Where the mermaids live
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Espero que gostem da fic,que gostem de mim e que comentem por favor.
Se você já me conhece,ou já viu minha fic "Gains and Losses" (fic jackunzel) sabe que faz tempo que eu não a atualizo.Mas não se preocupem porque eu não to afim de abandoná-la :3
Estou escrevendo novos capítulos e quando tiver o número de cap que eu quero,dai eu posto e quem sabe crio uma rotina :)
Mas enfim, leiam:
O Sol brilhava, iluminando o quarto. Pela posição em que a estrela se encontrava, aparentava ser 6 horas e 30. O garoto incomodado com o forte brilho levantou-se para fechar a cortina improvisada. Arrastou-se até a janela, enquanto coçava seus olhos para ter uma visão melhor. Estava prestes a puxar o tecido quando ouviu uma voz a lhe chamar. Se inclinou para ouvir e ver melhor.
-Nem pense nisso mocinho, já está na hora de acordar! Sabe que seu pai irá voltar hoje, então é melhor se aprontar!-reconheceu a voz, sua mãe Valka.
-Está bem mãe!-respondeu tentando esconder sua sonolência.
Recuou para se espreguiçar enquanto caminhava em direção ao seu baú de roupas que ficava aos pés da cama. Pegou seu simples colete de pele marrom e suas botas que se encontravam debaixo da cama. Vestiu-os. Olhou-se em seu espelho simples e velho, tentando arrumar seus cabelos castanhos. Não que Soluço fosse vaidoso, queria apenas parecer “normal” e um tanto “apresentável” para o pai. Parecer “normal” na verdade significava deixar de ser “Soluço”, se tornar o pirata que seu pai queria que ele fosse. Afinal, desde que era criança Soluço nunca demonstrou possuir as características adequadas para embarcar nas grandes aventuras de seu pai. O pai também nunca o rejeitara, sempre tentou fazer de seu filho magrelo um homem. Um pirata. Mas com o passar dos anos, as expedições aumentaram e o tempo pai e filho diminuíra. Soluço sempre quis ser um pirata e impressionar seu pai, mas sempre que tentava,algo dava errado e a impressão desejada se tornava vergonha e rigidez por parte do mais velho.
Acordou das lembranças das advertências de seu pai desceu as escadas de seu quarto. Ao sair de casa encontrou com sua mãe, que abraçou calorosamente seu filho, como todas as manhãs.
-O que vai fazer hoje?
-As mesmas coisas de sempre ué?!Vou dar uma mão ao Bocão na oficina.
-É isso mesmo?Você não está planejando mais uma loucura não é?-perguntou desconfiada.
-Nada disso mãe.Eu não faço nada parecido há meses.Pode confiar em mim.-respondeu com uma ponta de nervosismo. A mulher encarou o filho nos olhos tentando encontrar algum “sinal suspeito”.
-Está bem.-se afastou da inspeção de olhar.-Mas saiba que estou de olho viu?
-Sim senhora. Até mais tarde!-acenou enquanto se afastava. Quando já estava á uma distancia em que não era possível a mãe o enxergar, correu morro á baixo. Tropeçava algumas vezes, mas não ao ponto de cair. Recuperava-se rapidamente. -”Essas pernas não foram feitas para fazer esse tipo de corrida. Ou melhor, para corrida alguma.”-Pensava.
Não teve dificuldades em atravessar o centro aldeia, que vivia lotada. Durante as semanas de expedições, muitos homens partiam em auto mar, deixando para trás suas esposas e filhos, que naquele horário deveriam estar trabalhando ou brincando na floresta. Ao chegar a seu destino foi recebido com um avental sendo arremessado em seu rosto. Mal terminou de vesti-lo e já se encaminhou ao seu posto.
-Está atrasado. -exclamou o sujeito ao seu lado.
-Me desculpe Bocão. Acabei dormindo um pouco além do que devia.
-Menos papo e mais trabalho, porque hoje teremos de terminar a cota da semana. Afinal, eles irão precisar de novas armas para as próximas missões, então tudo deve estar pronto.
-Esta bem, já estou preparando o fogo. -respondeu enquanto carregava um fardo de lenha.
Após um longo e cansativo dia de trabalho, afiando espadas, construindo imensos machados, amarrando cordas, formando redes, forjando pesos e armaduras, Soluço encostou-se na parede rochosa e respirou ar puro,que não estivesse com o forte cheiro de fumaça. Reergueu-se ao lembrar sua “meta” do dia. Perguntou ao amigo se já poderia retirar-se.
-Pode sim, mas acho melhor você se apressar se quiser recebê-lo primeiro. –confirmou ao garoto.
Agradeceu. Correu mais uma vez, mas agora em direção ao porto da ilha de Berk. Percebeu pelo ponto em que se encontrava, que um imenso navio de velas levemente arredondadas se aproximava. Cortou caminhos, seguiu alguns de seus atalhos pela aldeia, se esgueirou em locais de pouco movimento. Mas ao chegar ao porto se decepcionou com o grande movimento de pessoas que esperavam por seus “heróis”. Soluço percebeu que alguns tripulantes começaram a descer, então resolveu se apressar. Tentava empurrar algumas pessoas de seu caminho, mas seu físico não contribuiu. Esbarrou em algumas pessoas que não notavam sua presença. Quando finalmente chegou próximo ao casco do imenso navio, começou a procurar com os olhos o homem em meio á multidão. Não o encontrou. Começou a perder as esperanças. Afastou-se do navio com o rosto abaixado. De repente um som estrondoso veio de trás. Congelou. Virou-se e deu de cara com uma grande barriga. Já sabia quem era.
-Oi pai. -disse enquanto tentava olhar no rosto de seu pai sem ser cegado pelo brilho do Sol que logo iria se pôr.
-Olá Soluço. –respondeu o grande homem que levava um barril em seu ombro direito. Ele seguiu caminho pela aldeia enquanto era cumprimentado e parabenizado por voltar mais uma vez para casa. Sua expressão facial era de seriedade. Soluço, ao perceber, começou a contar ao pai sobre as tarefas que cumprira ou que progredira, aos auxílios que dera á mãe em suas atividades diárias. Dizia com orgulho de si mesmo, porém abaixava a cabeça ao perceber que o pai ainda não perdera a expressão e que não deixava de olhar para frente. Calou-se até chagar em casa.
-Olá querido. -disse a mão ao ver o marido na porta. O mesmo retribuiu com um abraço simples com seus braços pesados e exaustos. –O que houve? Não conseguiram de novo?
-Sim. É sempre no mesmo lugar. Isso não tem explicação!- exclamou enquanto encostava-se em sua cadeira que possuía a aparência semelhante é de um trono. –Nem mesmo a marinha sabe o que é aquilo. Desta vez não nos aproximamos muito para não correr riscos. Mas estou começando a me arrepender dessa decisão!
-Não se arrependa, afinal, se aproxima-se, botaria a vida da sua tripulação em risco.
-Tem razão, deveria ter ido sozinho.
-Ficou louco?! Se fizesse isso, estaria pedindo para ser engolido por aquele redemoinho.
-Se for preciso...
-Não. Não é preciso. O que é preciso é você ter paciência e esperar para ver o que mais aquela coisa é capaz de fazer. E não simplesmente sair em um barco sozinho deixando tudo para trás.
-Está bem, vou esperar, mas não importe quanto tempo dure. Eu vou descobrir o que é aquilo. E terei o meu tesouro. –declarou á esposa de maneira confiante.
-Pai, eu poderia falar com o senhor?-perguntou um Soluço que segura nervosamente o braço esquerdo. O mais velho dirigiu-se ao quarto do filho, lugar onde já estavam acostumados a conversarem quando se tratava de assuntos que o garoto preferia não comentar com a mãe.
-O que foi filho?
-Bem, eu... Acho que já estou um pouco mais maduro e experiente do que quando eu tinha seis anos e acho que... Já está na hora de eu... Sair em uma expedição no navio com o senhor. — Três segundo após o garoto terminar de falar, o pai deu uma gargalhada. E ao perceber na expressão fácil de seu filho que ele falava seriamente, se recompôs e limpou a garganta.
-Isso é sério meu filho?
-Sim.
-Bem. –limpou a garganta mais uma vez. –Olhe meu filho. Eu não acho que seja seguro você ir á uma navegação. É muito perigoso e o mar já não mais como quando você tinha seis anos. É que você fique aqui e aguarde mais um tempo. Está certo? –falava com as mãos nos ombros do filho.
-Sim pai. E me desculpe por fazer você perder seu tempo. Eu só achei que pelo menos uma vez, eu poderia lhe mostrar do que posso ser capaz. –saiu com um pouco de vergonha e tristeza, esbarrando em alguns móveis, seguindo caminho ao quintal. Stoico voltou para sua cadeira e bufou.
-O que houve?-perguntou Valka.
-Ele quer participar de uma missão em auto mar.
-E qual o problema?
-Como assim “qual é o problema”?
-Não vejo problema em você levá-lo junto.
-Ele ainda não está pronto...
-Então o prepare. Algum dia ele vai acabar indo á alguma embarcação e nem você poderá impedi-lo. Se quiser que ele seja um pirata, então ensine á ele. Nem que seja algo básico para ver se ele leva jeito ou não. Por favor, querido.
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Soluço estava no quintal arremessando algumas pedras na água do mar. Raiva? Não. Pelo menos não do pai. E sim de si mesmo. Como pudera pensar que o pai o deixaria ir á uma missão assim sem mais nem menos? Quando foi arremessar uma última pedra ouviu seu pai lhe chamar. Aproximou-se devagar e com o rosto ainda abaixado.
-Sim?
-Meu filho prepare suas coisas. Semana que vem você irá comigo e minha tripulação comemorar a chegada do verão!
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