura. Itachi apenas diz:

—Cuide dos outros três, por favor. Eu tenho assuntos para tratar com meu irmãozinho tolo.

Dito isso, tanto Itachi quanto Sasuke somem dali num vulto que apenas Kisame acompanha, pelo rápido movimento que ambos fazem, para em seguida se ver sozinho diante dos três caçadores que o fitavam determinados a atacar a qualquer momento.

—É... —diz ele, com um longo suspiro, um pouco inconformado: —Qual de vocês vai morrer primeiro?


Lá fora da mansão, no bosque aos arredores...


Dois vultos pulavam e se moviam por entre as árvores, hora ou outra se topando com violência, fazendo barulhos de brandir de lâminas ecoar pelo bosque. Alguns tiros fortes de calibre pesado também eram ouvidos, ao mesmo tempo em que uma revoada de corvos parecia se espalhar de um dos vultos, e após se manterem embrenhados nesse exaustivo combate durante um bom tempo, ambos resolvem parar por um momento, sentindo alguns dos seus ferimentos adquiridos durante as investidas começarem a lhes dar sinal de que deveriam maneirar.

—Isso é meio infantil da sua parte irmãozinho... —comenta Itachi, agachado sobre o galho de uma árvore, enquanto via Sasuke recarregar e engatilhar a escopeta, lhe mirando outra vez: — Armas de fogo não são eficientes contra nós... E deveria guardar sua munição de prata para os lupinos, eles são mais suscetíveis ao dano do que os Membros. Além do mais, suas balas de madeira seriam eficazes... —o moreno mais velho se move para o lado em um milésimo de segundo juntamente com o barulho do tiro desferido pela escopeta em sua direção, desviando com maestria do mesmo, e continua: ... Se você conseguisse me acertar, é óbvio.

—Cala a maldita boca, seu desgraçado! —diz Sasuke, começando a disparar mais e mais tiros, deixando Itachi um pouco mais inconformado, e após desviar de todas as balas, sendo pego apenas de raspão por algumas, ele pára atrás do caçula e diz:

—Deveria parar de assistir esses filmes infelizes que difamam nossa espécie, irmãozinho.

—E você deveria ser mais esperto e se manter longe de mim! —grita Sasuke, girando num movimento rápido e enfiando a espada no estomago de Itachi, empalando-o em um troco de árvore com o golpe.

—Bem lembrado... Pelo menos você acertou com a prata banhando a lâmina da sua espada. —diz o moreno mais velho, com um sorriso de canto, enquanto sentia um fio de sangue escapar pelos seus lábios.

—Pare de se achar o superior seu maldito! —rosna Sasuke, encravando ainda mais a lâmina contra o corpo do irmão e retorcendo-a com força, fazendo-o tossir e cuspir mais sangue. Percebendo então que Itachi não estava reagindo, mas permanecia estranhamente passivo, o mais novo franze o cenho, segurando-o pelo pescoço e obrigando-o a lhe olhar nos olhos, enquanto grita: —Resolveu desistir finalmente?

Nesse exato momento, os olhos avermelhados de Itachi encontram os do seu irmão mais novo, e este pode perceber que eles possuíam um desenho diferente em suas íris.

—Você sabe que eu nunca desisti de você ototou...—diz Itachi, e Sasuke se assusta tentando se afastar, mas nesse momento, o corpo de Itachi se transforma em uma revoada de corvos que se dissipam no ar, à medida que o mais novo dá alguns passos para trás, e só então percebe que sua espada estava ainda embainhada, mas a de Itachi estava transpassada em sua cintura, o que o faz cambalear para trás.

—Merda! —rosna o mais novo, sentindo-se preso naquela ilusão, e caindo devido o ferimento, ele é amparado pelos braços do irmão, que senta-se na grama, deitando-o em seu colo quase gentilmente. De repente, Sasuke percebe que o ambiente a sua volta estava sensivelmente mais quente, e a escuridão da noite se esvaia diante de raios solares que atravessavam as copas das árvores iluminando e colorindo o mundo ao seu redor, o que começa a deixá-lo instintivamente desesperado, apesar de ter certeza de que o horário não se passava das onze horas da noite ainda. —Seu maldito, você está fazendo isso?

—Shh... —diz Itachi, tocando de leve com as duas mãos o rosto de Sasuke, como se tentasse aliviar a dor dele de ter a pele queimada pelos raios de sol, embora soubesse que aquilo pertencia à sua própria ilusão, pois o irmão estava intacto e imóvel em seus braços, na profunda escuridão da mata. —Esses raios de sol são falsos e não podem lhe ferir de verdade...

—Mesmo assim... Isso dói! —diz Sasuke, sentindo a pele arder e seus olhos queimarem diante da luminosidade que insistia em enxergar.

—Eu só queria que você pudesse ver a luz outra vez... Mas tudo o que tento fazer por você parece sempre machucá-lo mais, não é mesmo irmãozinho? Como da primeira vez que o salvei mesmo sendo obrigado a dizimar nossa família...

—Teria ajudado muito mais se tivesse me abraçado antes de permitir que Orochimaru o fizesse. —diz Sasuke, e Itachi pode sentir que já havia mais mágoa do que raiva na sua voz.

—Eu sei que errei ao hesitar em abraçá-lo, mas eu não queria transformá-lo em mais um amaldiçoado, como eu. Além disso, meu sangue não era forte o suficiente para gerar uma progênie naquela época, mas... Se eu soubesse que o setita estava de olho em você, eu teria agido antes, e hoje você seria meu.

—Seu quimerismo vai me matar Itachi... Desfaça-o... —murmura Sasuke, ainda sentindo os danos da falsa luz solar lhe afetarem intensamente, e Itachi se debruça um pouco mais sobre o irmão, deixando seus rostos tão próximos a ponto de roçarem seus narizes um no outro. Percebendo que sua ilusão estava realmente começando a machucá-lo, o moreno mais velho pisca algumas vezes e faz toda a claridade desaparecer, permitindo a ambos serem abraçados pelo frio e o escuro da noite.

I see love, I can see passion

(Eu vejo amor,eu posso ver paixão)

I feel danger, I feel obsession

(Eu sinto perigo, eu sinto obsessão)


—Está tudo bem agora...—sussurra Itachi, deixando seus lábios roçarem de leve na testa do mais novo, enquanto acariciava de leve seus cabelos. Sasuke percebe que seu ferimento com a espada também era uma ilusão, e salvo alguns arranhões que adquirira em seu luta de alguns momentos atrás, os quais já estavam cicatrizando, ele estava intacto. E livre de qualquer domínio mental, para sair dali se quisesse, mas naquele momento, era como se algo mais forte do que qualquer disciplina vampírica lhe prendesse ali e o impedisse de sair dos braços do irmão.

—Você está de guarda baixa... Eu poderia acabar com você agora se eu quisesse. —comenta Sasuke, mas não em tom de ameaça. Era como se quisesse puxar algum assunto enquanto elevava devagar uma mão até o rosto do mais velho, tocando-o entre alguns longos fios de cabelos que recaiam sobre si.

Don't play games with the ones who love you

(Não faça jogos com aqueles que te amam)

Cause I hear a voice who says:

(Porque eu ouço sua voz dizer: )


—Não me interessa o que possa acontecer... —dessa vez Itachi deixa seus lábios resvalarem pelo rosto do mais novo, depositando um beijo de leve em suas pálpebras, e continua num sussurro audível apenas para os dois: —Eu sempre vou te amar Sasuke.


I love you... I kill you...

(Eu te amo... Eu te matarei...)


Os dedos de Sasuke se movem quase que involuntariamente em um leve afagar no rosto de Itachi, e esse ínfimo movimento de seu corpo o assusta. Era como se todo o ódio que continuava queimando dentro dele se chocasse de repente com aquele sentimento morno e envolvente ao qual estava permitindo entregar-se por um momento.


Loneliness, I feel loneliness in my room...

(Solidão, eu sinto solidão em meu quarto...)


—Nii-san...—murmura o mais novo com os lábios trêmulos, os quais estavam chamando a atenção do mais velho mais do que deveriam. Itachi tenta se repreender intimamente, mas em vão. A visão daqueles lábios tão próximos aos seus estava lhe causando um desejo maior do que estar diante de sangue durante um momento de sede intensa. Sabia que não deveria sentir isso, mas seus instintos pareciam serem mais fortes e ignorar completamente o fato de que eles eram irmãos. Sempre o amara como tal, mesmo quando humano, mas agora, como vampiro, parecia não conseguir controlar esse amor que era potencializado a ponto de se misturar com seus mais profundos desejos carnais. E ele sabia que era inútil lutar contra algo tão forte.

Sem conseguir se conter, Itachi segura Sasuke pela gola da camisa e o puxa um pouco para cima, fazendo com que seus lábios se encontrem e se juntem em um beijo que ele mesmo começa lento, suave, como se tomasse cuidado para não deixar escapar cada sensação que aquele contato tão delicioso causava em seu corpo inerte. Sasuke se assusta um pouco com a atitude do irmão, e pensa em repeli-lo, porém, era como se algo mais forte o impedisse e o forçasse a se render. Surpreso por descobrir isso dentro de si, o moreno mais novo simplesmente pára de resistir, passando a retribuir lentamente, numa entrega muda que faz Itachi aprofundar um pouco mais aquele beijo que se torna de repente tão prazeroso e intenso para os dois.

Sasuke o abraça, numa tentativa ansiosa de trazê-lo para mais junto de si, ao mesmo tempo em que sua mente vagava no limiar do ódio e o do desejo pelo irmão mais velho. Itachi entrelaça os dedos nos cabelos sedosos e negros do mais novo, enquanto se mantinha conduzindo aquele beijo que poderia durar para sempre e ainda assim, ele não se sentiria saciado. Era como se a cada instante desvendasse sensações totalmente novas em cada toque dos lábios do irmão. A eternidade que lhe aguardava não seria o suficiente para conseguir desvendá-lo por completo.

—Itachi... —murmura o mais novo, sendo tomado por algum lapso de consciência que o faz se desvencilhar com dificuldade daquele beijo que parecia tão irresistível. —Pare...

—Você retribuiu. —murmura Itachi, abrindo os olhos devagar e fitando os olhos confusos de Sasuke, que continua:

—Você é tão sujo! Como pode fazer isso? Somos irmãos...

—Somos vampiros. —responde o mais velho, voltando a depositar outro beijo na boca do caçula, só que dessa vez, muito mais lascivo, pois ele inicia o mesmo passando a língua sensualmente pelos finos lábios trêmulos, e continua: —Não se pode sujar ainda mais o que já está imundo...

—Mas... —Sasuke não consegue protestar, sua boca estava novamente tomada pela do irmão, e antes que conseguisse se conter, ele próprio já se encontrava envolvido e retribuindo aquele beijo, onde ambos lutavam pelo controle.


Look into the mirror of your soul

(Olhe dentro do espelho da sua alma)

Love and hate are one in all

(Amor e ódio são um em todos)

Sacrifice turns to revenge and believe me

(Sacrifícios voltam para vingança e acredite em mim )

You'll see the face who'll say:

(Você verá a face de quem diz:)

I love you... I'll kill you...

(Eu te amo... Eu te matarei...)


—É bom saber que você também sente algo tão intenso assim por mim. —murmura Itachi, findando o beijo com um esforço que ultrapassava seus limites de autocontrole, e segurando o rosto de Sasuke com firmeza, ele o fita nos olhos profundamente e continua: —Mesmo que seja seu ódio... Não me importa. Eu apenas não suportaria sua indiferença! Isso é tudo o que eu precisava saber.

—Pare de falar bobagens só porque eu desisti de te matar essa noite. —resmunga Sasuke, devolvendo o olhar profundo e carregado de desejo do irmão.

—Cale a boca e me escute: —diz Itachi, percebendo algum movimento ao redor do bosque que o menor não percebe, — Existe uma caçada de sangue ordenada pelo Príncipe para você. Eu não vou participar dela, mas não posso responder pelos outros...

—Eles estão chegando não é mesmo?

—Eu te amo Sasuke. Não vou impedi-lo de tentar fugir se quiser. —diz Itachi, abraçando-o fortemente contra o peito e como se ficasse hesitante por um breve momento, Sasuke move as mãos, envolvendo a cintura do mais velho.

—Adeus Itachi. —murmura ele, se desvencilhando do abraço e movendo-se dali com sua rapidez, ele some num vulto, deixando o irmão com algumas lágrimas vermelhas nos cantos dos olhos.

—Adeus... ototou. —murmura Itachi, com a voz rouca e praticamente inaudível, ficando cabisbaixo enquanto se esforça para tentar evitar que sua percepção aguçada lhe revele o que estava prestes a acontecer naquele bosque, ao seu redor.

I love you... I'll kill you...

(Eu te amo... Eu te matarei...)

But I'll love you forever

(Mas eu te amarei para sempre...)


Sasuke já se encontrava perto dos limites da Serpentine’s, quando pára de correr, por um momento, ao encontrar alguém que lhe aguardava já na entrada do bosque. A figura alta parada com um olhar intimidador a sua frente portava uma espada igualmente enorme, a qual trazia parcialmente enrolada em algumas bandagens já desfeitas e rasgadas, apoiada sobre os ombros largos. Kisame sorri de canto ao encarar o moreno que se parecia demais com Itachi, e diz:

—Eu até lhe daria uma morte rápida, em consideração ao Itachi, apesar de eu lhe odiar por tê-lo feito sofrer, mas... —o azulado faz uma pausa, manuseando a espada com uma habilidade incomum para uma arma tão grande. —Infelizmente eles o encontraram também.

Nesse exato momento, Konan, Hidan, Deidara e Tobi saltam de cima das arvores, cercando Sasuke que se assusta por não ter sentido a presença deles também. Todos estavam visivelmente um pouco chamuscados e feridos, com suas roupas queimadas e rasgadas, devido aos combates nos quais se envolveram lá dentro da mansão, no entanto, a garota parecia ser a mais alterada de todos:

—Então você é o motivo do nosso plano ter dado errado seu moleque maldito! —rosna ela, lançando um olhar facínora para o moreno que a olha de relance, assim como para os demais. Um sorriso quase imperceptível se molda em seus lábios, pensando em como acabara cercado por cinco poderosos seres que vivera para caçar ultimamente. Definitivamente, estava completamente alterado naquele momento para acabar chegando nesse ponto. Ele apenas segura sua ninjatô, desembainhando-a com o polegar, em sinal de que estava aceitando aquele desafio. Aquele lhe parecia um fim interessante, afinal.


Continua...

Notas finais
Por mais que eu esperneie e grite para todo mundo que eu DETESTO o Sasuke, eu tenho que admitir, ItaSasu é uma das coisas mais fofas desse mundo! *-*
Resolvi colocar o Sasuke aqui para passar pela primeira experiência de matar um personagem em uma fic... Não vou dizer que foi uma tentativa fail, porque aqui o Sasuke-kun não tem Kishimoto no Jutsu, então eu duvido muito que ele tenha escapado do Kisame, do Hidan, do Deidara, do Tobi e da Konan, todos juntos... Enfim, esse foi o máximo que eu consegui fazer... Deduzam como quiser ;)
Mereço reviews?
Bjus e até o próximo capítulo! õ/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.