Whiskey Lullaby
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Aquela havia sido sua última carta.
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Era 1950.
Ambos os namorados viviam em países diferentes. Gilbert, morava na Alemanha, com seu irmão; e Roderich, morava na Áustria, com sua família.
Se conheceram em uma cidade da Alemanha, quando Roderich visitara uma amiga, Elizaveta, que estava estudando no país.
Foi quase que instantâneo e logo se apaixonaram.
Mesmo com Roderich vivendo na Áustria, ainda trocavam cartas (link das cartas), e algumas vezes se encontravam.
Os planos estavam ocorrendo bem. Logo o austríaco iria trabalhar na Alemanha, próximo a casa de Gilbert, onde poderia vê-lo sempre que quisesse.
Algumas semanas se passaram, talvez até meses.
Gilbert não entendia porque ainda não recebera uma carta de seu amado, que geralmente mandava-as uma vez por semana. Algo estava estranho.
Resolveu então enviar uma carta por vontade própria, e junto a ela uma foto sua.
Escreveu pouco, disse que estava com saudades e mal podia esperar para ver o austríaco novamente.
Semanas se passaram, e uma nova carta chegou.
Estava empolgado, sempre ficava feliz ao receber uma nova carta dele
Mas desta vez estava tudo diferente.
Havia somente uma frase, uma frase que acabou com Gilbert em apenas alguns segundos.
"Eu irei me casar. Adeus." Ela dizia.
O albino simplesmente não podia acreditar no que estava lendo.
Todos os planos que haviam feito... Tudo, tudo por água abaixo?
Ele não sabia a quem culpar.
Ele não sabia o motivo.
Ele só sabia que Roderich estaria vindo para a Alemanha, e que aquela seria sua última chance de conquista-lo.
Gilbert sabia onde Roderich iria trabalhar, ele havia mencionado em uma de suas cartas. Então todos os dias rondava aquele local, procurando por um austríaco moreno com olhos de coloração arroxeada.
Todos os dias... E nada.
Até que finalmente o viu, andando sozinho pelas ruas.
Sem nem mesmo pensar duas vezes correu ao encontro dele. Não poderia deixar de sorrir, vê-lo novamente era tão bom.
O moreno se assustou:
_ Gilbert?....
_ Finalmente... Finalmente eu te encontrei. – O albino respondeu.
_ Gilbert... não. – Roderich desviou o olhar e apertou o punho. – Eu sou um homem casado agora.
Casado?... Ele havia dito que iria se casar... Mas Gilbert não imaginou que seria tão rápido.
_Casado?! Com quem? Diga-me Roderich! – O maior perguntou, já irritado com o assunto.
_ Elizaveta... – O austríaco falou, sem muita emoção.
O que?... Aquela mulher?...Ele nunca imaginou que sua amiga de infância faria aquilo.
_ Mas e nossos planos? Você disse que iria ficar comigo, se lembra?! – O albino rangeu os dentes, já com os sentimentos misturados.
_ Nós somos dois homens, isso nunca daria certo. Homossexualismo é uma doença.
Gilbert jamais imaginou que Roderich diria aquilo. A frase que circulava em cartazes na cidade. Eles eram tão felizes juntos.
_ Com licença, eu preciso ir para casa. Minha esposa está me esperando. – O moreno se retirou da conversa, indo embora logo em seguida, deixando o albino sozinho.
Alguns dias se passaram, ou talvez semanas, ou até meses. Gilbert não sabia.
Todos os dias gastava todo seu dinheiro com Whiskey, e bebia até desmaiar. Aquela tinha sido a única forma que encontrou para tentar esquecer Roderich.
Saiu de casa para comprar bebidas novamente. Acendeu um cigarro, e caminhou em direção ao mercado.
Ele viu aquele casal andando, logo percebeu quem era.
Tentou de esconder, afim de não ser visto por ninguém.
Porém viu o moreno virando seu rosto, justamente no momento em que seus olhos se encontraram. O sorriso esboçado no rosto do austríaco logo desapareceu quando viu Gilbert. Voltou seu olhar para Elizaveta e desapareceram da vista do albino.
Aquela tinha sido a gota d’água.
Comprou todas as bebidas que seu dinheiro podia comprar.
Ao chegar em casa, percebeu que Ludwig não estava. Certamente encontrava-se na casa do Feliciano novamente.
Não aguentou nem mais um segundo e começou a beber descontroladamente.
Ele estava farto daquilo... Nunca conseguia se embriagar o suficiente.
Olhou em cima da mesa da sala, uma arma. A arma que pertencia à Ludwig.
Era aquilo... Ele não aguentava mais.
Jogou a garrafa de bebida no canto da sala, fazendo a mesma se quebrar, despejando o resto de bebida no chão.
O revólver estava carregado com uma única bala.
Ele não poderia errar.
Ele pegou um papel e uma caneta, e escreveu.
“Ich werde ihn lieben, bis ich sterbe” (Eu vou amá-lo até que eu morra)
Segurou com força sua última carta, olhou pra baixo e respirou fundo, sentando-se no sofá.
Colocou a arma contra sua cabeça, e respirou fundo, apertando o gatilho logo em seguida.
Sua cabeça caiu sobre as almofadas do sofá, e assim ele foi encontrado, horas mais tarde pelos seu irmão, e o amigo dele, Feliciano, que ficou horrorizado com a cena.
Ludwig, imediatamente tentou socorrer seu irmão, mas já era tarde de mais, ele se fora. Seu único irmão agora estava morto.
O enterro foi no dia seguinte.
Ludwig chamou somente os amigos íntimos do irmão.
Inclusive Elizaveta e Roderich.
Roderich estava muito abalado emocionalmente. Ele sabia da verdade, e tinha certeza que a culpa do suicídio de Gilbert tinha sido sua.
O dia do enterro se passou, o austríaco aparentava estar pálido, e não dissera uma palavra durante o sepultamento.
Alguns dias se passaram, ou talvez semanas, ou até meses. Roderich não sabia.
A culpa, e a saudade de Gilbert não permitiam-no sequer dormir.
Ele tentava ser gentil com sua esposa, sorrindo forçadamente para ela dia após dia.
Até que se tornou insuportável.
Ele esperou Elizaveta sair de casa, e se sentou em sua cama, pegado em baixo do travesseiro, aquela foto que ele lhe enviara há algum tempo.
Olhou para os fortes remédios que estavam na cabeceira da cama.
Sem pensar duas vezes, encheu suas mãos, bebendo frasco por frasco de remédio, acompanhado por uma garrafa de Whiskey.
Até que todos ficaram vazios.
Seu corpo não reagiu bem.
Ele caiu sobre a cama, agoniado por tanta dor. Mas seu sofrimento durou pouco, logo ele estava morto.
Elizaveta ao chegar em casa se espantou, ao ver o marido morto em cima da cama, com a foto daquele albino nas mãos.
O dia do enterro chegou. Elizaveta fez questão de enterra-lo próximo ao corpo de Gilbert.
Elizaveta sempre soube que Roderich namorava-o.
As lágrimas em seu rosto rolaram, mas não de tristeza.
_Eu espero, que vocês dois possam finalmente ser felizes juntos... _ Ela sussurrou, colocando uma rosa branca em cada túmulo.
Ela sentiu uma brisa passar em seu rosto, e sorriu.
Aquele certamente seria a confirmação do que acabara de dizer.
Em algum lugar... eles estariam juntos.
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