When can I see you again?
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Maio de 2004
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Ela era uma menininha de pele clara de cabelos levemente ondulados e escuros, que em cada dia estava com um penteado diferente com prendedores coloridos, grandes bochechas coradas, e sorriso fácil, tinha uma certa tendência ao drama, meio chorona, mas adorável, querida por muitos, ou quase todos. Ele, um menino magricela, muito branco, com seu cabelo loiro quase ruivo caindo sobre os olhos, o quietinho da turma, e consequentemente, mais perturbado pelos coleguinhas hiperativos, e meio chorão como a morena. Igualmente encantador, e um aluno bastante dedicado.
E secretamente "apaixonado" pela menina de prendedores coloridos. Quer dizer, secretamene o bastante para uma turma de segunda série, afinal, colegas de turma servem pra espalhar segredos, quer eles existam ou não. Os colegas espalhavam, ela corava de vergonha e ele enchia os olhos de lágrimas e corava de raiva, nada mais que isso. Vamos lá, eles tinham sete ou oito anos, não se pode fazer muito com isso.
–Aaaah, o Edward gosta da Isabella! -Berrou um dos muitos hiperativos da sala, bagunçando o cabelo do pequeno.
–Para! -Resmungou, sacudindo a cabeça fazendo o cabelo voltar pro lugar.
–Ele gosta dela, gosta sim! -Incentivou outro.
Ela se limitou a olhar pelo canto do olho pros meninos de sua turma, os achava tão bobos e agitados. Corou fortemente ao perceber que todos olhavam pra ela, esperando uma reação, mas ela só voltou os olhos pro caderno, onde resolvia questões de matemática.
–Iih, ela nem liga pra ele, não falou nada! -Berrou o primeiro hiperativo.
"Qual é o problema dele? Só fala gritando, que saco!", pensou a precoce menina. Um pouco mais inteligente do que maioria, Isabella não era um prodígio, ou um mini gênio, mas sentia gosto em estudar, e fora suas duas colegas mais chegadas não era a das mais populares, mas era amada pelos professores e a queridinha da direção.
–Ele vai chorar! Chorão, chorão! — Um terceiro menino puxou o coro. Ele era o rei em incentivar brigas e implicâncias, tinha uma criatividade imensa para arrumar apelidos, inventar melodias e letras para implicar com os colegas. Se dedicasse 10% de sua criatividade para coisas produtivas seria um excelente aluno.
A morena olhou rapidamente para o menino de franja, incentivada pelos gritos dos colegas. Surpreendeu-se ao vê-lo com o rosto vermelho e franzido, enquanto os olhos se enchiam de lágrimas grossas que logo rolavam por seu rosto. "Não é de tristeza", ela reconheceu, não tinha um biquinho com os lábios como ela fazia, e nem soluços. Ela ficou confusa. Como poderia chorar sem ser de tristeza? Só se for de dor. Mas não tinham batido nele, certo? Ela esperava que sim, não gostava da ideia de terem machucado ele.
–Ei! Chega de barulho! Lá de fora posso ouvir vocês! Fizeram o dever? — A professora, ainda chamada de "tia", entrou na sala. Todos arrumaram-se em seus lugares, tensos como se tivessem rochas no lugar da coluna. Isabella rolou os olhos. "Ridículos!" -E por que está chorando, Edward?
–Porque eu tô com raiva, eles ficam implicando.A professora suspirou, era sempre a mesma coisa.
–Ok, ok. Vai ao banheiro lavar o rosto e beber água, se acalma, tudo bem? -A mulher ajeitou a franja do menino sobre seus olhos.
–Tá. -Resmungo de má vontade, se levantando.
A palavra ficou na cabeça de Isabella. Raiva? Dava pra chorar de raiva? Sempre que tinha raiva era por causa de sua prima, que segundo ela, não sabia brincar, e quando isso acontecia, ela não chorava, mas ia com toda força que cabia em seu corpo pequeno pra cima da prima que era mais forte, maior e mais velha que ela, que mesmo com a vantagem de tamanho, não intimidava Isabella, que certo ou errada -ela sempre estava certa, segundo ela -defendia seu ponto de vista, seja gritando a plenos pulmões ou utilizando braços, pernas e unhas. Mas chorar de raiva? Nunca tinha experimentado!Achava estranho o menino chorar de raiva... Meninos não eram agressivos, e agitados? Ele podia muito bem levantar e distribuir pontapés e socos por aí, era o que a maioria fazia, certo? Mas talvez ele fosse diferente...
– Bella, terminou? -A menina foi tirada de seus pensamentos pela voz da professora.
–Não, tia, só falta uma.
–Ok, quando acabar vai até a mesa pra eu corrigir.Ela somente assentiu.
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Enquanto isso, o menino que bebia água inclinado sobre o bebedouro pensava. E daí que ele gostava dela? Gostava mesmo, e era pra ser segredo, não era pra contar, nem zoarem dele por causa disso.
Maldita hora que tinha ido brincar de verdade e consequencia na hora do recreio. Ok, ok, não era nada parecido com o que já tinha ouvido dessa brincadeira com as pessoas mais velhas, em que segredos sujos eram revelados, e as consequencias eram bem pesadas, mas pra uma criança de sete anos dizer o nome de quem gostava era bem melhor do que dar seu lanche por uma semana.
– Então, Edward, verdade ou consequencia? -Perguntou Tyler, o escandaloso.
– Verdade. -Deu de ombros, entediado. Qual era a graça daquilo?
– De qual menina da escola você gosta?
"Sério? Essa pergunta? Parecem meninas...", o ruivinho pensou incrédulo. Mas corou fortemente ao pensar em revelar o nome de Isabella.
–De nin-ninguém! -Respondeu apressado.
– Você tá mentindo! Anda, fala de quem é! É a Leah? -Riley Biers pressionou, aumentando a antipatia do pequeno Cullen pelo menino.
– Não, não tem ninguém.
– Anda, Cullen, não tem nada demais. Fale a verdade! -Tyler berrou novamente.
– Eu escolho consequencia, então.
– Não pode trocar!
– Mas eu quero trocar!
– Então tá, a consequencia é me dar seu lanche, a semana toda, sem reclamar. -James, o valentão da turma, disse autoritário.
"Oh droga!", reclamou em seus pensamentos. Como ficaria sem lanche? Sua mãe sempre fazia sanduíches, cookies, suas frutas e sucos preferidos, e bem de vez em quando deixava ele levar um doce, e essa era a vez do seu chocolate preferido (era bem legal ser um bom filho pra dona Esme). Não podia ficar sem lanche, sem condições. E afinal, o que podiam fazer com isso?
– Isabella... -Murmurou, quase sem voz.
– É o que? -Riley perguntou quase subindo no ruivo.
– Isabella. É dela que eu gosto. -Falou mais alto, as bochechas coradas, a cabeça baixa.
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Naquele dia, Isabella foi pra casa com a irmã mais velha, Rosalie, com a dúvida martelando em sua cabeça, ainda achava estranho alguém chorar de raiva.
–Rose?
–Fala, Isa.
– Dá pra chorar de raiva?
– Claro que dá, Isa, é bem comum. Eu choro de raiva, às vezes.Mas por que a pergunta?
–Bem, é que hoje, o Edward Cullen, sabe? Então, uns meninos implicaram com ele na aula, e aí ele não bateu neles, nem gritou, só ficou muito vermelho, e aí começou a chorar. Sabe, não chorar de verdade, só um monte de lágrimas rolando. -Deu de ombros, mas seu coração se apertou ao lembrar.
–Você grita, e quer bater quando tem raiva, não é? Ele sente vontade de chorar, e tudo bem por isso. As pessoas são diferentes, Isa.
A resposta da irmã foi bastante satisfatória, mas deu a pequena morena coisas a pensar. Então as pessoas são diferentes? Ok, disso ela sabia. Mas Edward Cullen era diferente de todas as pessoas diferentes que já conheceu.
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Por ele, dividiria seu lanche com ela todos os dias, não somente pelos biscoitos recheados que ela levava, mas só pra poder estar perto dela. E se ela deixasse, gostaria de segurar em sua mão durante o recreio, e bem, se pudesse, não seria nada mal se esconder atrás das arquibancadas do ginásio e lhe roubar um selinho.
Edward realmente gostava dela, o máximo que seu imaturo coração de sete anos podia gostar. Ela não era a mais bonita da escola, nem cheia de amigas e popular. Era só uma menina, igual as outras.Mas algo nela era...era... Não sabia explicar! O sorriso banguela, os cabelos, as bochechas coradas, o jeito como respeitava todos, e era a mesma menina todos os dias. Algumas meninas mudavam, ora eram como meninas de sua idade, ora queriam parecer mini mulheres, e outras pareciam bebês de tão chatinhas e mimadas que eram. Isabella era ela, simplesmente.Talvez gostasse de Isabella porque em toda a sua constância, ela era diferente.
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