Yūshirō entendeu, naquele instante, que a residência dos Shiba não obedecia às leis comuns de espaço, bom senso ou recepção de convidados. Ele abriu a boca para dizer que tudo aquilo não era necessário, mas não conseguiu. Porque, antes que pudesse formular uma frase educada, os dois homens gêmeos já haviam desaparecido em direções opostas, deixando atrás de si apenas poeira, vento e uma sensação crescente de que ele havia cometido um erro estratégico grave ao seguir Sora até ali.

Sora, por outro lado, parecia satisfeitíssimo.

— Eles gostaram de você.

— Isso foi “gostar”?

— Claro, ué!

Yūshirō olhou para ele e Sora sorriu de volta. Aquilo não ajudou.

— Sora-san — começou Yūshirō, tentando recuperar o mínimo de controle sobre a situação — Eu realmente acredito que seria melhor se eu não permanecesse aqui por muito tempo.

— Por quê?

— Já disse: eu fugi de casa.

— Sim, você já disse.

— E isso não o preocupa?

— Não muito.

— Deveria!

— Talvez depois.

Yūshirō fechou os olhos por um segundo. Apenas um. Ele precisava de paciência, de método, de lembrar que havia sido treinado para lidar com situações imprevisíveis, embora, para ser justo, ninguém em sua formação havia incluído um módulo sobre ser arrastado para a casa dos Shiba por um garoto que achava que sua irmã mais velha era um gato macho falante. Aquilo parecia uma falha curricular.

— Além disso — continuou Yūshirō, abrindo os olhos — Minha presença aqui pode colocar sua família em uma posição delicada.

Sora inclinou a cabeça.

— Minha mãe já vive em posição delicada.

— Isso não é...

— Sora!

A voz veio de dentro. Não alta, nem gritada, mas o suficiente. Sora endireitou a postura no mesmo instante, não por medo, exatamente, mas por instinto. Como se o corpo dele soubesse que havia vozes no mundo que não precisavam se repetir ou se elevar.

Yūshirō também se voltou para a mulher que apareceu à entrada. Por um instante, ele entendeu por que a casa não precisava de portões imponentes: Shiba Kūkaku não precisava de moldura. Só ela bastava. Tinha uma presença que ocupava o espaço antes mesmo de se mover completamente para dentro dele. O cabelo castanho escuro, arrumado de maneira que parecia tanto prática quanto impaciente, o olhar direto, a postura relaxada de alguém que não precisava provar autoridade a ninguém. Havia força ali, mas não o tipo de força exibida em salões ou proclamada por brasões. Era algo mais imediato. Mais antigo. Mais difícil de ignorar. Yūshirō sentiu o corpo tentando se decidir entre uma reverência formal e uma postura defensiva. Nenhuma das duas pareceu adequada.

Kūkaku olhou primeiro para Sora. Depois para Yūshirō. Depois para Sora de novo.

— Você saiu por aí e voltou com um Shihōin?

— Tecnicamente, ele me seguiu primeiro.

— Eu não “segui” — corrigiu Yūshirō, antes que pudesse evitar. — Eu estava observando.

Kūkaku ergueu uma sobrancelha. Sora apontou para ele, animado.

— Viu? Ele fala assim!

— Percebi.

Yūshirō sentiu o rosto aquecer, muito levemente. Aquilo era absurdo. Ele não estava sendo ridículo; estava sendo preciso.

Kūkaku desceu os olhos por ele, avaliando-o de cima a baixo sem pressa. Não havia reverência no gesto, mas também não havia desrespeito. Era simplesmente uma leitura. Como se ela estivesse juntando peças que não precisava que ninguém lhe entregasse.

— Huh.

Yūshirō ficou imóvel.

— O irmão do Gato.

Sora abriu os braços.

— Eu falei!

— Sora-san…

— Eu te vi ainda bebê — continuou Kūkaku, como se nenhum dos dois tivesse falado.

Aquilo calou Yūshirō de um jeito inesperado. Ele havia se preparado para suspeita, para irritação, e talvez para uma pergunta dura sobre o motivo de estar ali. Não para aquilo.

— Viu? — Sora cochichou alto demais. — Todo mundo conhece você!

— Isso não é reconfortante.

Kūkaku deu dois passos para mais perto.

— É… Você é idêntico a Yoruichi. Impossível negar o parentesco, não?

Yūshirō não soube como responder. Ou melhor: soube. Havia respostas formais. Agradecimentos. Reconhecimentos adequados. Alguma frase sobre a honra de ser comparado à 22ª chefe do Clã Shihōin. Mas nenhuma delas pareceu caber, porque Shiba Kūkaku não havia dito aquilo como um elogio político, mas como alguém que lembrava, e isso era diferente. Sora, ao lado, parecia em crise.

— Espera... O Gato realmente é mulher, e tem parentes humanos?

Kūkaku olhou para ele.

— Sora.

— O quê?

— Depois.

— Mas...

Depois.

Sora fechou a boca.

Yūshirō observou aquela troca com uma mistura de fascínio e alívio. Finalmente alguém naquela casa demonstrava algum interesse em conter a sequência de conclusões absurdas. Ainda assim, a palavra “depois” não deixava de ser preocupante.

— Shiba Kūkaku-sama — disse Yūshirō, retomando sua postura — Peço desculpas pela intrusão. Eu não pretendia...

— Entrar?

— Causar transtornos, na verdade.

— Mesma coisa, dependendo do dia.

Sora assentiu.

— Hoje parece um desses dias.

Kūkaku lançou-lhe um olhar e Sora desviou o rosto com inocência péssima.

Yūshirō respirou fundo.

— Eu compreendo que minha presença aqui possa ser inconveniente...

— Pode.

Ele ficou em silêncio por alguns instantes. Ela não suavizou, não explicou, só deixou a palavra onde estava.

— Mas não é — completou depois.

Yūshirō piscou.

— Não é?

— Se fosse, eu teria mandado você embora.

Simples assim. Sem cerimônia. Sem hesitação. Como se a decisão tivesse sido tomada no instante em que ela o viu. Isso o desconcertou mais do que uma ameaça teria feito. Atrás deles, uma explosão de barulho veio de dentro da residência.

— PREPARATIVOS INICIADOS!

— RECEPÇÃO AO IRMÃO DE YORUICHI-DONO EM ANDAMENTO!

Yūshirō fechou os olhos.

Sora abriu um sorriso.

— Viu? Agora já era!

— Isso não é um argumento.

— É sim.

Kūkaku virou-se.

— Entrem, antes que eles decidam montar uma cerimônia no meio da rua.

Yūshirō quase perguntou se aquilo era uma possibilidade real, então se lembrou dos braços gigantes, da gigantesca chaminé lacrada e da fachada que aparentemente estava separada do resto da casa, e decidiu não perguntar. Então ele aprendeu o primeiro fato sobre a residência dos Shiba: realmente, não era só a casinha que aparecia do lado de fora. Em seguida, o segundo fato: a casa ficava escondida sob o solo. Por que? Ele não fazia ideia.

O interior da residência dos Shiba não era exatamente maior do que parecia a uma primeira vista. Não porque fosse desagradável, ao contrário. Havia algo caloroso ali. Madeira, corredores, marcas de uso, objetos dispostos com uma lógica que ele não compreendia, mas que claramente alguém compreendia. O problema era que tudo parecia existir em níveis inesperados, como se a casa tivesse sido construída por uma pessoa que achava linhas retas uma sugestão, não uma obrigação.

Yūshirō olhou para um corredor lateral. Depois para uma escada. Depois para uma abertura no chão.

— Não pensa muito — disse Sora.

— Como?

— Fica pior se você tenta entender.

— Isso também não é reconfortante.

— Mas é útil.

Kūkaku seguia à frente, sem olhar para trás.

— Ele tem razão.

Yūshirō ficou ainda menos reconfortado.

Eles foram conduzidos a uma área ampla, mais baixa, com um espaço central onde uma mesa já estava sendo organizada de maneira extremamente barulhenta pelos gêmeos. Panelas surgiam. Pratos surgiam. Almofadas eram colocadas e reorganizadas. Em algum momento, um dos gêmeos atravessou o cômodo carregando uma travessa grande demais para uma refeição comum.

Yūshirō tentou identificar se havia algum padrão cerimonial. Não havia. Ou, se havia, desistiu após dez segundos.

— Senta aí — disse Sora, apontando para um lugar bem perto da mesa baixa.

Yūshirō hesitou.

— Este lugar não deveria ser da Kūkaku-sama?

— “Kūkaku” — ela inferiu, de repente.

Ele a encarou.

— Heeh..?

— Só “Kūkaku” está bom. Não precisa de mais que isso — acrescentou, com uma expressão despreocupada — Ou “Kūkaku-san”, se estiver muito sem jeito.

Sora olhou para ele, depois para a mesa, e então para Kūkaku, que se sentou em outro ponto, com naturalidade absoluta.

— Quanto ao lugar: hoje, ele é do convidado.

— E-eu não gostaria de ocupar...

— Já ocupou.

Yūshirō fechou a boca.

Sora se jogou ao lado dele.

— Minha mãe sempre é servida primeiro, sabia?

— Sora — disse Kūkaku.

— O quê? Ele percebeu. Olha a cara dele. Ele percebeu.

Yūshirō tentou não parecer tão transparente. Falhou.

Kūkaku se apoiou em um dos cotovelos.

— Aqui não tem protocolo, garoto. Tem costume.

A frase pareceu atingi-lo com mais força do que deveria.

“Costume”.

Não “protocolo”.

No Distrito dos Nobres, as duas coisas quase sempre eram a mesma. O que se fazia, fazia-se porque sempre fora feito, e porque alguém havia decidido que aquilo significava ordem. Ali, porém, parecia haver outra coisa. Menos rígida. Menos anunciada. Mas não menos real.

Kūkaku era servida primeiro não porque havia exigido, mas porque todos sabiam. Porque todos queriam. Porque, de algum modo, isso dizia o que ninguém precisava verbalizar: ele seria servido antes dela apenas porque era um convidado.

Não um príncipe. Não um Shihōin. Um convidado da casa.

A simplicidade daquilo o deixou momentaneamente sem defesa.

Koganehiko surgiu com uma tigela fumegante e a colocou diante dele com solenidade desproporcional.

— PARA O IRMÃO DE YORUICHI-DONO!

— Aah, obrigado — disse Yūshirō, por reflexo.

Shiroganehiko colocou outra tigela diante de Kūkaku.

— PARA KŪKAKU-SAMA!

— Menos gritaria.

— SIM, KŪKAKU-SAMA!

— Isso foi mais gritaria.

— PERDÃO, KŪKAKU-SAMA!

Sora riu.

Yūshirō encarou a tigela. O cheiro era ótimo. Simples, mas com uma cara muito boa. Ele percebeu, com certo constrangimento, que não havia pensado em fome desde que saíra de casa.

— Pode comer, cara — disse Sora.

— Eu sei.

— Pois me parecia que estava esperando por uma autorização.

— Eu estava só... Observando.

— Você observa muito...

— E você arrasta pessoas demais.

— Hoje só uma.

Kūkaku soltou um som baixo, quase um riso.

Yūshirō pegou os hashis.

A refeição começou. Ou tentou começar.

Sora, aparentemente, ainda não havia superado a questão principal.

— Então...

Yūshirō já temia a continuação.

— Sobre o Gato...

— Sora-san…

— Tem uma coisa que não fecha.

— Só uma? — murmurou Yūshirō.

Sora ignorou.

— Se Yoruichi é mulher, e não gato, por que ela pareceu tão confortável sendo gato?

Kūkaku continuou comendo.

Yūshirō olhou para ela, esperando algum tipo de intervenção adulta. Não veio.

— Eu... Não sei — respondeu ele, mais tenso do que gostaria — Na verdade, eu nem sabia dessa história de gato. Isso é real, Kūkaku-san?

— Muito — respondeu Kūkaku, simples — Mas não se preocupe em entender isso agora. Yoruichi nunca foi convencional.

— Hã... Certo.

— Aah, entendi! — disse Sora — Quando ela saiu de casa, você ainda era um bebê!

— É...

— Por isso você não sabe do gato!!

Bem, isso fazia sentido. Desde que era apenas um bebê, de fato Yūshirō nunca havia tido qualquer encontro com sua irmã mais velha. Não havia como ele saber do Gato.

— É. Eu não... Tive tempo de conhecer todos os hábitos dela.

— Meio grave, né?

— Nós estivemos separados por muito tempo, Sora-san.

A frase saiu antes que ele pudesse torná-la mais formal. O cômodo pareceu aquietar apenas um pouco. Não muito. Só o suficiente.

Sora parou de sorrir tão abertamente.

Kūkaku ergueu os olhos para Yūshirō, mas não parecia ser pena, o que foi bom. Pois ele não saberia o que fazer com pena.

— Cem anos — disse ela.

Yūshirō assentiu.

— Sim...

— E você saiu de casa porque ela voltou.

Não era uma pergunta. Yūshirō apertou os hashis um pouco mais forte.

— Sim.

Sora olhou entre os dois, mas dessa vez não interrompeu.

Kūkaku largou a tigela sobre a mesa.

— Ninguém deixou você ir vê-la.

Yūshirō não respondeu imediatamente. Poderia negar... Poderia dizer que a situação era complexa, que havia protocolos, que sua posição dentro do clã exigia cautela, que o retorno de Yoruichi envolvia implicações políticas delicadas demais para uma ação impulsiva. Tudo isso seria verdade, mas, ao mesmo tempo, não seria a resposta.

— Eu não pedi.

Kūkaku inclinou a cabeça.

— Hm.

Yūshirō baixou o olhar.

— Eu sabia que não deixariam.

Sora pareceu prender a respiração.

Os gêmeos, milagrosamente, ficaram calados.

Kūkaku apenas obervava.

— Então fugiu.

— Sim.

A palavra ficou pequena demais no ar. Yūshirō esperou.

Por repreensão, julgamento, alguma forma adulta e pesada de lembrá-lo que havia agido como uma criança protegida demais, um herdeiro irresponsável ou um problema ambulante para a sua própria Casa.

Kūkaku pegou a tigela novamente.

— Hm.

E comeu como se nada no mundo tivesse saído dos eixos.

— É, faz sentido.

Yūshirō ergueu o olhar.

— Faz?

— Parece o tipo de coisa que um irmão de Yoruichi faria.

Sora piscou.

— Isso é elogio?

— Depende.

— De quê?

— Do quanto ele pretende sobreviver.

Yūshirō não soube se aquilo era ameaça, conselho ou piada. Possivelmente, era os três.

— Eu não queria causar problemas aos Shiba — disse, mais baixo.

Kūkaku deu de ombros.

— Tarde demais.

Ele congelou.

— Eu...

— Relaxa, garoto! Problema a gente já tem.

E Sora assentiu, como se aquela fosse uma verdade doméstica básica.

— Bastante.

— Sora.

— Pouquinho.

Então Kūkaku voltou-se novamente para Yūshirō.

— Você não veio aqui pra nos prejudicar. Veio?

— Não.

— Então pronto.

— Mas se a Seireitei descobrir...

— A Seireitei descobre muita coisa quando convém.

A frase foi seca. Não alta ou agressiva, mas havia algo nela que fez Yūshirō se calar.

Kūkaku não olhava mais para ele como anfitriã, nem como antiga nobre ou como amiga da irmã que ele mal conhecia. O olhar dela era outro. Mais antigo. Mais cansado.

— E ignora muita coisa quando é conveniente também — completou.

Sora mexeu na comida com os hashis, menos falante por alguns segundos.

Yūshirō não soube o que dizer. Ele havia crescido sabendo que a Seireitei era estrutura. Que o Kizokugai era continuidade. Que o Gotei 13 era ordem. Que cada peça existia para impedir que o mundo ruísse sobre si mesmo, mas... Desde que havia pisado no Rukongai, vinha encontrando coisas que funcionavam sem autorização. Pessoas que se conheciam sem registro. Respeito sem protocolo. Ordem sem selo. Família sem permissão. Aquilo era irritante... Mas fascinante. E um pouco assustador também.

— Você pode ficar até decidir o que vai fazer — disse Kūkaku.

Yūshirō levantou a cabeça.

— Eu não posso aceitar...

— Pode.

— Mas...

— “Mas” nada.

O tom não subiu. Não precisou.

Yūshirō percebeu que havia diferentes tipos de autoridade. Algumas eram anunciadas por brasões, títulos e salões silenciosos. Outras se sentavam diante de você, comiam, e decidiam que você ficaria.

— Só tem uma regra... — disse Kūkaku.

Yūshirō endireitou a postura imediatamente. Finalmente, uma regra. Com aquilo ele sabia lidar.

— Qual?

Kūkaku apontou com os hashis.

— Não fique parado no meio da casa parecendo estar esperando permissão para existir. Irrita.

Sora engasgou de rir.

Koganehiko e Shiroganehiko pareceram tentar não rir, falharam e riram alto demais.

Yūshirō sentiu o rosto aquecer violentamente.

— Eu não faço isso!

Faz sim!!! — disseram Sora e os gêmeos ao mesmo tempo.

Yūshirō olhou para todos. Traição coordenada!

— Entendo.. — disse ele, com o máximo de dignidade que conseguiu salvar.

Kūkaku sorriu de canto.

— Aprende rápido.

— Ele não sabia nem mesmo que Yoruichi era o Gato — comentou Sora.

— Não sabia mesmo — Yūshirō respondeu automaticamente.

— Há muito o que investigarmos.

— Investigar? Eu não sou um espião!

— Considerando que será o próximo comandante da Onmitsukidō, eu não ficaria surpressa se fosse — disse Kūkaku — Sora, não tire os olhos dele.

— Waa, eu juro que não sou!

— Isso parece algo que alguém da Seireitei diria... — comentou Sora, com um sorriso.

— Eu não sou da Seireitei!

— Tecnicamente, é.

Kūkaku riu.

Por algum motivo, aquilo pareceu encerrar a tensão que ainda restava no cômodo. Não resolveu, só encerrou. Como se aquela casa tivesse decidido que ele cabia ali por enquanto, mesmo sem entender muito bem onde colocar as mãos, os pés ou a própria identidade.

Yūshirō voltou a olhar para a tigela. Depois para Sora. Depois para Kūkaku.

— Muito obrigado pela hospitalidade — disse, baixo.

Dessa vez, ninguém riu.

Kūkaku assentiu uma vez.

— Coma antes que esfrie, príncipe fujão.

Yūshirō travou.

— Eu não...

— Come! — disse Sora, empurrando levemente o cotovelo dele.

Yūshirō respirou fundo, pegou os hashis, e comeu.

A comida era simples, quente e muito boa. Não servida por dever, nem oferecida por protocolo. Apenas entregue, como se aquilo bastasse.

Agora Yūshirō pensava que talvez fugir não tivesse sido apenas uma imprudência, mas o primeiro passo correto que dera sem pedir permissão.