When the Moon meets the Night

16 Capitulo 16 - A garota com asas.


Notas iniciais
1 mês depois e estamos aqui de novo! Posso dizer que esse capítulo ficou maior porque tem muitas cenas extras, eu não planejava escrever mais de 7.000, mas acabou ficando assim mesmo kkkkk Espero que gostem kiss

Pov Morgana

Eu estava encostada na lombada do Amarok enquanto desenhava a cena da Luna e do Banguela brincando na minha frente, na verdade, Luna estava parada enquanto Banguela parecia correr de um lado para o outro envolta dela. É engraçado para eu ver isso, porque Luna não é um dos dragões mais pacientes que eu já vi, como ela teve que cuidar de mim por muitos anos, ela criou uma personalidade mais séria e protetora, então ver ela tão calma com o outro Fúria da Noite dançando, de um jeito muito estranho por sinal, é impressionante para mim.

O dono do dito dragão, onde estaria? Soluço e eu tínhamos passado a noite inteira nesse penhasco projetando a grande surpresa que ele queria fazer para os outros cavaleiros, que acabamos dormindo aqui. Contudo, ele estava tão animado que logo ao amanhecer, ele pediu para que eu esperasse aqui enquanto ele corria para chamar os outros para o seu show.

Eu mudei a minha atenção quando comecei a ouvir uns gemidos de reclamação, eles tinham chegado.

— Legal, Soluço, conseguiu arrastar a gente até aqui. – Dava para ver o cansaço na fala da Astrid.

— Agora, o que você tinha de tão importante para mostrar pra gente? É bom que tenha haver com comida ou com destruição, ou com os dois ao mesmo tempo. – Cabeça Dura reclamou.

Eu rolei os olhos, e tirei um sanduiche da mochila e joguei para ele. Sempre ando prevenida quando o Soluço tem uma grande ideia de invenção, geralmente ele me enrola por horas.

— Eu já falei que eu gosto mais de você do que da minha irmã? – Ele disse com a boca cheia, respondi com um sorriso sarcástico, ele falava a mesma coisa toda vez que eu o alimentava.

Soluço foi para a bolsa presa na sela do Banguela. – Eu sei que vocês estão se perguntando o porquê de eu ter trazido vocês aqui, e a resposta é que eu queria mostrar para vocês minha.... – Eu limpei a garganta. – nossa última invenção, minha e da Morgana.

Sorri satisfeita

— Eu apresento o Dragão Voador 1. – Ele tirou a capa vermelha enorme, bastante animado, mas era possível ver na caras dos outros (os 3 mais lerdos)que eles não tinham entendido.

Cabeça Quente levantou a galinha. – A Galinha não ficou impressionada.

— E o que é isso? – Melequento perguntou com cara de tédio.

— Sério? O que exatamente você acha que algo chamado Dragão VOADOR faz? – Eu falei com ironia, quando eu vi que a cara dele não mudou, eu suspirei . – É um traje voador, seu lerdo.

— Que recepção ótima. – Soluço falou ironicamente, e agora mais desanimado.

— Bem, eu achei que para o primeiro modelo, ficou incrível. – Eu falei baixinho e apartei o ombro dele em sinal de conforto, recebi um sorriso leve de agradecimento.

— Soluço, eu acho que eu não preciso te lembrar que a gente já tem dragões voadores. – Perna de Peixe falou enquanto abraçava a Batatão. – Então pra que a gente precisa de um traje voador?

Por Thor, não era possível que ninguém via a importância daquela invenção, quantas vezes eles já tiveram ameaças em que os dragões não estavam por perto, Soluço parecia ter lido a minha mente quanto falou:

— E se a gente acabasse se separando dos nossos dragões no meio do voo? Nós iriamos precisar de um jeito de voar sozinhos por um tempinho até alcançar eles de novo. – Ele explicou enquanto experimentava o traje.

— Quando isso ai não funcionar e eu aposto que não vai, passa o Banguela pra mim? – Melequento zombou e recebeu um careta do dono do Fúria da Noite e um rosnado do mesmo.

— Para com isso Melequento. – Fiquei surpresa com a fala da Cabeça Quente em defender o líder. – Todo mundo sabe que o Banguela ficaria com a Morgana.

E eu retiro o meu último pensamento. Porém, acabei corando quando vi os outros concordarem com a fala da loira.

Olhei para baixa quando senti algo se recostar do meu lado, era o Banguela. – Tudo bem, Banguela, eu cuidaria bem de você. – Eu brinquei e recebi uma batida de leve do lado do corpo com a cabeça dele.

— Muito engraçado, Morgana. – Eu ouvi a ironia na fala do Soluço, mas quando procurei ele com os olhos, mas fiquei surpresa com ele na ponta do penhasco. Ele não esperava testar aquilo agora, não é?

— O que você pensa que vai fazer ai? – Astrid perguntou antes de mim.

— Pular. A não ser que alguém tenha uma ideia melhor. – Ele deu de ombros e eu quase o espanquei por aquilo.

— Você ficou maluco?! – Soluço deu um leve pulo de susto quando eu marchei para o lado dele. – Essa coisa é o nosso primeiro protótipo, terminamos ontem, você não pode testar agora, principalmente de cima de um penhasco!

— Eu achei que você estava do meu lado!

— Bem, eu não quero estar do seu lado se for pra você acabar morto.

— Relaxa, não é tão perigoso assim.

Eu soltei uma bufada de raiva e ouvi Astrid falar – Garotos...

Concordo plenamente com ela.

— Galera, relaxa. – Soluço repetiu. – Estão sentindo essa corrente de ar? – Ele esticou a mão para sentir a tal corrente. – Por isso eu escolhi esse lugar, o vento vai sustentar as minhas asas e eu vou voar. – Ele puxou a alavanca para abrir as asas vermelhas e uma delas emperrou.

— Por Thor... – Pude ver Banguela revirar os olhos em concordância.

— Ou cair de cara nas pedras. – Melequento provocou, eu lancei um olhar para ele que o fez fechar a boca. Se não era pra ajudar, então ele podia manter as piadinhas para si.

Soluço soltou uma risadinha nervoso e pediu baixinho. – Morgana, uma ajudinha?

Eu suspirei antes de me aproxima e ir parar na frente dele para arrumar a asa.

— Por favor, tome cuidado. – Eu apoiei uma mão no peito dele.

Soluço suavizou a expressão ao ver que eu estava realmente preocupada e colocou a mão em cima da minha. – Eu vou.

Eu assenti ainda relutante, mas sabia que ninguém podia parar ele agora, então dei um passo para o lado e fiz uma pequena reza na minha cabeça.

— É isso pessoal, Dragão Voador 1, primeiro teste. – E ele pulou.

Eu corri para borda com os outros para ver e até que no começo parecia que realmente iria dar certo até o Soluço se desiquilibrou e começou a cair e pelo gritou que ele soltou, não foi planejado.

— Droga! – Eu pulei nas costas do Banguela para salvar o idiota. Sério, ele não percebe que eu sempre tenho razão?

Nós conseguimos alcança-lo antes que caísse na água, Banguela o agarrou pelos ombros e levamos de volta para cima do penhasco. Quando eu desmontei, corri para o lado do Soluço, fiz uma rápida analise a procura de algum ferimento, e quando não achei nada, dei um soco no braço dele.

— Ai! Pra que isso?

— E você ainda pergunta? – Eu quase gritei. – Você podia ter morrido! Foi muito imprudente!

— Eu estou bem, não estou?

Se não fosse pelo Banguela e por mim, ele estaria no fundo do rio. Mas o teimoso ignorou tudo isso e foi até a ponta de novo.

— Então, eu precisei fazer alguns ajustes, agora comtemplem o melhor dos voos.

Ele vai de novo!?

— Espera! – Antes que eu pudesse fazer algo, ele pulou de novo. – Por Thor, que idiota!

E ele caiu de novo, eu joguei a cabeça para trás em frustação, antes de repetir o salvamento de antes om o Banguela.

— Então, dessa vez eu sei com certeza a onde foi que eu errei.

Eu apenas encarava sobre a cela do Banguela, era mais pratico já ficar aqui em cima.

— Vocês sabem que é só uma questão de tempo, eu só interpretei mal as correntes de ar, estou falando que dessa vez eu vou conseguir.

Banguela soltou um rosnado.

— Não se preocupe Banguela.

E ele foi para abeirada pela terceira vez. Acho que aquele discurso todo é para convencer mais a ele do que nós mesmos.

E de novo, pulou e depois começou a cair. Contudo, antes que eu pulasse do penhasco, as asas se abriram e ele saiu planando por cima do rio.

— Deu certo! –Foi possível ouvir o gritou de animação do Soluço.

— Por Thor! – Exclamei extremamente animada. – Vai Soluço!

Eu podia sentir o sorriso enorme no rosto. Não acredito que deu certo logo no terceiro teste, esperava mais alguns e um outro protótipo mais leve, mas aquilo era incrível.

— Eu não posso acreditar que aquela tralha funciona de verdade. – Melequento falou boca e aberto. Dessa vez eu dei um tapa atrás da cabeça dele, não ia deixar falar mal de um projeto que também era meu.

E como tudo não são flores, todo mundo estava animado até o Soluço começar a ir em direção a uma coluna de pedras e ele não virava. Por que ele não virava?

— BANGUELA! MORGANA!

Pulei de susto com o grito do Soluço e soube que ele estava prestes a virar panqueca se não fizéssemos nada, mas Banguela estava adiantado, antes de eu me virar para ele, o dragão me jogou para cima da cela dele e pulou do penhasco, de novo.

Apesar do Fúria da Noite ser um dos dragões mais rápidos que existe, para evitar que o Soluço batesse no paredão, Banguela teve que se jogar em cima do moreno e acabamos nós três no lago, salvos, mas bem molhados.

Puxei o ar para os pulmões quando a minha cabeça saiu da água e olhei para ao lado ao ver os outros dois fazendo o mesmo.

— Podia ter sido pior.

Eu respondi jogando água na cara dele.

Aceitei a ajuda da Luna para sair da água. Olhei para o Soluço que estava tossindo água fora.

— Valeu por me salvar. – Banguela respondeu jogando um esguicho de água nele e depois soltou um grunido rindo.

— Bom trabalho, Banguela. – Ele ficou feliz com o carinho que eu fiz na cabeça dele.

— Obrigada por se juntarem contra mim.

— Fala como se a gente não tivesse acabado de salvar a sua vida... de novo. – Eu lancei um sorriso sarcástico para ele. Soluço revirou os olhos e depois começou a analisar as partes do traje que tinha se partido com o empaqueto na água.

— Acho que o nosso teste de voo esta encerrado por hoje. – Falou desanimado.

— Pode ter certeza que sim, e da próxima vez, você só vai usar um traje quando nós dois decidirmos que é seguro, entendeu? – Falei autoritária com os braços cruzados, ele bateu continência de brincadeira.

Nesse momento, os outros chegaram em seus dragões.

— Olha, pode parar, acabou com isso. – Astrid falou bem brava.

— Pode ter certeza, que se ele tentar mais alguma coisa, vai voltar pra baixo d’água. – Eu disse e todo mundo sabia que eu não estava brincando.

Soluço soltou uma risada nervosa.

— É... por enquanto. – Ele sussurrou a última parte, mas ouvi por estar mais perto. Eu já ia falar algo quando um rugido alto chamou a atenção de todos.

— O que foi isso? – Astrid perguntou para ninguém em específico.

— Pareceu um dragão em perigo. – Perna de Peixe respondeu.

— Pessoal, alguma coisa nesse rugido me parece extremamente familiar. – Melequento falou.

— É um pedido de socorro de um Picada Veloz. – Falei ao reconhecer o som.

— Você sabe disso apenas com o barulho? – Perna de Peixe perguntou, não sei se impressionado ou desconfiado.

— Depois de ouvir muitos socorros de dragões, você distingue o som. – Eu comentei aleatória, me concentrando mais em entender de onde veio o som. Se tivesse prestado mais atenção nas minha palavras, teria percebido que falei demais e que agora, Astrid e Soluço estavam trocando um olhar.

— Eu espero que não seja um, porque o familiar que eu tenho não é nada bom.

Eu não entendi nada do que o Melequento quis dizer, mas geralmente eu não entendo mesmo, então decidi ignorar e subir na Luna para ir em direção do dragão ferido. Parecia que os outros também pensaram o mesmo porque os outros estavam do meu lado e o Melequento ficou para trás.

— Melequento, vem logo! –Soluço chamou

Enquanto mais nos aproximávamos, os rugidos ficavam mais altos e não foi muito difícil de achar o dragão esverdeado ao viramos mais algumas curvas.

— Nossa, é mesmo um Picada Veloz. – Soluço comentou e despois se virou para olhar para mim, impressionado.

— Picada Veloz! Eu achei que era brincadeira, por que tinha que ser um picada veloz?! – Melequento falou, parecida muito nervoso.

— Ele parece bem jovem. – Eu observei quando vi que o dragão tem um porte menor que o normal.

— Sim, mas por que ele está aqui, de dia? São animais noturnos.

— As vezes, ele se machucou e não conseguiu voltar para a onde ele fica a noite. – Eu tentei responder a pergunta do Soluço.

— Tandinho dele. – Melequento falou com sarcasmo. – Vamos pra casa? Esta começando a escurecer e a onde tem um Picada Veloz, normalmente tem um BANDO DELES!

Eu pulei com a agressão na voz dele, qual o problema com um Picada Veloz adolescente?

Contudo, mudei a minha atenção quando vi o dragão tentar dar um passo e cair no chão.

— Morgana, a perna dele está muito machucada e os Picadas não sabem voar. – Perna de Peixe falou para mim.

— Eu vi, mas não consigo ver se é mais grave dessa distância, preciso chegar mais perto.

Sabia que ninguém tinha tornado oficial, mas eu era meio a curandeira do grupo e isso também se aplicava aos nosso companheiros répteis.

— Soluço, acho melhor levarmos ele para o Domínio, seria melhor para cuidar da perna dele.

— Você tem razão, Morgana, além disso, não podemos deixar eles com os predadores.

Era o plano agora, apesar dos protestos do viking durão do grupo. Então, estávamos a uma distância mais segura para controlar a situação. Soluço estava tentando acalmar o dragão que estava agitado com tantos humanos perto.

— Não vamos conseguir se aproximar com a cauda dele solta. – Eu falei quando vi ele levantar o ferrão em posição de defesa.

— Soluço, parece que essa coisa pode se cuidar muito bem sozinha, então vamos embora daqui. – Melequento tentou convencer.

— Coisa?! –Eu falei indignada. – Olha aqui Melequento, se você reclamar mais uma vez, quando o Dente de Anzol te queimar de novo, eu vou deixar queimado, ouviu bem?

Ele ficou quietinho depois disso. Até parece que eu iria deixar ele continuar tratando de um dragão ferido daquele jeito.

— Infelizmente ele não vai conseguir se defender dos porcos selvagens e de outros dragões. Um Picada Veloz separado do grupo fica muito vulnerável.

— Ele deve ter se separado dos outros quando foram se esconder antes do sol nascer, como a Morgana disse antes. – Perna de Peixe comentou.

— Que interessante. – Melequento sarcástico voltou. – Vamos embora.

Eu lancei um olhar para ele. Sério, mais uma palavra e vou dar ele de comida para os porcos selvagens.

— Nós não vamos embora, Melequento. Vamos levar ele para o Domínio e a Morgana vai cuidar melhor da perna dele e, ai sim, vamos trazer ele de volta.

Melequento soltou um som de resmungo, derrotado.

— Soluço, se eu conseguir me aproximar, posso fazer uma tala com o que restou do Dragão Voador e com as ataduras que eu tenho.

Sempre carregava suprimentos medicinais na sela da Luna porque era muito comum machucados naquele grupo energético.

O nosso líder parece ter gostado da minha ideia, mas eu não estava levando muito a sério a parte dele. Soluço achava que seria bom usar os gêmeos para distrair o Picada Veloz.

— Isso não vai acabar bem. – Astrid comentou do meu lado, nós duas observávamos a cena.

— Aposto que um deles acaba picado em menos de 5 minutos.

Ela riu, mas concordou.

— Hey. – Eu a chamei. – Qual o problema do Melequento com Picada Velozes?

— Ele tem um pequeno trauma de infância. – Eu a olhei confusa. – Um bando de Picada Velozes invadiu Berk em uma época de inverno tão fria, que a água do oceano congelou e fez uma ponte para eles. Nessa época, o Melequento foi picado pelo menos umas 10 vezes.

Eu soltei uma gargalhada. – Eu pagaria para ter visto isso.

Ela riu também. – Acredite, foi ótimo.

Eu gostaria de mais detalhes, mas achei melhor focar no fato da Cabeça Quente ter acabado de ser picada, a parte de cima do corpo petrificado e a parte de baixo normal, então ela estava andando de um jeito bem engraçado.

— Humm.... Interessante, só parte dela foi paralisada, acho que por ele ser bem jovem, a potência da picada não tem efeito máximo.

— Por Thor, Cabeça Quente, fica parada. – Eu estava tentando fazer ela parar de andar de um lado para o outro. Suspirei alto quando ela não me ouviu e me virei para o irmão dela. – Aqui, faz ela mastigar isso que o efeito vai ter o tempo reduzido pela metade.

Eu tirei uma folha roxa da minha coleção de ervas da bolsa e entreguei para o loiro que mais ria da irmã do que ajudava.

— O que é aquilo? – Perna de Peixe perguntou sobre a folha.

— É folha de planta da lua, cresce em uma ilha na parte Sul do arquipélago, serve pra reduzir o efeito, é mais eficiente em um chá, mas como é possível perceber, é impossível de eu fazer um agora.

Perna de Peixe parecia fascinado com uma informação nova, eu achava isso engraçado o como ele ficava distraído com qualquer coisa nova.

Cabeça Dura começou a provocar o Picada Veloz porque queria que ele picasse a irmã de novo... ele é o pior irmão de todos. Porém, o dragão respondeu tentando atacar o loiro, mas acabou caindo devido a pata machucada e o Cabeça Dura aproveito para pular em cima do animal e o imobilizar, mas acabou se esquecendo da calda.

— Alguém ajuda o Cabeça Dura! – Soluço pediu e Astrid e Perna de Peixe conseguiram segurar a calda e a cabeça.

Eu aproveitei a oportunidade e corri, junto do Soluço, para fazer uma tala improvisada. O problema era que tinha ficado boa demais, e o Picada Veloz, agora, conseguia ficar de pé muito bem e foi direto para o Soluço e eu, com os dentes apostos.

Eu tentei ficar imóvel, mas parecia que o alvo principal era o Soluço. Este tentou acalmar o dragão.

— Ele vai fazer a coisa da mão! – Perna de Peixe falou animado.

Coisa da mão? O que é a “coisa da mão”?

Parecia que só eu fiquei surpresa quando vi o Soluço fechar os olhos e estender a mão para o Picado Veloz, em um voto de confiança e não ameaça. Para uma surpresa maior ainda, o réptil encostou o focinho na mão dele.

— Nossa, isso é novidade. –Eu comentei impressionada e vi o moreno corar de leve.

— Beleza, pessoal, está tudo tranquilo. – Soluço assegurou. – Vamos preparar tudo e levar ele para o Domínio do Dragão.

— Você sabe o grupo vai fazer de tudo para encontra-lo, não sabe? – Astrid perguntou.

— Sei e é por isso que temos que cuidar dele logo, para trazê-lo de volta para essa ilha o mais rápido possível.

Concordamos que seria melhor o Amarok levar ele, por ser o maior dragão e ele consegui carregar melhor o Picada Veloz com as patas. Parecia que estava tudo sobre controle, se ao menos tivéssemos prestado mais atenção ao que nos observava.

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— Ok, coloquem ele aqui em cima, por favor. – Eu pedi para o Perna de Peixe e o Cabeça Dura que carregavam o Picada Veloz para cima da mesa na parte da minha cabana que eu tinha feito de “enfermaria”.

— Tem certeza que ele não vai acordar e sair picando todo mundo? – Melequento perguntou bem aflito.

— Não se preocupe Melequento. – Eu o tranquilizei, apesar de achar que seria bem engraçado ver ele picado. – Eu dei uma maça com uma receita sonífera, ele vai dormir o tempo suficiente para eu tratar da perna dele. Agora, seria melhor se todo mundo saísse para me dar espaço.

Eu falei com a cara fechada ao ver os gêmeos chegarem perto da minha prateleira de ervas. Depois de verem a minha cara, eles deram um risinho sem graça e saíram correndo pela porta, os outros foram logo atrás. Eu achei que tinha ficado sozinha, então dei um pulo quando ouvi a voz do Soluço.

— Você fica bem séria quando trabalha.

— Que susto Soluço! Pensei que tivesse saído com os outros. – Eu fui em direção ao armário para pegar as ervas necessárias para fazer uma pomada medicinal.

— Eu percebi. – Ele encostou do lado da mesa de braços cruzados.

Eu estava tirando a atadura improvisada para fazer uma avaliação melhor. Podia sentir o olhar dele em mim, não no meu trabalho, mas no meu rosto.

— Tudo bem, o que foi? – Eu perguntei, cansada daquela atenção toda.

— Nada, eu só acho fascinante o jeito que você trabalha.

Pude sentir o meu rosto esquentar.

— Você só não tem mais nada pra fazer, já que eu estou ocupada, você não tem ninguém para ajudar a montar um novo Dragão Voador. – Eu o empurrei com o ombro, rindo. Ele mais me distraia do que ajudava.

— Não posso dizer que é mentira. – Ele segurou o pote para mim enquanto eu passava a pomada no ferimento. – Contudo, eu acho mesmo que é impressionante o que você sabe de medicamentos com tão pouco tempo, aprendeu om alguém?

Eu fiquei imóvel por uns segundos, mas me recompus rápido.

— Aprendi o básico vendo a minha mãe trabalhar, ela era a curandeira da minha tribo.

Vi ele engolir em seco e hesitar em perguntar. Lhe dei um sorriso leve.

— Pode perguntar, não tem problema.

— Você disse o básico, então ela...?

— Se ela morreu como morreu o meu irmão? Não, ela ficou doente um tempo depois de ter tido o meu irmão, acabou partindo de fraqueza. Não precisa fazer essa cara. – Falei ao ver o semblante de culpa dele. – Você não precisa ter medo de me perguntar algo. Pode ser triste, mas eu prefiro manter as memórias felizes que eu tenho dela, do que pensar no resto.

Ele me deu um sorriso fraco. – Sabe, eu não lembro da minha mãe.

Terminei de fechar a ataduras novas. – Você nunca comentou dela. Não precisa se for desconfortável.

— Não é. – Ele deu de ombros. – Meu pai disse que ela morreu em um ataque de dragões na ilha quando eu era bebê, então meu pai fez os dois papeis desde então.

— E ele criou um filho incrível. – Eu segurei a mão dele sobre a mesa e ele mostrou o sorriso que eu sempre achava lindo.

Eu resolvi mudar de assunto, mais ou menos. – Então, respondendo antes, eu aprendi o resto que eu sei com muitos livros e um tempo que eu passei na ilha da Zakar, lá tinha uma das melhores curandeiras que eu já conheci, acabei amiga do filho dela, além de ter ser um estoque imenso de ervas.

— Bem, você tem talento para isso, vai ser uma curandeira incrível em Berk.

Senti ele apertar a minha mão, mas não tinha percebido até aquela hora que ainda estávamos de mãos dadas, e me pude sentir quando ele entrelaçou os nossos dedos sobre a mesa. Todavia, o que fez o meu coração acelerar foi a ideia dele de que no futuro, eu estaria com ele em Berk? Nunca tinha pensado no que eu faria depois de tudo isso, meu objetivo era achar o Olho de Dragão, mas agora que já tinha feito isso, não havia pensado no depois.

— Sabe, eu gosto dessa visão. – Eu sorri para ele e não consegui desviar os olhos dos verdes intensos dele.

Até que o som de alguém tossindo chamou a atenção da porta. Nós dois pulamos de susto para trás, soltando as mãos para ver o Perna de Peixe na porta com um sorrisinho esperto.

— Atrapalhei alguma coisa?

— Atrapalhou? Não!... A gente só...

— Não! Nós só estávamos ...

Nós começamos a falar ao mesmo tempo e quando percebemos isso, ficamos calados e eu pude ver que o Soluço estava tão vermelho quanto eu.

— Já que não atrapalhei... – Era possível ouvir o sarcasmo na fala do loiro. – Queria saber se eu podia fazer a reabilitação do Picada Veloz.

Fiquei surpresa. – Sério? Eu já terminei o tratamento, mas não quer que eu me encarregue disso?

— Não precisa, na verdade, eu estou fazendo um estudo de confiança, então a oportunidade seria incrível.

— Tudo bem. – Dei de ombros. – Se você quer tanto, ele deve acordar em duas horas, só tome cuidado com alguma picada, por acordar em território desconhecido, ele pode se assustar de novo.

— Ok, entendido. – Perna de Peixe pegou o dragão e colocou em cima da Batatão, provavelmente, para levar para a sua cabana. – Agora, eu vou indo e vocês podem continuar de onde pararam.

E o loiro saiu rindo pela porta.

Era possível senti o silêncio constrangedor que se seguiu depois que ele saiu.

— Então... – Soluço coçou atrás da cabeça. – Já está tarde né?

— Sim... – Eu limpei a garganta, não conseguia olhar para ele. – Boa noite?

Eu não estava certa do que mais dizer.

— Ok... – Soluço começou a sair de costas para porta. – Te vejo amanhã.

Ele acabou tropeçando no batente da porta antes de virar e sair totalmente, eu acabei soltando uma risada, foi um tanto engraçado.

— Bom, menina, cama?

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Perna de Peixe ficou bem animado de abrir a jaula dele na arena, achamos que seria melhor que o estábulo apertado.

Primeiro, o verdinho explorou um pouco o lugar, mas eu fiquei surpresa quando ele correu para mim, primeiro, achei que ele fosse me atacar, porém, ele começou a colocar a cabeça embaixo da minha mão, querendo carinho e eu não o neguei.

— Você não é a coisa mais fofa, nem parece um dragão venenoso.

— Que voizinha fofa é essa? – Soluço perguntou, rindo.

Não tinha percebido que falará diferente, mas acabava fazendo isso com dragões mais carinhosos, geralmente não fazia com a Luna por ela ser mais séria, mas o Banguela recebia isso de bom grado.

— Me deixa, eu tenho um fraco por dragões mais jovens, são muito fofos. – Eu brinquei, mas sem parar com os carinhos.

Banguela apareceu do meu lado e fez um barulhinho de choro, eu ri.

— Não se preocupe Banguela, você ainda é o meu bebê favorito.

O Fúria da Noite pareceu bem feliz com a minha resposta ao mostrar aquele sorriso banguela dele, Luna só revirou os olhos com a carência do amigo.

— Devo admitir, Perna de Peixe, que você fez um ótimo trabalho com ele nesses dias. – Eu falei ao observar o Picada Veloz andando bem e sem mancar. Durante o tempo, eu ainda tive que trocar o curativo algumas vezes, então sabia que ele já estava bem melhor.

Perna de Peixe estava encostado na Batatão e falou bem confiante. – Aham, e tudo graças ao programa de reabilitação cuidadosamente projetado com base na confiança e na compreensão.

A Batatão saiu de perto dele para ir brincar com o Picada e foi possível ver o braço que o loiro tinha apoiado, agora molenga do seu lado.

— Perna de Peixe, o que houve com o seu braço? – Astrid perguntou ao também reparar.

— Eu falei para você ter cuidado para ele não te picar. – Eu fui até ele e lhe entreguei um pouco do chá que eu fiz mais cedo, com uma espécie venenosa por perto, era sempre bom ter o antidoto por perto o tempo todo.

— Obrigada. – Ele agradeceu, o efeito só daria certo em alguns minutos. – Então, vamos só dizer que eu e o Picado tivemos algumas diferenças de opinião nesses últimos dias.

— Olha isso, parece um peixe morto. – Cabeça Dura fez o comentário irrelevante.

—Ok, Batatão, vamos voltar ao trabalho. – Ele se virou para mim e eu estendi o chá que sabia que ele precisaria de mais. – Acho que seria bom levar isso também. – Ele pegou um escudo.

O inteligente da turma foi até a frente de uns troncos posicionados no chão, para um treino.

— Tem certeza que não quer esperar os efeitos passarem? – Eu perguntei meio incerta com aquilo.

— Está tudo bem, já estou sentido os meus dedos. – Ele mexeu alguns e depois se virou para o dragão verde. – Pode vir, amiguinho.

O dragão deu uma olhada meio incerta para o loiro, mas a Batatão lhe deu um leve empurrão de incentivo, ela era uma dragão muito carinhosa. Isso foi o bastante e o Picada começou a pular, devagar, nos troncos.

— Genioso e teimoso, mas parece que está, realmente, aceitando o Perna de Peixe e a Batatão. – Astrid comentou, não sei se ela estava feliz com a melhora ou preocupada que o dragão ainda estava aqui.

— Faz sentido, eles são dragões de grupo, só funcionam em bando e se você é acolhido no grupo, passa a ter a confiança deles. Olha a Morgana... – Eu olhei confusa para o Soluço. — ...ele já gosta dela por ela ter esse instinto materno.

— É verdade.

— Espera, você não está pensando em treinar ele, está? – Astrid perguntou e pela cara que o Soluço fazia, essa era justamente a ideia dele.

— O que? Não, não, não , não, imagina.

A voz dele não era muito convincente. Eu me virei para Astrid com uma sobrancelha arqueada, nenhuma de nós duas estava convencida. O clima relativamente calmo foi interrompido pelo Melequento que tinha acabado de chegar.

— Ora, ora, ora. – Ele estufou o peito. – Nosso amiguinho já consegue andar com as própria pernas de novo, é só uma questão de tempo antes de ele PICAR TODO MUNDO!

A cara que ele estava fazendo era de maluco.

— Ele está começando a me assustar. – Eu sussurrei para o Soluço que balançou a cabeça concordando.

— Eu voto em devolver ele para a onde a gente encontrou, eu pego a jaula.

Ele ia em direção do dragão, mas eu me coloquei entre os dois, e senti o Picada esconder a cabeça em baixo da minha mãe e depois soltar um rugido pro Melequento, que acabou soltando um gritinho de medo.

— Melequento, ele vai ficar aqui, ao menos por enquanto.

— Soluço, ter um Picada Veloz por perto é perigoso demais, principalmente pra mim!

Melequento começou a provocar o dragão ao tentar bancar o valentão, mas na hora que ele estava quase sendo picado, a Cabeça Quente apareceu e acabou picada na perna... de novo.

Por causa desse show, o Picada tinha ficado nervo e o Soluço estava tentando acalma-lo, já a Cabeça Quente tinha conseguido se sentar em cima de um baú e tomava o chá.

—Ai! – Cabeça Dura exclamou depois que a irmã deu um chute involuntário nele.

— Não é que esse chá é bom mesmo? – Ela exclamou feliz, antes de a outra perna acabar chutando o irmão de novo, o que deixou ele irritado.

O problema era que toda aquela agitação só estava piorando as coisas e o dragão começou a correr para todos os lados.

— Se protejam! – Soluço gritou antes de me puxar pela cintura e colocar um escudo na nossa frente, bem a tempo de se proteger de uma tentativa de picada.

Banguela, Luna e Tempestade conseguiram combinar os ataques para fazer o verdinho ir em direção da gaiola, com o Banguela conseguindo fechar a porta com um tiro. Felizmente e infelizmente, o único picado foi o dragão dos gêmeos, mais só a cabeça do Vomito pareceu afetado e imóvel, e agora ele não conseguia segurar o gás que saia da boca sem parar.

Depois da agitação toda, decidimos que seria melhor nos reunir na base.

— Exatamente como eu falei que iria acontecer. – Melequento falou, era o único animado no momento. – Essa coisa vai acabar paralisando todo mundo dessa ilha antes de tudo terminar e ai não vai ter ninguém para levar aquele dragão idiota para a ilha que a gente achou.

— Morgana, não da para fazer algo? – Perna de Peixe me perguntou.

Eu estava misturando as ervas na mesa ao centro.

— É bem mais complicado com dragões, eu preciso de mais tempo. Eu venho trabalhando em um soro, mas ainda está incompleta, só posso dar o mínimo para o Vomito voltar ao normal mais rápido.

Era bem decepcionante o fato de eu ter trabalhado tanto nessa receita, e justamente quando mais preciso que ela funcione, ainda não da certo.

— Hey, calma, a gente vai dar um jeito. – Soluço fez um carinho nas minhas costas para aliviar a tensão. – E Melequento, todos estão muito cansados para discutir com você, a gente se fala amanhã.

O moreno estendeu a mão para mim e eu aceitei, feliz, estava exausta. Dei um aceno de despedida sem me virar e deixei o Soluço me puxar para fora.

— Você parece exausta. – Ele comentou e eu só soltei um resmungo concordando, eu tive que apoiar a cabeça no ombro dele para não cair no sono ali mesmo.

— Acho que nunca trabalhei tanto, nem quando os gêmeos se machucaram no buraco de javalis, semana passada. – Consegui falar em meio ao bocejo.

— É, aquilo foi horrível. – Eu senti ele dar uma risada leve. – Mas comprova o que eu falei que você vai ser a melhor curandeira de todo o arquipélago.

— Você é um bobo...

Senti o meu corpo ficar leve e depois ser levantado do chão, antes de cair completamente no sono, só me lembro de sentir uma superfície macia e algo tocar a minha testa levemente.

Pov Soluço

Se eu não tivesse pegado a Morgana no colo, ela teria desmaiado de sono no meio da madeira da plataforma. Era impossível não sorrir vendo o rosto dela tão sereno, depois de tudo que ela teve que fazer nos último dias, cuidando do Picada Veloz e de todo mundo que fiou paralisado, ela não sabia que eu tinha passado do lado da cabana dela nos últimos dias e via a luz das velas que deixava acessas a noite toda enquanto trabalhado no soro que ela queria fazer para o veneno paralisante.

Morgana conseguia ser a mulher mais teimosa, destemida e inteligente que eu já conheci, não estava mentindo quando disse que ela seria um grande curandeira, mas quando disse que seria de Berk, queria ver a reação dela. Não era bobo de pensar que a Morgana poderia ficar com a gente depois que desvendássemos tudo do Olho de Dragão ou que prendêssemos o Dagur de novo, mas eu ainda espera que ela continuasse, fosse para Berk, não conseguia mais pensar em uma rotina sem ela.

Eu parei após ter esse pensamento e olhei de novo para a garota nos meus braços e comecei a sentir o meu coração a acelerar no peito. Não... eu não podia...

Preferi ignorar qualquer pensamento estranho e continuar a andar, até que dei mais cindo passos e parei de novo, pra onde ia levar ela? A cabana dela deve estar trancada e eu não posso levar ela para o estábulo.

— Hey amigão! – Banguela se virou para mim. – O que acha de ter companhia hoje de noite?

E foi assim que acabei levando a morena e Luna para passarem a noite com a gente, a Fúria da Noite foi bem feliz até a pedra de dormir do Banguela e esse não se importou nem um pouco em dividir, porque foi logo se deitando ao lado dela, era bom ele ter uma outra amiga.

Eu levei a Morgana até a minha cama e a deitei, depois a cobri com o cobertor. Estava prestes a sair quando me virei e abaixei até deixar um leve beijo na testa dela, precisa saber o que estava sentindo perto dela, e como o meu coração voltou a acelerar, estava tendo uma noção.

Pov Morgana

Não sei por quanto tempo dormi, mas comecei a acordar com um barulho vindo de perto, pareciam duas pessoas conversando.

— Perna de Peixe, agora não, ela está dormindo. – Uma voz disse.

— Mas é importan-, espera... por que ela está dormindo na sua cabana?

— Por quê?! – A primeira voz parecia nervosa. – Porque, porque, porque ela estava cansada e a minha cabana era a mais perto, isso, foi isso!

— Sei...

— Mas o que é de tão importante assim?

— Verdade! Mas eu preciso falar com você e com a Morgana.

Eu me levantei e fui até eles coçando os olhos, tentando ficar mais acordada.

— O que querem comigo? – Eu perguntei ao Perna de Peixe.

Ambos deram um pulo de susto quando apareci na porta, não sei o porquê, mas o Soluço evitou olhar para mim.

— Então, Perna de Peixe...

— Ah sim! – Ele exclamou bem animado de novo. – Eu tenho uma novidade incrível sobre o Picada Veloz, vamos!

Perna de Peixe queria além de nos contar, também mostrar a novidade, e Soluço e eu nos resumimos em ir atrás dele. Como o moreno ao meu lado não falou nada, resolvi fazer o mesmo sobre o fato de eu ter acordado na cabana dele e não na minha. Então, me foquei no Perna de Peixe, e a notícia dele era realmente importante, tinha descoberto que o Picado Veloz tinha se adaptado para andar na água com nadadeiras nos pés e isso o proporcionava em mudar de ilha quando quisessem. Astrid tinha nos encontrado no meio do caminho.

— Isso é incrível, Perna de Peixe! Finalmente uma prova da evolução de um dragão. – Soluço comentou, agora, bem animado. — Isso é histórico!

— Eu sei, né! – O loiro não parava de sorrir e agora abria o a arena para a gente entrar e ver o dragão.

— E essa pata do picado acabou inspirando mudanças em um trabalho que eu estou fazendo.

— Se você falar Dragão Voador 2, eu te arranco o couro. – Astrid ameaçou, acho que ela não tinha gostado nem um pouco dos primeiros testes.

Contudo, eu sabia que ele estava falando justamente desse projeto, então cheguei perto dele e sussurrei.

— Eu posso fazer um novo esboço mais tarde.

Recebi um sorriso cumplice de volta.

A atenção do projeto foi totalmente desviada pela exclamação de susto do Perna de Peixe.

— Ele sumiu!

E o dragão não estava na jaula .

— Como ele conseguiu abrir a jaula? – Astrid perguntou.

— Não conseguiu, pelo menos não sozinho, mas eu acho que tenho uma ideia de quem ajudou.

E não era só o Soluço que percebeu a pequena fuga do Melequento.

—------------- xx ------------

Tivemos que procurar pela ilha toda, mas os achamos logo quando o sol se pôs, parecia que a Cabeça Quente estava junto e o Dente de Anzol tinha sido picado e estava com metade do corpo paralisado e pelo jeito a loira também.

— Soluço, Morgana, eu fui picada de novo, mas dessa fez só de lado, eu tento andar, mas só consigo girar em círculos.

— Por Thor... – Soltei um suspiro de frustação. – O que você pensava que estava fazendo, Melequento?!

— Eu estava tentado salvar a gente!

— Você só queria salvar a si mesmo!

A bronca maior que eu queria dar nele foi interrompida por um rugido que foi ouvido por todos.

— Vocês ouviram isso? – Astrid perguntou preocupada.

— Acho que não foi difícil de não ouvir. – Eu queria brincar, mas o assunto era bem sério.

Outros rugidos foram ouvidos, tão altos que tivemos que cobrir os ouvido.

— Morgana, você acha que é...?

— Não há dúvida, o bando veio atrás dele, Soluço.

— Mas como isso é possível? Picada Velozes não voam. – Melequento falou com medo, como ele não estava com a gente mais cedo, não sabia da novidade.

— Mas a gente acabou de descobrir que esse Picada Veloz consegue se locomover na água muito bem. – Perna de Peixe explicou.

— Oque?! – Melequento gritou e o Soluço correu para tampar a boca dele.

— Olha, se a gente ficar quieto, talvez ele não nos ouçam.

Mas era impossível porque o nosso filhote começou a responder ao chamado do banco com rugidos. Nossos dragões perceberam o perigo porque se prepararam para um ataque, Tempestade deixou os espinhos pronto e os Fúrias da Noite já com tiros preparados.

— Eu to achando que daqui a pouquinho eu vou querer muito poder andar em linha reta.

Se não fosse perigoso, seria engraçado.

— Soluço, estamos cercados, precisamos sair daqui. – Eu falei e moreno pareceu concordar.

Porém não tivemos tempo, porque já podia ouvir eles se aproximando e logo eles estavam na colina sobre nós.

— Aquilo é ...?

Nunca tinha visto um Picada Veloz como aquele, a frente do grupo, era maior, com uma crista vermelha e parecia mais forte também. Devia ser o alfa, foi com um comando dele que nos vimos cercados por todos os lados.

— Pessoal, tome cuidado. – Soluço tentou ajudar, mas era mais fácil falar do que fazer.

A Batatão tentou proteger os dois meio paralisados do grupo, mas acabou totalmente paralisada por um ataque. Eu consegui desviar de duas picadas usando o Osso Voador de escudo e fui andando tanto para trás que me vi costa a costa com o Soluço, Luna e Bangula nos rodeando, tentando criar uma proteção com ataques de aviso nos Picadas.

— Soluço, eles são muito.

— Eu sei, nossa única chance é dispersa-los .

Melequento pegou um pedaço de galho de árvore e começou a sacudir que nem maluco. – Eu não vou deixar ninguém para trás!

— Desde quanto? – Soluço perguntou.

— Desde agora, não me perguntem , mas eu só estou me sentindo heroico e generoso. – E voltou para gritar e se sacudir com o galho.

Não sei se ele estava desesperado, mas parecia um lunático. Todavia, ele realmente fez um ato heroico quando pegou o filhote de Picada Veloz e gritou um “eu volto por vocês” e saiu correndo, se usando de isca.

— Pega eles Melequento. – Cabeça Quente murmurou com a boca meio paralisada.

— Ele é louco, isso sim. Eu vou atrás dele. – Estava prestes a ir pelo caminho que o idiota tinha seguido quando Soluço segurou no meu braço.

— Você não pode ir, eles precisam de você. – Apontou para a turma congelada.

Sabia que ele estava certo, mas a minha preocupação não abaixou, o Melequento pode me irritar bastante, mas não queria que ele fosse comido pelos Picadas Velozes, mas se ele voltasse vivo, eu o mataria!

Corri para a minha sela e peguei o soro que tinha feito, havia terminado na última noite e sabia que daria certo.

— Aqui, é só dar para ele, uma xícara para a Cabeça Quente, três para os dragões. – Eu praticamente joguei no peito do Perna de Peixe antes de correr para Luna e nós duas irmos em direção do garoto suicida.

— Teimosa! – Ouvi Soluço resmungar antes de surgir do meu lado.

O barulho dos dragões foi a nossa direção, do alto foi possível ver o Melequento cercado, mas para a nossa surpresa, o nosso Picada Veloz começou a atacar os seus iguais e depois se posicionou na frente do Melequento para o proteger do alfa.

— Que foi? – Melequento perguntou confuso.

— Ele está divido entre o bando dele e o bando que salvou a sua vida, o nosso. – Soluço respondeu.

— Mas ele me odeia!

— Por Thor, Melequento! Esse não é o mesmo Picada Veloz que te atacou há 3 anos. Você faz parte do bando, ele vai te proteger. – Eu falei. Soluço e eu ainda não podíamos nos aproximar mais por ainda ser perigoso, mas Banguela e Luna conseguiam lançar ragadas para impedir a aproximação dos Picadas.

— Agora, sai dai antes que ele tenha que escolher um lado. – Soluço instruiu.

— Soluço, se o levarmos para a praia, talvez possamos os espantar da ilha.

— Boa ideia, vamos lá Banguela!

Com os tiros de plasma dos dois Fúrias da Noite, começamos a redirecionar o bando e tivemos ajuda da Astrid e do Cabeça Dura que acabaram de chegar. O loiro conseguiu criar uma cortina de fogo que impedia o caminho dos dragões e só os deixava com o mar. Mas quando parecia que o plano estava indo bem, o alfa conseguiu atingir o Bafo e Arroto quando escalou um rochedo próximo deles.

— Precisamos dar um jeito no Picada líder!

O nosso líder falou e começou a voar direto para o dragão.

— Soluço! – Eu gritei de horror quando vi o Picada vermelho pular do rochedo e ir em direção da dupla e quando ele estava prestes a atingi-los, ele girtou “separar” e fiquei em choque quando ele pulou do Banguela sobre o Picada Veloz e abrir os braços, mas neles estava preso o Dragão Voador 2.

Senti o meu corpo quase desabar de alivio, e pude sentir Luna relaxar também, nós duas tínhamos prendido a respiração por um segundo.

Já o alfa, como não sabia voar, estava caindo para um impacto horrível.

— Luna! – Foi um comando, mergulhando ela conseguiu esbarrar no dragão com a cauda para que ele caísse na parte mais fofa da areia.

O picada não ficou muito tempo desacordado e já estava de pé novamente, em posição de ataque, mas agora ele que estava cercado, por todos nós, junto dos outros que já estavam curados e auxiliando.

Como era um líder, também tinha bom senso e vendo que não havia chance para ele, o alfa se virou e seguiu o resto do bando que fugia sobre a água. Porém, um tinha ficado para trás, o filhote continuava com agente e ele olhava com lamento para o resto dos seus iguais que partiam.

— Hey miguinho. – Eu desmontei e o chamei e ele veio rapidamente para os meus braços. – Está na hora da despedida.

Eu olhei para Soluço e eu podia ver no rosto dele, que concordava. Sabia que ele queria que o Picada ficasse, que treinássemos ele, mas o pequeno já tinha uma família que havia vindo atrás dele e agora, tinha que partir. Soluço estendeu a mão para mim, para me ajudar a levantar.

— Vai baixinho, volte para o seu bando. – O moreno parecia triste, mas sabia que era necessário, então nós vimos ele se voltar para o oceano e correr para o bando dele.

— O que você está fazendo?! Não pode deixar ele ir embora com eles! – Para a minha surpresa, quem disse isso foi o Melequento, com uma cara bem triste.

— Aquela é a família dele, o lugar dele. – Soluço tentou consolar.

— Mas justo agora que a gente estava se entendendo? Isso sempre acontece comigo! – Ele jogou os braços para o alto e foi chorar para o Dente de Anzol.

Eu acabei de me lembra de algo, me virei para o moreno do meu lado e lhe dei um soco no braço.

— Ai! Pra que isso?

— Se você me assustar assim de novo, vou fazer com que o Banguela precise achar um novo dono.

Pude ver que a Luna deu uma bofetada no Banguela com a cauda, estava dando o mesmo aviso.

— Não acredito que você fez um novo Dragão Voador sem mim!

— Você estava ocupada com o seu soro!

— Então é bom saber que eu também sei misturar venenos.

Pude ver ele engolindo em seco antes de eu dar as costas e começar a andar com a Luna.

— Hey, isso foi brincadeira né?

Eu me limitei a sorrir de lado. Mais um dia caótico tinha terminado.