Notas iniciais
Aí está como prometido o capítulo 25 para compensar a nossa demora. Esperamos que gostem! EDIT 2020: Estava relendo os capítulos anteriores e gente... Muito errado o relacionamento que eu estava criando para meus personagens originais. Sendo assim, estou reescrevendo e ajustando para que seja uma relação ética e saudável dentro do meu mundo fictício.

Anne Louise adentrou sua sala preparada para mais uma aula. Seu dia não havia sido ruim, mas era difícil controlar a ardência e desejo constantes. Os alunos começaram a entrar e Alice estava entre eles. A pequena vampira sorriu encorajando-a e foi para seu lugar. Anne Louise retribuiu o sorriso enquanto organizava o material da aula.

—Boa tarde! –Cumprimentou ela. –Como foi o almoço? Espero que vocês tenham gostado, porque eu... –Ela se inclinou e segredou. –Eu nunca fui fã dessas comidas de refeitório... Nunca se sabe quando a cozinheira não vai com a nossa cara e não dão uma leve temperada. –Ela fingiu cuspir em um prato e todos os alunos riram. –Tudo bem, gente, piadas à parte, eu sou a Srta. Anne e vou com certeza fazer vocês se apaixonarem por seus livros de escola, porque a literatura é muito mais do que aquilo que forçam vocês a decorarem no ensino médio. Mas acho que para eu dizer se posso convencê-los ou não, eu preciso conhecê-los, então eu vou começar pedindo para que vocês se apresentem começando por aqui. –Ela apontou a primeira fileira perto da porta, como nas últimas classes. –Diga um pouco sobre você pra nós.

Um garoto louro se levantou da primeira fileira, ao lado de uma das garotas que falavam sobre ela e começou:

—Eu sou Mike Newton.

—E o que você gosta de ler, Mike? Posso te chamar de Mike, não é? Porque Sr. Newton é muito impessoal e eu prefiro ter alguma intimidade com aqueles com quem irei compartilhar conhecimento.

Mike assentiu e respondeu:

—Eu não curto ler livros.

—Ah, mas deve ter algum tipo de leitura que você goste. –Ela se virou para a sala. -Nós lemos o tempo todo, praticamente. Desde pequenos avisos no trânsito a exercícios da escola. Tudo é linguagem e a literatura é uma parte importante da linguagem, portanto, Mike, deve haver algo que você goste ou gostou de ler, seja uma frase, um blog, ou o que quer que seja.

—Bem, — Murmurou ele, um pouco mais à vontade. –Eu vivo entrando no 9GAG.

—Legal! Eu acho os MEMES muito interessantes. Muito obrigada, Mike. E você deve ser a... –Ela apontou para a parceira de mesa de Mike.

—Jéssica Stanley.

—Jéssica! Muito prazer! E então o que você gosta de ler?

—Ahn...

—Cinquenta tons de Cinza! –Respondeu uma garota loira do outro lado da sala, sorrindo zombeteira.

—Cale a boca, Lauren! –Jéssica respondeu vermelha.

—Eu não quero saber de seu gosto literário agora. Está na vez de Jéssica. –Anne Louise disse rapidamente para Lauren, que fechou a expressão. –Prossiga Jess. Posso te chamar assim, certo?

—Sim, pode. –Jéssica respondeu e sorriu arrogante, para a colega loira antes de responder. –Gosto de revistas sobre celebridades.

—De fofocas, você quer dizer. –Lauren voltou a provocar.

—Acho que isso é algo muito comum em adolescentes, Lauren, certo? Afinal, da onde surgiriam rumores de que eu precisei da ajuda do pai de uma amiga para trabalhar aqui?

Nesse momento tanto Jéssica como Lauren, ficaram vermelhas e olharam para baixo.

—Muito bem...

Anne Louise iria continuar, porém alguém bate na porta. Ela suspira e então começa a se dirigir calmamente até a porta. Então Alice subitamente se levanta e diz:

—Tudo bem, Srta. Anne deixe que eu abra a porta.

A troca de olhares foi o suficiente para Anne Louise deixar que a pequena vampira recepcionasse quem quer que estivesse ali fora. Ela abriu a porta e deixou o garoto entrar, porém manteve-se entre ele e a professora, relativamente. Anne Louise compreendeu rapidamente que era o perigo em potencial ali e trancou a respiração capturando o máximo de oxigênio possível.

O adolescente era alto, tão alto quanto Anne Louise, porém tinha a pele bem mais morena, um bronze e era magro também. Seus olhos eram de um castanho claro, quase mel com olheiras, comose não dormisse bem há algumas noites e seus cabelos castanhos, algo comum até, mas Anne Louise não conseguiu evitar o instinto de proteção que surgiu em si. E então ela percebeu o que Alice notara como perigoso. O humano se aproximara mais do que os outros, como se não tivesse os instintos de proteção e não se mostrava apreensivo em sua presença. Isso a sobressaltou. Além disso, tinha uma postura confiante e segura, diferentemente da maioria dos adolescentes, desengonçados e hesitantes.

—Desculpe o atraso. Eu tive um imprevisto. Aqui está a autorização da secretaria.

—Tudo bem. Estamos nos conhecendo ainda. Sente-se. –Ela disse brevemente, porém sem deixar de ser gentil.

O garoto assentiu e foi para um lugar vazio localizado ao lado de Alice. Esta, por sua vez, seguiu-o indo até seu lugar e um olhar foi o suficiente para Anne Louise saber que podia voltar a respirar normalmente. O cheiro dele ainda estava presente. Não tinha nada de diferente dos demais, era até mais fraco, porém por estar muito perto foi o suficiente para fazer sua garganta arder e sua boca se encher de veneno. Ela engoliu em seco mais uma vez, flexionando as mãos em busca de alguma distração para controlar-se. Por fim decidiu continuar.

—O próximo, por favor?

—Alice Cullen. Já me conhece, Srta. Anne. –Ela sorriu inocente.

Anne Louise perguntou sorrindo da pequena piadinha:

—Mas nós não sabemos de seu gosto literário. O que você gosta de ler, Alice?

—Revistas de moda, blogs de moda, livros de moda. –Ela enumerou com os dedos.

Anne Louise conteve uma risada. “Previsível” pensou em dizer, mas concluiu que não seria apropriado para a sala de aula, onde a relação dela com a Cullen era outro. Seguiu para o próximo, que era o garoto diferente.

—E você, atrasadinho? –Ela sorriu amigavelmente. –Como se chama?

O garoto fitou seu sorriso meio atordoado e deslumbrado, então respondeu:

—Kevin Simons.

—Lê muito?

Ele demorou alguns instantes para responder, pesando se aquela interação valeria à pena.

—Sim.

—O que você lê? –Ela insistiu subitamente interessada.

Kevin não gostava de expor seus gostos, pois eram diferentes de seus colegas e já era difícil para ele conviver com o restante dos colegas como estava. Mas a professora parecia gentil e realmente interessada no que ele tinha a dizer, então concluiu que não custaria tanto.

—Leio desde Sherlock Holmes, até Nietzsche ou então Jane Austin e irmãs Brönte. Resumindo, leio de tudo. –Ele sorriu, misturando orgulho e acanhamento.

Anne Louise não pôde evitar que um largo sorriso surgisse em seu rosto de satisfação. “Adorável.” Pensou. Ao que aparentava complementar sua postura, o humano tinha no intelecto gostos mais maduros para a idade também.

—Interessante, Kevin. Muito obrigada pela sua contribuição.

Então ela se forçou a continuar o interrogatório da turma e não continuar a conversar com o garoto, que parecia saber tanto, apesar da pouca idade. Ele instigava sua curiosidade, ao emanar tanto mistério em torno de sua figura. Notou que ele não interagia com ninguém da sua turma, fazendo suas tarefas e anotações sozinho. Quase nenhum ser humano havia atraído sua atenção daquela maneira. Anne Louise estava realmente curiosa e durante a aula, seus olhos carmesins não podiam deixar de cair por alguns instantes sobre o garoto. Esses mesmos olhos tornaram-se assunto quando, no meio da explicação do livro do período, Vivien, uma morena da terceira fileira esticou o braço, visivelmente incomodada:

—Sim, Vivi? –Anne Louise se interrompeu, fitando a garota, que se remexia inquieta na sua cadeira.

—Por... Por que seus olhos são... Ahn... Vermelhos?

Já esperando este tipo de pergunta, Anne Louise gargalhou.

—Nesse buraco de cidade não tem nenhum gótico? –Ela perguntou para ninguém em especial. –São lentes. Eu fui uma menina rebelde na adolescência e comprei lentes vermelhas para minha miopia. O problema é que novas custam caro e como eu estou guardando dinheiro pra cirurgia, eu tenho de usar essas, não é? –Então voltou a rir.

—Ah... Tá. –A menina murmurou e voltou a olhar para seu material.

O restante da aula correu normalmente e aparentemente, ninguém pareceu interessado na leitura do período, “O leitor comum” de Virgínia Woolf. Para estimular os alunos ela começou com uma pesquisa sobre a autora. Obviamente, poucos alunos se entusiasmaram com uma tarefa de casa a mais e Anne Louise chegou a se divertir com as expressões de desagrado, principalmente de Lauren e Jéssica.

Quando a aula acabou, Anne Louise foi diretamente para a sala dos professores, mesmo não desejando encontrar qualquer um deles. Ao entrar no aposento, poucos professores se encontravam ali e, por sorte, nenhum teve coragem de conversar com ela. Pelo que parecia, as atenções vinham em grupo. Anne Louise sorriu com esse pensamento e voltou a arrumar suas coisas. Agora só faltava esperar os Cullen terminarem suas aulas para ela finalmente poder ir embora.

Na saída, no estacionamento, Anne Louise topou com Alice que contava alguma coisa aos irmãos, logo, todos riam com ela. Quando a ruiva se aproximou, Alice disse:

—Estou contando a sua aula com a minha turma, enquanto eles contavam as deles.

—Então se divertiram bastante às minhas custas?

—Ah! Com certeza, rrrrrruiva! –Emmett disse, entre risinhos.

Anne Louise revirou os olhos e colocou suas coisas no porta-malas do Aston Martin prateado.

—O que você está fazendo? –Edward perguntou.

—Vamos lá, Sherlock, você mesmo responde essa.

—Ok, ok. –O vampiro resmungou antes de assumir o volante.

Anne Louise entrou logo depois. Os outros seguiram a ação tomando seus lugares no carro, com exceção de Jasper que foi para sua moto.

—Por que ela está indo conosco? –Emmett continuava sem entender.

—Ela não veio de carona com Carlisle, Emmett? –Rosalie perguntou ríspida.

—Ah!

Anne Louise riu, sendo acompanhada por Alice e Edward. O caminho de volta para casa foi silencioso e a ruiva passou todo o tempo pensando no garoto na sua última turma. O que será que o fazia ser diferente? Ele pouco participava da aula e Anne Louise notara que não era por falta de conhecimento, já que quando ela apresentou o livro, ele relaxou consideravelmente e ela deduzira que ele já lera. Sua atenção voltou ao presente quando sentiu o solavanco do freio de mão.

Esme os esperava na porta e cumprimentou um a um. Edward era o último, junto de Anne Louise. Enquanto trancava o carro e ia em direção à Esme, ele passou pela ruiva e murmurou:

—Nem pense em caçar um alvo fácil.

Isto a irritou e Anne Louise revidou:

—Prevê o futuro desde quando? Não vou caçar ninguém. Pensei que tivesse deixado minha nova dieta bem clara pra você, idiota!

—Anne Louise? –Esme perguntou confusa.

—Edward acha que irei caçar um humano por ele ser mais frágil.

—Interpretei os pensamentos dela errado, mãe. –Edward respondeu rapidamente.

—Você nem tinha o direito de estar na minha mente!

—Edward, Anne Louise tem razão. –Esme concordou.

—Não é algo que eu controle! –Retrucou, indignado.

—Então ignore! –Anne Louise disse antes de passar pelos dois vampiros e se dirigir para dentro da casa. –Respeitei-o mais do que você merecia, Edward, mas já basta! Sou amiga da Bella e as dores delas são as minhas, só que não sou ela para você descontar sua frustração. Então me respeite e mantenha distância, porque eu não sou uma santa. Não hesitarei em atacá-lo.

—Anne Louise...

—Não se preocupe Esme, está tudo bem. Eu vou caçar animais e quando eu voltar, poderemos terminar o projeto da reforma de uma vez.

Então a ruiva correu para a floresta. Se os próximos dias fossem como aquele foi, ela deveria estar preparada para mais um dia resistindo à tentação. Ela caçou alguns poucos animais pequenos, como já havia caçado recentemente, não beberia muito, mas tinha de se manter saturada para evitar acidentes.

Quando pulou o rio que ficava atrás da casa dos Cullen, já era o crepúsculo e Bella saia pela porta de vidro.

—Vai para a cabana?

—Olá, Anne! Como foi seu primeiro dia? Acompanhe-me, por favor.

Elas andaram juntas até a cabana. Bella abriu a porta e sorriu levemente ao entrar no ambiente aconchegante. Ela acendeu a lareira, não porque elas sentiam frio, mas porque era confortável sentir o calor. Anne Louise assistia do seu canto enquanto Bella estimulava a brasa a criar labaredas com um assoprador.

—Você seria uma boa dona de casa, já lhe disse isso?

—Já, em Nova Iorque.

—Acho que lá eu disse que você seria um desastre, por causa do bolo.

—Mas eu já fui “dona de casa” então acho que sei avaliar meu desempenho.

—Teve de cozinhar? –Anne sufocou uma risada.

—Só quando humana.

Anne Louise gargalhou com vontade. Bella apenas sorriu e se esparramou no sofá. Quando conseguiu se controlar, a ruiva acompanhou-a sentando-se na poltrona ao seu lado.

—Como foi seu primeiro dia? –Bella repetiu a pergunta feita no jardim.

—Foi... Difícil. Mas eu consegui.

O sorriso que Anne Louise abriu naquele momento foi o suficiente para iluminar todo o dia de Bella, que não pôde evitar sorrir de volta.

—Estou tão orgulhosa de você! –Ela exclamou abraçando a ruiva.

—Obrigada, Bella. Você sabe que eu não conseguiria sem você.

Bella olhou sobre o ombro de Anne Louise e disse:

—É. Eu tenho experiência com reabilitação de vampiros, não é, Jazz?

A porta se abre e Jasper e Alice entram. Anne Louise olhou para trás sorrindo. Jasper deu de ombros.

—Pois é. –Disse. –Bella é a mais indicada para o serviço.

—Como foi o primeiro dia, Bella? –Alice perguntou se sentando ao seu lado no sofá.

—Foi bom. Acho que vou adquirir experiências interessantes no hospital.

—Que bom. Mas já que os segredos mais obscuros você só conta para quem está aqui, me diga: Como vai fazer para aquele presente entrar em casa sem ele perceber?

Bella travou na hora e Anne Louise olhou para ela confusa.

—O Natal está chegando. –Bella explicou para Anne Louise. –Como você...

—Eu vi você comprar assim que entrou na loja. –Alice se adiantou.

—E quem disse que eu vou...

—Dar para o Edward? Eu vi isso também. Logo depois de você fechar a compra.

—Eu não acho que vá...

—Ah, você vai.

—Dá para me deixar terminar minhas frases, Alice?

—Eu acho uma boa ideia, Alice. –Jasper assentiu rindo.

—Eu também, eu adoraria saber o que está acontecendo. Bella, você comprou um presente para aquele idiota? –Anne Louise perguntou indignada.

—Não comprei para ele! E ele não é idiota!

—Ah é. –Anne Louise resmungou.

—Comprou sim! –Alice retrucou.

—Fique quieta, anã! –Bella reclamou e então se virou para a ruiva e o loiro que observavam ao diálogo, confusos e intrigados. –Eu fui a uma loja de antiguidades no almoço para comprar o presente de Esme e por um milagre achei meu piano.

—O seu piano? –Jasper perguntou se virando para ela. – Você quer dizer... O de Chicago?

—Veio comigo da França. 1859. A mansão sobreviveu ao incêndio de 1871. –Sua voz estava carregada de emoção. –Quando eu vi... Eu simplesmente não pude não comprá-lo. Eu podia ver Edward ali, tocando. Tocando para mim. Não pude controlar o impulso.

—Mas você sabe que isso não vai acontecer mais, não é? –Anne Louise estava preocupada. –Quero dizer... Você não vai dar o piano para ele esperando que ele aceite de bom grado e fique feliz e depois faça uma apresentação exclusiva, não é? Todos nós já sabemos que ele não toca quando você está por perto.

—Eu já disse que não vou dar para ele! Vou colocá-lo na cabana, ou então no meu quarto. Falando nisso, obrigada pelos materiais de arte, Alice.

—Disponha. –Ela respondeu brevemente e voltou a falar, insistindo em não encerrar o assunto. –Só que Bella, nós duas sabemos que você vai dar para ele.

—Eu já disse que não.

—Então por que não comprou nada para ele ainda?

—Eu vou dar um cartão como todos os anos.

Jasper pegou a insegurança nos sentimentos da irmã e ficou alerta.

—Bella, olhe para mim.

—Jazz...

—Olhe para mim. –Ela se virou para ele. –Se passou em algum momento na sua cabeça dar o piano para Edward Masen?

—Cullen. –Corrigiu Alice rapidamente. –Ele é da família, lembra-se.

—Não para mim. –Jasper respondeu. –Bella?

A morena hesitou.

—Sim, mas só por um instante. Então eu desconsiderei e...

—Colocou no modo “pensar depois”? –Jasper completou levemente exaltado.

Bella assentiu e Anne Louise pegou a mão dela. Delicadamente Bella desfez o aperto afetivo, o que fez a ruiva revirar os olhos.

—Bella, eu não sei se é uma boa ideia e Jasper concorda comigo. Porém Alice aprova o que você quer fazer e eu não sei se ela já teve uma visão sobre isso, mas saiba que irei apoiá-la no que você decidir fazer, ok? –Então ela se levantou. –É melhor você discutir isso com seus irmãos, eu tenho de ir terminar minhas coisas com Esme, ok?

Então, sem esperar resposta, a vampira ruiva saiu, deixando Bella, Jasper e Alice a sós. Bella suspirou, assim como o irmão e nenhum dos três pareciam dispostos a retomar a discussão, apesar de ser necessário. Portanto a vidente tomou coragem e uma longa inspiração antes de começar.

—Olha, o Natal é em poucas semanas, então se você quiser trazer seu artefato para cá sem Edward ficar sabendo tem de ser no seu horário de almoço e com a ajuda de Esme. Nós teremos a esperteza o suficiente para manter isso longe dos nossos pensamentos, então não demore a se decidir, ok?

Alice então também saiu, sem deixar margem para contestação de Bella. Percebendo que teria de encarar toda a preocupação do irmão, Bella suspirou e passou a mão pelos cabelos.
—Pode começar o discurso, Jazz. –Ela disse resignada.

—O que eu posso dizer? –Ele deu de ombros. –Você sabe que eu sou totalmente contra e sabe que eu também não aposto contra Alice. Se ela diz que você vai dar é porque vocês duas sabem que é o que vai acontecer. Edward terá uma bela surpresa no Natal.

Ele se levantou e começo a andar em círculos. Bella não se mexeu, seu olhar fixo em um ponto qualquer no assoalho da sala, sem realmente ver.

—O que eu devo fazer Jazz? –Ela murmurou, desolada. –Eu devo isso a ele.

—Você não deve nada a ele! –Jasper esbravejou.

—Não?! Quem foi que enfiou ele nessa vida sombria?! Era para ele ter sido feliz, continuado humano, ter uma esposa fiel e atenciosa, que o amasse, filhos, netos...

—Mas você acredita que ele nunca iria amar a uma esposa que não fosse você, não é? –Jasper disse carinhoso, se sentando ao lado da irmã. –Você precisa do amor dele. Nunca pôde evitar isso, Bella. Ele também a amou, um dia, por isso foi escolha dele. Você não deve nada a ele, só está tentando deixá-lo mais feliz. –Ele suspirou. –Eu não posso lutar contra seu coração, Bella. Nem você mesma pode.

Bella sentia os olhos arderem, mas sabia que as lágrimas não viriam. Ela também não queria chorar. Ela apoiou a cabeça no ombro dele e resmungou:

—Eu odeio tudo isso, sabia? Eu tento ser forte e seguir em frente, mas é como uma maldição! Não para de me perseguir! Ele seguiu em frente, porque eu não posso fazer o mesmo?

—Eu não acho que ele seja totalmente indiferente. Ele discute consigo mesmo e fica confuso, mas a raiva domina tudo. Ele deve ter razões muito fortes para guardar ressentimentos de você, ou é muito cabeça-dura e idiota. O que eu acho mais provável.

—Para mim, ele já deixou bem claro como se sente. –Ela disse com amargura pensando no dia de seu reencontro, pensando nas palavras que ele lhe dissera naquela noite.

Logo ela sentiu uma calma anormal tomando conta de si e sorriu fraco para o loiro, que já sorria alentador para ela. Então os dois passaram a olhar para o fogo.

—Obrigada de novo, Jazz.

—Irmãos são para isso, Bells!

—Ah não! –Gemeu ela. –Você também não!

—Admita que você até acha bonitinho. É um apelido carinhoso, Bells.

Ela resmungou algumas coisas incompreensíveis envolvendo Emmett ser uma como uma criança irritante, emburrada e Jasper só pôde rir. Eles ficaram mais um tempo em silêncio então escutaram passos se aproximando da casa.

—Eu disse que iria dar uma fugida com Alice em busca de um pouco de privacidade. Carlisle está vindo. Tudo bem se eu for embora?

—Tudo bem. Eu não quero que Alice venha me matar depois por ter estragado a noite de vocês. Estava querendo conversar com papai mesmo.

Jasper soltou uma risadinha e se levantou, dando um beijo na testa de Bella e indo em direção à porta. Quando a abriu, Carlisle já estava na porta.

—Olá filhos!

—Oi, pai. –Ele respondeu ao mesmo tempo de Bella.

—Alice está te esperando. Impaciente.

—Já vim buscá-lo, pai. –A voz de Alice surgiu de trás do médico e a figura da pequena vampira saiu de trás das árvores. –Achei que Bella tinha te sequestrado, amor. Vamos? –Ela estendeu a mão.

—Vamos. –Jasper concordou. –Tchau para vocês.

Então os dois sumiram de vista. Carlisle permanecia na soleira da porta e Bella ainda estava deitada quando ela disse:

—Entre, Carlisle.

—Como foi seu dia, filha?

—Bom.

—Ahã. O que aconteceu? –Ele se sentou na poltrona ao lado do sofá.

—Tem um médico prepotente e viciado em analgésicos cuidando de uma paciente que eu deveria assumir.

—Sério? Quem? –Carlisle perguntou preocupado.

Bella se sentou e olhou nos olhos do pai, séria.

—O que você sabe sobre o Doutor Gregory House?

—Doutor House?! –Carlisle exclamou espantado. –Você trabalha com o House?

—Eu não trabalho com ele, mas sim no mesmo hospital que ele. Qual a surpresa?

—Ele é um bom médico, mas...

—Uma péssima pessoa. Eu já notei. Ele não segue a ética, ama pisar em todo mundo, além de viver colocando a equipe dele em conflito. Acho que ele ama manter conflitos ao seu redor, assim como o clima de tensão.

—Ele é individualista e não acredita no lado bom que as pessoas podem ter. Para ele, as pessoas fazem tudo com uma intenção que irá beneficiar a si mesmos.

—A humanidade pode ter mais defeitos que qualidades, mas existem coisas boas! A amargura dele não justifica ele se drogar e arriscar a vida de pacientes! Ele assumiu o caso de uma criança que deveria ser minha, mas ele deixa os assistentes deles resolverem tudo os colocando em uma competição de quem acerta o diagnóstico primeiro! Ele vai matar a menina e eu aposto que, assim como eu, ele já tem um diagnóstico correto. –Bella exclamava, expressando toda a sua indignação com o médico.

—E você não pode se impor, porque vai contra a autonomia do médico responsável pelo caso. –Carlisle murmurou compreendendo. –Bem, filha, você deve apreender a lidar com ele, pois ele realmente é um bom médico e sua taxa de fracassos é mínima, portanto o hospital o mantém protegido consigo.

—Se eu tiver de conviver com ele, vou acabar matando-o. –Bella grunhiu.

—Você vai fazer a coisa certa. E eu aposto que quando eles não tiverem mais solução vão consultar um pediatra e como você provavelmente já implicou com House e é a novata, ele vai querer testar você e, provavelmente, induzi-la ao erro. Portanto, cuidado e paciência. Acima de tudo, paciência.

—Você sabe muito dele, já foram colegas? –Bella perguntou interessada.

—Sim, mas faz muito tempo, por isso evito topar com ele. Seria estranho ele ter envelhecido um bocado e eu continuar charmoso desse jeito. –Carlisle fez piada se levantando e fazendo algumas posições com o objetivo de exaltar os músculos.

“Isso faz com que ele pareça mais jovem.” a morena observou alegremente. Então ela sorriu e disse, se levantando também:

—Você está passando muito tempo com Emmett.

—Hey! Não sou só eu que pego manias dos outros, viu? Em dez anos consegui educar e muito vocês.

—É... Nós somos bons filhotes. –Ela balançou a cabeça afirmativamente, concordando.

—Há! Viu?! Você também não é a rainha da humildade. –Ele apontou zombeteiro.

—Acho que Esme está te chamando, Carlisle. –Bella empurrou-o para a porta, de brincadeira.

—Vai para casa passar a noite conosco? –Carlisle perguntou na soleira da porta.

—Não. –Ela suspirou. –Acho que hoje vou ficar por aqui. Vou dar privacidade para vocês. Fora isso, eu quero ler algumas coisas e ocupar a mente, você sabe como é. Amanhã eu vou mais cedo para o hospital. Quero saber que horas Dr. House chega e eu quero ver a garota sem ninguém por perto.

—Não teve mais nenhum outro paciente, ou está obcecada com essa?

—Nem um, nem outro. Tive vários pacientes, mas eu me preocupo com o que vai acontecer com essa garota se House continuar com seu joguinho de intrigas em sua equipe.

—Eu acho que deve se preocupar menos e confiar um pouco mais no Dr. House. –Carlisle disse olhando seriamente para a filha.

—Certo pai. –Ela suspirou concordando. –Eu prometo tentar ser uma boa colega de trabalho.

—Essa é minha garota! –Ele disse bagunçando levemente os cabelos de Bella, antes de sair.

Quando Carlisle já estava a uma distância considerável, Bella murmurou:

—Enfim só!

Ela adentrou a sala onde estavam suas coisas, “Petit Musée” ou “Pequeno Museu”, como ela apelidara em homenagem ao esforço e carinho de Alice. Contrariando seus planos de estudos e leitura, ela foi até um dos balcões e retirou da vitrina uma caixinha trabalhada em ouro. Cuidadosamente ela abriu a caixa e tirou de lá um crucifixo de cobre antigo e desgastado. Exames de perícia ou uma visão atenta de um vampiro iria notar uma grande mancha de sangue na ponta inferior do objeto que estava chamuscado. Bella olhou com nostalgia para o artefato de mais de 700 anos enquanto se sentava no chão. As imagens do dia de sua transformação voltaram à sua mente mais uma vez.

Notas finais
Olá! Mais uma vez pedimos desculpas pela demora. Eseramos que entandam. E aí? O que acharam do capítulo? Esperamos que tenham gostado. Beijos!!!