When Youre Gone
6 Capítulo 5
Notas iniciais
Jasper puxou delicadamente Alice até a proa do navio e enquanto corriam em velocidade humana até lá, visualizou Bella e Esme sorrindo na direção deles e então se afastando, provavelmente para lhes dar alguma privacidade, porém não prestou atenção, só tinha olhos para a pequena vampira que levava até a proa.
Quando estavam na ponta do navio, ele se ajoelhou em frente à vampira que amava. Alice olhou para ele carinhosamente e emocionada ouvindo com os olhos brilhantes as palavras que saiam de sua boca:
– Alice Cullen, a primeira vez que te vi, eu estava infeliz, preocupado, imerso em escuridão. Então a senhorita apareceu bem humorada e elétrica me garantindo que tudo iria ficar bem. Mas errou em um pequeno detalhe. Não ficou tudo bem, ficou tudo maravilhoso, pois a sua presença me trouxe um sentimento que apenas havia sentido através dos outros, como uma falsificação mal feita. Você me trouxe o amor e iluminou toda a minha eternidade com o seu sorriso. E eu vou lutar para que a todo o momento para encontrar esse mesmo sorriso em seu rosto perfeitamente esculpido pelos anjos. Se o amor tem tempo para acontecer, com certeza o prazo é curto. Aceita ser minha apenas minha, Alice? Porque, sem você, eu não existo. E eu não existo, porque eu sou seu e eu te amo.
– Oh Jazz! Mas é claro que sim! Minha visão não fez jus à sua declaração! Eu também te amo Jasper Whitlock!
Jasper se levantou, abraçou Alice delicadamente pela cintura e então se aproximou mais ainda juntando carinhosamente seus lábios em um beijo calmo transmitindo todo o amor que um sentia pelo outro. Quando se separaram, ficaram abraçados observando o mar a sua frente.
–Vamos! Temos de contar aos meus pais e à sua irmã a novidade! – Alice exclamou de repente, animada.
– Eles provavelmente já sabem Alice. – Rebateu ele, pensando no momento que viu Esme e Bella se afastarem.
– Ah! Mas mesmo assim será importante! Temos de tornar tudo oficial! Talvez possamos fazer uma festa e...
Jasper olhava abismado e divertido para a baixinha, ela parecia não ter jeito, queria uma festa de qualquer maneira. Provavelmente ela deveria procurar sempre um pretexto para festejar. Mas também, não seria ele quem negaria algo à Alice, não quando aquilo faria a amada feliz.
Então eles foram de mãos dadas, tranquilamente até a cabine onde Alice disse, os Cullen estavam junto com Bella. Alice nem bateu na porta, ela escancarou a mesma e entrou rebocando Jasper. Carlisle, Esme e Bella olharam para os dois com curiosidade e expectativa.
– Filha, Jasper, que bom que chegaram! Bella está prestes a nos contar suas origens, estávamos apenas à espera de vocês.
Jasper encarou Bella curioso, se perguntando de onde ela tirara coragem para contar as coisas que ela fazia tanta questão de manter escondidas para si e então olhou-a de modo repreendedor por ela quase contar algo tão importante sem ele estar presente. Ela devolveu o olhar como se dissesse "Que escolha eu tinha?".
– Então acho que chegamos bem na hora, não? – Disse ele olhando ainda acusativamente para a irmã.
Mas ninguém teve tempo de dizer nada, pois Alice disse se adiantando:
– Mãe, pai, Bella... Nós temos uma coisa importante para contar antes de Bella começar. Eu e Jasper estamos juntos.
Ao fazer essa declaração, Esme e Bella abriram um enorme sorriso e Carlisle olhou para Jasper sério. Este, ao receber o olhar apertou firme a mão de Alice que sorriu tranquilizadora para ele. Bella ficou totalmente rígida ao ver o olhar que Carlisle mandou para o irmão.
– Ama mesmo minha filha, Jasper? – Perguntou ele sério.
Jasper nesse momento parecia ter voltado a ser um soltado da guerra civil, estava em uma postura ereta, pronto para receber ordens de um superior.
– Sim, senhor. – Respondeu sem hesitar.
Então Carlisle sorriu e disse:
– Então posso ter certeza de que vai cuidar muito bem dela, filho.
Jasper sorriu bobo e recebeu um abraço de Esme e Carlisle. Bella sorria fraquinho para ele de seu canto. Ele retribuiu, mas por pouco tempo. Logo Jasper voltou a ficar sério e disse:
– Será que agora que estamostodosaqui, poderia contar-nos a sua história, Bella?
– Só peço que não esperem por nada de muito lindo e que não hesitem em me julgar pelo que já fiz no passado, pois tenho total consciência do que eu fiz ou deixei de fazer.Eu nasci no Reino Franco, nos meados do século XIII. – Ela começou a contar. – O feudalismo era o modelo de sociedade da época. Minhas memórias desse tempo remoto são muito turvas, porém lembro que minha família era relativamente grande. Eu tinha três irmãos e duas irmãs. De meus irmãos dois eram mais velhos e um mais novo. Minhas irmãs ambas eram mais novas. Porém a mais nova era apenas dois anos mais nova que eu, assim como meu irmãozinho, portanto eles eram gêmeos. Meu pai trabalhava no feudo de um senhor nobre assim como tantos outros homens e outras famílias. Meus irmãos mais velhos iam com meu pai para os campos trabalhar. Eu ficava em casa cuidando de minhas irmãs e do trabalho doméstico. Era uma vida muito simples e precária.
Este era também o período das Cruzadas e quando Luiz IX partiu para a conquista da Terra Santa, meus irmãos mais velhos partiram acreditando que fariam um bem para a Igreja e se tornariam heróis trazendo para nós uma vida melhor. Nós nunca mais tivemos notícias deles, o que nos fez crer que, assim como muitos outros eles morreram por lá. Nessa época eu já tinha cerca de 20 anos e era de se surpreender que não estivesse casada, mas eu ajudava meu pai no feudo e minha irmã caçula cuidava da casa. Minha outra irmã, já tinha se casado e meu irmão mais novo tinha ido para o monastério e se tornar um monge.
Uma tarde apareceu um homem bem vestido no poço onde, eu e várias mulheres pegávamos água do poço. Eu sabia que ele era um dos filhos do nosso senhor, mas não fazíamos ideia de qual deles ele era. Ele ficou nos observando de cima de seu cavalo. – Bella falava dele com nojo. – Quando eu acabei de pegar a água, segui em direção à minha casa pensando na repartição que faria para cozinhar e para lavar roupa depois, afinal domingo tinha missa e eu e minha irmã e meu pai deveríamos ir mais arrumados. Esse é um dia que está tatuado na minha memória. É o dia que os sinais de que eu não deveria existir começaram a aparecer. – Sua voz estava tingida de amargura e Jasper se retesou temendo o que estava por vir. – Ele me seguiu. – Ela continuou. – Eu parei e me curvei simbolizando o respeito que deveria dar a ele. Ele desmontou do cavalo e segurou minha mão de maneira educada me surpreendendo. Eu era virgem e pobre, então não sabia dos tratamentos que uma dama da nobreza recebia, principalmente quando era cortejada, mas me senti lisonjeada pela atenção que ele dispensou a mim. Até ouvir as palavras desonrosas que saíram de sua boca.
“Gostaria que tão formosa dama me fizesse companhia na cama esta noite.” Disse ele sorrindo de maneira sedutora, mas que para mim foi repulsiva.
Chocada, vermelha e assustada eu balbuciei: “Desculpe-me, mas não.” E então me curvei rapidamente e saí correndo.
Só o ouvi gritar de raiva e então eu já estava em casa. – Ela respirou profundamente e fechou os olhos por alguns segundos antes de continuar. – À noite eu e minha família fomos despertadas por um estrondo violento vindo do cômodo ao lado do nosso quarto, a cozinha. Nem tivemos tempo de levantar ou reagir. Cinco homens armados e com archotes invadiram nosso quarto e mataram meu pai. Entãoeleentrou e segurou minha irmã, que estava aos prantos, pelos cabelos. Eu estava estática, encolhida contra a parede, totalmente assustada.
Ele se aproximou de onde eu estava, colocou a faca no pescoço da minha irmã e disse:“Olhe quem está pagando por você não ter atendido às minhas vontades...”
Então ele cortou o pescoço dela de um lado a outro. O sangue de minha irmã espirrou tanto nele quanto em mim, abundante e seu corpo foi jogado inerte, morto, ao meu lado. Nesse momento eu gritei de uma maneira que parecia que o Diabo tinha me possuído. Eu estava aterrorizada. – Bella não tinha noção de como estava conseguindo contar tudo aquilo para aqueles vampiros. Nem para Edward tivera coragem de contar por ter medo que ele a considerasse suja, mas naquele momento, nem as reações que os seus ouvintes podiam estar tendo ela estava considerando, ela apenas continuou a contar. Jasper não sabia como reagir. Ele apenas ficou ouvindo, paralisado de choque assim como os outros Cullen. – Ele então me possuiu de maneira monstruosa e covarde na frente de todos aqueles homens. Eu agüentei tudo em silêncio, mas sabia que tremia de maneira descontrolada e assombrosa. – Ela fez outra pausa. – Antes de cair na inconsciência eu o ouvi dizer:
“Queimem tudo.”
Eu não sei quanto tempo fique desacordada, mas só sei que em algum momento comecei a sentir a dor da transformação. Quando acordei me senti admirada e fascinada por poder ver e escutar tudo, mas ao mesmo tempo me sentia confusa, tanto por não saber onde estava e o que havia acontecido. Eu notei que estava sozinha. Então memórias turvas do que tinha acontecido na noite anterior invadiram minha mente. Eu senti uma raiva descomunal tomar conta de mim e a minha garganta começou a arder horrores a ponto de eu gritar de dor. Mesmo assim eu saí correndo, irritada demais para ficar maravilhada com a velocidade.
Assim que saí da floresta percebi que não estava longe do feudo onde nasci. Sorri na expectativa de vingar minha família. Entrei no castelo e nem me preocupei com o que vestia. Queria que aquele cretino me visse do modo como me deixou. Eu sabia que estava diferente, mais forte, mais rápida, mas não tinha a menor ideia do quanto. Eu estava passando pelos corredores quando me deparei com um espelho. Eu fiquei estática me olhando. Eu estava linda! Eu estava tão pálida que poderia me passar por um fantasma e esse pensamento me fez rir, mas também me assustei com o novo som. Além disso, meus olhos estavam tão vermelhos que eu parecia dominada pelo Demônio, talvez, naquele momento, eu estivesse mesmo, mas nada daquilo não me interessava. Eu queria apenas a vingança.
Essa pequena distração fez com que alguns cavaleiros que estavam no banquete do castelo me descobrissem. Mas eu não dei nem tempo deles reagirem. Minha garganta ardeu ao sentir o cheiro que exalava deles e a única coisa automática que fiz foi pular no pescoço deles. O segundo homem até tentou me impedir, mas bastou apenas um apertão em seu pescoço para que eu o quebrasse. Tomei o sangue deles e segui em direção ao salão onde a suposta festa acontecia.
Não demorei a localizá-lo em meio ao salão cheio de pessoas dançando, bebendo, conversando. Ele estava sentado na ponta da mesa segurando a mão de uma moça jovem e de aparência infeliz. Por um breve momento senti compaixão, porém foi muito breve, pois logo meus pensamentos voltaram completamente naquela criatura que destruiu a minha vida. Eu adentrei lentamente o salão e as pessoas enquanto me viam se afastavam horrorizadas. Logo a musica parara de tocar e todos estavam com as atenções voltadas para mim, mas eu não estava prestando atenção neles. Eu só tinha olhos para aqueleanimalsentado naquela mesa. Quando percebi um rosnado selvagem saíra pelo meu peito.
Mas o melhor foi a sua expressão. Ele estava branco como papel e seus olhos estavam arregalados de pavor. Eu não consegui curtir melhor a minha vingança, pois minha sede foi mais forte. Eu ainda não tinha certeza do que havia me tornado, mas sabia que era algo condenado e que eu havia perdido a minha alma. Eu matei todos naquele salão. Os últimos foram: ele e sua esposa.
Ele gritava o tempo todo, pedia clemência e piedade por ele. Depois ele pedia desculpas ou então gritava acusações e impropérios contra mim. Dizia incessantemente que eu era um Demônio. Mas quem disse que eu não era? –Ela completou, sorrindo ironicamente. – Quando eu comecei a drenar o sangue da esposa dele, eu percebi que matar ela era injusto. Ela não tinha nada a ver com a maldita família dele, talvez nem quisesse ter se casado com ele. Mas quando parei de drenar o sangue ela começou a gritar de dor. Foi então que percebi que tinha transformado ela na mesma coisa, criatura que eu era.
A transformação levou exatamente três dias e quando ela acordou parecia tão confusa quanto eu estava no início.Logo ela começou a lembrar do que aconteceu e ficou alarmada com minha presença, porém não demorou em eu explicar minha história para ela. Nós passamos a vagar juntas e saímos da França.
Nesse meio tempo ela me pediu para irmos atrás do irmão gêmeo dela, pois ela sentia falta dele e eles eram muito unidos na infância. Não demorou muito para acharmos o irmão dela, mas no caminho descobrimos algumas coisas, como por exemplo, que éramos vampiras e a cada três dias, aproximadamente, sentíamos sede e precisávamos caçar. Isso deixou-nos, eu e Jane, chocadas, pois não sabíamos que tais criaturas existiam, mas era o que nós tínhamos nos tornado. Alec era idêntico a ela. Jane transformou o irmão dela e então eu não estava mais completamente sozinha, acreditava que tinha conseguido uma nova família.
Essa paz durou cerca de um século. Jane me ensinara a ler e eu amava ler, era o que eu fazia praticamente o dia inteiro. Tudo o que eu poderia aprender era muito bem-vindo. Nós tínhamos achado um modo de não precisar se mudar sempre e passamos a juntar dinheiro e logo possuíamos uma pequena fortuna. Tudo sem nos revelar.
Certo dia, fomos atacados por um clã pequeno, porém bem mais experiente que nós e nós sabíamos, no meio da luta, que iríamos perder. Não sabemos o que aconteceu para deixar Jane com tanta raiva, mas ela começou a olhar fixamente para o líder do clã e então ele começou a se contorcer e a gritar de dor. Eu e Alec estávamos assustados, mas logo o restante do clã quis atacar Jane e então, no meio do caminho todos ficaram paralisados, com o olhar perdido, inclusive a vítima de Jane. Demoramos a perceber que era Alec quem fizera aquilo.
Depois daquele dia, os gêmeos nunca mais foram os mesmos. Depois que descobriram esse dom, eles passaram a abusar dele e a ficar cada vez mais gananciosos pelo poder e pela fama que conquistaram. Logo recebemos a visita de um clã muito poderoso, que nos encarava como uma ameaça à nossa espécie. Na verdade eles temiam os poderes dos gêmeos. Para evitar uma carnificina do clã deles e aumentar os próprios poderes eles propuseram aos gêmeos que eles se juntassem a eles com uma promessa de poder absoluto sobre os vampiros. Jane e Alec não hesitaram em aceitar. Eu sabia que era uma armadilha e recusei tentando avisar aos gêmeos, mas eles não me deram ouvidos. Jane e Alec se juntaram aos Volturi e me traíram. Como não tenho nenhum dom especial, os Volturi preferiram me deixar “livre”, mas o que me fez sofrer era que Jane e Alec não se importaram. Isso me deixou arrasada e depois disso passei a não confiar em ninguém.
Vaguei sozinha por séculos depois disso e me recusei a encontrar ou aceitar companhia. Foi no meio do século dezenove que conheciEdward. Ele foi minha primeira companhia de verdade depois de quase seis séculos. – Bella pronunciou o nome com amargura e Jasper a abraçou gentilmente.
– Não precisa nos contar mais se não quiser Bella. – Carlisle disse calmamente.
Bella assentiu agradecida. Esme abraçou maternalmente Bella e disse com a voz embargada:
– Eu sinto tanto, querida! Passou por tanta coisa! – Então ela se recompôs da maneira que pôde e tentou mudar o assunto levemente. – Mas o que aconteceu com seu irmão que havia ido para o seminário? E a sua irmã que se casou?
– Ah sim, minha irmã foi... Feliz, dentro dos padrões da época. Toda a família dela era camponesa, devido à ascendência, porém todos os descendentes foram dizimados pela peste negra no século XVI. Eu meio que acompanhei de longe eles depois de aprender a me controlar, a controlar minha sede. Já meu irmão, ele morreu com 54 anos. Eu procurei em uns arquivos da Igreja alguns anos atrás com Jasper.
– Era isso então que você tinha feito nos antigos registros do Vaticano? Eu achando que queria pesquisar sobre alguma curiosidade... Ou tesouro. – Jasper comentou.
Bella riu do comentário de Jasper. Mas sua risada foi fraca. Relembrar tudo sempre a deixava emocionalmente arrasada.
– Então essa é a história de Alec e Jane Volturi? – Carlisle comentou para si mesmo.
– Conheceu os gêmeos? – Bella perguntou surpresa. Sua voz exalava uma raiva contida.
Jasper já ficou alerta às reações de Bella, pois sabia que as raras vezes em que Bella realmente se enfurecia era devastador e eles estavam em um navio, então Jasper temia o quanto a irmã poderia destruir num acesso de fúria.
– Eu passei um tempo com os Volturi. – Carlisle disse cautelosamente ao ver a postura de Bella mudar para agressiva e a de Jasper para cautelosa. – Eu estava nos meus primeiros séculos de vida...
– Jasper, vamos embora, vamos sair desse navio, porque eu não vou suportar passar mais um minuto aqui. – Bella se levantou indo em direção à porta.
Os Cullen estavam paralisados sem entender a reação da vampira. Jasper se levantou e disse tentando conter a irmã:
– Bella, como pode achar que ele seria igual aos outros?
– Jasper, por favor! – Pediu ela. – Ele esteve com osVolturi! – Ela pronunciou o nome com ódio. – Por que você não seria diferente de todos eles? – Disse ela de maneira acusativa para Carlisle.
– Pelo simples fato de não estar mais com eles! – Jasper disse.
Bella ficou quieta absorvendo a verdade tão óbvia. Jasper completou:
– Nem a dieta daquele clã ele segue. Bella pode parar de ser impulsiva uma vez na sua vida, por favor?
Aos poucos a emoção que tomou conta de Bella foi a vergonha. Ela abaixou a cabeça, mordendo o lábio inferior e suas mãos se retorciam entrelaçadas em suas costas. Sua respiração saiu pesada antes dela murmurar:
– Explodi sem motivo novamente. Desculpe-me, Carlisle, eu...
– Não tem problema, Bella. Sua reação é totalmente aceitável. Eu não fiquei muito tempo com os Volturi. Eu mantenho a mesma opinião que você a respeito deles, porém tenho de admitir que eles sejam importantes para manter nossa existência em segredo.
– Sim. Você está certo. Mesmo assim eu não consigo evitar meu ódio por esse clã e ressentimento pelos gêmeos.
– Eles sucumbiram ao poder e abandonaram você, Bella, que os tinha como irmãos, é mais do que natural sentir isso. – Alice disse compreensiva.
Bella assentiu e ficou quieta olhando para nada específico, os pensamentos vagando pelo passado. Mas logo Alice interrompeu seus devaneios quando perguntou:
– Quem é Edward? – Sua voz denunciava sua curiosidade, porém foi suave.
As feições de Bella se retorceram em dor, mas antes de Jasper dizer qualquer coisa, ela respondeu com a voz estrangulada:
– Edwarderaa minha vida. – Essa era a única palavra que chegava mais perto do que as outras, daquilo que Edward representava para ela e explicava sua relação com Bella resumidamente.
– Era? Ele... O que aconteceu? –Alice estava preocupada, pois olhar de Bella beirava o desespero, denunciando esse sentimento que Jasper conseguia captar vindo dela.
– Alice, meu amor, esse não é um assunto que Bella costuma falar. Eu não sei se ela está pronta para contar. – Jasper interferiu. – Bella, quer voltar para o quarto? – Perguntou para a irmã paralisada na mesma posição.
Carlisle e Esme estavam paralisados de choque com as mudanças repentinas e intensas de humor de Bella e estranharam quando ela se levantou e pegou Jasper pelos ombros implorando:
– Eu preciso dos quadros, Jasper, só me leve aos quadros, por favor!
Jasper estava mais uma vez hesitante diante de mais um ataque de depressão da irmã. A linha de pensamento dela estava rápida demais para ele acompanhar junto de suas emoções que se estabeleceram em uma linha de dor. Ele temia que em um momento de desespero e raiva ela fizesse alguma coisa que viesse a se arrepender depois, como destruir os quadros. Mas o estado de Bella era tão deplorável e desesperador que ele apenas pôde dizer:
– Apenas não os destrua.
E então se despediu dos Cullen, que estavam paralisados de choque e preocupação, com um aceno de cabeça e saiu amparando Bella, que se agarrava aos ombros do irmão como se ele fosse a sua única salvação e solução para seu desespero. Apenas Alice os seguiu silenciosamente.
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