When it all began
2 Lanchonete do Phill
Notas iniciais
Depois da aula fui ao cinema com Chris para matarmos a saudade. Quando começamos a andar juntos fazíamos tudo isso, mas alguma coisa mudou em algum ponto e diminuímos nossa ida ao cinema, sorveteria, ou qualquer lugar. Ainda saímos bastante, mas algumas vezes ele simplesmente não pode, tem outras coisas para fazer e sempre me enrola para contar.
Saímos do filme rindo e comentando das cenas que mais gostamos do filme. E seguimos em direção a lanchonete do Phil.
— Então pequena Morgan está com ciúmes do Chris aqui com os “garotos do mato” hum? – Começa Chris querendo voltar ao assunto
— Eu? Ciúmes? De você? Me poupe né Chris – tento me defender.
— Não sei não Mor, aquilo me pareceu uma pontada de ciúmes.
— Não enche. – Digo e fico de bico, ele começa a rir da minha cara. Não de segurar o que quero falar então resolvo dizer. – É só que. Você nem falava com eles antes, nem se gostavam. Ai agora do nada você cancela nossos planos para fazer alguma coisa qualquer com eles. Você é o único amigo com quem eu conto tudo, e agora você as vezes, simplesmente não está aqui. – Comento chateada, ele parar de rir e me olha sério e suspira.
— Desculpe Mor, não era essa a intenção – ele olha para o chão chateado e põe as mãos dentro da calça de moletom – Eu não posso dizer, digamos que é algo da comunidade...
— Vocês por acaso escondem cadáveres? Por que além disso eu não consigo pensar em mais nada, e mesmo se for isso você sabe que eu te ajudaria.
— Hahahaha, não é bem isso, mas obrigado, quando precisar eu te ligo. – Ele ainda está meio chateado, ele sabe que o que eu disse é verdade. – Desculpa ser um amigo sumido.
— Eu só aceito as desculpas se você me pagar o lanche. – Chris me olha agora rindo
— Ora ora, senhorita Morgue está querendo lucrar com a culpa.
— Exatamente, sem dó.
— Por que você sempre tenta enfiar em qualquer desculpa eu te pagar um lanche?
— Por que melhor que um lanche em si, é o lanche ser de graça.
— Está bem, concordo com você. Vai até ganhar um sorvete.
— Oba! – Pulo com a vitória e me envolvendo mais no meu casaco, essa noite vai ser fria, já estou até vendo.
Chegando na “Lanchonete do Phil” assim que abro a porta minha risada da piada do Chris broxa.
— Ótimo, os escoteiros estão aqui. – Resmungo
— Relaxa – ele ri do apelido novo deles – hoje eu sou todo seu e agora vou pagar duas bolas de sorvete – ele diz empolgado para me animar.
— Okay, eu acho que sou comprada muito facilmente e você sabe. – Digo rindo
— Sim, eu sei.
Rimos em passamos direto pelo grupo sentado numa das mesas do canto e vamos direto ao balcão de pedidos. E vou animadamente falar com o atendente.
— Oi Rapha, hoje esse daqui vai pagar meu lanche, e um sorvete com duas bolas! – Digo animada mostrando dois no dedo para ele.
— Então você conseguiu convencer ele. — Concordo animadamente.
— O que? Você falou disso para ele? – Chris pergunto chocado.
— Claro! Você me abandonou, precisava encher o saco de alguém sobre isso. Hihihi. Como vai o Phil? – Mudo de assunto
— Está bem, sempre comenta sobre como a neta está linda e o quanto odeia o frio daqui e adora o calor da Califórnia.
— Ah, uma pena, ele não sabe o que está perdendo. Consigo me lembrar do calor da Califórnia, era legal, mas nada como um friozinho para tentar se aquentar de outra maneira – Chris começa a rir e Rapha me olha com os olhos arregalados. – Debaixo do cobertor! Nossa vocês garotos são terríveis, mas não nego que essa também é uma boa forma de se esquentar – agora começo a rir junto com Chris da cara do Rapha. – Okay, Rapha você sabe meus favoritos do momento. Vou pegando a mesa.
Sento em uma mesa o mais longe possível dos garotos do mato, o que não era muito difícil já que o lugar estava vazio. Começo a mexer no celular esperando Chris fazer nosso pedido. Acabo olhando de esguelha para o grupo e vejo um deles me olhando e volto rápido para o celular. Olho novamente para tentar ver quem estava me olhando, mas agora nenhum deles me olhava.
O grupo na lanchonete tinha cerca de 7 garotos, mas geralmente no colégio só vejo 4. Os outros 2 são mais velhos, um parece ser bem mais velho e nem entendo por que ele anda com os garotos. O outro... bom o outro é o Sam, irmão mais velho do Chris, quase tão bonito quanto é misterioso e rabugento.
Esqueço o assunto e me concentro no lanche que Chris acaba de trazer. Mesmo assim, sinto o olhar novamente sobre mim. No momento em que os meninos saem da lanchonete deixo de ter a sensação de ser observada.
* * *
Chego em casa explodindo, talvez uma melhor palavra seja empanzinada. Mas dá na mesma.
Todo mundo já está dormindo, tinha avisado que chegaria tarde. Depois do lanche comemos o sorvete e ficamos conversando sobre várias coisas. Essa foi a forma dele de me compensar. Ele não precisava realmente fazer isso, mas fico feliz que fez.
Tomo um banho quente e me deito embaixo das cobertas quentinhas. Sabia que hoje ia fazer mais frio que ontem, uns cinco graus a menos com certeza. Pensando na aula do dia seguinte tento dormir logo. E me sinto sendo puxada para um sonho profundo.
Me encontro na florestam da reserva de Spokane, me parece. Não está tão frio, estou de calça e uma blusa mais fina. Eu olho em volta assustada com um barulho, um vulto passando, está de noite, poderia ser qualquer coisa. Mas sinto que eu sei o que nesse, nesse sonho eu pelo menos sei, sendo que na verdade não tenho ideia. Só sei que significa perigo e corro.
Corro como se minha vida dependesse disso, o que naquele momento, dependia. Percebo algo ser arremessado em mim tento desviar mas acabo sendo atingida e caio. Com a mão na cabeça sangrando escuto o ar faltar de alguém. Minha visão está meio turva mas vejo alguém se aproximar fazendo barulhos como se estivesse lambendo os lábios.
— Não se preocupe querida, vai ser rápido. – Tento me arrastar para longe o fazendo apenas rir da tentativa de escapar.
Nesse momento escuto um uivo, o que era para ser mais um motivo para temer ainda mais, me enche de esperança. Eu vou sobreviver.
— Oh não querida, parece que temos pouco tempo, mas não se preocupe, eu consigo acabar com isso antes que eles cheguem. – Ele se aproxima numa velocidade sobre-humana, um sentimento de perigo explode em mim e acordo sobressaltada e sentando na cama suando como se a noite mais fria do ano não fosse nada.
Não bastasse isso, vejo meus objetos do quarto sempre tentando os manter arrumados para Mary não reclamar, flutuando e rodando no ar, o ar me escapa e eles caem em um barulho ensurdecedor nesse silêncio da casa. Escuto passos no correndo e me levanto apressada evitando cacos de porcelana no chão da luminária que estava entre eles.
Abro a porta no mesmo momento em que Mary chega.
— Meu deus Morgan, que barulho foi esse, você está bem? – Pergunta ela preocupada
— Sim! Tudo ótimo. É só que... fui levantar para pega rum copo de água e acabei esbarrando na mesa. Pode voltar a dormir. – Tento deixar a porta o mais fechado possível para ela não perceber que a bagunça não caiu só ao lado da mesa e sim por todo o quarto.
— Tem certeza que não quer ajuda?
— Absoluta, sem problemas! Descansa. – Vejo que ela está com a roupa de enfermeira, deve ter acabado de chegar do turno.
— Tudo bem querida, dorme bem, qualquer coisa chama. – Ela está muito cansada para não insistir mais.
Me viro e olho para a bagunça sem acreditar no que aconteceu e tentando me lembrar de momento a momento do sonho, dos objetos voando. Ponho a mão na cabeça e só consigo pensar “estou muito ferrada”.
Fale com o autor