Where Is My Mind?
1 Where Is My Mind?
Notas iniciais
23:30
James Potter não conseguia dormir, ele já havia tentado de absolutamente tudo, mas, desde o começo do mês, seu corpo não parecia mais ser capaz de obedecê-lo. Ou melhor, sua cabeça não parecia mais ser capaz de obedecê-lo. É, isso definitivamente fica mais certo assim, o problema estava na cabeça, mais especificamente em pensamentos insistentes que não paravam de rondá-la.
Ele não sabia mais o que fazer, e a luta tinha sido árdua até esgotar suas opções. Bem, tecnicamente não estavam esgotadas ainda, faltava uma, sua última tentativa, parecia ser sua única esperança restante para voltar a ter uma noite de sono decente. No entanto, não estava disposto a fazê-lo. Não, não poderia, seria mais uma tentativa falha, mais uma para sua nova coleção. Não iria pensar nisso agora.
Puxando o ar o mais forte que podia para dentro de seus pulmões ele revirou mais uma vez na cama, passou a mão pelos cabelos já bem bagunçados e se sentou soltando um gemido de frustração.
Já havia se familiarizado com esse pequeno ritual proveniente de seus novos hábitos noturnos.
Esticou a mão direita rumo a cabeceira e pescou seus óculos, colocando-os no rosto. Meio segundo depois e já conseguia ter uma noção mais nítida do quarto ao seu redor. O guarda roupa de madeira escura no canto esquerdo, seus pôsteres preferidos perto do espelho na parede da porta, o painel com fotos de seus pais e dos marotos e a mesa bagunçada, com uma janela atrás.
00:40
Ele puxou o celular.
O tempo parecia ter voado, ao mesmo passo em que tinha a impressão de estar deitado a quase uma eternidade. A tela brilhava com três mensagens.
Moony 00:02
Hoje tem prova de química Prongs, tá lembrado?
Não esquece o livro dessa vez, e tenta dormir
Padfoot 00:10
Prongs, se liga nesse vídeo, são gatinhos roncando, Marlene disse que não existe nada mais relaxante, talvez te bote pra dormir
Lils 00:30
Espero que pro seu próprio bem já esteja dormindo agora Potter, caso contrário vou precisar te bater com aquele livro de química de manhã.
Ele sorri com a última mensagem, desbloqueando o celular e entrando na conversa.
Jay P. 00:43
Sinto muito ruiva, suas delicadas mãos vão ter que aguentar o peso daquele livro se quiser me bater
Uma carinha brava chegou meio minuto depois, fazendo o sorriso aumentar no rosto do Potter.
Respirando mais uma vez ele levanta da cama, ignorando os chinelos e seguindo descalço, como de costume, até terminar sua conhecida rota até a porta dos fundos, que dava no quintal, com a piscina no meio.
O Potter mais novo sentou na borda, colocando os pés para dentro e deitando com as costas e a cabeça na borda de cerâmica. A água gelada mais o vento frio a essa hora fizeram um arrepio percorrer seu corpo, mas já havia se acostumado com isso. A Lua crescente parecia julgar sua insônia do céu escuro. Os dois já eram praticamente amigos depois de tantas noites.
Se havia algo de bom em todo esse novo distúrbio do sono era isso. As noites em claro acabaram por implantar no menino o hábito de passar as madrugadas observando as estrelas.
“As estrelas Jay, elas sempre têm a resposta pras nossas angústias. Quando você estiver perdido, basta olhar para cima e elas vão te guiar”, era o que sua avó sempre dizia quando era pequeno e eles brincavam de acampar no quintal.
A verdade é que James nunca se sentira tão perdido quanto agora. Nada parecia fazer sentido e sua concentração parecia ter pegado um trem para Terra do Nunca, isso sem contar as noites sem dormir. Suas olheiras encontravam-se mais fundas e ele não fazia ideia de onde sua mente tinha ido parar, ou talvez soubesse, e o problema fosse exatamente esse.
Ele olhou pro céu, tentando seguir o conselho da avó, mas tudo o que conseguia enxergar era um par brilhante e vivo de olhos verdes.
Ele estava ferrado.
Se perguntassem ele não saberia dizer ao certo quando seus pensamentos em relação a ruiva haviam se transformado. Ele não sabia como, não sabia quando e muito menos o porquê. Aquilo não estava certo. O universo certamente estava brincando com ele, pregando alguma peça de mal gosto, era a única explicação. Ele não podia estar se apai... não! Definitivamente não!
Ele parou os pensamentos na mesma hora, se levantando abruptamente – o que não foi a melhor das ideias, já que o sangue não acompanhou seu ritmo, deixando-o tonto e fazendo o menino sentar-se outra vez.
Outro suspiro de frustração.
Lily Evans havia se tornado uma de suas melhores amigas desde que se mudara de volta para Hogsmeade, quase três anos atrás. A conexão foi praticamente instantânea. Foi um click automático, suficiente pra deixar Padfoot morto de ciúmes.
Sirius sabia ser bem sensível em relação aos amigos.
O fato era que James adorava passar tempo com ela, eles se entendiam bem e a relação não era nada parecida com a que geralmente tinha com garotas, que sempre acabava de forma desastrosa. Não, Lily era diferente e era exatamente por isso que ele não estava disposto a arruinar as coisas com ela. Não estava disposto a arriscar.
O problema era que sua cabeça teimosa não parecia entender isso. Sua mente estava sempre longe, sempre distante, a quilômetros de seu corpo, e o os olhos verdes continuavam encrustados em seu cérebro. Onde estava sua mente?
Ele puxou o celular do bolso novamente. Tinha uma mensagem, estava tão distraído que sequer sentiu o celular vibrando
Lils 2:25
Tenho certeza que você ainda está acordado Potter, feio da sua parte
Me encontra na porta da biblioteca depois da segunda aula hoje, vou te sequestrar
Jay P. 2:35
Eu posso até estar errado ruiva, mas acho que sequestradores profissionais geralmente não mandam notas de aviso antes, muito menos com figurinhas
Lils 2:37
Cala boca James, isso não vem ao caso
Jay P. 2:37
Pra qual lugar você pretende me levar Evans? É um plano pra me matar e roubar meus órgãos? Só porque eu não estou dormindo?
Lils 2:38
Óbvio Potter, de que outra forma eu conseguiria dinheiro pra passar as férias no Caribe? Seus órgãos vão ser minha passagem
Jay P. 2:39
Hahahaha, hilária você Lily, vou morrer de tanto rir, me deixou sem ar
Lils 2:40
Dorme James
Ele sorriu, mas dificilmente iria conseguir dormir pela próxima hora pelo menos, os dois sabiam disso.
Onde estava sua mente?
Reunindo toda a pouca disposição que havia lhe sobrado, levantou do chão, estranhamente confortável, e se encaminhou de volta para a cama. Seria um dia longo, ele deveria ao menos tentar.
6:10
O despertador do celular começou a vibrar e antes mesmo que os toques iniciais de RU Mine? Começassem a tocar James já havia desligado o mesmo. Não dormira praticamente nada, como era previsto. Conseguira fechar os olhos por um breve período, mas um sonho estranho envolvendo o mar caribenho e peixinhos falantes entoando Lily Evans como se fosse música o fizeram acordar exasperado.
Estava completamente ferrado.
6:50
— Caralho Prongs, parece até que um exército zumbi te atropelou ontem de noite – Sirius falou soltando uma risada alta
Eles se encontravam na frente da escola, esperando o horário para a aula começar
— Nossa, valeu Sirius, sempre que eu estiver precisando de uma elevada na autoestima vou vir falar com você – James respondeu com um resmungo
— Prongs, você sabe que eu te amo, é exatamente por isso que faz parte das minhas atribuições de melhor amigo te dizer quando você estiver parecendo um lixo, e cara, você tá parecendo um lixo
— Não é por nada não amigo, mas o Sirius tem razão, você pelo menos fechou o olho essa noite? – Peter perguntou, demonstrando preocupação
Os marotos faziam piada de absolutamente tudo, e não havia momento em que Sirius não estava rindo ou brincando, isso era verdade, mas eles realmente se preocupavam um com o outro, haviam se tornado família com o passar dos anos, então se um deles estava passando por maus bocados, os outros com toda certeza se preocupariam, e, apesar da piada, essa preocupação estava nítida nos olhos claros de Sirius, sustentando a pergunta de Peter.
—Não. Na verdade, eu fechei, mas não acho que tenha durado mais que uma hora – Ele respondeu frustrado
— Caramba Prongs, você tentou o chá de camomila que minha avó falou? – Peter perguntou – Eu tenho mais lá em casa, ela me deixou um saco inteiro
— Ou o vídeo dos gatos. Eu sei, eu sei, quando a Marlene me falou eu pensei que era piada, mas por incrível que pareça me fez dormir igual um bebê – Sirius disse com uma cara de surpresa
— Os dois – James disse com uma cara miserável – os dois e muito mais, eu tentei até uma meditação que a ruiva me ensinou, eu enchi meu quarto com incensos na última semana, mas só serviu pra impregnar o lugar com um cheiro estranho de maracujá. Nada funciona, é como se tivessem sequestrado a minha cabeça e eu não conseguisse dormir sem ela.
— Então nós vamos ter que colocar anúncios na internet “Procura-se a cabeça do James”, caso contrário você que vai virar o zumbi
— Haha Padfoot, todo mundo anda muito engraçado ultimamente – Potter falou – Mas falando na Lily, vocês viram ela?
— Não é a gente que tá engraçado Prongs, é você que está mal humorado. A ruiva já tá lá na sala com o Moony, prova hoje, esqueceu? – Peter respondeu já começando a se encaminhar na direção da sala de química
James sentiu todo o sangue ir embora de seu rosto, com uma expressão de quem estava encrencado, ele não lembrava da prova.
— Acho que tá aí sua resposta Wormtail. Remus vai matar ele – Sirius foi andando enquanto ria
James estava realmente ferrado.
7:00
Era incrível a capacidade que a ruiva tinha de iluminar o dia do Potter, parecia um truque de mágica. James passara a ficar mais consciente desse fato quase no mesmo momento em que suas noites de insônia tiveram início. Foi quando ele passou a prestar mais atenção nos efeitos que Lily Evans tinha sobre ele. Ele havia começado a escrever, como se fosse uma bula de remédio.
1 dose de Lily Evans pela manhã
Efeitos colaterais podem envolver inebriação devido ao cheiro floral, arrepios devido ao toque prolongado, inércia ao encarar os olhos verdes intensos, alegria instantânea pela presença, encanto ao encarar os cabelos vermelhos e riso bobo por causa das caretas engraçadas da ruiva.
Avisos: exposições prolongadas à Lily Evans podem levar a iluminação do dia e intensificação das emoções, bem como mentes sequestradas, insônia e devaneios recorrentes a respeito do sentido de tudo, ou melhor, devaneios recorrentes a respeito do porquê não mandar tudo para as cucuias e declarar seu inevitável e muito provavelmente óbvio caso de paixão.
Mas James não podia pensar nisso agora, não. Especialmente não quando a ruiva em questão vinha em sua direção a toda velocidade com um livro grande em mãos. Espera, ela vinha o quê?
A próxima coisa que o Potter sentiu foi uma pancada forte no braço esquerdo
— Aaaai, essa doeu ruiva
— Essa é por outra noite que você passou sem dormir Potter, você foi avisado
Ela sorriu e abraçou ele
— E essa é pra dar boa sorte na prova, pelo que o Sirius disse, você vai precisar
James sorriu bobo
— Agora senta e reza, porque se você for mal a próxima livrada no braço vai ser da tia Euphemia
— Ela não acredita em violência Evans, diferente da minha querida mãe – Sirius gritou da cadeira atrás de James.
— Bem, pode até ser, mas eu acredito, então é bom vocês ficarem espertos – Ela sorriu
— Eu ouviria ela se fosse vocês – Remus falou – Tia Euphemia pode até não acreditar em violência Jay, mas tenho certeza que ela acredita em confiscar seu computador pelo próximo mês.
— Isso não vai acontecer Moony, posso apostar com você que eu vou conseguir pelo menos 80% dessa prova – James sorriu confiante
Ele não conseguiu. Na verdade, duvidava que tivesse conseguido mais que 50%. A não ser, é claro, que seu professor considerasse como resposta válida pequenos desenhos de lírio. O que ele duvidava muito. Onde estava sua mente?
Estava definitivamente ferrado.
8:35
Quase o final da segunda aula e James não havia conseguido processar muito do que a professora estava falando, pra ele pareciam mais ruídos abafados debaixo d’água do que uma lição de biologia, e olha que ele realmente havia tentado, mas a única coisa que ocupara sua cabeça durante a aula tinha relação com onde diabos Lily iria leva-lo. Não havia visto ela desde o sinal anunciando o fim da primeira aula e era como se seu corpo estivesse começando uma abstinência.
Odiava a ansiedade proveniente disso, definitivamente odiava.
Sentiu o celular vibrando no bolso. Se ajeitando na cadeira para pegá-lo sem que o professor visse o Potter acabou por conseguir um olhar reprovador de Moony, que estava sentado do seu lado.
Ele fez uma carinha digna do gato de botas, arrancando um revirar de olhos de Remus, seguido de um consentimento com a cabeça
Lils 8:37
Sei que sua cabeça não tá com você ultimamente, então um lembrete
Biblioteca daqui 4 minutos
Você ainda lembra o caminho né Potter? Kkkk
Jay P. 8:38
Sinto muito Evans, acredito que meu cérebro de mingau tenha sumido com essa informação
Lils 8:39
Nossa, meu Deus James, faz séculos que eu não te chamo mais assim, me senti quase um monstro agora
Jay P. 8:39
Hahahhaha, o cérebro de mingau aqui não esqueceu Lily
Ele riu da mensagem
Jay P. 8:39
Te encontro daqui a pouco
Ele guardou o celular, junto com seus materiais, se encaminhando com Moony em direção à porta, o sinal havia acabado de tocar
— Esqueceu o caminho James? A aula de educação física não é por aí — Remus falou, começando a virar em outra direção
— Acontece que a aula de educação física não é meu destino, desculpa Moony, a ruiva tá me esperando na biblioteca, você cobre com o professor pra mim? Fico te devendo uma
Remus deixou um sorriso escapar ao ouvir a palavra ruiva, não era à toa ser considerado o maroto mais inteligente, já havia percebido há algum tempo algo de diferente em James, e tinha a impressão que poderia haver uma relação com Lily. Mas deixaria que James dissesse isso por conta própria.
— Ok Prongs – respondeu virando o corredor.
James correu em direção à biblioteca, perdendo totalmente o fôlego ao chegar. Só não saberia dizer se por decorrência da corrida ou da visão de Lily. Mas apostaria no segundo.
A ruiva passou as mãos por seu braço e começou a arrastá-lo corredor a fora, parecendo extremamente eufórica. Lily tinha muito disso, ela era uma daquelas pessoas que possuía uma energia contagiante, o tipo de pessoa que te mandava mensagem e, no segundo seguinte, já estava te arrastando pelos braços rumo a “uma aventura”, mesmo que a aventura fosse sair em busca de doce de abóbora no mercado, ou dar banho na Duquesa (sua gata), que James tinha quase certeza ter algo contra ele, especialmente desde o último banho.
Mas era exatamente isso uma das coisas que mais lhe encantavam na Evans, sua alegria, entusiasmo e disposição de tentar transformar até a tarefa mais trivial em uma aventura, e ela sempre conseguia.
Por esse motivo, sempre que Lily dizia “vou te sequestrar”, você simplesmente largava tudo e se deixava ser sequestrado, era sempre uma boa ideia.
— Nem um oie James, como foi a aula? Como você está? Qual a sensação de ter seu braço quase destroncado por uma ruiva eufórica? Nada disso Lily? – James brincou
— Não, nada disso Jay, sem tempo, nós precisamos correr pra alcançar os portões antes que o senhor Filch volte do café, menos de dois minutos pelas minhas contas- Ela continuava o arrastando
— Espera, a gente está fugindo da escola? Pra onde você tá me levando senhorita Evans? – Ele tentava acompanhar os passos da ruiva
— Rumo a uma aventura Jay, rumo a uma aventura – Ela riu
James riu junto, se dando meio segundo para apreciar o toque da ruiva em seu braço, era quente, trazia uma sensação reconfortante, quase como se pudesse sentir o entusiasmo fluindo do pequeno corpo a sua frente para o seu.
Naquele segundo percebeu o quão descomunalmente ferrado estava. Não podia se sentir daquela forma. Não deveria. Onde estava sua mente? Lily era sua melhor amiga. O melhor a fazer era esquecer esses sentimentos conflitantes. Esquecê-los e dar um jeito de encontrar sua mente e colocá-la no lugar novamente, para que conseguisse voltar a dormir e se concentrar no mundo outra vez. Talvez a ideia dos anúncios de Padfoot não fosse tão ruim afinal.
James piscou
— Lily, quando exatamente nós passamos pelos portões da escola? – Ele perguntou confuso. Se encontravam agora em uma ruazinha estreita, com a qual não era familiarizado. Não fazia a menor ideia de como havia andado até ali sem perceber.
— Uns dez minutos atrás, por que?
O moreno percebeu que, apesar de terem diminuído o ritmo, o braço de Lily continuava perpassado pelo seu, resolveu não comentar.
— Nada não – Respondeu tentando recobrar consciência
Eles viraram à esquerda e Lily parou abruptamente.
— Ok, agora você fecha os olhos
— E como você espera que eu ande até o suposto lugar ruiva?
— Eu vou te guiar é claro – Ela riu – Não confia em mim Potter?
Com a minha vida, ele quis responder, mas se conteve
— Você é a pessoa mais desastrada que eu conheço Lily, as possibilidades de você tropeçar e me levar junto ladeira abaixo são enormes – Ele falou brincando
— Assim você quase me magoa Jay, minha coordenação tá melhorando – Ela fez carinha de cachorro abandonado, colocando a mão no coração – E mais, nós não vamos passar por nenhuma ladeira, então você está seguro nas minhas mãos.
Ele tirou os óculos, entregando nas mãos da ruiva, tapando os olhos com uma de suas mãos logo depois. Não saberia dizer com certeza, mas diria que andaram mais uns dez minutos depois daquilo. Apesar da brincadeira, Lily não havia deixado ele bater em nada até o momento, e, mesmo que deixasse, James tinha absoluta certeza de que não se importaria. A sensação de ter a Evans lhe guiando, com as mãos apertando seu braço e a voz atenta avisando dos obstáculos valeria qualquer contusão proveniente de queda que pudesse lhe ocorrer. James estava feliz.
— Se prepara Jay, nós chegamos – Ela anunciou com animação contagiante – Pode abrir os olhinhos
Ele abriu, sorrindo no mesmo instante. O lugar era maravilhoso. Era um daqueles cantinhos perdidos no meio da cidade, que te enchiam com uma sensação de paz só de olhar. Tinha um riacho, uma árvore e a grama cobrindo todo o local.
— Ok Lily, dessa vez você se superou, esse lugar é lindo, se você me trouxe aqui pra roubar meus órgãos eu nem me importo mais, eu vou morrer feliz.
— Hahaaha, como você adivinhou meu plano tão bem? – Ela perguntou, rindo enquanto se aproximava do riacho
— Sério, como eu nunca soube desse lugar antes? — Ele se aproximou de onde ela estava
— É um segredo, eu não sei quantas pessoas sabem desse lugar, mas acredito que são bem poucas, ele é muito bem escondido – Ela se virou pra ele – Tuney que me mostrou, há muitos anos atrás. Eu era bem pequena, e estava tendo dificuldade pra dormir, eu não conseguia me concentrar em mais nada e ela me trouxe aqui, pra me mostrar um “truque especial”, como ela chamava.
James sorriu, ele sabia que Lily e sua irmã eram extremamente próximas quando crianças, mas Petúnia havia se afastado muito de Lily, especialmente depois de seu casamento. Contudo, a ruiva continuava amando a irmã, mesmo depois de tudo.
— Eu não sei o que tá acontecendo Jay, não sei o que tem te incomodado, mas eu tenho certeza que alguma coisa tem. Você não quer contar e tá tudo bem, mas eu não consigo ver você continuar assim sem fazer nada – Ela sorriu – Por isso, eu te trouxe aqui, talvez tenha o mesmo efeito que teve em mim quando Tuney me trouxe, e, caso não resolva, eu tô com meu livro de álgebra, que é extremamente pesado. Então você pode escolher, de qualquer forma a gente não vai sair daqui até que você tenha conseguido dormir pelo menos 3 horas seguidas, e eu particularmente não acho que um galo na cabeça seja a melhor opção.
— Espera – O Potter disse descrente – Você espera que eu durma aqui?
— Exatamente – A ruiva declarou com um sorriso esperto
— Você é oficialmente o ser humano mais inesperado do mundo Lils
— Eu sei, e é exatamente por isso que você me ama
Mais do que você consegue imaginar ruiva, ele pensou, mas resolveu não pensar nisso agora
— Vem – Ela gritou correndo pela grama, parando e se deitando bem no meio do local – Vou te mostrar o truque da Tuney
James duvidava realmente que fosse funcionar, já havia tentado de tudo, das mais diversas coisas, e nada, absolutamente nada resolvia seu problema. Não conseguia dormir por mais de uma hora consecutiva. Já havia aceitado isso. Seu destino era se tornar um zumbi, com olheiras mais profundas que sua paixão por Lily. Estava conformado. Mas, se fosse deixar a ruiva contente, ele tentaria com prazer.
Afastou esses pensamentos e tirou a mochila dos ombros. Lily era sempre assim, tentaria a todo e qualquer custo ajudar os amigos caso alguma coisa estivesse errada com eles. Esse era um dos detalhes que James mais admirava na ruiva, que havia começado a dar piruetas na grama a sua frente.
James não conseguia se lembrar de algum momento em que Lily parecia mais linda do que agora. E isso realmente era difícil. Mas, naquele segundo, com a luz batendo em seus cabelos vermelhos, dando piruetas na grama e soltando risadas de alegria todas as vezes eu caía, James achava ela a mais linda de todas. Era mágico. Era encantador. Era errado, ele pensou com rapidez. Era errado e ele não deveria nutrir tais pensamentos. Balançou a cabeça, indo se deitar na grama ao lado dela.
— Ok ruiva, me mostre esse truque – James falou – Eu preciso dar piruetas no ar também?
— Não Potter, as piruetas são meu charme à parte, se você tentasse muito provavelmente iria cair e quebrar essa cabeça, nós obviamente iríamos descobrir que não tem nada dentro dela – A ruiva riu
— Pés no ar e cabeça no chão – Ela falou, deitada ao lado dele, enquanto levantava seus pés pra cima e olhava para o céu – Você vai se sentir um pouco tonto, como se seu mundo girasse um pouquinho
James obedeceu. Encostou a cabeça no chão e ergueu as pernas, seus pés para cima, dando a impressão que estava quase tocando o céu. Ele riu, a sensação fazia sua cabeça girar, mas ele estranhamente gostava.
— E agora Lils?
— Agora você precisa seguir seus pensamentos Jay, sem tentar evita-los. Você fecha os olhos e segue o curso da sua mente. Onde ela está Jay?
James fechou os olhos. Ele se concentrou por um segundo, parando de evitar a enxurrada de pensamentos conflitantes que lhe enchiam a tanto tempo e, no mesmo momento, uma única coisa tomou conta de toda sua cabeça, um par de pedras verdes brilhantes e vivas. As pedras irradiavam uma luz tão forte em sua direção que ele sentiu o corpo tremer. Não era uma luz que machucava, como olhar diretamente para o Sol. Não. Era uma luz quente, que aquecia seu corpo, enchia seu coração e o fazia sorrir instantaneamente. Eram os olhos de Lily, e James finalmente tinha sua resposta. Sua mente, que a tanto parecia ter fugido e se escondido, o impedindo de dormir ou se concentrar estava bem ali, deitada ao seu lado. James soube que só haveria uma forma de voltar a dormir ou ter paz novamente, seus pensamentos estavam o engolindo e ele não conseguia mais evitá-los. Não tinha mais forças para tal.
Ele abriu os olhos e se virou para o lado, se sentando para encarar a Evans
— Eu te amo Lily – Ouviu sua boca dizendo, sem controle de mais nada
— Eu sei, o truque o funcionou? – Ela perguntou sorrindo, não havia entendido
— Não ruiva, você não entendeu. Eu te amo. Eu estou completa e perdidamente apaixonado por você. É isso que te me tirado o sono, é isso que tem me roubado a concentração. Por semanas a fio eu tenho me perguntado onde estava a minha mente? Para onde ela havia fugido? Onde estava se escondendo? E agora eu sei, estava aqui o tempo inteiro. É você Lily, eu amo você.
Ele assistiu o sorriso de Lily diminuindo em sua face rosada, enquanto uma lágrima solitária escorria de seus olhos verdes. Seu olhar parecia perdido.
— Lily? – Ele perguntou incerto
A ruiva se levantou abruptamente, pegando sua mochila do chão e começando a correr.
— Lily? – James gritou, se levantando – LILY?
Ela já estava longe. James se sentou novamente no chão, mais perdido que nunca. Onde estava sua mente?
Ele estava ferrado
00:30
James estava em casa. Sua cabeça girava mais que seu corpo no meio das cobertas. Não sabia o que fazer. Levara no mínimo duas horas para conseguir processar tudo que havia acontecido e juntar forças para se levantar da grama. Com um pouquinho de dificuldade conseguira encontrar o caminho de volta.
Realmente não sabia o que fazer. Havia se decido e declarado seus sentimentos em relação à ruiva, abrira seu coração e realmente tinha esperanças, mesmo que lá no fundo, de que ela retribuísse de alguma forma. Estava obviamente mais errado que nunca.
Ela saiu correndo sem olhar para trás, não atendeu a nenhuma de suas ligações nem respondera suas mensagens. A ruiva nunca fizera isso. Sempre que algo ruim lhe acontecia, quando estava aborrecida ou chateada Lily falava. Ela lhe enchia de mensagens ou conversava sem parar. Lily nunca se silenciava. Isso era um sinal péssimo. Significava que algo realmente estava errado.
James se culpava.
00:45
Ele se levantou da cama, sem tocar nos chinelos e se encaminhando para a porta dos fundos. Sentou na borda da piscina e, ignorando totalmente o vento e clima frio àquela hora da madrugada, entrou na água. Precisava refrescar a cabeça. Precisava mergulhar e tentar esquecer de tudo. Não conseguia lidar com o fato de que muito provavelmente arruinara sua relação com uma das pessoas mais maravilhosas que conhecia, uma de suas pessoas favoritas no mundo.
Respirou o mais fundo que conseguia e enfiou a cabeça embaixo d’água. Olhos abertos, especialmente para tentar evitar a visão dos conhecidos olhos verdes, tatuados em sua cabeça.
Funcionou por quatro segundos. No quinto uma silhueta magra, de cabelos vermelhos e olhos brilhantes estava ali, na outra ponta da piscina, nadando.
James levantou a cabeça da água exasperado, Lily não saía de sua cabeça. Ele precisava concertar as coisas.
Estava decidido, pela manhã iria contar tudo para os Marotos. Remus era a voz da razão no grupo, iria ajuda-lo a conversar com Lily. Ele a procuraria e concertaria as coisas. Diria que foi um engano, um erro infeliz. Que iria encontrar uma forma de se resolver quanto a isso e eles poderiam voltar a amizade que tanto amava. James não podia perder Lily. Não, isso definitivamente não podia acontecer. Não se ele pudesse evitar.
Saiu da piscina e pegou seu celular, mandando uma mensagem para os meninos, cedo iria explicar tudo que havia acontecido.
— E foi isso. Eu disse tudo pra ruiva, ela correu, não me atendeu nem respondeu minhas mensagens. Foi um erro enorme ter dito tudo, mas agora eu vou concertar. Ela provavelmente está certa – Ele relatava tudo aos Marotos, que ouviam com atenção, encostados no muro da escola, era a hora do intervalo – Não iria funcionar entre a gente, nenhuma relação minha dá muito certo de qualquer forma. Nós somos amigos, ela nunca me viu de outra forma e foi um engano da minha parte, eu devo ter confundido as coisas, isso vai passar e daqui um tempo eu vou voltar a ver Lily da mesma forma de sempre, como minha amiga, nada mais. Agora eu só preciso achar ela e dizer isso, com sorte vai ficar tudo bem – Ele falou com um sorriso esperançoso, mesmo duvidando ligeiramente que seus sentimentos fossem mudar.
— Espera, pode ir parando por aí Prongs, você não vai falar nada disso para a Lily, primeiro que ela não veio hoje – Sirius começou a falar – E segundo que esse seria o maior erro da sua vida
— Como assim Padfoot? Você não quer que eu resolva as coisas com a Lily? – Ele perguntou, preocupado pela parte em que Lily não viera para a escola. A ruiva nunca faltava.
— Resolver as coisas com a Lily é tudo que eu mais quero que você faça Prongs – Sirius sorriu – Só estou dizendo que essa seria a pior forma de fazer isso
— O Sirius tem razão James, e notem que não é algo que eu falo com frequência – Remus frisou – Prongs, você e a Lily são bem mais que amigos. Qualquer pessoa com um par de olhos consegue ver, você deveria saber, já que tem dois.
— Dizer pra ela que é isso que você quer, voltar a ser só amigo, seria o pior erro da sua vida, e da dela também – Peter falou – É extremamente claro pelo jeito que vocês se olham, ela também te ama James
— Se ela amasse por que fugiria daquela forma? Por que desapareceria, não responderia às mensagens e faltaria a aula? Isso não faz sentido – Ele declarou descrente – Amanhã tem prova de física, ela não pode faltar outra vez, eu vou procurá-la e ajeitar as coisas, é o certo a se fazer.
Mesmo não parecendo o certo em seu coração, ele pensou, mas ignorou o pensamento.
Era o melhor a se fazer e ele se concentraria nisso, concertaria as coisas com Lily. Não deveria ter dito nada em primeiro lugar. Onde estava sua mente?
00:10
James passara o dia preocupado, depois da aula tinha ido até a casa de Lily para tentar conversar, ou saber se a ruiva estava bem pelo menos. Não conseguiu encontrá-la. O senhor Evans disse que ela havia saído logo depois do horário da aula, Marlene tinha ido busca-la.
James soltou um gemido de frustração, tentou ligar mais algumas vezes, todas em vão. A ruiva realmente não queria conversa.
Ele respirou, se remexendo na cama. Pela manhã, na aula, tentaria falar com ela. Era sua última esperança, sua última tentativa. A bagunça de emoções em seu coração o estavam enlouquecendo. Isso, misturado com a ausência da ruiva e toda a sua preocupação estavam conseguindo ter um efeito ainda pior nele. James se sentia mais miserável que nas últimas semanas. Aquilo não podia continuar.
Seu celular tremeu na cômoda ao seu lado, ele ergueu a mão para pegá-lo, juntamente com o celular.
Lils 00:30
Se veste e abre a porta da frente Jay, nós precisamos conversar.
O coração de James falhou uma batida, o que foi seguido de um aceleramento abrupto em seus batimentos. Conseguia sentir seu coração batendo na boca. Ele se levantou, relendo a mensagem mais três vezes para ter certeza que não estava alucinando.
A mensagem era real.
Ele correu para colocar uma camisa e colocar os sapatos, parando um segundo para realocar seus pensamentos no lugar. Lily respondeu, ela realmente mandou uma mensagem e queria conversar. A voz de Remus ecoou em sua cabeça “você e a Lily são bem mais que amigos. Qualquer pessoa com um par de olhos consegue ver”.
James balançou a cabeça. Não. Aquela era sua chance de concertar as coisas. Ele olharia nos olhos da ruiva, ou talvez não nos olhos. Não tinha certeza de que conseguiria falar o que precisava – ou mentir, a palavra ressoou em sua cabeça. Não tinha certeza de que conseguiria se os olhos verdes brilhantes o estivessem encarando, lendo sua alma.
Ele diria que foi um engano de sua mente cansada e confusa, diria que estava errado e que ter Lily como sua amiga era mais precioso que qualquer outra coisa, que não queria perder isso e que ela poderia esquecer o que ele havia confessado no riacho. Eles poderiam seguir dali.
Ele sorriu, era um bom plano. Fazia sentido.
Mas então por que seu coração se sentia tão pesado com a ideia? O pensamento lhe escapou.
Não. Onde estava sua mente? Ele sacudiu a cabeça e correu para a porta. Lily estava esperando.
James abriu e se concentrou, estava escuro e ele não via Lily. Pegou o celular para se certificar que não tinha entendido errado, mas viu os familiares cabelos vermelhos se aproximando. Lily estava linda.
Ele sorriu
— Lily, me desculpa eu...
— Não diz nada James, me dá a mão e vem comigo, nós precisamos conversar – Ela estendeu a mão e agarrou o braço dele, já começando o puxá-lo em direção à rua
— Oi? Lily, meio que tá no meio da madrugada, pra onde exatamente você vai me levar? – Ele perguntou incerto, mas fechando a porta e começando a segui-la.
— É um sequestro Potter, sem perguntas
James sorriu, com exceção do semblante preocupado, parecia a mesma Lily de sempre.
O Potter a seguiu por dois quarteirões até uma pracinha ali perto. Aquela praça ele conhecia bem, costumava brincar com os meninos quase todos os dias ali quando pequeno. Foi a praça onde vira Lily pela primeira vez também, tantos anos atrás, quando crianças, e três atrás, quando ela voltara para Hogsmeade.
A voz da Evans o tirou de suas lembranças
— Você realmente falou sério Jay? No riacho? Foi realmente o que quis dizer?
Os olhos dela brilhavam mais. A luz da Lua iluminava seu rosto de uma forma diferente, deixava suas sardas mais destacadas e um semblante mais sereno. A cabeça de James girou, seu coração pulou com a visão e o moreno quase perdeu as palavras.
— Eu confundi as coisas Lily, eu não devia ter dito aquilo daquela forma, não devia ter jogado todos aqueles sentimentos sem aviso, foi um engano, nós podemos voltar a ser como sempre e... – Ele foi falando, se embolando levemente nas palavras e sacudindo os cabelos, já bagunçados, como um louco – Eu estava confuso
— Não foi o que eu perguntei Jay – A ruiva sorriu levemente – Eu perguntei se você realmente quis dizer aquilo, se era verdade. É isso o que você realmente sente?
James hesitou. O certo era dizer que não, que estava enganado, que confundiu os sentimentos. Era a única forma de fazer as coisas ficarem bem. Mas então, onde estava sua mente? Por que não conseguia verbalizar isso? Por que não conseguia dizer?
As palavras de Moony ressoaram em seus ouvidos, seu coração batia rápido e os olhos verdes lhe encaravam firmemente.
James não conseguia mentir
— Sim, eu não deveria, mas sim, tudo que eu te disse é real. Eu sinto cada palavra e muito mais. Eu não consigo evitar, é mais forte que eu Lily. Mas, se for para as coisas ficarem bem entre a gente, eu vou conseguir ajeitar meus pensamentos no lugar, eu vou conseguir colocar minha mente de volta na cabeça – Ele garantiu
A próxima coisa que sentiu foram os lábios da ruiva junto aos seus.
Aquilo deveria ser um sonho. James levou um segundo para entender que não, Lily Evans, sua melhor amiga, a ruiva por quem nutria os sentimentos mais intensos que seu coração já fora capaz de sentir, realmente estava lhe beijando.
James colocou suas mãos na cintura de Lily, trouxe seu corpo para mais perto e a beijou de volta. Foi o gosto mais doce que já sentira em toda sua vida.
Lily se afastou.
— Você não está errado Jay, não tá confuso e definitivamente não está louco – Ela sorriu, ainda segurando o rosto do moreno em suas mãos pequenas – Por que, se estivesse, isso significaria que eu também estou.
James se sentia inebriado, encantado, sem reação
— Eu te trouxe aqui porque foi onde nós nos vimos pela primeira vez, onde eu conheci aquele menininho de cabelo arrepiado e onde nós nos reencontramos depois que eu voltei da Escócia. Eu achei que seria um bom lugar pra tentar acertar as coisas – a ruiva colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha, levantando o rosto e encarando os olhos de James – Eu sinto exatamente a mesma coisa, mas achei que era loucura. Quando você falou aquelas coisas, eu não soube como reagir, então eu fugi – Ela sorriu com os olhos brilhando de choro – Eu fugi porque, se fosse verdade, tudo que a gente construiu podia se despedaçar com uma facilidade gigantesca e, se não fosse, meu coração iria se despedaçar. Por isso eu precisava ter certeza – a ruiva começou a sorrir
— Mas Jay, a verdade é que eu não conseguiria ficar longe de você, eu não consigo, você é a minha pessoa preferida no mundo e, faz bastante tempo já, a pessoa por quem eu me apaixonei.
James não achava que conseguiria se sentir tão feliz na vida.
Ele olhou nos olhos verdes que tanto lhe tiraram o sono, sorriu e beijou Lily, tirando ela do chão e rodando o mais rápido que conseguia.
Sua cabeça girava, mas nunca se sentira tão em paz. Finalmente havia encontrado o esconderijo de sua mente. Ela agora estava com ele.
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