Idiota! Idiota! IDIOTA!! Como eu não fui capaz de impedir a minha boca antes de falar uma estupidez dessas?!

Voltei a encarar a minha dona cautelosamente, como um filhote com medo do sermão que estava prestes a vir.

Meu coração falhou duas batidas ao perceber que eu fui capaz de fazer o que ninguém jamais conseguiu. Deixar ladybug sem palavras.

Seus olhos piscando freneticamente em total confusão enquanto abria e fechava a boca sem saber o que dizer. — Você... – balbuciou – não podia antes? –

Eu esperava tudo, menos isso.

— C-como é? –

— Tipo... Não precisa pedir permissão para uma coisa dessas, quero dizer, as pessoas se t-tocam o tempo todo né? É a ordem natural das coisas a-a-a menos que estejamos num país oriental, digo, eles não costumam se t-tocar tanto assim... Mas não estamos num país oriental, certo? – mas o que diabo ela esta falando...?

Uma gargalhada estúpida escapuliu da minha boca. Não faço a menor ideia do que responder, parece até que estou conversando com a...

Afastei os pensamentos rapidamente. Não sou permitido escolher quem my lady é, mesmo que internamente eu tenho uma leve esperança egoísta, eu escolhi ama-la quem quer que seja.

Depois de esconder minha crise de risos não desejada, a fito com uma expressão mais suave.

— De fato, não estamos num país oriental – coço a nuca – e pensando melhor... Minha frase também saiu mais dramática do que eu planejava, então vou tentar de novo. Ladybug, tudo bem se eu te tocar? –

Ela tocou a ponta do meu nariz com o indicador

— Um lugar – inclinei um pouco a cabeça para ver o rosto dela – Seu pedido só te dá o direito de um lugar –

— Mas você tinha dito-

— Eu sei o que eu disse! – ela fechou os olhos fortemente – M-mas eu pensei melhor e resolvi pôr alguns limites na s-sua sentença – suas sobrancelhas estavam tremendo de tanto que ela forçava uma expressão severa sem muito sucesso.

— E... Eu posso escolher qualquer lugar que eu quiser? – Você está cavando a própria cova my lady...

— Se... E-estiver nos padrões comuns – seus olhos desviavam vagamente para o lado, já não tão convincentes quando a minutos atrás.

— E quais seriam esses padrões? – eu quase deixo escapar um dos sorrisos de Chat

— V-v-você fala o lugar e eu te digo se é um lugar a-aceitável –

— Hn... Seu umbigo? – fiz a minha melhor cara de inocente

— Você não pode ver o meu umbigo pela minha roupa –

— Então eu quero tocar em alguma marca que você tenha no braço –

— Serve as pintas do uniforme? -

— Não. –

— Então nada feito. – ela tomou um gole do chocolate.

— Resumindo, — coloquei a bandeja intocada de biscoitos no chão – não posso escolher nenhum lugar que eu não veja por causa do uniforme, nem que seja um lugar que eu e você saibamos que existe. – me aproximei vagamente – só me resta um lugar que eu saiba que exista, — comecei a enumerar – que sua roupa não cubra e que esteja nos seus “padrões” – fiz aspas com o dedo.

— B-basicamente é isso – minha senhora ainda segurava a caneca perto dos lábios. Será que ela notou que mexia o nariz nervosamente de um jeito tão gracioso?

— Logo, os lugares que me restam são seu cabelo, talvez a sua testa, a ponta do seu nariz, sua orelha... Sua bochecha... Sua boca – encarei seus lábios que eu nunca fui capaz de tocar nenhuma vez sequer – acho que eu vou escolher sua boca... –

— O que? –

— Boca. Eu disse que quero tocar na sua boca – fechei os olhos só imaginando como seria a sua expressão quando eu fizesse tal ato – não existe nenhum lugar que eu queira mais, bom... Por enquanto... Vamos começar com os seus lábios! – posso sentir a minha cara se contorcendo pra não rir igual ao Chat.

My lady me encarou com os olhos bem aberto e as bochechas, antes rosadas, agora estavam na exata cor da sua mascara. Eu já disse que adoro quando ela fica assim? Acho que sim...

— C-como quiser – ela disse tão baixo que tive as minhas dúvidas se eu ouvi ou se já estava sonhando acordado de novo.

Com as mãos trêmulas, aproximei vagamente com receio de ela voltar a trás, mas ela não se moveu, não se afastou, não virou o rosto, nem mesmo fechou os olhos. Me observou tão profundamente que suspeitava que olhasse para de dentro da minha alma. Logo a toquei, com a ponta do polegar, seus lábios macios. Deslizei bem devagar aproveitando a minha chance rara como se a qualquer momento ela irá se desvencilhar e fugir como sempre faz. Imaginei qual seria o seu gosto, como seria quando nós nos beijássemos? Será que ela prefere selinhos ou beijos profundos? Será que ela vai me corresponder? Será que ela está pensando em me beijar também?

Fecho os olhos pra não demonstrar o quanto a desejo nesse exato momento, descobri que isso me fazia senti-la ainda mais vivamente, agora percebo que nossas respirações estavam se misturando, noto também que esse é a primeira vez em que fico tão próximo da minha senhora por tanto tempo e a sinto perder o fôlego quando seguro o seu rosto com um pouco mais de firmeza.

Agora estamos apenas parados, próximos demais, como duas estátuas, mas já não sinto temor que antes me afligia.

— Pode se afastar quando quiser se estiver desconfortável – ouço uma voz rouca muito parecida com a minha falar.

— Na verdade eu vou embora agora mesmo... – sorri ao ouvir sua voz também rouca, como se me convidando a chegar mais perto.

— Você não está se mexendo... – já não me importava mais se estava ou não com a mascara.

— Não estou... – suspiro – e também não me lembro de você pedindo para tocar na minha cintura... – sinto seu rosto se inclinar em direção a minha mão.

— É porque eu não pedi, – voltei a acariciar a sua boca – você parecia que queria coçar as costas, sabe? Daí eu pensei em fazer isso pra você –

— você é tão atencioso... –

— tudo por você my la- q-quer dizer, My love –

My lady sorriu levemente com o novo apelido.

— Uma pergunta, os meus direitos sobre o... Local que me foi permitido tocar, digo, você me deu esse direito, certo? – abro os olhos e encaro o fliperama atrás dela sem a menor coragem de puxar o assunto — Enfim, o que eu tô querendo dizer é, hipoteticamente falando, o local em questão só pode ser tocado pelas mãos? – cocei a garganta ainda sem jeito – tudo bem se for alguma outra parte do corpo, tipo o meu cotovelo ou o dedão do pé? –

— P-porque você ira querer t-t-tocar a m-minha boca com o dedão do pé? –

—É s-só hipoteticamente falando! – Olha só! Morceguinhos voando lá longe no céu! Que empolgante! – e-eu não tava falando da sua boca em questão! É só uma dúvida de natureza t-totalmente pura e curiosa, isso! Curiosa, há-haha – agora vejo uma construção superinteressante de qualquer coisa que-DROGA eu não consigo olhar pra ela! – não que eu não queira a sua boca-digo, tocar na sua boca, eu já estou fazendo isso... –

— Acho que entendo o seu ponto –

Isso é um sim, certo? Bom, não que o meu subconsciente vá me responder já que eu com certeza pensaria no que eu gostaria de pensar, quer dizer, é lógico que eu adoraria que my lady quisesse me beijar, digo, quisesse que eu a beijasse, mas e se ela não estivesse pensando no mesmo ponto que eu? Talvez ela só queira mesmo que eu coloque o meu cotovelo na cara dela, como eu vou saber o que a minha senhora quer se ela não me diz claramente? Nossa, ela tá fazendo uma cara tão fofa agora... Hnn... Que cheiro bom é esse?

— drien? – demorou um pouco pra eu perceber que ela me chamava

— Sim? –

— Você estava paralisado agora a pouco... –

Pisquei algumas vezes

— Estava? –

— Você está se sentindo bem? – por mais que eu odeie deixa-la preocupada, eu enfrento um dilema de ao mesmo tempo adorá-la quando está dando sua atenção pra mim.

— Sim! Sim, eu estou ótimo! – tenho certeza que o meu sorriso foi de longe o mais forçado – é que não tô fazendo muito sentido agora, às vezes eu penso demais hahaha... – desviei os olhos novamente de seu rosto e foi quando eu vi.

O que foi que eu fiz?

Boa parte do meu sofá branco estava nesse momento num tom de menta e a caneca de vidro que antes eu segurava estava largada com um pouco do líquido ainda escorrendo e manchando ainda mais o móvel. E isso não é nem a pior parte.

A pior parte eram as coxas de ladybug encharcadas, ainda dá pra vê um pequeno vapor mostrando que ainda estava bem quente.

Arregalei os olhos e voltei ao seu rosto, à procura de algum sinal de dor.

— Não se preocupe, eu nem tinha notado antes de você – ela apertou os lábios –... De você fazer essa cara. –

Eu abria e fechava a boca sem saber o que falar, fiz o favor de tirar as minhas mãos de perto de ladybug com medo de causar mais algum estrago.

— M-m-me d-d-descupaa! – agarrei o copo desesperado – e-e-eu não queria! N-não estava p-p-prestando atenção! –

Percorri pelo quarto com o olhar tentando pensando no que eu deveria fazer agora.

Eu vi ladybug dizer alguma coisa, ela com certeza mexia a boca, mas não consegui entender uma palavra que ela dizia.

— E-eu deveria err... Acho que posso, não não... — minha mente deu branco, será que eu deveria oferecer um lenço agora ou devo pedir desculpas antes? Ou talvez limpar o sofá enquanto ainda está molhado pra ninguém notar. Ai meu deus! Nathalie vai aparecer daqui a algumas horas pra me acordar e tem uma evidência enorme de que eu violei a minha dieta maquiavélica!

— ADRIEN! – virei bruscamente em sua direção. Suas sobrancelhas estavam bem frisadas enquanto ela apertava os lábios, encolhi os ombros como uma criança que sou.

.~.~.~.~.~.

Limpamos o mais rápido que pudemos e evitei olhar em sua direção pra não ter de ver a mancha escura que ainda estava lá. Sou um total otário, ela com certeza esta pensando que eu seja um retardado, ou um maluco, ou um maluco retardado. Tanto faz, ambos são terríveis.

Eu sumi com os biscoitos e no sofá não nada nem a vaga lembrança de que havia alguma mancha por lá.

Nos despedimos de um jeito desajeitado sem nem nos encararmos nos olhos, até que numa última tentativa eu a seguro pelo pulso antes dela se virar em direção à janela.

— Eu vou fazer outra coisa! Eu irei preparar o que você quiser, só... Venha me visitar outra vez – mordi o lábio, inseguro – eu tentarei ser mais cuidadoso! Eu prometo! –

Um sorriso tímido seguido por um beijo na bochecha foi mais do que o suficiente pra eu saber a minha resposta.

— A gente se vê cidadão gostoso – e ela sumiu pela noite.

Me joguei na cama ainda tentando entender o que acabou de acontecer.

— Pensei que vocês ficariam se encarando a noite toda – Plagg brota de sei lá aonde.

— Plaaagg, odeio quando você fica bisbilhotando –.

— Até parece que vocês estavam fazendo grande coisa – Ele pousou na minha barriga – eu quase voltei a dormir de tédio, eu esperava mais de você garoto. Sério, o que foi aquele ataque de pelanca? Parecia que a tua cabeça ia explodir! –

— Sua descrição é bem esclarecedora – suspiro profundamente – eu já não estava lá muito convincente, e também estrago tudo pra variar –.

— É claro que você foi convincente, se o seu plano era convencê-la de que você não é nem um pouco galanteador e que tem a tendência de derrubar bebidas quentes nos outros. –

— Acho que odeio mais quando você está certo. –

— Ah para de ficar mal humorado! Não é a minha culpa que você estragou com tudo e não teve nenhuma iniciativa e outra, ela falou que vai voltar, então não está tudo perdido. – o pequeno kwami já estava se preparando pra dormir – talvez esse seja o tipo dela mesmo... Pelo jeito que ela agia enquanto você tava viajando cutucando a cara dela -.

— Eu não est- e ele já estava dormindo novamente.

Encarei o teto enquanto o Plagg já vibrava na minha barriga.

Não demorou muito para que o cansaço me atingisse como um soco e eu não impedi os meus olhos de se fecharem.

~sonho~

“Você viu o que aquele garoto fez?”

“Parecia um selvagem!”

“E a mãe do garoto não fez nada!”

“Talvez já tenha desistido do menino...”

“Ele quebrou a mesa do bufê!”

“Amelie, você tem que fazer alguma coisa sobre essa peste!”

“Peste!”

“Se fosse meu filho eu teria vergonha de trazer aos eventos...”

Vergonha... Vergonha...

Onde eu estou?

Tudo em minha volta é preto... Não consigo sentir nada... A única coisa que ouço são as vozes, de quem são essas vozes? Elas estão falando de mim? Eu fiz alguma coisa de errado? Por isso que eu estou nesse quarto escuro?

E num piscar de olhos um clarão invade o quarto, mas eu percebo que não estou em quarto nenhum.

Marinette estava linda como uma princesa, com seu vestido branco a fazia parecer uma pintura, olhando para frente se desfrutando do horizonte e então seu rosto vira em minha direção, mas antes que eu possa fazer qualquer coisa, me sinto puxado para trás.

E de repente estou sentado na grande mesa da biblioteca, todos estavam de cabeça baixa nos seus livros, menos my princess, seu moletom de rendas negro com seu cabelo destacava mais a sua pele rosada. Linda como sempre.

— Parece que nem tudo é como você deseja não é? – Ela levantou uma sobrancelha – achou meeeesmo que sendo você bonito, rico e atlético as pessoas iriam gostar de você? –

Olhei as pessoas, todas concentradas demais no que estavam fazendo pra notar qualquer coisa.

— Acontece que você é sujo! – pulei de susto quando ela socou a mesa – você é falso, fingido e mentiroso! Você liga pra pessoas mas ninguém dá a mínima pra você! –

com- E-eu n-

— Nem mesmo você se importa contigo! –

— E o que você quer que eu faça?! – grito – oque que eu tenho de fazer pra que todo mundo parasse de se decepcionar comigo? –

Ela parecia não me ouvir, em vez disso, ficou me fuzilando com olhar enquanto algumas pessoas se levantem para irem embora.

— Seu teatrinho cansa e a sua pose de bom moço não engana ninguém – agora tinham somente meia dúzia de gente à mesa – A verdade é que você tem uma alma podre, nojenta... E você sabe que se eles verem não sobrará nada. – Ela já sussurrava, e todos se foram. Até mesmo Nino. Passou do meu lado com os olhos opacos – Cara, eu esperava mais de você – Até só ficar a Marinette malvada que não tirava os olhos de mim.

— Você não tem mais nada pra falar? – eu queria que a minha voz soasse afiada como a dela, mas estava estilhaçada.

Mas ao invés de terminar de destruir, um sorriso maldoso se forma nos seus lábios. Estava tão errada aquela expressão, tão distorcida em um rosto tão bonito.

— Adrien Adrien... Tão bonito... Tão malicioso... – seu moletom descoloriu em um vermelho escuro – quantas vezes você já me despiu com o olhar? – em seus lábios, um sorriso malicioso se formou.

Desviei o olhar mordendo os lábios, mas logo o meu rosto é virado de volta de maneira brusca e então minha princesa estava em cima da mesa, numa posição sugestiva.

— Me diz Adrien, quantas vezes você já me violou nessa mesa? – suspirei olhando ela lamber o próprio lábio – na sala... Nos corredores... Nos armários... Na sala de aula... Ah Adrien, Você me olha de longe quando eu estou naquela janela por que sabe que é um homem nojento, sua mente te entrega – sua unha arranhava meu rosto – você trai a sua laaady tão descaradamente — sua voz beirava o deboche.

— Para – minha voz saiu num sussurro derrotado.

— Você não pode controlar, ah não... Você não quer controlar, você quer a sua princesa só pra você – ela está muito perto – seu doente imundo. – até me insultando sua voz ainda é suave, arrastada me deixando cada vez mais com vontade beija-la.

Fecho os olhos em puro desejo quando sinto suas mãos vaguear pelo meu tórax.

Ela não é assim, minha Marinette não dá a mínima pra mim, ela vai embora assim como os outros, de todos minha preciosa princesa é a que mais me detesta, ela é boa de mais pra mim... Ela não é assim.. Ela não é assim! ELA NÃO É ASSIM!!

Logo eu não sinto mais as suas mãos em mim, My princess me estudava com o olhar e o sorriso ainda estava em seu rosto.

Tentei me afastar quando vi a suas mãos em minha direção novamente, mas dessa vez elas deslizaram para o meu ombro.

— Mas você bem que queria – ela sussurrou no meu ouvido.

Virei bruscamente em sua direção e ela havia sumido junto com a biblioteca. Me deixando em cima de uma árvore no meio do nada, somente uma imensidão branca ao redor da grande árvore negra que chegava a irritar o contraste.

— Eu não entendo – quase pulo de susto ao ouvir a voz da Marinette a minha esquerda – eu realmente não entendo Chat –

Olho para as minhas patas e vejo que estou transformado.

— E eu entendo menos ainda my princess – faço o meu melhor sorriso galanteador.

— Como pode um gato com super poderes conseguir ficar preso numa árvore? – ela alisou a barra do seu vestido branco

— Ah não princess, eu não estou preso! Estou fazendo pose. – mostro os meus músculos, porém o seu semblante não muda – a questão é: o que você faz presa numa árvore? –

Seu rosto se vira lentamente em minha direção – Mas foi você quem quis que eu ficasse aqui – disse inocentemente – Olha – ela aponta pra algo lá em baixo.

Olho pra baixo e me vejo, digo, vejo o Adrien sair de sabe lá deus aonde com uma folha colada no rosto com um grande sorriso desenhado na mesma.

Ele caminhava lentamente até a árvore e a regou com um regador de brinquedo, depois disso sumiu no horizonte branco.

— Mas não era sobre essa ironia que eu me referia – não consegui desviar dos seus olhos azuis, muito azuis – você Chat, eu não entendo você -.

—... Princess? – temi que ela voltasse a me odiar.

Mas ela tocou o meu ombro com as pontas dos dedos com um sorriso reconfortante – Você tem medo de se aproximar de mais dos outros, mas não quer ficar sozinho, anseia um sentimento pra no fim não senti-lo –.

Não pude evitar o sorriso fraco – Minha linda princesa, pra que se impressionar com esse gatinho medroso? -.

— Cuidado gatinho, quanto mais alto você chega, mais profundo você afunda –.

— Do que voc- e tudo ficou preto.

Na verdade verde, devido aos meus poderes legais, mas isso não importa agora.

Eu vi uma criança encolhida num canto, parecia que estava chorando.

— Hey garoto! – o menino pulou de susto com a minha voz vinda do nada. – o que faz aqui no escuro? –.

— Eu não posso falar com estranhos. – disse com a cabeça enfiada nos joelhos

— Que rude! Eu não sou estranho! – fingi estar ofendido – eu sou um cavalheiro, você pode falar comigo -.

— Você é o monstro que vai comer as minhas vísceras? – ele não parecia exatamente com medo, o que era estranho – Clô diz que monstros comem vísceras de crianças bagunceiras –.

— Você é uma criança bagunceira? –.

— Eu não fiz nada... Foi um acidente... – Droga, ele vai começar a chorar.

— É claro que foi! Você não fez nada de errado! – me apressei a dizer – é por isso que te botaram aqui? –.

— Sim... –.

— Você é um bom menino, garoto – falei amavelmente – se você não fosse já estaria sem as suas vísceras agora mesmo, e ninguém quer ver isso – sorri ao ouvi uma risada fraca.

— Gosto de você voz do além, venha conversar comigo mais vezes –.

— É claro que vou garoto, eu estou bem aqui –.

— Você vai me tirar daqui? –.

— Não garoto, você está sendo punido por não ser cuidadoso o suficiente –.

— Se eu for mais cuidadoso não serei mais punido? –.

Sua voz inocente me partiu o coração – Isso mesmo, se você for cuidadoso e deixar todos felizes, você nunca mais será punido. –

Quando ele levantou o rosto, não foi com os machucados que me assustei. O fato de aquela criança ser eu mesmo foi o que me assustou, e o mais chocante é o sorriso que me foi direcionado, o mais puro e sincero sorriso que há muito tempo já não existe mais em meu rosto. Mas existe no dela, o sorriso mais lindo de todos.

— Em quem você está pensando? – ouço uma voz feminina de longe, quando me viro de volta, o garoto não estava mais lá. – quem é a dona do sorriso? – agora estava mais perto, atrás de mim.

Ladybug estava parada fazendo cachos no cabelo com o dedo – seria eu? – sorri em resposta – ou eu? – Marinette caminha em direção da ladybug se apoiando em seu ombro.

— E-eu não sei – minha visão ficava se alternando entre os lábios macios de my lady e os lindos olhos de my princess.

— Se decida logo Chaton, mulheres não gostam de homens indecisos! – M’ lady, com certeza é a mulher da minha vida!

— Eu sei que você quer experimentar... — não preciso distinguir cores pra saber que era a Mari vermelha que estava falando, o seu sorriso sedutor já dizia tudo.

— E-eu n- – dei passos cambaleantes para trás sem saber o que fazer. Eu quero? Quem eu quero? O que eu quero? Pra quê querer se não vou ter? Nunca vou ter... Eu não posso ter... Não mereço ter... Ainda tenho de terminar a minha punição... Não sou permitido querer.

~fim de sonho~

Levanto de sobressalto, fazendo Plagg rolar pro chão.

— Hey! Você poderia fazer a gentileza de não acordar como um coração de pedra só pra variar um pouco – ele reclamou, mas eu ignorei. Estava muito ocupado tentando acalmar as batidas do meu coração.

— Eu tive aquele sonho de novo – disse limpando o suor da testa, porque diabos eu fui dormir de casaco com o aquecedor ligado?

— O que? A Marinette de novo? – meu kwami pousou na minha barriga de novo – O que foi dessa vez? Ela foi cruel ou ficou de safadezas que nem da outra vez? -.

— Eu acho que... Os dois – suspirei, não me sentia nem um pouco descansado – Um pouco pior do que as outras vezes –

— Garoto... – Plagg suspirou, já não sabia mais o que falar.

Dei um sorriso pra tranquilizar meu amigo – Eu também sonhei comigo, digo, de um jeito estranho me senti como se estivesse revirando as minhas vísceras –

— Garoto, você sabe que tu não tá fazendo o menor sentido, não sabe? –

~.~.~.~.~.~

— Adrien você deve acord- – Nathalie entra com o tablet já preparado com as tarefas diárias – Oh, você já está pronto, pontual como sempre. Teve uma boa noite de sono? – ela sequer olhava na minha cara só perguntava por educação mesmo.

— O que posso dizer? Não gosto de perder tempo dormindo – disse passando por ela em direção à sala de jantar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.