Where We Belong

3 A Névoa da Imprevisibilidade


Notas iniciais
Saudações do escritor mais enrolado da América, Europa, Ásia e outro continente a escolha xP boa noite amados! Sim, eu atrasei um dia inteirinho na postagem e a culpa é toda minha, perdão ;---; mas em compensação trago aqui o capítulo 3! Eu tô muito empolgado com esse especificamente. Elisabet acordou! Mas agora vem a parte difícil... Aloy tem muuuuuuito a explicar. Então não vou ficar muito no caminho de vocês, me alongo mais nas notas finais. Bom capítulo, queridos ❤️

"Mas e se… GAIA, não resta nada lá fora. É necessário um traje selado para sobreviver, bilhões morreram com medo e agonia…!

E se tudo isso for em vão?"

"Não havia como prevenir a extinção. Graças a você, a vida terá outra chance."

"Acredita mesmo nisso?"

"Sim, Elisabet. Em você tudo é…"

Aloy não sabia o que dizer.

As disparidades dentro da sala de preservação criogênica mostravam-se de diversas maneiras, afinal uma garota de 19 anos colocava de pé uma mulher viva a pelo menos 1000 anos. Um outro fator preocupava profundamente Aloy, dada as circunstâncias ocorridas notavelmente longe do previsto pela equipe do Zero Dawn: a garota não sabia por onde começar a explicar os acontecimentos para Elisabet Sobeck, que ainda tentava em vão contactar a Mãe Natureza em IA.

"Cadê você… GAIA?"

A doutora estava obviamente confusa, e Aloy decidiu preparar o terreno para as revelações iminentes.

“Elisabet, algumas não aconteceram como planejado, e nós precisamos conversar.”

A doutora olhou preocupada e confusa para a garota após ouvir sua voz cautelosa, raciocinando de forma lógica que GAIA deveria estar operante. Disse, então, em um tom mais severo:

“Como assim? O que houve com a GAIA?”

Aloy notou os leves passos que Elisabet deu em sua direção ao fazer a pergunta, olhando diretamente em seus olhos. A mais jovem desviou o olhar, olhando para o chão à sua esquerda e tentando desesperadamente encontrar as palavras corretas. Ouviu Elisabet iniciar a mesma pergunta novamente enquanto se aproximava mais um passo, e a interrompeu fazendo contato visual.

“Você precisa prometer que me deixará explicar tudo. É uma longa história.”

Em seus pensamentos mais íntimos, Elisabet sabia: o que lhe aguardava na dita longa história eram más notícias, e estava prestes a ser mais agressiva com a menina que lhe oferecia explicações. Notou, porém, não só os olhos gentis de Aloy, mas também sua expressão triste, a qual era estranhamente familiar e reconfortante. As tranças não muito arrumadas e os leves rastros de suor indicavam que a garota não havia passado pelos melhores bocados para achar sua casa. Não seria justo a jogar contra as cordas demandando agressivamente algumas respostas. Engoliu seu medo e confusão ao suspirar profundamente, e lentamente se dirigiu para a parede à sua direita. Aloy acompanhou seu caminho com os olhos, se indagando o que a doutora planejava após a falta de uma resposta ao seu pedido.

Elisabet ficou frente a parede e posicionou a palma de sua mão direita em sua superfície branca. Poucos segundos depois, Aloy se espantou levemente ao perceber um fino traço de luz vermelha percorrer a palma de cima a baixo duas vezes, e a mesma voz que anteriormente ecoou pelo cômodo anunciando “Acesso Permitido”. Assim, uma seção da parede do tamanho aproximado de uma porta desceu até a posição horizontal, pouco mais de meio metro do chão e subsequentemente duas pequenas plataformas projetaram-se de cada lado, formando distintivamente o formato de uma mesa simples.

“Sente-se, vou te escutar.”

Elisabet disse, sentando-se na cadeira à sua frente. Aloy assentiu com a cabeça e seguiu para sentar ao lado oposto, antes observando de canto de olho o que se encontrava atrás da parede que havia se movido. Viu primeiramente um Foco como o seu, apoiado em um pequeno suporte metálico, este que Elisabet alcançou e posicionou em sua orelha direita. Logo ao lado do objeto, um par de calçados simples de cor preta uma espécie de bolsa pendurada logo acima, feita de um material que Aloy nunca havia visto antes. Terminou de analisar os objetos e se sentou como Elisabet havia pedido, diretamente à frente da Doutora que a esperava começar a falar.

Aloy respirou fundo, e olhando diretamente nos olhos da Elisabet disse:

“O que eu vou contar pode ser… Bem, eu preciso que se mantenha calma, tudo bem?”

A mais velha apenas assentiu com a cabeça, ignorando seus receios com o que Aloy havia dito e a deixando continuar, o que a garota fez dizendo:

“O Zero Dawn funcionou, e por muito tempo tudo ocorreu tranquilamente, até que uma transmissão chegou até a GAIA…”

Ao dizer isso, Aloy usou seu foco para projetar o holograma da última mensagem de GAIA, que explicava primeiramente a libertação do protocolo HADES, junto com as outras subfunções do sistema. A surpresa e confusão ao ouvir sobre aquilo foi aparente, tendo em vista os murmúrios inconclusivos que deixavam a boca da doutora. Sabendo que o protocolo de extinção só seria ativado no mais extremo dos casos, um onde a biosfera supostamente não seria capaz de suportar vida, ela se certificou dos menores ajustes e supervisionou cada detalhe de cada subfunção de GAIA, especialmente no que concerne ao HADES, que apesar de ser necessário, certamente apresentava riscos. Elisabet lembrou imediatamente de cada conversa com Travis Tate, Alpha da subfunção, cada uma das noites mal dormidas em que os dois trabalhavam para acertar ditos detalhes. Aloy ouviu, então, um suspiro de decepção deixar sua boca.

Nada, porém, poderia prepará-la para os demais fatos contados por GAIA durante a gravação, primeiramente sobre seu sacrifício.

"Mas o que…?"

Ao ouvir, tomou alguns segundos para entender e processar a terrível informação, sentindo lágrimas se formando sob seus olhos compulsivamente. Elisabet cerrou os punhos e fez menção de levantar-se em fúria, preocupando Aloy que estava pronta para tentar acalmá-la de qualquer forma. A doutora, contudo, mais um vez suprimiu seus sentimentos, lutando contra uma tempestade em seu íntimo e voltando a prestar atenção na mensagem, com as lágrimas agora correndo livremente sobre as leves rugas em seu rosto e caindo sobre a mesa em seguida. A tristeza e amargura ao saber da destruição de sua criação mais importante deu lugar a um espanto difícil de lidar quando ouviu a verdade sobre a origem de Aloy, criada a partir de seu próprio material genético preservado em ILÍTIA-9. A garota viu na expressão de Elisabet o mesmo choque que sentia semanas antes quando descobriu a mesma coisa.

Elisabet apenas olhou para Aloy totalmente sem palavras, não desviando o olhar até mesmo quando a mensagem se encerrou e a sala voltou a ficar levemente escura.

“Então você é…”

Uma indagação importante da doutora, tendo em vista que as instalações necessárias para a missão de Aloy só seriam acessíveis por ela, ou alguém com o mesmo material genético. GAIA explicitamente disse, e ela acabara de ouvir, que Aloy era exatamente isso. A própria garota estava pronta para discutir o assunto de sua origem com a Doutora, mas tal indagação foi interrompida por uma maior ainda, instigada por um certo trecho da gravação que só agora fazia caminho até o entendimento de Elisabet.

"Como assim... tribos primitivas? E o APOLLO?"

Mais uma indagação justa. Mesmo preocupada com o fato das subfunções terem se tornado entidades independentes, o processo de aprendizado a partir do APOLLO devia ter acontecido, assim como todo o resto. Se deparou então a expressão de Aloy: a mesma que a garota havia feito quando perguntou sobre GAIA, e enfim, uma revelação, um pensamento em chamas que, naquelas circunstâncias, fazia total sentido e começara a inflamar o oxigênio dentro dos pulmões de Elisabet além do limite controlável. Demandando franqueza, ela perguntou:

"... O que houve com o APOLLO?"

Era a questão que faltava em toda a lacuna de 1000 anos parcialmente explicada na última meia hora. Uma tragédia. E Aloy sabia exatamente qual seria a reação da doutora ao tomar conhecimento de tal tragédia. Era finalmente hora de tentar se esquivar.

"Elisabet, escute. Talvez eu devesse explicar melhor depois… Por hora devi-"

"Eu quero saber agora! Corta essa e me diz, o que houve com o APOLLO?"

Frente a essa teoria, agora corroendo seus pensamentos, nenhuma voz gentil impediria a raiva de se libertar de suas amarras. A doutora confusa e irritada à sua frente não daria o luxo de esquivas. Entre o cedo e o tarde, o cedo bateu na porta como os próprios raios de sol da manhã.

"Eu não achei apenas o Controle Principal em GAIA Prime… Achei uma gravação. Ted Faro havia bloqueado o acesso dos Alphas com algum tipo de… Acesso Ômega."

"Ted?"

Era um quebra cabeças que Elisabet morreria antes de querer montar, mas um que estava seria montado mesmo contra a sua vontade.

"O que ele fez?"

Aloy não tinha mais seco para engolir, nem a necessidade de contornar seu raciocínio e suas palavras. A franqueza da resposta cortou ambos os corações como um bisturi quando a mais jovem enfim disse:

"Ele purgou o APOLLO do sistema, Elisabet… E assassinou todos os Alphas na câmara."

Era pior.

Céus, era muito pior.

Pior do que todo o pesadelo para o qual Elisabet Sobeck estava tentando, em vão, se preparar para ouvir. Sentiu seu mundo desmoronar apenas imaginando a mera possibilidade. O purgo de APOLLO, o arquivo contendo todo o conhecimento de toda humanidade até o fatídico ano de 2065, por si só já seria um golpe cruel e debilitante além da imaginação para os seres humanos pós dia-zero.

Mas o assassinato dos Alphas?

Aqueles que deram suas vidas, literalmente, para dar uma segunda chance à vida na Terra junto a Elisabet? Aqueles que desenvolveram uma relação comparável a de uma família durante os breves 16 meses do projeto Zero Dawn? O mundo já desmoronado caía sobre o peito de Elisabet, alheio às lágrimas que mancharam seu macacão ao cair de seu rosto e congruente aos dentes cerrados.

"Aquele filho da puta…"

Aloy ouviu sem entender, antes de ver Elisabet acertar com os dois punhos em movimento de martelo a mesa, repetindo os golpes com força exponencial enquanto gritava em fúria e agonia de forma não inteligível. A mesa tombou parcialmente, com faíscas saindo do mecanismo que a mantinha apoiada à parede. Aloy quis impedir, principalmente quando notou a superfície branca da mesa se sujar com o sangue proveniente dos traumas nas mãos de Elisabet, porém não o fez.

Como poderia?

Ela perdeu Rost no dia mais importante de sua vida, por conta de circunstâncias triviais fora de seu alcance ou controle. Em certo grau sabia exatamente o inferno e o terror pelos quais a doutora estava passando. Ela, por sua vez, como se entendesse o próprio limite de seu corpo para suportar sua fúria, interrompeu seus golpes e seus gritos, por fim desabando de joelhos junto a um choro difícil de assistir.

"Como ele pôde...?"

A caçadora ouviu Elisabet murmurar outras coisas antes de decidir se aproximar e apenas agiu em silêncio. Estendeu sua mão em direção a doutora debilitada, tentando transmitir empatia ao olhar em seus olhos. O choro ainda não havia cessado quando Elisabet finalmente encontrou os olhos da garota. Sua raiva, agora apenas tristeza, não necessitava de amarras ao ir de encontro às mãos que lhe ofereciam ajuda. Com seus punhos doendo, segurou com cuidado as mãos de Aloy e sentiu um leve e sutil aperto ao fazê-lo.

Não era um abraço — ambas sentiam que não era apropriado — mas foi bem sucedido em trazer um pouco de calor ao coração quebrado de Elisabet. Sem conseguir dizer uma única palavra, apenas voltou o olhar para o chão enquanto tentava secar as lágrimas com a gola de sua roupa.

"Eu sei que precisa de um tempo sozinha, e você terá. Mas, por hora, vamos subir, tudo bem?"

A Doutora assentiu em silêncio, colocando em sua bolsa marrom todo o conteúdo que estava no compartimento na parede, deixando a sala vazia. Disse, então, claramente com uma voz de alguém em luto:

"Encerrar sistemas até segunda ordem."

A mesma voz robótica de antes anunciou então:

"Confirmado. Sistema cessando operações por tempo indeterminado em 10 segundos. Até logo, Doutora Sobeck."

As luzes se apagaram uma a uma, as de cor lilás da câmara de criogenia apagando por último. Por fim, apenas a luz branca advinda do elevador iluminava a pequena câmara, e finalmente ambas adentraram-no, iniciando sua subida à superfície. Assim como ocorrera no elevador de Meridiana, o silêncio tomava conta do ambiente, com Aloy agora questionando o que se passava na cabeça de Elisabet após as péssimas notícias. Conseguia notar a feição cansada e triste da doutora, encostada na parede oposta do elevador e olhando para baixo. As lágrimas já haviam secado, mas deixaram rastros, como tapetes vermelhos, prontos para novas lágrimas caminharem por cima.

"Você está bem? Digo… Você dormiu por muito tempo."

Ainda na mesma posição, ela respondeu:

"Eu nem esperava acordar, garota… Com certeza está melhor do que o pior dos casos."

Não respondia exatamente a pergunta. Ela parecia bem, mas Aloy não entendia as especificações do processo que a manteve adormecida. Talvez fosse melhor deixar assim, principalmente para dar um espaço a ela.

O elevador parou e as portas se abriram. O frio artificial deu lugar a uma leve brisa matinal, inundando os pulmões de Elisabet com ar fresco pela primeira vez em séculos. Ar novo, renascido pós dia-zero. A luz do sol vinha do outro lado, entrando pelas frestas e iluminando o que restava do Rancho Sobeck. Aloy aguardou pacientemente atrás da doutora, essa que saia devagar de dentro do elevador, olhando com atenção e nostalgia cada detalhe de seu antigo lar.

"O tempo até que foi gentil com você…"

Flores e grama cresciam livremente em meio a antiga cozinha e árvores invadiam com suas raízes o que antes era a sala. Os móveis não existiam mais, pelo menos não como antes; a Terra em evolução já havia os utilizado para outros propósitos. As paredes assumiram nova forma, caídas e retorcidas enquanto se mesclavam ao relevo. O teto, em pedaços, abrigava agora ninhos de pássaros e teias de aranha, brilhando contra a luz. E a brisa, como um maestro de uma orquestra, balançava todo o ambiente em harmonia. Era necessário ver mais, porém. Elisabet ainda não acreditava plenamente em tamanho sucesso e beleza em meio ao fracasso e a tragédia anunciados momentos antes.

Andando para fora e passando pela abertura que antes dava lugar a porta, Elisabet notou os morros e depressões, a estrada agora apagada, além da placa desgastada que levava o nome do lugar. Por um momento, via em memória a pequena Elisabet, correndo com as mais diversas bugigangas eletrônicas em mãos, subindo nas árvores com os pés sujos e ficando por horas mergulhada em experimentos que não faziam o menor sentido prático, mas que a divertiam mesmo assim. Ouviu sua mãe chamando de dentro de casa, seguida por uma bronca por conta do horário e da sujeira. Com mais nitidez, porém, via também um pinheiro logo ao lado do que antes era a garagem da casa. Não uma obra de suas lembranças revividas pela nostalgia, e sim real, com o verde das folhas refletindo em seus olhos, enquadrado perfeitamente em sua visão apesar do tamanho. Elisabet se aproximou a passos vagarosos, notando os ninhos de pássaros nos galhos mais altos. Era a confirmação que precisava, em níveis mais íntimos do que esperava.

"Céus, GAIA…", sentiu as lágrimas finalmente percorrendo o tapete vermelho deixado pelas anteriores, desta vez assinando um outro sentimento. Misto. "...Você pensou em tudo"

Era o mesmo pinheiro. No mesmo lugar.

A natureza automatizada e perpetual do Zero Dawn deixava pouquíssimas margens para coincidência. O posicionamento deste exato pinheiro neste exato lugar de sua infância acusava apenas premeditação na mente da Doutora. Uma mensagem, não, uma homenagem de GAIA, através do tempo e do espaço, agora finalmente chegando aos olhos marejados de sua criadora. Ela segurava com força seu pingente com um pequeno globo terrestre, símbolo de seus esforços, enquanto as lágrimas nutriam o solo e a voz rouca dizia em voz baixa:

"Deu certo…"

Aloy se aproximou devagar, sem a intenção de interromper o momento aparentemente delicado. Era o que queria, mostrar que os esforços da Doutora e dos demais Alphas não haviam sido em vão, que o Zero Dawn havia funcionado e a vida florescia mais uma vez a partir de uma rocha estéril. Cada adversidade e cada obstáculo, alguns recentes, haviam sido superados como um esforço conjunto através das eras. Uma anestesia, um toque suave no mar tempestuoso no coração de Elisabet Sobeck, que suspirou com força ao se levantar e secar mais uma vez suas lágrimas, deixando um simpático sorriso tomar conta de sua expressão.

"Obrigada, Aloy."

"Não precisa me agradecer. Vai ficar bem?"

"Quando você me contar o que fez, vou precisar agradecer sim, garota. Mas sim, vou ficar bem."

As duas ficaram mais um momento em silêncio, deixando mais quietude acalmar ânimos antes agitados, até que Aloy mais uma vez se empolgar ao dizer:

"Tem outra coisa que eu preciso mostrar."

Curiosa, Elisabet prestou atenção enquanto Aloy assobiava alto, reverberando através do ambiente. Silêncio. E enfim, detrás dos morros que cercavam o rancho, o fiel Galope apareceu, se posicionando ao lado da caçadora. Elisabet se assustou sutilmente, dando alguns passos para trás, mas o susto deu lugar ao fascínio de imediato quando parou para prestar atenção na magnífica máquina à sua frente.

"Isso é…"

"Um Galope. Uma das máquinas criadas por GAIA"

"É incrível! A estrutura muscular, o formato das patas. Referências a mega fauna, assim como ela havia previsto!"

Elisabet dizia, e Aloy não entendia. Era uma empolgação contagiosa de qualquer forma, enquanto a doutora analisava e tateava a máquina sem nenhum sinal de hesitação.

"Então esse é o seu transporte?"

"Sim, e é bem eficiente. Quer ver?"

Tal empolgação era medicinal para as duas.

"Pergunta inútil. Me mostra!"

Rindo da súbita ansiedade da mais velha, Aloy subiu sem dificuldades nas costas da máquina e estendeu a mão para auxiliar Elisabet, que também subiu sem problemas, atrás da mais nova. Com um leve chute na lateral do Galope, o movimento se iniciou.

"Segura firme!"

Aloy não quis poupar esforços na demonstração, cavalgando rápido para longe do rancho, fazendo balançar seus cabelos e forçando Elisabet a segurar em sua cintura para não cair. Ela ouvia apenas risadas atrás de si, porém.

"Você é quase tão boa quanto eu! Pena não ter cavalos pra te testar."

"Cavalos…?"

"Ah, um animal da minha época. Era bem parecido com essa máquina."

"E você tinha esses ‘cavalos’?"

"Sim, um pelo menos. Se chamava Lewis. Era todo preto, dava medo até na minha mãe, e ela era durona."

Aloy foi diminuindo a velocidade, dando a oportunidade para se recomporem. O sorriso não deixava o rosto da doutora e era como se um mar de incertezas se abrisse acima das duas. Por alguns momentos a necessidade de voltar a civilização deixou a mente de Aloy e pensamentos complexos igualmente deixavam a mente de Elisabet. Queriam apenas sanar as dúvidas uma da outra, preencher as lacunas. Voltaram à realidade simultaneamente, porém.

"Vamos, tenho que te levar pra casa. Lá vamos ter todo o tempo do mundo para conversar."

"E onde seria isso?"

Agora indo a média velocidade, a garota respondeu:

"Meridiana, capital dos Carja. É de lá que eu parti três dias atrás."

"Carja… Uma tribo?"

"Mais ou menos... é uma história bem longa na verdade."

O mundo pós dia zero, e sem o patronato de APOLLO. Como se teria dado o desenvolvimento da segunda geração de humanos? Imaginar a resposta para essa pergunta era como olhar para o céu estrelado esperando respostas sobre o surgimento do universo. Através da névoa da imprevisibilidade, tanto a caçadora quanto a doutora agora iam em direção a uma nova fase, uma de descobrimento e de emancipação. E assim foram em direção ao horizonte, numa velocidade constante, com perguntas simples sendo respondidas ao longo do caminho. A natureza das máquinas, a origem dos Carja e outras tribos, o que os humanos comiam 1000 anos atrás, coisas assim.

Com a noite caindo a cada metro percorrido, Aloy achou prudente parar para passar a noite e Elisabet concordou, paradoxalmente com sono mesmo após seu descanso longo. Encontrando um lugar adequado e seguro ao pé de um morro, a caçadora foi rápida em acender uma fogueira, compartilhando seus suprimentos com a doutora. Com o fogo ainda aceso, Elisabet pediu licença e se deitou para o lado oposto a Aloy, encostada no tronco de uma grande árvore. Aloy se posicionou para dormir, mas não antes de ouvir murmúrios, muito baixos para discernir palavras exatas. Reconhecida a voz de Elisabet porém, e ao prestar atenção ouviu claramente:

"...eu falhei com vocês."

O tapete vermelho ainda tinha convidados. Numerosos

Notas finais
Pobre Elisabet ;( agora ela sabe de tudo que deu certo e de tudo que deu errado. A questão é, o que ela vai fazer com essa informação? E onde Aloy entra nisso? É o que veremos em duas semanas! O que acharam? O que teve de bom? E de ruim? Me deixem saber de tudo! Como sempre, e sempre será, agradeço aqui a minha irmã incrível que faz tudo isso ser possível. Pode não parecer mas tem sim um toque de Vanilla Sky em certos trechos, justamente por que aprendi boa parte do que eu sei com ela ❤️ POR FAVOR dêem uma olhada nas fics dela, não vão se arrepender!! Enfim, em 15 dias, de preferência sem atrasos, capítulo 4! Outro que me deixa empolgado. Até lá! Se cuidem, fiquem em casa, usem máscara!