When You Wish Upon A Star
2 Capítulo 01 - A mensagem do Ciborgue
Notas iniciais
Capítulo I – A mensagem do Ciborgue.
Jim Hawkins

O planeta Montresor nunca esteve tão quieto e sem graça. Após tanto tempo na Academia com a ótima indicação da Capitã Amélia, Jim Hawkins voltou em clima de festa à Hospedaria Benbow. A mãe havia deixado tudo limpo e bonito! As paredes foram pintadas outra vez, os clientes também estavam ajudando, e muita música já soava do lado de fora, quando o rapaz chegou.
“Ela é tão exagerada.” Pensou, enquanto caminhava na direção da porta. Conseguiu ouvir várias vezes assobios e risinhos baixos, pedindo silêncio. Não tinha como disfarçar tanto barulho de tanta gente reunida. Apesar de ter sido reconstruída com o resto do tesouro, Sarah Hawkins ainda preferia o pequeno e gostoso espaço pequeno.
Suspirou antes de endireitar a mochila nas costas, abrindo a porta e escutando vários berros entusiasmados:
– BEM VINDO, JIM!
Havia um grupo enorme de amigos da família! A senhora Danwood, as crianças do Sr. Hallow e até mesmo B.E.N. estava ali. Por um instante, o rapaz viu todos com exceção da mãe, que subitamente pulou em seu pescoço com um abraço apertado.
– Senti tanto a sua falta! – ela falou alto, e ela a abraçou de volta.
– Também senti a sua, mãe.
A música da Hospedaria começou a tocar, deixando todos mais animados, enquanto os dois ainda se abraçavam. Foram interrompidos por um berrou vindo de trás de Sarah.
– Devo admitir que você está muito bem, jovem Jim!
Soltaram-se, e o rapaz pode ver o Doutor Delbert Doppler estendendo o braço como um cumprimento. Os dois sorriram.
– É bom está em casa. – Jim murmurou com sua voz preguiçosa estendida, passando a mão atrás da nuca. – Vocês não precisavam ter feito tudo isso.
– Desde àquela aventura louca de vocês dois, eu comemoro sempre que você está de volta! – Sarah Hawkins falou com as mãos na cintura.
Rapidamente, o Dr. Doppler, cutucou Jim com o cotovelo, falando baixinho:
– Ela ainda vai levar todos malucos com essas surpresas. E pior, Amélia não precisa mais cuidar dos bebês, então vira a Capitã Ditadora “Poética” que conhecemos.
Jim riu abertamente.
– Por falar nela, onde estão as crianças também?
O doutor indicou o fundo do salão um enorme Galloupt do Planeta Vaxus dormindo – um ser grande e com barriga redonda como uma bola cheia de ar, enquanto seu rosto era amarelado com trompas e chifres que imitavam galhos de árvore. De repente, debaixo da trompa surgiu uma menininha felina de vestido amarelo, rindo travessa, enquanto de cada lado do Galloupt apareciam mais duas de vestidos diferentes.
As três pularam de cima dele e saíram correndo até o doutor quando, do nada, BANG! BANG! BAND! Várias mini explosões assustaram o Galloupt, que saltou do próprio banco com um berro uivante.
– Kit! Maw! Kat! – alguém berrou do outro lado do salão.
– To vendo que continuam as mesmas travessas. – Jim gargalhou, abaixando-se para cumprimentá-las – Continuam dando muito trabalho para os pais de vocês, eihm?
As três começaram a rir, antes que uma mão as levantasse pelos vestidos ao mesmo tempo. Jim tomou um susto quando viu a esbelta Capitã Amélia séria ao olhar para as filhas e falar:
– Minhas pequenas pestes desordeiras, quantas vezes já mencionei o problema de bombinhas na Hospedaria?! – Amélia rugiu até tomar um susto com a presença de Jim e largar as meninas no chão – Ah! Jovem Hawkins! Que prazes revê-lo. As vestes da Academia lhe servem extremamente bem.
– Eu falei que ela estava mandona. – Delbert Doppler sibilou antes de se voltar para ela – Está radiante como sempre, querida. Vamos reunir os meninos, o que acha?
– Fascinante! – Amélia respondeu com entusiasmo, movimentando suas orelhas. – Deixaremos os quatro presos a noite inteira até que tenham aprendido a lição. Onde está o menino?
Os dois adentraram rapidamente no salão, deixando Jim e Sarah com risadas estonteantes. Já fazia mais de um ano que ele não voltava para casa, mas nada havia mudado desde a última surpresa, além do tamanho dos filhos do Professor e da Capitã.
Foi quando Jim deu-se conta de que algo extremamente importante ainda não havia aparecido para dar as boas vindas! Olhou para todos os lados antes de cutucar a mãe, dizendo com as sobrancelhas erguidas:
– Oh, mãe... Cadê o Morph?
Ela sorriu e arrancou a mochila das costas de Jim.
– Aquele seu bichinho me deu o maior trabalho de tanta saudade que sentiu de você. É bom levá-lo da próxima vez. – ela falou com um suspiro – Olhe para cima, querido.
Já com entusiasmo, Jim fitou o teto e um balão mais brilhoso que os outros tremendo e tremendo até se desmanchar em uma pequenina gosma rosada e transparente com grandes e gordos olhos.
– Morph! – ele berrou e a gosma chacoalhou com velocidade até ir de encontro ao rosto dele com um sorriso maior que seu próprio tamanho. – Nem senti a sua falta!
Morph não emitiu som, apenas emaranhou-se com sorriso maior que seu tamanho no pescoço de Jim, que ria abertamente. A música tornou-se mais alta, e os convidados de Sarah dançavam com alegria.
– Jim! Jimmy! Jim! – B.E.N. veio correndo e berrando. O robô dançou e rodopiou em seu próprio eixo, fazendo o rapaz rir mais abertamente. Os dois se abraçaram. – Bom te ver de voooooolta, garoto! Andou por aí em galeões gigantes, pulando em ondas de aglomerados globulares, em nebulosas de cores nunca vistas, em quasars distantes e...
– Sim sim sim sim, B.E.N.! – Jim levantou os braços para que ele parasse de falar – Estou viajando bastante!
O robô chacoalhou a cabeça e brilho a tela dos olhos com mais intensidade, parecendo uma lanterna, nos olhos do rapaz.
– Entendi entendi! Está entendido! Aqui temos muuuito trabalho todo dia! – ele berrou mais alto.
Jim coçou o pescoço, falando:
– Pelo visto, você está meio desregulado. O que houve?
– Um simpaticíssimo senhor veio há alguns dias e disse que iria me dar uns tratos, acabou que era mais um pirata maluco que me roubou as peças! – ele respondeu com entusiasmo, saltando com algumas faíscas ao redor da cabeça. – Homens loucos estão aparecendo todo dia por causa da Estrela!
Mais uma vez, o assunto havia retornado. Muitos haviam abandonado a Academia por conta do anuncio.
– Por aqui também falam da Estrela?
– Como looooooucos! – B.E.N. berrou, chamando a atenção de Sarah.
Ela andou calmamente até o filho e arqueou as sobrancelhas, falando:
– Do que estão falando?
– Dos loucos! Loucos! Loucos! MA-LU-COS! – o robô continuou, ensurdecendo os dois outros.
Jim levou B.E.N. aos fundos da Hospedaria Benbow, enquanto a noite seguia. A reunião de boas vindas durou bastante, até a primeira das quatro luas de Montressor desaparecer dos céus. O último a ir embora foi o Doutor Doppler, enchendo o rapaz de elogios para a mãe.
Havia passado três anos, desde que Delbert Doppler e Jim Hawkins zarparam de Montressor e seguiram na direção do Planeta do Tesouro do pirata Nathaniel Flint! No navio, conheceram a Capitã Amélia e o traiçoeiro pirata Long John Silver. B.E.N. também se juntou a eles durante a aventura. Encontraram o tesouro de Flint, mas o planeta foi destruído...
Não era a primeira vez que Jim consertava B.E.N., sempre que voltava para casa fazia um rápido ajuste nos equipamentos e voilá.
– E então, está melhor? – ele falou, batendo na cabeça do robô.
O outro retorceu a cabeça e piscou todos os quadradinhos de luzes que lhe brilhavam nos olhos.
– Novo em folha, Jim! Uou! – ele se balançou e rebolou o quadril magro – De todos os seres feitos à base de carbono, você é o mais inteligente que conheço! O velho mestre que me decepou quatro fios de memória concordou comigo.
Ligeiramente, o rapaz retorceu a boca, murmurando:
– Velho mestre?
– Sim sim sim! – continuou B.E.N., agora passando as luzes pelo olho como se fizesse um download de sua memória. – Foi ele! Foi ele! Foi Silver! Silver passou por aqui e me entregou algo para te entregar, eu não poderia falar para ninguém, por isso retirou-me um pedaço da memória!
– Silver? – Jim soluçou num susto. – Ele esteve aqui? Como assim? O que ele falou, B.E.N.?!
B.E.N. bateu seguidas vezes em sua cabeça até berrar:
– Siim! Ele entregou! Tenho no bolso... Em algum bolso de alguma calça.
Instantaneamente, Jim bateu a palma da mão na própria cara. Não que B.E.N. fosse o pior exemplo de cérebro mecânico, mas já fazia um bom tempo que estavam juntos, foram raras as ocasiões que ele realmente fechou a matraca.
– B.E.N.! Seja claro! O que ele te deu?
– Acho que alguém voltou estressadinho da Academia... – o outro falou baixinho, cutucando Morph com o cotovelo. – Enfim, essas coisas não servem mesmo para mim! O cara era feio que nem a minha tia, começou a falar umas baboseiras sobre um tipo de nave e sobre umas outras milhões de maravilhas estonteantes com aquele sotaque meio Sistema de Gallangarsee, uns amotinados d-
A mão do rapaz fechou a boca móvel do robô, que aquietou-se rapidamente.
– Você é mesmo muito maluco. – Jim falou, rindo. – O que o Silver te entregou?
Ele não falou mais, apenas levantou a mão metálica e correu para o interior da Hospedaria Benbow. Algo estava estranho, em todos os anos que haviam se passado, Silver jamais entrou em contato com ninguém. Vez ou outra, seu nome era dito pelas patrulhas de Zeus, que o procuravam vivo ou morto por seus inúmeros crimes.
Um pirata seria sempre um pirata. Até mesmo Silver com todo seu jeito intenso e alucinado por um desejo... Desejo... Não demorou para que Jim imaginasse que Silver também estaria atrás da Estrela.
B.E.N. retornou com um disco em mãos e olhou para todos os lados antes de murmurar:
– Ele falou para manter isso longe da sua mãe. Ela não te deixaria partir.
No intante em que Jim pôs as mãos no disco, um holograma saltou para cima, formando o corpo gordo e decaído de Long John Silver.
– JIMBO! – sua voz rouca e eletrônica por conta da gravação em holograma soou, fazendo as sobrancelhas de Jim se erguerem com força, e seus olhos saltarem num susto. – Como anda o Morph? Espero que esteja cuidando dele muito bem por mim. Você está de olho no filhote, não está, Morph?!
O pequeno Morph mudou sua forma para a figura de Silver, mostrando um dedo metálico e repetindo “Filhote! Filhote!”, seguidamente de uma risada.
– Fica quieto, Morph. – Jim brincou, voltando a olhar para o holograma.
– Sabe, meu rapaz, essas loucuras de ir atrás de um sonho já levaram esse velho ciborgue a vários planetas esquecidos e a vários sistemas assustadores! Cedo ou tarde, um homem tem que deixar as coisas menos importantes de lado e se acalmar... HAHAHAHAHAHA.
– Idiota, acha realmente que eu vou acreditar que parou? – Jim sibilou.
– Sabe, Jimmy, eu acho que ele não pode te escutar. – B.E.N. falou, mas o rapaz o ignorou.
O ciborgue no holograma chorava graxa no olho biônico de tanto rir. Como sempre, apenas ele ria das próprias piadas que apenas ele julgava serem engraçadas.
– Você provavelmente não acreditou nessa porcaria, não é, Jimbo? Vou cortar a baboseira. – Silver falou, em seguida pigarreou e olhou severamente para Jim – Nessas minhas aventuras por lugares que você nunca imaginou, tive o desprazer se encontrar seres nada parecidos com você. Há alguns dias, encontrei uma coisa gigante! Um presente para você! Nós não nos veremos mais, por isso estou deixando para você essa belezuuuuura!
A imagem de Silver desapareceu, e, em seu lugar, surgiu o holograma de um magnífico e fino veleiro do tipo Clipper. Suas velas eram altas, tinha canhões de íon KT-8 na artilharia, escudos térmicos e defensores planetários v-147. Era magnífico!
– O que diabos se passa pela cabeça desse ciborgue maluco? – o rapaz disse, mas não conseguiu conter o sorriso.
– Este é o Fanstasia. Essa beleza cortar a espaço com um casco estilizado e é considerado um dos mais rápidos tipos de veleiro! – a voz do pirata continuou enquanto o holograma do barco girava, entretanto os olhos atentos de B.E.N. e Morph. – Sinceramente, Jimbo, esse é o tipo que só você pode navegar. Opa! Já vou indo, estão me chamando ali do outro lado HAHAHA. As coordenadas estão com esse robô idiota. Elas vão te levar a um planeta chamado Tartan governado por um reizinho de meia tigela que tentou me arrancar o outro olho HAHAHA.
Então, a imagem desapareceu.
Não conformado, Jim chacoalhou o disco e resmungou:
– Isso ta muito mal explicado! Volta aqui, Silver!
Subitamente, a porta dos fundos se abriu, e ele ligeiramente pôs o disco dentro do casado. Era Sarah Hawkins quem entrava com vários pratos e uma feição despreocupada. Seus passos leves passearam pela cozinha e voltaram ao salão.
– Er... Jimmy,você não está pensando no que meus circuitos acham que está pensando, está? – B.E.N. balbuciou.
Não houve resposta do rapaz, além de um pequenino sorriso. Por conta disso, Morph estremeceu e desmanchou sua própria forma em lágrimas, enquanto B.E.N. ameaçou chamar a Sra. Hawkins.
Naquela mesma noite, Jim iniciou o caminho sem volta do destino.
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