Where no one goes
1 Capítulo Único
Naquela época Soluço se viu diante de duas escolhas mais difíceis da sua vida, mas a qual escolheu não apagava os momentos em passaram juntos, mas o fazia temer que aquelas lembranças se fossem e se arrastassem pelo vento como folhas mortas e caídas de uma árvore. Era uma escolha que quando a vez, ela não o perdoaria se a escolhesse.
Lembrava do cabelo gigantesco dela, o loiro se juntando com a relva verde enquanto ela corria alegre por pisar uma primeira vez longe da torre onde se mantinha ou era trancada por teoria dele, mas ver uma alegria tão genuína não animou apenas ele como Banguela também.
O dragão não gostou dela de inicio naquele tempo como também da criaturinha verde nos ombros dela, "resmungava" para tentar chamar a atenção de Soluço enquanto ele a admirava. Ambos com quinze primaveras, quinze anos e muito para poder passar, muito para ser dito e nunca falado, sentido, mas nunca sentenciado.
Cinco anos se passaram e mesmo voltando para Berk e contar das terras além mar que viu, de povos que não tinham dragões, mas que esses eram lendas por não sobreviverem em terras antes nunca exploradas, mas não contou a eles das "estrelas flutuantes" ou da garota que o manteve longe por tanto tempo, tanto que Astrid o parou para fazer uma serie de perguntas em seu tom mais zangado.
Mas o que ele falaria? Que se apaixonou por uma garota de cabelos mágicos e que conseguiu salva-lo da morte certa? Que ele teve de fazer a pior das escolhas e ver no olhar dela que nunca o perdoaria por tê-la escolhido? Astrid não entenderia e por mais que Soluço quisesse contar a alguém, falar para a garota que já tinha tido uma "queda" não era a melhor das opções.
Ele sonhava com aquele dia, não com as memórias felizes, mas com aquela mulher tendo acabado de lhe acertar com uma faca, tê-lo feito sangra e cair no chão como uma folha seca. O olhar dela foi iluminado pela janela e Soluço pode ver a malícia e maldade naquela mulher, cabíveis com todos o tipo de coisa que passou e teve de fazer com pessoas inocentes.
"Olha o que você fez, Rapunzel" Proferiu com escárnio, virando-se para a flor que era a garota que ele amava.
Lágrimas molhavam seu rosto e o vermelho de um tapa marcava sua bochecha, seu olhar verde implorava, a janela da alma que era seu olhar o encarava enquanto ele sorria para ela, um sorriso fraco que até mesmo a dor lhe deixava impotente de reconforta-la.
"E ainda temos a criatura" Ralhou, impaciente.
Banguela estava mais para o fundo e ferido, como ela o tinha prendido? Um dragão!
"Olhe a desgraça que você trouxe, garoto" Falava séria, indo até Rapunzel enquanto a agarrava com força pelos cabelos, enquanto Rapunzel parecia implorar e debater, sendo jogada com tudo ao chão pela mulher "Estava tudo bem até resolver explorar essas terras e corromper a minha filha"
"Filha? Você é um monstro..." Falou com o pouco de voz que tinha, tossindo e resmungando pela dor, era inútil até mesmo se mover.
"Cuidado com suas palavras, garotinho" A voz, a malícia escorria de cada palavra, como se fosse barganhar algo ou até mesmo a vida dele que estava em jogo "Você escolhe aqui, suas palavras pedem salvar ou a garota que você ama ou a besta que é seu amigo" Proferiu "A escolha é sua..."
O olhar verde o implorava, negava quando Soluço sustentou o olhar por mais tempo nela. O pano que cobria sua boca a impedia de falar, a impedia de implorar a ele. A faca que a mulher segurava poderia ser jogada contra a pele machucada de Banguela e mata-lo, mas ao mesmo não sabia se Rapunzel era útil morta para a outra, mas mesmo assim era apontada para o pescoço dela.
Então ele fez a escolha que o marcava, acordando do mesmo pesadelo e o vendo acabar enquanto se arrastava até seu dragão. Ainda não esquecia o olhar fraco dela de que tinha feito a escolha certa, aquele olhar verde o encarando num último momento antes de fraco, Banguela pegar um voo desajeitado para longe dali.
Ofegante, Soluço acordava do pesadelo. Tinha dormido ao invés de ficar de tocaia. Estava viajando de volta para o mesmo lugar de onde veio, voltando para o mesmo lugar e não precisou explicar tanto quanto achava necessário. Seu pai entendeu e não sabia se seu velho conseguia ver seu sofrimento depois dos cinco anos que voltou de além mar, mas se conseguia, era eternamente grato a ele por entende-lo.
— Dormi demais? — Perguntou para Banguela, esse que se aproximava e terminava de comer um peixe que tinha pego, ressonando algo como uma resposta — Não podemos perder tempo, pode acontecer alguma tempestade durante nossa travessia... — Sussurrou, olhando para o mar aberto — Vamos encontra-la, amigão... — Falou confiante, a mesma frase que proferiu desde que saíram de Berk a quatro meses.
A travessia foi tranquila, alguns momentos tiveram que se abrigar me pequenas ilhas e quando chegaram em terra firme finalmente, Soluço olhou o mapa que tinha desenhado durante aqueles longos anos, cada resquício para não se perder anotado em papeis amarelados e rabiscados. Não resistiram a fome e antes de partirem para o lugar onde Rapunzel era mantida, se preparavam, a maldade de bela dama ou Gothel não poderia ser subestimada sob nenhuma hipótese.
Quando chegaram até a torre que se mantinha escondida no meio da floresta, Soluço já tinha a impressão de que ela não estaria mais ali, mas poderia se arriscar, não perderia a chance. Banguela rosnava de forma hostil quando entraram pelo quarto de Rapunzel, o mesmo cenário e o sangue seco de onde antes estava quando se arrastou.
O pó residia ali como claro sinal de abandono e cada detalhe daquele lugar parecia esquecido e perdido no tempo. A parede pintada com as "estrelas flutuantes" apagada e fraca, perdendo sua tinta e se perdendo também.
— Consegue encontra-la, amigão? — Perguntou, franzindo levemente o cenho com o que Banguela pode ter encontrado, tendo esse algo na boca e resmungando por essa coisa ainda estar viva — Cuspa — Mandou e Banguela o olhou como se não tivesse gostado — Agora, Banguela — Repetiu, o olhar se arregalando quando o que Banguela cuspiu era a criaturinha verde e amigo de Rapunzel, Pascal.
Ele estava com medo e quase fugiu, mas Banguela o pegou de volta e o deixou nas mãos de Soluço. Demorou poucos segundos para ele lhe reconhecer e olhar assustado, como se não acreditasse que Soluço estivesse ali.
— Pascal, sei que faz muito tempo, mas eu voltei para encontrar com Rapunzel — Explicou, a criaturinha o olhou desconfiado — Eu preciso encontra-la... Por favor, onde Gothel a levou? Você recorda? — Perguntou e teve sua resposta.
Ele apontou para uma parte do chão e deixando Pascal em seu ombro, foi onde estava sendo apontado e viu que o chão era falso, fazendo esforço para retira-lo e encarando o breu que era o caminho. Não pensou duas vezes e desceu, quase caindo algumas vezes e pedindo para que Banguela o esperasse ali, não precisava pedir para que ele tomasse cuidado, estava mais perigoso com estranhos desde aquele dia a cinco anos, mas não adiantou muito, pois Banguela insistiu em segui-lo.
Um túnel que seguia e pegando sua espada de fogo, deixou que essa iluminasse o caminho até que encontrasse o final e quando o encontrou, teve pouca dificuldade em sair dali e ver que se encontrava em outra parte da floresta.
— Banguela? — Virou-se para o dragão que seguia algum caminho e Pascal em seu ombro parecia fitar o mesmo caminho que Banguela seguia.
Não viu outra alternativa se não segui-lo floresta adentro, olhando desconfiado para qualquer lugar que fosse, até mesmo para arbustos onde se escondiam coelhos. Quando Banguela parou, notou uma pequena casinha escondida e dela ouviu uma mulher sair de dentro. Gothel parecia jovial como gostava de enganar, não mais se utilizando da capa para se esconder.
Se escondeu com Banguela e franziu o cenho, estava fácil demais. Pediu novamente para que Banguela ficasse e teve novamente a resposta que foi o dragão lhe acompanhando. Bem, ele poderia lhe proteger e ele o protegeria caso aquela mulher lhe fizesse algum mau.
A viu sumir de vista e esperou um pouco mais para se aproximar, indo até a casinha e temendo não poder conseguir a tempo descobrir se Rapunzel estaria ali. Com um empurrão, invadiu a casinha e com presa, vasculhou tudo que fosse possível até teve de arrombar a porta de outro cômodo, conseguindo ver o rosto por ele já conhecido.
— Rapunzel? — Sussurrou, conseguindo a atenção dela e vendo o rosto dela empalidecer com sua presença, como se tivesse vendo uma assombração.
— Soluço... — O rosto marcado e com uma cicatriz na bochecha, lágrimas descendo seu rosto e ele não mais se segurou ali parado.
Ela veio a seu encontro como ele foi ao encontro dela, a abraçando com força e a saudade aflorando em ambos. Tantos anos e primaveras que se passaram, quando se afastou para olhar seu rosto tão de perto, viu o mesmo brilho no olhar dela.
— Pensei que tivesse morrido... — Sussurrou, tocando o rosto de Soluço com urgência — Que ela tivesse ido atrás de você quando me deixou aqui e... Banguela! — Gritou, afastando-se de Soluço e abraçando o dragão, esse que ressoou feliz em ter o carinho dela — Eu pensei que ela tivesse os matado... — Falou fracamente.
— Eu deveria ter voltado antes, deveria ter... — Falava fracamente, mas sendo impedido por dedos o calando — Rapunzel...
— Não se atreva a pensar assim, não quando posso toca-lo e não achar que é coisa de minha cabeça... — Lhe falou, sorrindo fracamente — Não se atreva...
— Eu precisava vir antes...
— Mas está aqui, isso que importa... — Sussurrou, o dedo que antes lhe impedia de falar dando espaço para ela beija-lo com suavidade e carinho, um selar que durou tão pouco para muito tempo longe.
— Precisamos fugir — Falou com urgência na voz, preocupado — Vi Gothel sair e não sei quando ela volta, mas preciso lhe tirar daqui o mais rápido possível — Falou apressado, a puxando pela mão em direção a porta — Está tudo tão fácil... — Olhou para a janela do quarto, essa que estava com grossas grades de ferro e a porta tinha manchas de sangue seco — O quê...? — Incrédulo, puxou as mãos de Rapunzel e as viu marcadas, mas curadas pelo tempo.
— Vamos embora... Eu lhe conto quando estivermos longe daqui... — Sussurrou, apertando suas mãos com as de Soluço.
Apressados, saíram da casinha e temeroso não perderam tempo em seguir o mesmo de onde vieram do túnel, voltando para lá seria melhor para se guiarem. Quando se viram perto da costa, se juntaram como não faziam a anos, se olharam com aquele mesmo carinho da primeira vez e sem o medo e desespero para lhes separar.
Notas finais
Espero que tenham gostado o/
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